segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ser ou não ser Charlie, eis a questão

A semana que passou foi fatídica, levando grande parte da população a expressar a sua opinião sobre o massacre levado a cabo sobre os jornalistas e cartoonistas do “Charlie Hebdo”. Muitas foram as opiniões, muito se afirmaram e afirmam “Charlie”.
Ser Charlie é acreditar na liberdade da imprensa, pilar fundamental de qualquer democracia, mas também defender que o humor e a sátira são uma forma superior de inteligência.
Compreendem todos o humor de Charlie Hebdo? Julgo que não. Muita gente se arrepiou a ver a sua forma de retratar a realidade? Com certeza que sim.
Saber rir da nossa sociedade, das diferentes culturas e credos, das diferentes formas de estar e das diferentes visões políticas, é uma enorme virtude. Saber rir de nós próprios e do que nos rodeia é o primeiro passo para nos desenvolvermos e construirmos uma sociedade mais justa.
Esta liberdade de rir, esta liberdade de poder publicar, não pode ser abalada pelo medo. É contra o medo que me afirmo “Charlie”. Não, não tenho medo! Não sei que sentido cada um deu à frase “Je suis Charlie”. Para mim, é uma forma de gritar ao mundo que não tenho medo. Não tenho medo dos terroristas, sejam eles quem forem, com ou sem máscara, com ou sem armas de fogo. Não tenho medo de “Jihadistas”, como não tenho medo de fascistas e ultra-liberais.
Não temo, e confronto todas e todos os que se afirmam “Charlie”, que ontem marcharam pela República e pela Liberdade, mas que no dia-a-dia enfraquecem todos os pilares da democracia. Senhores e senhoras que querem matar (sem armas de fogo, mas com outras, quiçá mais perigosas) a liberdade, a fraternidade e a igualdade.
Marchou Assunção Esteves que não permitiu que os Capitães de Abril falassem na Casa da Democracia Portuguesa. Marchou Passos Coelho que lidera uma política de austeridade que empobrece e mata, e um partido que atenta contra as minorias étnicas e sexuais. Marcharam Hollande e Sarkozy, rostos da austeridade em França. E marchou Merkel, a chanceler implacável que quer destruir a Europa do Sul e a Europa Social. Mas marcharam, também, muitas e muitos jornalistas que diariamente cedem ao medo e à chantagem.
Eu sou Charlie, mas estou, sobretudo, de pé, contra todas e todos aqueles que ameaçam diariamente a Europa da Solidariedade, da Justiça e da Igualdade. Esta semana fomos Charlie, quantos seremos amanhã?
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

9 comentários:

  1. Á atenção da autoridade policial.
    Quito cigano ontem ás 19.00 horas cegou um jovem à bengalada, qual o meu espanto não lhe foi tirada à arma do crime.
    Se quem manda na Praça do Giraldo é o Quito Cigano parece que a policia o respeita mais do que ao cidadão que trabalha e paga impostos.
    Ou então dá a ideia que pode fazer tudo sem ser encanado porque vai informando a própria policia só pode ser.
    Quito é informador daí nada lhe acontecer

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  2. Amanha...ou seja já hoje somos os de sempre!
    E já ontem eramos, pois se fossemos mais, não teriam ido atrás desses que referem, teriam mudado de rota e feito uma manif onde eles não pudessem fazer demagogia! Sim bem sei que estavam separados...mas isso não me satisfaz! O que eu queria era que tivessem mudado de rua, deixado esses de que falas sozinhos. Isso sim faria de todos Charlie. Mas isto sou eu e o meu mau feitio!
    Lurdes

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  3. Chegarás a ser algum dia Torres gémeas? Ou atentados na Indonésia? Ou civis degolados pelo Estado Islâmico? É que eu nunca te vi na rua a fazer vigílias por eles. Apenas isso. É que ver os problemas apenas por um prima, pode ser um estado superior de idiotice e faciosismo.

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  4. "...Senhores e senhoras que querem matar (sem armas de fogo, mas com outras, quiçá mais perigosas) a liberdade, a fraternidade e a igualdade..."

    ESTES gajos do bloco de esquerda são alucinados congénitos.
    Afinal diz-nos lá qual o modelo de país que preconizas, dentro dos quase duzentos países que existem no planeta? Diz-nos qual o país Socialista que te serve de modelo, que é para nós podermos discutir contigo o verdadeiro significado de Liberdade, Democracia, Fraternidade, etc?!!

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  5. Uma bela crónica do Bruno Martins.

    É preciso ser terrorista para ter a coragem de discordar de uma única das suas afirmações.
    É preciso ser terrorista para só condenar os crimes das vitimas do Ocidente, e ser absolutamente cego aos crimes do Ocidente.
    É preciso ser terrorista, ignorante, corrupto, para não ver a relação causa-efeito, entre a violência do colonialismo, e o desejo de libertação dos explorados.

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    1. camarada cassete.
      obrigado pela luz que saiu dessa móca

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    2. Explorados são os homens e as Mulheres em Cuba. Elas, se querem ter mais alguma coisinha têm que se dar à exploração sexual...e eles, assim que podem piram-se. Quantos médicos Cubanos já ficaram por Portugal, desertando à opressão Cubana e atletas por esse mundo fora?

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  6. Sim uma bela crónica, Bruno!

    Mas se houve algo que me marcou, foi uma frase, na manifestação de Paris e que à maioria, talvez tivesse passada despercebida.
    Talvez, perante ela, ateus, agnósticos, crentes de qualquer religião se curvem...
    A frase era "Dieu est humeur"

    António Gomes

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    1. Sonho - infelizmente não passa disso - que o Bruno escreva uma crónica sobre a liberdade de expressão nos países Socialistas/Comunistas anti-capitalistas que ele tão cegamente é apologista. isso sim, seria uma crónica bela crónica ou hino à liberdade de expressão.

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