quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A oportunidade

Os atentados terroristas ocorridos na última semana em paris, trouxeram à tona o principal problema da Europa democrática. É sem dúvida alguma a segurança dos seus cidadãos. O grande pensador e ensaísta francês Vítor Hugo, já o havia afirmado no século XIX, que, não há liberdade, sem a segurança dos cidadãos.
Na verdade, não há justificação alguma para os ataques terroristas perpetrados pelos irmãos Kouachi de origem magrebina ao jornal francês Charlie Hebdo e o ataque levado a cabo por Amedy Coulibaly a um supermercado judeu. No entanto, as instituições democráticas, europeias e mundiais terão de encontrar soluções para este gravíssimo problema que é o terrorismo. Os regimes democráticos não sobrevivem com restrições permanentes dos direitos e das liberdades.
Com efeito, temo que as elites europeias sejam assoladas de que a resolução do combate ao terrorismo passe pela adopção de medidas securitárias. Ou seja, com a adoção de restrições pouco sensatas ao nível da liberdade de circulação e da reserva da vida privada dos cidadãos. Esta tentação e deriva levar-nos-ia à criação de Estados, perigosamente, fiscalizadores e controladores da vida de cada um dos cidadãos individualmente, considerados. Não morreríamos da doença, todavia, sufocar-nos-iam pela cura e suas consequências. Acho, portanto, que ninguém quer viver sob um regime análogo ao da Coreia do norte, estou certo disso.
Ora, não pretendo avorar-me em especialista na matéria dos assuntos de segurança, porque efectivamente não o sou. Porém, as soluções para o terrorismo, para além de outras que não estou em condições de as discutir por meu desconhecimento, terão de passar pela efectiva reintegração dos cidadãos que residem nos diferentes Estados europeus que tenham outros credos e outras culturas. E, a reintegração e/ou inserção desses cidadãos, passa por criarmos condições de dignidade efectiva e não de uma dignidade aparente. Só a título de exemplo, a guetização é por isso um mau paradigma.
Em síntese, as elites europeias têm uma grande e única oportunidade para inverterem o caminho até então percorrido. Pois, infelizmente, este ataque terrorista foi dirigido a pessoas e a grupos em concreto. Depois disto, só lhes restam os representantes do povo.
Assim, no intuito de evitarmos o recrudescimento das derivas terroristas que nos assolam todos os dias, porventura devam ser criadas as condições para que seja reinventada uma Europa onde todos os cidadãos, independentemente, do género, credo, raça ou condição social possam efectivar as suas legítimas expectativa, fazendo, no menos, jus às premissas da revolução de 1789. Isto significa apelar à civilização e condenar a barbárie.

José Policarpo (crónica na Rádio Diana)

7 comentários:

  1. Terrorismo também são os contratos leoninos feitos pelo bloco central de interesses, que beneficiando os amigos retiram o dinheiro da saúde, da educação e vai para os amigos Ricardos Espiritos Santos e quejando, queremos políticos não vão para lá para ser servir , mas para servir quem votou neles.
    Isso Sr José Policarpo é terrorismo social, não mata a tiro, mata á fome e por falta de medicamentos.
    Ver aqueles sacanas na manifestação de braço dado enjoa

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    1. nem li o artigo...mas assim que passeio os olhos e li Coreia do Norte, lembrei-me logo do camarada cassete de serviço à blogosfera

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  2. A segurança dos cidadãos... é o mote que os tem levado a criar condições para nos controlarem cada vez mais. Contam com os nossos medos e nós deveríamos ter era medo deles os que encabeçaram a manif e os desta ala!
    Lurdes

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    1. Fala por ti e dos teus medos de seres controlada. Ainda ssim, o controlo deste tipo de regime, não é nada comparável com o Socialistas/Comunistas.

      Não me incluas nos teus medos

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    2. vai pra Cuba Lurdes para veres o que é bom pra tosse...a menos que sejas sócia do partido mas aí, tiras as ilações ao contrário

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  3. Eles não são Charlie
    São Holande, Merkel e quejandos culpados da miséria onde nos encontramos
    Agora perseguem as pessoas em nome do combate ao terrorismo, se não gostam das pessoas perseguem-nas

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  4. O problema é que não somos todos ovelhas. Mas havemos de ser, a julgar pela quantidade de gente que olha para uma situação deste tipo e pensa que o problema é a segurança.
    Eu tenho pena, pensava-nos mais inteligentes.

    JS

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