quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Revolta

Joaquim Palminha da Silva
O «homem é a única criatura
que se recusa a ser o que é»
- Albert Camus in, O Homem Revoltado.

      A revolta é um sentimento de insatisfação isolado ou contínuo. Pode exprimir-se num gesto, constituir-se numa atitude ou posição face ao que se quer contrariar. Pode, inclusive, determinar uma acção direta, imediata ou não.
            A revolta é a escolha daquele que foi impedido de escolher. Atitude ou gesto, a revolta manifesta-se perante o arbitrário da vida que, como se sabe, é sempre uma contínua prepotência social para o ser isolado, para o eu.
            Enquanto a revolução é exclusiva da História e tem os dias contados pelos adeptos das ideologias colectivistas, a revolta está ao alcance de todos e só precisa de um acto individual de vontade para se exprimir, de forma a acontecer na realidade espiritual e material da vida.
            Cada revolução tem sempre como objectivo impor a sua Ordem à Ordem estabelecida, naturalmente através de uma falsa-desordem. Porém, seja qual for a revolução, trata-se sempre de um movimento de vanguardas condutoras que, após a tomada do Poder serão conservadoras. O fim da revolução é “fazer parar” o processo histórico da sociedade, de modo a conduzi-la até um estado pré-determinado e, depois, conservá-la dentro do caminho imaginado, “planificando-lhe” a velocidade de andamento e procurando controlar-lhe os eventuais desvios. Nesta ordem de ideias, a revolução comandada pelas ideologias é a negação da mudança a longo termo, ainda que este tipo de revolução se apresente, nos seus tempos heroicos, como potencial motor de inovação revolucionária, e o possa mesmo ser efectivamente…
            A revolução recruta e arregimenta revolucionários, isto é, agentes da nova Ordem, mas nunca terá nas suas fileiras verdadeiros revoltados. – A soma das revoltas individuais nunca deslizará para a revolução. Entretanto, a revolução não aceita de bom grado a presença da revolta individual no seu seio, dado que esta nunca fica quieta, satisfeita e confortada.
            Na verdade, a revolta dependa da capacidade de indagaão de cada um, da consciência que tiver sobre a impossibilidade de viver a sua vida segundo os seus desejos, por pacíficos e fraternos que eles sejam.
            A revolta permanente contra a sociedade e o Poder estabelecido, é um estado de espírito de contínuo alerta, por isso de grande tensão e desgaste. Tem-se verificado porém que, se está ao alcance de todos, só uma minoria tem conseguido praticá-lo com coerência: - Profetas e Santos… Poetas e Anarquistas!

            Normalmente, o cidadão comum revolta-se a conta-gotas, com intermitências. Mas nunca permanece no estado de revolta completamente, sem descanso. A revolta esporádica, assim, levada a efeito é, pois, um desejo de reconciliação disfarçado. A revolta permanente é a forma de estar na vida do ser insatisfeito, do verdadeiro revoltado!

10 comentários:

  1. Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas.
    Vamos aproveitar o tempo a que ainda temos direito.
    Vamos provar que a vida é que vale a pena.
    Vamos cumprir o objectivo da vida.
    Vamos ser inteligentes, vamos recusar o mal.
    Vamos dar o nosso contributo pessoal para a evolução da humanidade.
    Vamos lutar contra os aldrabões que exploram, que roubam, e que matam a humanidade.

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  2. " - Profetas e Santos… Poetas e Anarquistas!"
    Ora uma vez que o artiguinho é de doutrina pergunta-se: - Em qual categoria se inscreverá o deslumbrante teórico da "revolta permanente"?
    Será na dos profetas? - Sim... se as lapalissadas contarem para a qualificação!
    Será na dos santos? - Se santos formos todos, porque não?
    Será na dos poetas? - Pelo padrão actual da nossa praça quem lho poderá recusar?
    Será na dos anarquistas? - Claro! Desde que esta 4ª qualidade seja o somatório das outas três!

    Fica o repto para outras interpretações!




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    Respostas
    1. À Atenção dos serviços de Àguas e Saneamento da CME.
      Na rua João Bosco junto á escola dos salesianos, está uma ruptura de águas há meses, não conseguindo os serviços respectivos sanar o desperdício para a rua de milhares de m3, apesar da água estar cariíssima, é uma dó de alma. Urge resolver pois até para as crianças e utentes do espaço é sempre um obstáculo e enlameamento.

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    2. O problema não são os "poetas" e os "anarquistas".
      O problema são os comentadores mangas de alpaca que passam o tempo de carimbo em riste.
      Tudo o que lhes aparece pela frente só tem direito a existir se for devidamente carimbado.
      Completamente destituidos de empatia.
      Incapazes de apreciar a realidade, ou um seu semelhante que graciosamente se expõe, sem os macular com a porcaria do carimbo.
      Carimbo ou lápis azul, são as armas do fascista para matar o mensageiro.

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  3. A atenção da Gesamb

    Urge uma recolha mais eficaz dos ecopontos e limpeza do espaço.

    A falta de Civismo de alguns cidadãos está a transformar estes espaços em mini-lixeiras.

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  4. 18:41,meu caro coloque esse assunto no site " a minha rua"

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  5. Á atenção dos automobilistas que nos visitam a nossa cidade
    Turista descuidado rebenta com o carter junto á pastelaria violeta, boa passagem de ano.
    Há um desnível quem desconhece pode gripar o carro. Desde esse desnível até junto à universidade há um rasto de óleo, a Câmara é responsável pelo arranjo da viatura

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  6. Paguem o que devem Uma das principais causas da derrocada do BES foi a fuga de capitais para Angola sem controlo, através do BES Angola (BESA). 02.01.2015 23:18 É cerca de três mil milhões o capital que o Estado português deve agora recuperar, sem hesitações. Este enorme buraco resulta, em grande parte, de empréstimos concedidos a personalidades ligadas a José Eduardo dos Santos (JES). No topo da lista está a sua irmã, Marta dos Santos, que usufruiu dum crédito de 800 milhões de dólares. Estes serviram para financiar negócios imobiliários em Talatona, numa parceria com o construtor José Guilherme. O conjunto de bafejados pelo BESA com muitos milhões é extenso, com destaque para membros da cúpula do MPLA, de Roberto Almeida a João Lourenço ou França Ndalu, entre outros. E muitas aquisições de angolanos em Portugal terão sido mesmo realizadas com o capital do BES. A herdade que os filhos de JES adquiriram em Aveiras de Cima resultava aparentemente duma entrada de dinheiro angolano em Portugal. Mas os milhões gastos pertenciam afinal aos depositantes do BES. Esta longa lista de empréstimos, já divulgada em Luanda, é ignorada pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES. Estranho! Até porque é ao Parlamento que compete decretar a recuperação do capital desviado; e destiná-lo à libertação das garantias de 3,5 mil milhões com que o estado português está comprometido no processo de resolução BES/Novo Banco. Os empréstimos que financiaram investimentos imobiliários em território nacional são de fácil recuperação: liquidação dos créditos ou confisco imediato das propriedades. Relativamente ao capital transferido para Angola, só uma operação diplomática junto de JES poderá obviar o problema. Mas mesmo esta será exequível, desde que todos os atores políticos façam valer a sua proximidade ao regime angolano. Começando pelo governo, cujo vice-primeiro-ministro visita frequentemente Luanda onde promove negócios; passando pelo Partido Comunista, que trata o MPLA como "partido irmão"; mas também pelo PS, parceiro do MPLA na Internacional Socialista. E finalmente por Cavaco Silva, que sempre se vangloriou das suas relações "verdadeiramente especiais" com o seu "caro amigo" Dos Santos. ---

    Paulo Morais

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  7. A maoria dos comentários são produzidos por com problemas mentais... Vêm ocupar o espaço para escreverem banalidades e idiotias fora do contexto... Ou são parvos ou comem merda de cão!

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  8. Anónimo das 19.14 achas preferível insultar a pessoa que faz o texto?

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