segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Claúdia Sousa Pereira: uma crónica bem disposta que já vem da semana passada

Déjà-vu

Quando crianças absorvemos com muita atenção e curiosidade os relatos de episódios de vida dos mais velhos. Dou por mim a lembrar-me em particular de um relato das muitas viagens que a minha mãe começou a fazer, após os 25, o de abril e o de novembro.
Tendo vivido intensamente a Revolução e o PREC, a senhora apressou-se a visitar a União Soviética acompanhada de fervorosos adeptos do regime em vigor aí então. Era uma excursão organizada pela Associação Portugal-URSS que agora se chama Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin. Talvez julgasse vir de lá tão maravilhada como Jorge Amado ou, no limite, apenas com um olhar mais crítico como Graciliano Ramos, autores brasileiros comunistas que a propósito de visitas semelhantes escreveram interessantes relatos: Jorge Amado escreveu O mundo da paz, em 1951, mantendo sempre a postura do militante obediente, já Graciliano Ramos viu a publicação das suas críticas serem altamente combatidas pelo aparelho partidário que, ainda assim, não conseguiu impedir a publicação de Memórias do Cárcere em 1953 e Viagem em 1954. Certo é que a senhora minha mãe chegou um bocado “debotada” nas suas convicções mais avermelhadas, não só pelo que efetivamente viu e testemunhou, como pelo convívio com companheiros de viagem que vieram de lá a dizer coisas do género: “as picadas dos mosquitos soviéticos não causam tantas comichões como os daqui” ou “o frio é mais suportável lá do que cá”, e outras que tais, parecendo ter regressado de uma nova Atlântida ou da Ilha da Utopia. Como se tudo o que lá existisse fosse apenas e só o estado final e mais avançado a que Humanidade poderia chegar.
Ora existe um termo, déjà-vu, importado do francês, que traduzido à letra dá em “já visto”, e que se aplica ao conceito que descreve uma experiência que muitas pessoas têm de sentir que já se tinha presenciado anteriormente uma situação que está a decorrer no presente. O déjà-vu é muitas vezes referido na cultura popular. No cinema, por exemplo, a trilogia Matrix mostra o déjà-vu como uma alteração percetível num sistema a meio caminho entre o real e o virtual e Déjà Vu é também o título de um filme protagonizado por Denzel Washington, em que o fenómeno é explicado sob a forma de avisos enviados do passado e de pistas para o futuro. Esta palavra parece até condensar uma outra expressão que ouvimos muito em português: o “eu já vi este filme”.
Pois o que me parece é que esta Évora comunista relatada pelo executivo e seu aparelho - que a maioria dos eborenses, que quiseram votar, democraticamente elegeram - é um episódio de déjà-vu que só pode ter explicação quando revisito as memórias e o relato daquela viagem à União Soviética de 77. O lixo que transborda dos caixotes desta Évora comunista é agora inodoro; o branco dos muros é muito mais branco quando a trincha é comunista; os voluntários têm muito mais vontade porque Évora é comunista; as ervas nos passeios agora comunistas são até bem decorativas; os espetáculos que apoiam a atividade cultural da Câmara comunista são agora todos dignos de transmissões diretas em canal aberto; o Salão Nobre comunista é agora muito mais nobre e o Teatro Garcia de Resende voltou a ser municipal e aberto sem dificuldades nenhumas pelos comunistas; as palmas comunistas são sempre arrancadas do fundo dos corações dos eborenses com muito mais sinceridade e emoção. Isto só para mencionar alguns dos muitos exemplos que poderíamos encontrar. Um arrepiante déjà-vu.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

15 comentários:

  1. Olha a boazona voltou

    ResponderEliminar
  2. A Cultura Srª Ex-vereadora da incultura vai mexendo, no seu tempo nada mexia.
    SE eu fosse á senhora depois do que não fez e devia ter feito, estava calada. Faça como o Eng. Melgão eclipsou-se

    ResponderEliminar
  3. Cara Profª. Cláudia:
    Não sei onde aprendeu a argumentar sobre política... Mas fica-lhe mal utilizar o diz-que-disse, bem como as comparações e estapafúrdias e sem nenhuma lógica. De resto, para piorar a sua prestação política, a Senhora não é propriamente uma cronista, a sua prosa não consegue ter uma ponta de habilidade... Não sei como chegou a Professora universitária, mas o facto é que lá chegou, ..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Deixa lá, há bem pior: não sei como chegou a vereadora, mas o facto é que lá chegou.

      E ainda mais. Chegou a ter o pelouro da Cultura. Felizmente os eborenses tiraram-na desse filme.

      As suas realizações quando tinha responsabilidades executivas na Câmara não foram esquecidas pela generalidade dos agentes culturais do concelho. Só gostava que se voltasse a candidatar, para o PS repetir o apropriado resultado eleitoral. Pode ser que assim percebesse plenamente o significado do seu pateta déjà-vu...

      Eliminar
  4. Cláudia estou preocupado com os impostos que vou ter que pagar na taxa Máxima,a senhora é uma das Culpadas,contribiui para a divida,pelo menos um pedido de desculpa................................

    ResponderEliminar
  5. A senhora e a sua equipa num país Civilizado estavam perante a Justiça a responder pela bancarrota a que levaram a câmara.

    ResponderEliminar
  6. Os comunas mal sentem um beliscanito começam a zurrar que até parece que lhes deram uma coça. Aprendam a ter calma porque com estes que lá têm agora daqui a três anos na hora do balanço é que se vai ver como elas mordem.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quem critica a senhora é comuna?
      Sendo assim, a julgar pelo que se vai lendo e ouvindo sobre a senhora, daqui a 3 anos a reeleição de Pinto de Sá está garantida.

      Eliminar
  7. 11.12
    Como país civilizado referes-te à Coreia do Norte?

    ResponderEliminar
  8. Quem te manda sapateira, tocar rabecão?
    Toma lá que já aprendeste...
    Então não sabias que os indefectíveis comunistas nunca te perdoariam.
    Como disse alguém atrás, ao menos o Melgão eclipsou-se.

    A. Gomes

    ResponderEliminar
  9. 11:33,basta ver a tua linguagem ........................tens desculpa não te educaram.

    ResponderEliminar
  10. Força Claúdia

    Guerra aos maus.

    ResponderEliminar
  11. Se o comunismo fosse uma coisa boa, o que não faltavam eram bons exemplos de países comuinistas decentes...onde estão eles??????

    ResponderEliminar
  12. Ao que conheço da Cláudia Sousa Pereira estaria em condições de responder a todos os ataques a que é sujeita ao dar a cara e acompanhar com essa corja de xuxialistas com quem insiste em se misturar. Esses ataques são também vindos dessa proveniência já que muitos e muitas se sentem diminuídos e na sombra dada a ignorância de que padecem. Assim os e as cobardolas, por permanecerem anónimos e anónimas, ficam na mesma, ou seja, a falar sozinhos e sozinhas!

    O CincoTons em vez de publicar apenas as crónicas que quer ver achincalhadas, como o Blog Oficial Anónimo do Comunismo Éborense faz, devia continuar a publicar todas e também de outros e outras cronistas como fazia no passado.

    Um grande bem haja a todas e todos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como classificar quem faz um post anónimo a envovalhar terceiros ao mesmo tempo que critica os enxovalhos anónimos de outros?
      No mínimo deve alguém que precisa de se ver ao espelho ou de apoio psiquiátrico.

      Eliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.