sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Municipalismo mercenário



          Como todos sabem, os partidos políticos que nos saíram nesta lotaria de trafulhas (teimamos em chamar-lhe Democracia), depois de andarem 40 anos a estragar o País e a besuntarem de nódoas desavergonhadas o regime republicano e democrático, parasitando com as suas clientelas as estruturas do Poder, complicando tudo onde metem as mãos (que nunca se sabe quando estão limpas), vieram logo de seguida para a Província povoar o Poder Local. E, assim, a Câmara Municipal deste e daquele Concelho, veio a ser pasto dos partidos com as suas legiões locais de fura-vidas, de afilhados favorecidos, de arrivistas crónicos, de falhados da vida profissional e/ou académica, de oportunistas de todo o jaez.  
       Naturalmente, aos partidos não lhes importou que tenha ficado pervertida a instituição municipal, pois o que lhes interessa é que a sua subsistência material fique vinculada à Câmara Municipal, para que daí lhe advenha um constante meio de vida, mesmo fabricando empresas municipais desnecessárias, endividando o Município a despropósito, inaugurando, inclusive, a “decoração” da saída das cidades com rotundas por uma pá velha e erguendo um “mobiliário urbano” estapafúrdio, dispensável.
            Como afastar de urna Câmara Municipal toda esta combinação sufocadora? – Só colocando à consideração do eleitorado cidadãos prestigiados na comunidade, suficientemente conhecidos pelas suas virtudes cívicas e pela sua formação humanista. Cidadãos que se tenham entretanto evidenciado pela sua generosidade pessoal ao serviço da comunidade; cidadãos que estejam acima da pressão dos partidos e do estreito interesse de clientelas económicas, nacionais e estrangeiras.  Infelizmente, que saiba, tal nunca aconteceu de forma exemplar!
          No decurso destas quatro décadas, os estragos que os partidos políticos fizeram no Poder Local falam por si: - As Câmaras Municipais transformaram-se em réplicas pacóvias do Terreiro do Paço, dos Ministérios de Lisboa, travestiram-se em centros de emprego de clãs e tribos familiares (do avô ao neto); as dívidas cresceram e os disparates de toda a ordem e género aumentaram, correntemente praticados pelo conjunto dos partidos políticos. Naturalmente, uns partidos esfarraparam e desorganizaram mais que outros, segundo as ocasiões, o baixo, médio ou apagado nível cultural e cívico dos seus “militantes profissionais”, bem como os apetites dos seus respectivos séquitos e tropa fandanga de lacaios.
           Nestes últimos 40 anos, o Poder Local foi um verdadeiro País das maravilhas, nunca sonhado por Lewis Carroll para passear a sua “Alice”. Ganhar as eleições para uma Câmara Municipal, passou a significar que o partido A ou B (e a sua legião de devoristas regionais) seria sustentado localmente…com a cobertura da legalidade democrática, inaugurada em Abril de 1974!
       Já se sabia que as eleições autárquicas eram o grande trabalho dos partidos políticos na Província, bem como a sua grande epopeia doutrinária e administrativa. Todavia, não sabíamos tudo…
           Finalmente, descobrimos que os cidadãos ao elegerem o mesmo candidato a presidente de uma Câmara Municipal por um, dois, três mandatos seguidos, e ao introduzirem os votos nas urnas, acabam por lhe atribuir (sem o saberem!) um certificado profissional de “presidente” de Câmara, de autarca profissional. Isto é, o cidadão tal ou tal, eleito presidente de uma Autarquia, fica definitivamente habilitado a exercer as funções de presidente de edilidade, seja em que circunstâncias for e em que localidade o seu partido necessitar do seu “profissionalismo autárquico”.
Na verdade, pode até dar-se o caso de o “profissionalizado presidente” de Câmara vir a mudar de partido político, procurando desta forma uma situação material mais condigna com a sua “experiência profissional”! Tais “profissionais” são mercenários? – Que ideia! São gente do melhor!
            A que vem isto a propósito? – Vem a propósito de ter ouvido os gorjeios da passarada da boa sorte e, destes cantos e descantes, como os áugures da Roma clássica, nada ter tirado de bom em termos de candidaturas futuras para as Câmaras Municipais, além da estapafúrdia ideia dos partidos quererem impingir cidadãos que já esgotaram o seu tempo político de presidentes de Municípios.
            Não aparece uma ideia inovadora, um projecto reformador (já nem digo revolucionário!), um grupo de cidadãos desassombrados, sem receios nem oportunismos de circunstância, capaz de apresentar algo que nos garanta inovação e democracia directa!
           E para terminar, com a prosa acutilante de Eça de Queirós no jornal eborense Distrito de Évora (nº 5, Janeiro e 1867), recordamos o aviso:
          «Oh! pelo amor de Deus, estejamos todos sérios: assim o governo fará alguma coisa proveitosa e fecunda. Ele caminha com as mãos cheias dos destinos da pátria, e não os deixa cair, mas é necessário que estejamos todos muito sérios: se nos rimos o país desmorona-se. Há muito tempo que os governos em Portugal andam dizendo para os lados, com bonomia e gorda satisfação: “não me façam cócegas!”».

Joaquim Palminha Silva (por mail)

10 comentários:

  1. Um texto lúcido que transmite com clareza aquilo que tem acontecido pelo país.
    Só não vê, quem não quer ver. Os afilhados proliferam pelas secretárias das autarquias, alguns mal sabendo ler, mas que estão lá porque são do partido ou afilhado do presidente.

    A. Gomes

    ResponderEliminar
  2. Joaquim Palminha da Silva é o Vasco Pulido Valente de Évora.
    É o José Pacheco Pereira da inteletualidade eborense, embora o povo eborense quase todo enfeudado a tribos, lhes guarde um ódio de estimação porque é inteligente diz o que sente diz as verdades doa a quem doer

    ResponderEliminar
  3. o pior ainda é que se tornam profissionais da presidência por meio de aldrabices!

    ResponderEliminar
  4. Este Palminha é o máximo!
    Espalha textos repletos de abstracções à sec. XIX como "Terreiro do Paço" para designar o governo ou utopias dos passados anos 50/60 tipo "democracia directa" que é o coisa que cada um entende como quiser mas que nunca ninguém viu em parte alguma - a não ser que venha a ser instituída em Évora pela primeira vez no mundo!
    Pelo meio insulta e trata de imbecis e corruptos a tudo o que mexe ao seu redor sobretudo porque, não obstante a sua "generosidade pessoal", não lhe passam cartão nem o chamam sequer para governar a rua em que mora o que, convenhamos, é um tremendo erro da cidade de Évora!
    Para completar resta-lhe a generosidade mal disfarçada, mas conhecida, de acrescentar comentários elogiosos aos seus próprios textos!
    Mais "inteligente"? - Não há meus senhores!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Comunas o homem tem razao. Voces se pudessem acabavam-lhe com o pio!!!
      Nao gostam de serem desmascarados? Pois...temos pena. Mas o vosso tempo de mentiras ao povo está a chegar ao fim !!!

      Eliminar
  5. Muito gostava eu de concordar com o senhor Joaquim Silva, pelo merecimento que os seus textos me merecem. Todavia porém, com o que acabo de ler e reler, fico confuso e a necessitar de algum esclarecimento caso o autor o entenda fazer.

    Afinal o senhor Joaquim Silva, pretende dar uma alfinetada em todo o processo democrático que consistiu na possibilidade de todos nós podermos ditar os destinos dos nossos concelhos, ou pretende de forma pouco clara, arrematar desmerecidamente neste teatro de executivos de norte a sul do país?

    Eu ainda sou do tempo da outra senhora, em que senhorios se davam ao luxo de ter quartos reservados em casas que alugavam a pobres inquilinos, que tinham como solução sanitária, enviar os «despejos» por um ralo ao fundo da cozinha...

    Portanto senhor Joaquim, acalme-se e das duas três: Ou fala do pouco prestigiante/fastidiante/pouco elástico presidente da câmara de Évora, vindo de Montemor, mandatado pelo partido dos «trabalhadores» ´com o objectivo de servir os interesses da cúpula partidária do Pcp, visando fins que nem J.P.Sartre interpretaria para além das suas «Mãos Sujas», ou então está a referir-se ao erro programático da revolução de Abril que colocou no poder democrático, o povo.

    Cá para mim, que integrei listas, embora integradas em partidos, com resultados muito positivos para qualquer processo democrático arrancado a ferros,direi que foi e continua a ser muito favorável a todos nós, a existência de governações regionais com este perfil, sem que eu neste momento faça parte delas.

    Se entretanto se refere a caciquismo que entretanto se tem vindo a acentuar em meios mais ou menos corruptos da nossa sociedade isso na minha opinião, mais não é, do que o resultado da fraca e até desinteressada participação do povo no processo democrático,concebido por ele e para ele.

    A democracia directa que refere, levada a cabo por pessoas que nem pela indirecta se interessam é complicada e a rebaldaria instalar-se-ia num abrir e fechar de olhos e olhe que, com resultados ainda mais desastrosos em termos de execução do poder , que passaria a ser de permanente conflito rua a rua.

    Se me pergunta se estou satisfeito com a governação autárquica eborense, digo-lhe já que não.Até lhe digo porquê e reafirmo aqui a necessidade de os actores deste processo terem que se reciclar em termos democráticos.

    No entanto , dir-lhe-ei que não abdicarei da possibilidade de eleição tal como está instituída, com o fim de eleger quem nos represente nos destinos da nossa terra.Sem prejuizo de todas as formas de protesto que uma má gestão autárquica mereçam por parte de todos nós e de que é exemplo o seu post, que embora confuso é de alguma pertinência desde que clarificada.

    Emanuel

    ResponderEliminar
  6. Conversa de quem não quer reconhecer a obra feita pelo Poder Local Democrático, nos últimos 38 anos, nem é preciso sair do distrito de Évora!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obra feita???? isso é para rir? ou para chorar?
      Nao fizeram NADA !!!
      Évora há 40 anos que está ao abandono na mao dos comunistas.
      Veja-se só o estado das ruas,esburacadas e péssimamente pavimentadas.
      Veja-se que apenas fizeram habitaçao social para os ciganos e vadios. Uma pessoa que tenha um ordenado baixo já nao tem direito a nada. Mas se for traficante de droga e nunca trabalhar na vida,então tem direito a TUDO GRÁTIS.
      Metam a gestão comunista num sitio que eu cá sei ! Os socialistas tambem sao responsavéis,mas em muito menor escala,porque quem lixou esta cidade foram e continuam a ser os comunas!!!
      Faz-me muita confusão este povo que ainda acredita em burloes e histórias da carochinha. E eles aproveitam claro!
      Comunismo só deu miséria no mundo todo. Pior que o capitalismo...só mesmo o comunismo.
      Até quando temos de gramar esta gente analfabeta a dirigir a autarquia e a VIVER DELA?

      Eliminar
  7. Palminha

    A comunalha tem-te um ódio de morte filho

    ResponderEliminar
  8. É legítimo que se discutam ideias, propostas ou soluções sem conhecer o autor. São as próprias ideias que contam e não o autor. Mas, ataques pessoais a coberto do anonimato, é próprio de cobardes.
    Palminha não se esconde atrás do anonimato. Escreve e assina o nome por baixo. Ao contrário de alguns cobardes que vão conspurcando as caixas de comentários dos blogues.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.