segunda-feira, 22 de setembro de 2014

De Boa Fé?

Vai decorrer na próxima sexta-feira mais uma reunião da Assembleia Municipal de Évora. Não posso deixar de realçar o agendamento da deliberação sobre a Declaração de Interesse Municipal do projecto de exploração mineira previsto para a zona da Boa Fé.
Finalmente ficará clara a posição de todos os eleitos. A propósito deste assunto e desta votação gostaria de enunciar alguns considerandos:

1. Sendo importante realçar que o Bloco de Esquerda foi o primeiro partido político a manifestar-se contra a execução deste projecto, e que esteve sozinho durante meses nesta batalha (digo partidariamente, porque sempre esteve acompanhado por muitos cidadãos e cidadãs independentes), devo afirmar que para o Bloco o importante é o impedimento da execução deste atentado ambiental e social, pelo que o envolvimento de outros partidos nesta batalha é uma óptima notícia. Esta causa merece a atenção e a intervenção de todos que de forma solidária queiram estar envolvidos.

2. Os dados existentes sobre o projecto e as audiências promovidas pela Assembleia Municipal de Évora a várias entidades (públicas e privadas) permitem determinar com clareza que este projecto constitui um atentado ambiental que influenciará as gerações actuais e vindouras. Mas estas audiências permitiram, também, deixar claro que não existem quaisquer vantagens sociais e económicas. Alegam que os royalties (de apenas 4% para o Estado) e alguns postos de trabalho (cujo tipo e qualidade do vínculo contratual é duvidoso) constituiriam uma mais-valia, mas ninguém (incluindo a CCDR-Alentejo e a Câmara Municipal de Évora) consegue avaliar com exactidão o impacto negativo sobre a economia da região (dos valiosos sobreiros e fauna, passando pela apicultura, pelo turismo, pela agricultura biológica, etc). Sabemos apenas que tudo ficaria em causa à mercê de uma actividade puramente especulativa e cuja história de actividade é caracterizada pelo abandono precoce e incumprimento de todas as promessas de recuperação pós-extração.

3. Perante tais evidências, não deixa de ser curioso que continuamos sem saber a posição oficial do PSD e da CDU. Sexta-feira ficaremos a saber. Mas não posso deixar de salientar que o Bloco de Esquerda condenará veementemente qualquer voto que não seja contrário à Declaração de Interesse Municipal, e na mesma medida, qualquer tentativa de adiamento da decisão. Os dados estão em cima da mesa, pelo que as acções, na próxima semana, dos eleitos na Assembleia e da maioria que governa o Concelho serão clarificadoras e merecerão uma posição forte, quer seja pela via do elogio e da congratulação, quer seja pela via do protesto e oposição.

4. Por fim, não posso deixar de sublinhar algo que normalmente não me merece qualquer atenção. Vou responder pela primeira, e calculo pela última vez, aos anónimos repletos de cobardia que enchem os blogs regionais de mentiras e calúnias. Estes senhores anónimos, tão identificáveis face ao seu perfil partidário profissional, apressam-se a dizer que o Bloco de Esquerda não votou contra a última revisão do PDM, ignorando a sua posição na votação do PIER – Plano de Pormenor de Intervenção em Espaço Rural para o Território do Sítio de Monfurado. A estes “anónimos profissionais” replico, aproveitando para esclarecer os meus concidadãos e concidadãs, que o Bloco de Esquerda se absteve no PDM, lembrando que este é um instrumento geral de ordenamento do território, mas sublinho que o Bloco foi o único partido a votar contra o PIER em Novembro de 2010, repito em Novembro de 2010. Um PIER, instrumento de gestão específico para a região em causa, viabilizado pelo PS e pela CDU, e que escancarava as portas para a exploração mineira. Em 2010, a deputada municipal do BE dizia, e citando a acta em questão (que pode ser consultada no sítio da internet da AME): “a Sra. Amália Oliveira transmitiu que a área do Monfurado lhe era particularmente querida, (…), sentindo-se bastante preocupada por o regulamento em causa ser assaz permissivo em relação à exploração mineira”. Nem o executivo, nem qualquer eleito, comentaram ou intervieram sobre tal aspecto. E já que falamos de Boa Fé, a política só faz sentido quando se age de boa fé, de consciência tranquila e fiel aos valores defendidos. Será que estamos todos no mesmo barco?
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio Diana)

9 comentários:

  1. “a Sra. Amália Oliveira transmitiu que a área do Monfurado lhe era particularmente querida, (…), sentindo-se bastante preocupada por o regulamento em causa ser assaz permissivo em relação à exploração mineira”

    Declaração de amor, ou argumento técnico e factual?
    As outras forças políticas não podem todas ter precisamente o mesmo sentimento e no entanto votarem como bem entenderem?
    Qual o valor prático desta declaração?

    ResponderEliminar
  2. "Estes senhores anónimos, tão identificáveis face ao seu perfil partidário profissional..."

    O que é que isto quer dizer? Perfil partidário profissional quer dizer que são funcionários de partidos políticos? E de que partidos? Se sim, por que não se tem coragem de o dizer claramente? Por que se acusa sem acusar? Por que se lança pedra mas se esconde a mão? Quer-me bem parecer que a cobardia não está apenas no anonimato dos comentadores.

    Acrescento apenas que só um pateta pode achar que os partidos políticos, quaisquer que sejam, independentemente das suas posições, neste ou noutros casos, têm na região meios, pessoal e fundos para andar a pagar a quem quer que seja para comentar em blogs. Isso, para além do evidente ridículo, é simplesmente mais um mito urbano, alimentado pela presunção tola de autores de blogs e pela conveniência cobarde de cronistas.

    ResponderEliminar
  3. Cá por mim - e desculpem que me meta na conversa - não acho que estejam a tempo inteiro de serviço aos blogues, mas há alguns funcionários e secretários, e outro pessoal político, que todos os dias faz uma perninha dentro do seu horário de trabalho, e no âmbito das suas funções, de controlo dos blogues. São a voz do dono e ladram cada vez que julgam que o tacho que lhes coube na distribuição das migalhas pode estar em risco.

    ResponderEliminar
  4. Certo é que o BE se absteve no PDM que propunha a exploração mineira da Boa-Fé.
    A lembrança de que "este é um instrumento geral de ordenamento do território" só serve para iludir aquilo que é factual: o BE não votou contra o PDM que propôs a exploração mineira da Boa-Fé nem fez qualquer declaração de voto sobre o tema.

    Se o fez por esquecimento ou por convicção, isso não sei. Mas que não votou contra é UM FACTO!

    ResponderEliminar
  5. Só um reparo !

    Entrem na reunião da Assembleia Municipal de Évora só com a palavra EBORENSES na boca , deixem essas siglas dos partidos em casa debaixo da almofada .

    Durante anos e principalmente nestes últimos , tem Vossas Exas. escavacado a cidade de Évora ou o que resta de uma cidade antes a eleita pelo povo Romano , para andarem a discutir lideranças partidárias e forças de bloqueios .

    É tempo de meterem a CME a gerir a cidade de Évora ... daqui a uns anos , terminado o mandato , está tudo igual ou pior na cidade !

    Entreguem a gestão da CME a individualidades privadas sem partido para semanalmente dizerem de sua justiça !

    Pior , só nas assembleias de condóminos ou nas feiras mensais de "tendeiros" .

    METAM a CIDADE a MEXER em ORDEM aos EBORENSES , tem internet , jornais e sobretudo OLHOS na cara , por isso muito fácil saberem onde estão os podres !

    E, Já !

    ...caluda !

    Jorge

    ( ciclista )

    ResponderEliminar
  6. O que é o BE se não uma manta de retalhos, onde os Semedos, Catarina Martins e Louça se vão entretendo a fazer alguma coisa para segurarem alguns cacos, aqui por Évora o BE não existe, são apenas uns poucos vaidosos que se vão resguardadndo umas vezes com o apoio do PS, pois os favores pagam-se não é assim senhor Bruno Martins voce em particular sabe bem do que lhe falo.
    Deixem a hipocrisia, deixem de se fazerem passar por inteletuais fingindo que tem muitas ideias, nada existe , fazem da politica uma engenharia de interesses e todos prontos para se acoitarem nas franjas do PS. Senhor Brumo Martins se quiser digo mais alguma coisa..mas hoje ficarei por aqui.

    ResponderEliminar
  7. Quem tem a consciência tranquila dá a cara. Não precisa de estar com meias palavras e levantar questões infundadas. Diga tudo o que quiser. Mas identifique-se por favor.

    ResponderEliminar
  8. Se a mina tivesse exploração do estado o pcp e o bloco aplaudiam de pé como são os privados é o ambiente e outras tangas parecidas,belos bonecos!

    ResponderEliminar
  9. Já agora quero dizer e ensinar ao comentador atrasado mental anterior aquilo que ele, como analfabruto não sabe.
    Fique sabendo, que o subsolo nacional é propriedade do Estado e portanto de todos nós.
    E porque não ser o Estado a explorá-lo?
    Ao entregar a exploração a privados está a dar a nossa riqueza a grandes grupos económicos (multinacionais) que pouco ou nada dão em troca.
    Fica o recado ao comentador mentecapto anterior que, apenas disse mais uma baboseira semelhante à de outros quejandos que comentam nos blogs para se auto-satisfazerem.

    António Gomes

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.