terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Ó Alentejo esquecido/'Inda um dia hás-de cantar!"



"Cantar Alentejano" - poema de António Vicente Campinas, musicado e cantado por José Afonso,  "ilustro-animado-analogicamente", por Gustavo Imigrante

A versão de José Afonso:


Uma outra versão mais recente:

"A abetarda", de João Monge, estreia este fim-de-semana em Castro Verde e Beja


“A Abetarda" é o primeiro projeto que resulta da parceria estabelecida entre o Município de Castro Verde e o Teatro da Terra, e o único que junta o cante alentejano e o teatro de rua a partir de um texto original. O autor João Monge escreve uma procissão pagã habilmente tecida nas malhas da teologia cristã, elevando a Abetarda, símbolo de Castro Verde, a um estatuto mitológico/ dramático.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Acincotons: estamos cá há cinco anos a inquietar. Esperamos estar outros cinco mais!



No dia 29/9/2009 publicava-se aqui no acincotons o primeiro post. Durante os primeiros meses, o blogue foi tendo escassas dezenas de leitores, depois passaram a centenas, depois a milhares. Hoje, o acincotons - que se continua a afirmar como um blogue do Alentejo, embora mais centrado em Évora - soma mais de um milhão e meio de páginas visualizadas, mais de 40 mil comentários publicados, mais de 7.500 posts publicados, com cerca de 1.500/2.000 visitantes diários. 
Numa região tão pouco povoada e onde o debate público e a transparência de procedimentos são excepção é caso para dizer: meus senhores, é obra! 
E todos somos cúmplices, de gestores do blogue, a comentadores ou a leitores. Este é um espaço (quase) público. Melhor: este é um espaço onde a cidadania, naquilo que ela tem de mais belo ou de mais negro, se pode afirmar e livrar-se dos medos que sempre a condicionam. O que não é pouco numa cidade e numa região de tantos medos e de tanta hipocrisia social.

Hoje na Universidade de Évora


Debate com diversos intervenientes a propósito da apresentação do livro "Inovação em Portugal Rural - Detetar, Medir e Valorizar", de Lívia Madureira, Teresa M. Gamito, Dora Ferreira e José Portela.

domingo, 28 de setembro de 2014

Olha, ganhou o António


Resta saber para quê. (aqui)

Cheias na Malagueira: moradores responsabilizam Câmara por manter parque abandonado

A Bem da Nação



Sabe Sr Salazar, ninguém me tira da cabeça que isto da Tecnoforma é uma magistral encenação, coisa de génio estratega. Comento isto consigo, porque entendo que o Sr Passos e o Sr, têm muitos pontos em comum. Ora vejamos, O Sr Salazar, era homem aparentemente austero, de gastos comedidos e vida supostamente frugal, tal como o Sr Passos, que tem habitação nos subúrbios, passa férias em casa arrendada e desloca-se, na sua vida privada, num carro utilitário. São ambos facilitadores, o Sr Salazar facilitou a construção de monopólios a meia dúzia de figurões, o Sr Passos facilita a destruição do Estado Social e a corrupção generalizada. O Sr Salazar caiu de uma cadeira estrategicamente colocada por algum confrade, o Sr Passos ao que tudo indica, vai cair por causa de uma casca de banana tacticamente largada no seu percurso. Ninguém me tira da cabeça, sr Salazar, que isto da denúncia Tecnoformica, é obra de alguém que aspira à liderança do partido em 2015, assim a modos que um rio de ambição, em que as águas são turvas e os interesses por demais óbvios. Denuncia-se o homem por um crime prescrito e ele, não é preso mas esfarrapado. Tem de sair e dar lugar ao outro. É aqui que entra a estratégia BES, só que em vez do banco bom e do banco mau, assistiremos à rábula do PSD bom e do PSD mau. Os activos tóxicos do partido ficam com o senhor Passos e, fiat lux, os activos bons, com o Sr que navega no rio. Venham então eleições! Até porque no partido do lado a estratégia é a mesma, de um lado o que é seguramente tóxico, e do outro o sucesso, a determinação, a inegável qualidade de um grande estadista com largas costas para arrostar com os trabalhos de hércules que se adivinham.
Depois Sr Salazar é sabido... Rios e Costas alinhados num grande bloco central, tudo a bem da nação, como no seu tempo, Sr Salazar...

sábado, 27 de setembro de 2014

Granizo e inundações em Évora: as imagens da tempestade


Ver aqui

Cerca de 30 inundações em casas e vias públicas e a queda de um teto falso, que obrigou ao encerramento de um hipermercado, foram as consequências da forte chuvada hoje na cidade de Évora, segundo os bombeiros. A chuva intensa, acompanhada da queda de granizo, que deixou muitas ruas cobertas de branco, fustigou a zona de Évora, sensivelmente, entre as 13:00 e as 13:30.

Uma boa notícia


A Assembleia Municipal de Évora rejeitou ontem à noite, por unanimidade, a Declaração de Interesse Municipal do projecto de exploração mineira previsto para a zona do Boa Fé.

Mais pormenores podem ser encontrados aqui.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Beja: constituição da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal



O Projeto-Piloto de Mediadores Municipais nasceu em 2009 com o objetivo de contribuir para melhorar a comunicação entre as comunidades ciganas e a comunidade envolvente e visou colocar mediadores nos serviços das câmaras municipais, no âmbito de um programa de formação em contexto de trabalho. O Município de Beja foi um dos concelhos piloto seleccionados e, ao abrigo deste projeto, teve oportunidade de colocar a trabalhar no Gabinete de Ação Social um mediador municipal, que exerceu as suas funções ao abrigo do Projeto-Piloto até Setembro de 2013 e, neste momento, continua a trabalhar no Município.
O trabalho desenvolvido pelos mediadores ciganos de Portugal ao longo do seu percurso formativo, enquadrado pelo anterior Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI), atual Alto Comissariado para as Migrações (ACM), deu origem a diagnósticos e necessidades manifestadas em diferentes encontros e reuniões, promovidas no território nacional e europeu por diferentes entidades como o Conselho da Europa, a EAPN, o ACM ou os Municípios envolvidos e que apontaram para a importância de constituição duma Associação dos Mediadores Ciganos de Portugal (AMEC) com vários objetivos, entre eles:
- Representar os mediadores ciganos portugueses;
- Promover a ação de mediadores nas áreas da educação, habitação, saúde, formação, emprego e gestão de conflitos;
- Estabelecer parcerias com organizações nas suas respetivas áreas de atuação, ao nível local, nacional e internacional, nomeadamente através da celebração de protocolos e elaboração de pedidos de financiamento;
- Promover a formação de novos mediadores;
- Facultar apoio jurídico.
Em ato eleitoral realizado no ACM, foi eleito Presidente da AMEC o Mediador Municipal de Beja, Prudêncio Canhoto. O Município de Beja, associa-se à continuidade deste importante trabalho, não só mantendo a colaboração profissional deste Mediador ao nível dos seus serviços internos, mas também através de um Protocolo de cedência de instalações para a implantação da sede nacional desta Associação.
A partir da constituição formal da AMEC, ocorrida ontem em Beja, o funcionamento desta Associação irá ocorrer na sede, situada na Rua D. Afonso Henriques s/n Mercado Municipal de Beja Loja 14, 7800 Beja.

Universidade de Évora: desenho mural de Álvaro Siza no Colégio dos Leões




Na sequência da palestra proferida no dia 24 de setembro, no âmbito das Conferências do Cenáculo, na Biblioteca Pública de Évora, o Arquiteto Álvaro Siza Vieira, galardoado com o Prémio Pritzer de Arquitectura (1992), foi convidado a deixar um testemunho no Colégio dos Leões.
O Arquiteto aceitou o convite e a partir de agora o átrio do Pólo dos Leões da UE exibe um desenho mural feito pela mão de Siza Vieira, que desse modo homenageia o Departamento de Arquitetura, a Universidade de Évora e a própria Cidade. (aqui)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Évora: 8ªs Conferências do Cenáculo abrem amanhã com a presença do Arquiteto Siza Vieira



Começa amanhã (dia 24), na Biblioteca Pública de Évora (BPE), pelas 18h30, a 8.ª edição das Conferências do Cenáculo. Uma conversa sobre a “Memória da Malagueira”, com a presença de Álvaro Siza Vieira – autor do projeto – e um dos arquitetos mais reconhecidos a nível mundial, marca o arranque deste ciclo de 8 conferências que se prolonga até 6 de Novembro. O Bairro da Malagueira, em Évora, é considerado um dos projetos mais emblemáticos de Siza Vieira, sendo apontado como um projeto sociopolítico pioneiro no Portugal Democrático. Durante a conferência – apresentada por Abílio Fernandes, ex-presidente da autarquia eborense, vai ser apresentado o livro “Malagueira – Álvaro Siza in Évora”, de Brigitte Fleck e Gunter Pfeifer. 
As Conferências do Cenáculo realizam-se desde 2004 e, como pano de fundo, têm o objetivo de homenagear “Frei Manuel do Cenáculo”, fundador da BPE. No ano em que passam 200 anos da morte de Cenáculo, a organização pretende dar um novo impulso às conferências, através da abordagem de temáticas diversas e abrangentes. Para o efeito foram convidados especialistas em áreas tão diversas como a arquitetura e o urbanismo, arqueologia, património e história, paisagem, imagem e fotografia, bibliotecas, entre outros. Vitor S. Gonçalves, Maria da Conceição Lopes, Raúl Rosado Fernandes, José Manuel Rodrigues, Jorge Calado, Aurora Carapinha e Francisco Contente Domingues, são algumas das personalidades convidadas.

Programa aqui

Centro Histórico de Évora: placa de xisto atinge carro da PSP


Felizmente, desta vez, não houve vítimas. Ver Aqui.

Spoilers q.b.

Queria hoje falar-vos da mina da Boa Fé. O assunto anda quente aqui do lado leste da fronteira com o vizinho concelho, a quem a prospeção e exploração de um ouro de que há muito se fala, e a concretizar-se, também afetará.
Desse concelho vizinho veio o presidente que do lado de lá terá proposto a votação favorável do interesse municipal dessa exploração. Digo “terá” porque, de facto, nunca vi nem li tal parecer, já que o filtro para a opacidade do que se passa nas reuniões públicas do concelho de Montemor-o-Novo é bem eficaz na impossibilidade, ou pelo menos enorme dificuldade, para o público em geral de consultar as atas deste órgão democraticamente eleito. E por estes dias previsivelmente se fará, neste concelho de Évora onde foi eleita a equipa que o “ex.” de lá e atual de cá dirige com maioria absoluta, uma proposta com o mesmo assunto que, à data em que componho esta crónica, ainda desconhecemos.
E vou usar o estrangeirismo spoiler para tratar o assunto. A palavra spoiler tem origem no verbo to spoil, que significa “estragar” em inglês. E não, não vou discorrer sobre os estragos que uma mega intervenção daquele calibre, a realizar-se, vai causar. Isso já muitos têm feito, bem feito, apesar de não pertencerem, ao que conste, àquela espécie de partido registado como “os Verdes” que se junta ao Partido Comunista, sabe-se lá porquê (eu até tenho uma ideia sobre isto, mas agora não tenho tempo para a expor, talvez noutro dia), para formar a coligação em que a maioria dos eborenses que votaram nas últimas autárquicas se reveem.
O spoiler de que vos falo é aquele que revela a outros informações sobre o conteúdo de algum livro ou filme, antes que esses o tenham visto ou lido e ainda o queiram fazer. O spoiler é uma espécie de desmancha-prazeres, o indivíduo ou fonte de informação que conta o final da história e estraga a surpresa aos outros. Alguns artigos e programas de divulgação ou informação até destacam um "spoiler alert", uma espécie de aviso usado quando algum conteúdo sobre um filme, série ou livro pode revelar elementos importantes sobre o seu enredo.
Ora, os mais atentos saberão bem que este filme da exploração de ouro tem episódios e desenlaces muito conhecidos, nenhum deles capaz de reviravoltas felizes e surpreendentes como tentam, os seus realizadores, ao dourar-lhe o final: centenas de empregos por cinco anos e uma estupenda paisagem reordenada por cima das crateras deixadas, de fazer inveja a qualquer lugar natural classificado pela Unesco. Acreditem que neste caso não é preciso ver para crer, basta procurar q.b. os spoilers e vão ver que lhes agradecem todos os pormenores revelados, concordando que “se tire a Boa-fé deste filme”.
O que também me quer parecer, pelo que tenho ouvido dos debates promovidos desde 2013, é que os únicos ainda realmente interessados no projeto são a empresa exploradora canadiana e talvez alguns satélites seus que permanecem na sombra, como pareceu ser o Álvaro, o ex-ministro que mandou avançar as primeiras prospeções com despacho de quem quer, pode, manda, e “mais nada!”. Ou seja, não vi ainda ninguém, de Évora ou Montemor, manifestar-se em nenhuma posição pública a favor da mina de ouro. O que também me deixa ainda mais curiosa com o novo parecer municipal, desta feita do lado oeste da Boa-fé. Ora aqui está um filme sem spoilers… Aguardemos com atenção.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

De Boa Fé?

Vai decorrer na próxima sexta-feira mais uma reunião da Assembleia Municipal de Évora. Não posso deixar de realçar o agendamento da deliberação sobre a Declaração de Interesse Municipal do projecto de exploração mineira previsto para a zona da Boa Fé.
Finalmente ficará clara a posição de todos os eleitos. A propósito deste assunto e desta votação gostaria de enunciar alguns considerandos:

1. Sendo importante realçar que o Bloco de Esquerda foi o primeiro partido político a manifestar-se contra a execução deste projecto, e que esteve sozinho durante meses nesta batalha (digo partidariamente, porque sempre esteve acompanhado por muitos cidadãos e cidadãs independentes), devo afirmar que para o Bloco o importante é o impedimento da execução deste atentado ambiental e social, pelo que o envolvimento de outros partidos nesta batalha é uma óptima notícia. Esta causa merece a atenção e a intervenção de todos que de forma solidária queiram estar envolvidos.

2. Os dados existentes sobre o projecto e as audiências promovidas pela Assembleia Municipal de Évora a várias entidades (públicas e privadas) permitem determinar com clareza que este projecto constitui um atentado ambiental que influenciará as gerações actuais e vindouras. Mas estas audiências permitiram, também, deixar claro que não existem quaisquer vantagens sociais e económicas. Alegam que os royalties (de apenas 4% para o Estado) e alguns postos de trabalho (cujo tipo e qualidade do vínculo contratual é duvidoso) constituiriam uma mais-valia, mas ninguém (incluindo a CCDR-Alentejo e a Câmara Municipal de Évora) consegue avaliar com exactidão o impacto negativo sobre a economia da região (dos valiosos sobreiros e fauna, passando pela apicultura, pelo turismo, pela agricultura biológica, etc). Sabemos apenas que tudo ficaria em causa à mercê de uma actividade puramente especulativa e cuja história de actividade é caracterizada pelo abandono precoce e incumprimento de todas as promessas de recuperação pós-extração.

3. Perante tais evidências, não deixa de ser curioso que continuamos sem saber a posição oficial do PSD e da CDU. Sexta-feira ficaremos a saber. Mas não posso deixar de salientar que o Bloco de Esquerda condenará veementemente qualquer voto que não seja contrário à Declaração de Interesse Municipal, e na mesma medida, qualquer tentativa de adiamento da decisão. Os dados estão em cima da mesa, pelo que as acções, na próxima semana, dos eleitos na Assembleia e da maioria que governa o Concelho serão clarificadoras e merecerão uma posição forte, quer seja pela via do elogio e da congratulação, quer seja pela via do protesto e oposição.

4. Por fim, não posso deixar de sublinhar algo que normalmente não me merece qualquer atenção. Vou responder pela primeira, e calculo pela última vez, aos anónimos repletos de cobardia que enchem os blogs regionais de mentiras e calúnias. Estes senhores anónimos, tão identificáveis face ao seu perfil partidário profissional, apressam-se a dizer que o Bloco de Esquerda não votou contra a última revisão do PDM, ignorando a sua posição na votação do PIER – Plano de Pormenor de Intervenção em Espaço Rural para o Território do Sítio de Monfurado. A estes “anónimos profissionais” replico, aproveitando para esclarecer os meus concidadãos e concidadãs, que o Bloco de Esquerda se absteve no PDM, lembrando que este é um instrumento geral de ordenamento do território, mas sublinho que o Bloco foi o único partido a votar contra o PIER em Novembro de 2010, repito em Novembro de 2010. Um PIER, instrumento de gestão específico para a região em causa, viabilizado pelo PS e pela CDU, e que escancarava as portas para a exploração mineira. Em 2010, a deputada municipal do BE dizia, e citando a acta em questão (que pode ser consultada no sítio da internet da AME): “a Sra. Amália Oliveira transmitiu que a área do Monfurado lhe era particularmente querida, (…), sentindo-se bastante preocupada por o regulamento em causa ser assaz permissivo em relação à exploração mineira”. Nem o executivo, nem qualquer eleito, comentaram ou intervieram sobre tal aspecto. E já que falamos de Boa Fé, a política só faz sentido quando se age de boa fé, de consciência tranquila e fiel aos valores defendidos. Será que estamos todos no mesmo barco?
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio Diana)

domingo, 21 de setembro de 2014

PS contra mina de ouro da Boa-Fé

 

Socialistas de Évora sustentam que actividade mineira provocará “enormes danos ambientais”

O PS considera que a actividade mineira na Boa-Fé, entre Montemor-o-Novo e Évora, provocará “enormes danos ambientais, com consequências negativas irreversíveis na qualidade da água e dos solos” e recomenda aos eleitos locais socialistas que tomem iniciativas para impedir o avanço do projecto.
Em moção aprovada por unanimidade no congresso da Federação de Évora, realizado sábado em Vendas Novas, os socialistas recomendam aos seus eleitos que tomem a iniciativa de “promover a discussão do assunto, o esclarecimento das populações, a pressão sobre órgãos de soberania, para além da tomada de iniciativas que conduzam à tomada de decisões que contribuam para impedir o avanço deste projecto” e que se empenhem na “realização de referendos locais, por forma a que a vontade das populações sobre matéria tão relevante para o futuro possa ser livre e inequivocamente expressada”.
No texto da moção refere-se que a Serra de Monfurado é uma “zona inserida na Rede Natura 2000, de elevado valor ambiental e paisagístico que é fundamental preservar, por forma a que possamos transmitir às gerações vindouras a herança que recebemos das que nos precederam”.

Notícia do Correio da Manhã: Universidade de Évora sob investigação


Denúncia refere que há professores sem alunos que recebem ordenado.

O Ministério Público está a investigar a Universidade de Évora (UE). O inquérito foi instaurado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, depois de uma denúncia de eventuais irregularidades, confirmou ao Correio da Manhã fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ao que o CM apurou, a denúncia refere que departamentos, como os de Química, Geociências, Pedagogia ou História, terão 15 a 17 docentes em excesso, uma vez que não há turmas suficientes. "Passaram a ter aquilo que agora se chama horários zero. Mais grave ainda é que estas pessoas não lecionam, não fazem investigação e passam os dias em casa recebendo o seu vencimento", lê-se na denúncia, em que é descrita também uma alegada falsificação de horários no departamento de Geociências para disfarçar a falta de aulas.
Segundo a denúncia, haverá ainda situações de "docentes que têm turmas muito reduzidas e horários com 5 ou 6 horas semanais". O departamento de Geologia terá cerca de 40 docentes quando no curso terão entrado apenas três alunos.
Além disto, são apontadas eventuais irregularidades nas contratações de professores para a universidade, sublinhando-se o facto de a atual reitora, Ana Costa Freitas, ter alegadamente contratado familiares para várias vagas. A mesma denúncia aponta estas irregularidades ao anterior reitor, Jorge Araújo.
O documento que serve de base ao inquérito do DIAP termina com a descrição de alegados churrascos ao fim de semana numa herdade que fica a oito quilómetros de Évora, onde a universidade tem um polo e onde viverá o administrador Rui Pingo.
O CM solicitou ontem ao final da manhã um esclarecimento à reitoria da Universidade de Évora, que até ao fecho da edição não respondeu.


Mal-estar entre os docentes

A investigação está a causar mal-estar entre o corpo docente e a reitoria. Há suspeitas de que as denúncias tenham partido de dentro da instituição. O CM sabe que os responsáveis da UE alegam que as mesmas não têm fundamento, pois nos últimos dois anos a Inspeção-Geral da Educação fez auditorias à UE que nada revelaram.


Universitários estão atentos
As denúncias estão a ser seguidas com atenção pelos estudantes neste arranque do ano letivo. "O conteúdo das denúncias é comentado. Mas, para já, não passam de especulação. Cabe às autoridades decidir se há matéria para investigação", referiu Luís Pardal, presidente da Associação Académica da Universidade de Évora.

Por Alexandre M. Silva, Sónia Trigueirão (aqui)

sobre este assunto ver também aqui

Vozes contra a exploração mineira na Boa-Fé.


Há uma semana realizou-se uma audição dos principais intervenientes no processo de mineração na serra de Monfurado por iniciativa da Assembleia Municipal, uma vez que a empresa pediu a Declaração de Interesse Municipal pelo projecto. O acincotons já publicou o relato da sessão produzido pelos serviços de informação da CME. Publica agora três opiniões sobre este processo dadas a conhecer nas redes sociais. 

Uma é de Maria Helena Figueiredo, candidata em Outubro passado pelo BE à Câmara Municipal de Évora e que esteve presente na reunião:
"A posição da CDU é mais que equívoca.
O que está em causa é a defesa do interesse das populações face ao interesse privado da empresa. E a afirmação do Sr Presidente da Câmara quanto a quem paga danos e a contrapartidas não foi tão veemente como a que se quer fazer crer.
Onde estavam os deputados municipais eleitos pela CDU? Porque faltaram tantos à sessão.
O Presidente da Junta de União de freguesias de Guadalupe e NSra da Tourega não apareceu, sendo uma das freguesias que vai ser afectada. 
Qual o futuro dos Almendres? 
É bonito celebrar lá os solstícios, não é? (aqui)

O segundo texto é assinado por Sandra Gonçalves de Gaia, psicóloga, residente em Évora e publicado no facebook.. 
Diziam os antigos que o importante são as consequências das nossas acções daqui a mil anos e naqueles que vão viver daqui a mil anos. Monfurado sobreviveu aos caçadores-recolectores e aos construtores de estruturas megalíticas. Apesar das suas riquezas, sobreviveu suficientemente bem a romanos e árabes para ainda cá estar hoje. Será que que as nossas acções vão fazer com que nos sobreviva, ou não? Temos de ter a noção de que, quando uma empresa de mineração de ouro nos oferece trabalho (do grosso, mesmo, mineração – que ainda por cima costuma ter impactos profundos na saúde dos mineiros) nos está a atirar côdeas. Há trabalho durante umas décadas e no fim delas nem trabalho nem ambiente nem condições para o desenvolvimento da região porque os ses valores se foram. Se estamos dispostos a licenciar projectos que implicam tais áreas e abate de árvores com certeza seremos capazes de atrair outro tipo de investimento (turismo, ambiente, etc) que geral igualmente emprego mas não põe em causa a poluição dos aquíferos, não lida com metais pesados, não desvaloriza o local, não prejudica a saúde e não nos deixa, no fim, com um enorme vazio na alma e na paisagem. A vontade da população vai ser respeitada? Façam saber à população que licenciaram projectos em actividades construtivas e acrescentadoras de valor em vez de em destrutivas e vamos ver o que as populações, que em certos lugares têm amor à terra e alguma da sabedoria antiga, prefere. Como bónus, que tal passar desde já uma mensagem às empresas de fracking e afins?

O terceiro texto é assinado por Pedro Duarte, morador na N. Sra da Boa Fé, no blogue "Árvores de Portugal" (19 de Junho de 2013)

Um projecto mineiro que poderá arrancar brevemente na aldeia de Nossa Senhora da Boa Fé ameaça o equilíbrio ambiental de uma das mais belas e paisagisticamente intactas serras alentejanas, Monfurado, situada a poucos quilómetros de Évora. Os impactes previstos são de múltipla ordem, afectando gravemente, para lá da saúde pública, as águas, a flora, a fauna e o património. Apesar de boa parte da população local estar a oferecer, de forma muito organizada e fundamentada, resistência ao projecto – o que, não sendo inédito em Portugal, é sintomático da gravidade dos impactes –, o poder central e local deu mostras públicas de estar decidido a dar-lhe luz verde. Curiosamente, até o presidente da Junta de Freguesia da Boa Fé, do Partido Comunista, se aliou aos promotores de um projecto que materializa os interesses do capitalismo mais especulativo, selvagem e irresponsável para com o meio ambiente e a saúde e o bem-estar das populações.
A enorme mina prevista para a aldeia da Boa Fé representaria apenas o início de um colossal projecto de exploração de ouro, ao nível dos maiores do mundo, que iria perpetuar a destruição da Serra de Monfurado durante décadas. O principal destino a ser dado ao minério, como confessou a uma rádio local o director da empresa promotora do projecto, é a criação de barras para alimentar as reservas de ouro de alguns países. Outra parte teria como destino a indústria internacional da joalharia. É para isto que paisagens muito valiosas do ponto de vista ambiental e cultural serão arrasadas e profundamente contaminadas.
O abate de árvores (sobreiros e azinheiras) previsto apenas para esta primeira fase abrange uma área de cerca de 100 hectares. A desflorestação massiva de 6 952 sobreiros e azinheiras adultos iria ocorrer no seio de um sistema agro-florestal singular, porque produzido e mantido ao longo de centenas de gerações pelos agricultores. Este sistema, perfeitamente adaptado às condições edafo-climáticas do Sul do País e com grande aproveitamento agro-silvopastoril, é conhecido por ‘montado’ e está cada vez mais ameaçado. Constitui um dos biótopos portugueses mais relevantes em termos de conservação da natureza e uma prova (infelizmente cada vez mais rara) de que as práticas agrícolas podem conviver com a manutenção da flora e fauna autóctones.
Quem desejar obter mais informação sobre este projecto ou contribuir para a resistência ao mesmo pode visitar a página:http://projectomineirodaboafe.wordpress.com/ (aqui)

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Amanhã, às 17H, na Sociedade Harmonia Eborense: estão todos convidados!


"...e sonho… com uma árvore que se recusa a tombar para não ser nunca o papel que me falta." 

Amanhã, sábado dia 20 de Setembro, a partir das 17h na sede da SHE haverá lugar à poesia. 
Será feito o lançamento do livro "UM RISCO AZUL NO CÉU" da autoria deMaria Barradas, editado pela Poesiafãclube (Corpos Editora) com a presença da autora. Nos poemas que publica no livro "UM RISCO AZUL NO CÉU", Maria Barradas que reside em Évora há quase trinta anos, faz uma viagem aos desafios e inquietações do nosso quotidiano no qual a liberdade e o amor estão cada vez menos presentes. 
Como a poesia é a música das palavras, nesta apresentação haverá também momentos musicais que acompanharão a leitura de alguns dos poemas do livro. A habitual sessão de autógrafos terá lugar durante o convívio que se seguirá a que não faltará um Alentejo de Honra.

“…Antes que o sal derreta o luar
E já não seja permitido amar”

Mina da Boa Fé: já se percebeu que BE e PS estão contra a exploração mineira. E a CDU?


A Assembleia Municipal de Évora (AME) promoveu no Sábado, dia 13, no salão nobre dos Paços do concelho, uma audição pública sobre o projeto de concessão de uma exploração mineira na localidade de N. Sr.ª da Boa Fé, no concelho de Évora. Marcaram presença diversas entidades envolvidas no processo de decisão, nomeadamente, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), CCDRA, CME, Colt Resources e Quercus a quem se juntaram os eleitos na AME pelas várias forças partidárias. De entre o público presente natural destaque para a população da Boa Fé, interessada em conhecer as vantagens e desvantagens deste empreendimento no seu território.
Esta exploração mineira de ouro – caso avance em definitivo – prevê a criação de 135 postos de trabalho diretos e cerca de 1000 indiretos, durante o período de 5 anos, ocupando uma extensão de quase 100 hectares. Trata-se de uma mina a céu aberto cuja laboração vai implicar o corte de quase 7 mil árvores (Sobreiros e Azinheiras) no sítio de Monfurado, área classificada no âmbito da Rede Natura 2000. 
Em defesa do projeto, os responsáveis da empresa promotora Colt Resources, com sede no Canadá, mostraram-se disponíveis para assinar um protocolo com a Câmara de Évora garantindo a contratação de mão-de-obra da região para este investimento. A empresa garante, ainda, que irá dar resposta às muitas condicionantes técnicas que constam na Declaração de Impacto Ambiental (DIA), sem as quais o licenciamento não pode avançar. Os representantes da Colt reafirmaram, novamente, a intenção de não avançar com este investimento no caso de a comunidade se mostrar contra o mesmo. 
Em cima da mesa esteve, também, a discussão sobre o pedido de Declaração de Interesse Municipal (DIM) do projeto, por parte da companhia Canadiana, à Assembleia Municipal de Évora. 
Carlos Pinto de Sá, presidente da autarquia eborense, assegurou que a eventual aprovação desta solicitação irá ser alvo de discussão lembrando, no entanto, que esta declaração não é condição para o avanço desta concessão mineira. O autarca recordou, também, que a competência para licenciamento da exploração mineira é do governo. A aprovação deste investimento deve garantir que os eventuais impactos ambientais, sociais e económicos tenham de ser ressarcidos, alerta Carlos Pinto de Sá. 
As preocupações de carater ambiental são partilhadas pelos eleitos dos partidos com assento na AME e pela população da Boa Fé. Questões como a possível emissão de metais perigosos para as linhas de água, poeiras contaminadas ou o abate de árvores, suscitam dúvidas sobre se a geração de riqueza que pode advir do projeto compensa as previsíveis perdas ambientais.
Na sua próxima reunião ordinária a Assembleia Municipal de Évora deverá pronunciar-se sobre a concessão mineira da Boa Fé. (informação da CME, sublinhados nossos)

Contanário começa amanhã em Évora


A É Neste País está de volta, como prometido voltamos com grandes novidades, a nossa maratona sofreu alterações e transformou-se em algo maior, chama-se Contanário.

Contanário nasceu do projeto “Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto”, que todos os anos comemorava os seus aniversários com a organização de uma maratona de contos. Ao fim de 4 anos, cresceu, ganhou um nome, e acontece de 20 a 27 de Setembro de 2014 em Évora. O Contanário é a nossa fonte de distribuição pública de contos e formas de contar.

Este ano o Contanário traz a Ana Sofia Paiva, o Bruno Batista, o Thomas Bakk, e a contadora da casa Margarida Junça (Bru); O marionetista de serviço Manuel Dias (Trulé), os nossos amigos da Associação Cultural Do Imaginário, as canções de Daniel Catarino, os livros de Nic & Inês e os maus retratos de Cristina Viana; a exposição de Afonso Cruz, a visita de Ondjaki, o Tó Zé e a sua campaniça, as marionetas do grupo Neste País Há Bonecos, e a apresentação do novo projeto da Biblioteca Pública “Uma Biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente”. Contamos também, e em especial, com todos os contadores e ouvidores que nos acompanham durante todo o ano.

O Contanário está quase a começar e estão todos convidados a acompanharem-nos nesta nova aventura!

Programa aqui

DA de hoje


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Raquel Varela esta sexta-feira em Évora para falar de "o povo na revolução portuguesa"


A historiadora Raquel Varela vai estar esta sexta-feira, a partir das 21,30 horas, em Évora, para uma sessão promovida pela Colecção B, na Igreja de São Vicente. Raquel Varela é autora de diversos estudos sobre história contemporânea, tendo publicado recentemente "História do Povo na Revolução Portuguesa". Uma boa oportunidade para conhecer uma visão da história geralmente afastada dos discursos histórico-partidários, em geral meramente ideológicos e pouco factuais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Évora: homem em greve de fome frente à delegação regional de educação do alentejo

Apenas e só, um passeio...


Ano: 2014. 
Cidade: Évora.
Eu sei que é difícil acreditar, mas a foto fala por si. 
Há 5 anos que eu, a minha família (e julgo que restantes moradores) aguardamos a ligação pedonal entre a zona onde resido (estrada da Chainha) e o restante bairro (bairro do bacelo).
Um direito tão básico, negado diariamente, apesar de todos os impostos e taxas municipais que pagamos regularmente!
Deslocações básicas como ir comprar pão, levar um filho à escola que fica logo aqui ao lado ou chegar à ecopista (a poucos metros), têm que ser feitas de carro, face à ausência de acessos pedonais/passeios entre esta zona residencial e o restante bairro do bacelo, bem como à perigosidade da estrada da chainha para peões, que tal como o nome indica é uma estrada e não um passeio (ainda por cima, sem bermas).
É urgente que o município de Évora resolva esta situação. 
Afinal trata-se apenas e só de fazer a continuidade de um passeio!

Venina Peixeiroenviado por mail, também aqui


Morreu Dinis Vital, antigo jogador do Lusitano de Évora


O antigo futebolista internacional Dinis Vital, que jogou no Lusitano de Évora e no Vitória de Setúbal, nos anos 1950 e 1960 morreu hoje, aos 82 anos, vítima de doença, disse à agência Lusa fonte hospitalar.
Segundo a mesma fonte, o antigo guarda-redes Dinis Vital estava internado numa unidade de cuidados continuados e deu entrada no serviço de urgência do Hospital do Espírito Santo de Évora, na terça-feira à tarde, tendo morrido na madrugada de hoje, devido ao agravamento do seu estado de saúde.
Dinis Vital nasceu a 02 de julho de 1932 na vila alentejana de Grândola.
Iniciou a carreira no clube da sua terra, o Grandolense, mas foi no Lusitano de Évora e no Vitória de Setúbal que se destacou no futebol nacional.
Sagrou-se campeão da II Divisão Nacional e alinhou na I Divisão com a camisola da equipa alentejana.
Mais tarde, transferiu-se para o Vitória de Setúbal, clube ao serviço do qual conquistou uma Taça de Portugal.
Como treinador, passou, entre outras, pelas duas equipas de Évora, Lusitano e Juventude, e esteve no Vitória de Setúbal como treinador de guarda-redes.
Em 1959, Vital vestiu, pela primeira e única vez, a camisola da seleção portuguesa num jogo amigável frente à Suíça, mas representou várias vezes a seleção militar de Portugal. (Lusa)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cultura alentejana nas ruas de Lisboa





A propósito do lançamento do filme "Alentejo, Alentejo", de Sérgio Tréfaut, diversos grupos corais alentejanos têm mostrado a sua arte e o seu saber em vários locais de Lisboa. Tem sido uma festa e uma mostra de cultura e de afirmação da identidade cultural alentejana, como este vídeo demonstra.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Audição pública este sábado à tarde no Salão Nobre da CME sobre o projecto mineiro da Boa Fé


Este sábado, às 15H vai-se realizar no salão nobre da Câmara Municipal de Évora uma sessão aberta a todos os munícipes durante a qual se irá proceder à audição de diversos responsáveis sobre o projecto mineiro previsto para a Boa Fé. A publicitação desta reunião tem sido muito escassa, ainda que o presidente da AME tenha feito chegar a seguinte nota, que se transcreve, aos membros da Assembleia Municipal

"Ex.mos(as) Senhores(as)
Venho, por este meio, lembrar-vos que vai ocorrer, no próximo sábado, dia 13 de Setembro, às 15,00 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, uma audição para debater o projecto mineiro previsto para N.ª Sra. da Boa-Fé, para a qual foram convidadas as seguintes entidades: CME, Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, CCDRA, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Quercus e Colt Resources. Nesta conformidade, agradeço a presença de todos os membros da AME, para além dos eleitos da Câmara, de modo a preparar-se uma tomada de posição para a sessão ordinária de Setembro, que vai acontecer no dia 26.
Com os melhores cumprimentos,
O Presidente da AME"

DA desta semana


Começa hoje o Festival de Teatro de Amadores de Évora


Começa hoje mais uma edição do FESTAE - Festival de Teatro de Amadores de Évora. 
Organizado pela centenária SOIR Joaquim Antonio d,Aguiar é o mais antigo festival de teatro de amadores do país. Quarenta e nove anos passados, desde que, esta associação ofereceu a Évora e ao Teatro de Amadores o seu primeiro festival. Formando públicos, promovendo o acesso de todos ao Teatro e enriquecendo o panorama cultural e artístico de Évora, desde aí não parou de se realizar, sendo esta já a sua 23.ª edição.
Estendendo a presença de vários grupos de teatro cada vez mais a Sul, pela primeira vez este ano a organização é concretizada pela SOIR Joaquim António d'Aguiar e pela Lua aos Quadradinhos Associação Cultural, em parceria com a Associação Lendias d' Encantar, fazendo chegar o FESTAE também à cidade de Beja.
De 12 a 20 de setembro Évora e Beja receberão grupos de artistas de várias zonas do pais e contarão inclusivamente com espectáculos de grupos internacionais.
Teatro, cultura e animação de rua vão criar palcos na rua e trazer mais oferta cultural. O Teatro chegará a todos os que amam as artes de palco e vai tornar ainda mais rica a paisagem cultural da planície alentejana.
Ver mais: https://www.facebook.com/events/1472760776322264/

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Évora, chuva & sarjetas entupidas



Segundo informação do Serviço Municipal de Protecção Civil, entre as 15h00 e as 17h00 de hoje, quarta-feira, 10 de Setembro, foram registadas 35 ocorrências devido à intensidade da pluviosidade.

Segundo a mesma fonte, a maioria das situações foram: inundações de vias e de habitações. Registou-se ainda a entrada de água num hipermercado da cidade.

Denúncia sobre corrupção na Universidade de Évora enviada aos titulares de cargos públicos


A pedido de alguns leitores e por poder ferir susceptibilidades o acincotons decidiu retirar este post. Ficam os comentários.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

FIKE 2014 já mexe.


Mais de 1.000 filmes estão inscritos para a pré-seleção do Festival de Curtas Metragens de Évora (FIKE), cuja edição deste ano se realiza, entre 21 e 25 de outubro, em Évora e Beja, revelou hoje a organização.
O certame, que vai na sua 12.ª edição, é promovido pela Sociedade Operária de Instrução e Recreio (SOIR) Joaquim António de Aguiar e pelo Cineclube da Universidade de Évora, em parceria com as associações Estação Imagem e Lêndias d'Encantar.
Este ano, segundo a organização, foi inscrito, para a pré-seleção do festival, um total de 1.004 filmes, originários de 44 países, sendo a ficção a categoria mais concorrida, com 533 curtas-metragens.
Segue-se a categoria de documentário com 265 películas e animação com 179, existindo mais 27 filmes de outras categorias.
"Todos os filmes já foram visionados e este processo de pré-seleção está quase concluído. Chegámos a um número intermédio de cerca de 200", dos quais têm de ser ainda escolhidos "cerca de 40 para competir no festival", adiantou hoje à agência Lusa o director do FIKE, João Paulo Macedo.
Um dos principais destaques da programação paralela à competição vai para uma "master class" sobre produção cinematográfica com Patrícia Casey, a produtora do primeiro filme dos Monty Python, "And Now for Something Completely Different", de 1971.
"É uma produtora que trabalha em Inglaterra e nos Estados Unidos há 45 anos", destacou João Paulo Macedo, referindo que Patrícia Casey "arriscou produzir" o primeiro filme do grupo britânico de comédia que hoje "são uma referência do humor mundial".
Tal como no ano passado, vai ser atribuído o Prémio D. Quixote, que será nomeado por um júri da Federação Internacional de Cine Clubes, cuja rede de festivais parceiros o FIKE integra desde 2003.
O festival conta com o apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e da Direção Regional de Cultura do Alentejo, município e Universidade de Évora. (LUSA)

sábado, 6 de setembro de 2014

A DIREITA EBORENSE E O ESTADO NOVO (2): O NAZI GUSTAVO CORDEIRO RAMOS


JOSÉ FROTA*

Gustavo Cordeiro Ramos foi um dos mais brilhantes alunos e mais tarde, ainda que por pouco tempo, professor do Liceu Nacional de Évora. As notas biográficas existentes no Parlamento retratam-no como «um dos principais ideólogos da formatação da política de Educação no Estado Novo tendo por referência o modelo nazi». Por três vezes foi o Ministro da Instrução no tempo da Ditadura Militar e durante cerca de 4 meses exerceu a mesma função já no primeiro governo do Estado Novo. Subitamente Salazar substituiu-o. Gustavo não conseguia controlar a sua homossexualidade desregrada o que comprometia a imagem do governo. Mas o ditador não o deixou cair por completo. Na sombra e como procurador à Câmara Corporativa e professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa continuou a construir o novo paradigma da educação nacional que a chamada reforma Carneiro Pacheco institucionalizou em definitivo.
Abraçou entusiasticamente as teses de Adolfo Hitler e foi multi-condecorado e distinguido pelo governo alemão nacional-socialista pelos relevantes serviços prestados à causa. Dele se disse que o foi o único português a conhecer pessoalmente o Fuhrer. Uma coisa é certa: ele foi sem sombra de dúvida o maior apoiante do regime nazi em Portugal.

1. Os tempos de Évora

Gustavo Cordeiro Ramos viu a luz do dia, na cidade de Évora,  a 8 de Março de 1888 sendo um dos quatro filhos de Augusto José Ramos, um médico natural de Gouveia que se fixara na cidade, e de Ana Maria Cordeiro Vinagre, herdeira de uma família abastada residente no concelho (1) . Todos os  irmãos frequentaram o Liceu de Évora para realizarem os seus estudos à excepção da única menina, cujo único objectivo era apenas o de concluir o curso geral.
Desde a escola primária que Gustavo se veio a revelar como dotado de uma inteligência viva, brilhante, fulgurante mesmo. Terminou os estudos secundários em 1905 com a mais elevada classificação de sempre atribuída nesse primeiro quinquénio do século passado. Foi então para Lisboa ingressando no Curso Superior de Letras onde veio a confirmar as suas superiores capacidades licenciando-se em Filologia Germânica, de novo com uma classificação extremamente elevada. Já então os seus conhecimentos da língua e da cultura alemãs eram impressionantes.
Regressou a Évora em 1909  ascendendo de imediato a professor efectivo do Liceu. Tinha apenas 21 anos . Aqui se manteve, porém, por pouco mais de um ano. Para tão curta permanência contribuiu em muito o Professor Doutor José Maria Queiroz Veloso., também docente no Liceu (2) e que acabaria por abalar para Lisboa a fim de ir dirigir o Curso Superior de Letras , o qual em 1911, com a reforma republicana viria a dar.  origem  à Faculdade de Letras.
Queiroz Veloso que tinha sido  docente no Liceu de Évora durante 14 anos e havia sido seu professor e depois colega, conhecia-lhe bem os méritos e por tal não teve dúvidas em convidá-lo , apesar da sua juventude,  para integrar o quadro de professores da nova instituição universitária, entregando-lhe a docência das disciplinas de Literatura Alemã e Gramática das Línguas Alemãs.
Entretanto os seus irmãos mais velhos, Mário e Raul Cordeiro Ramos optaram pela carreira militar tornando-se oficiais do exército. A irmã Judith viria a consorciar-se com o médico veterinário António Piteira de Figueiredo, lavrador e proprietário na zona de Montemor-o-Novo  Quanto a ele , monárquico convicto e católico indefectível aderiu ao Integralismo Lusitano no seguimento de uma escolha efectuada em 1908 quando decidiu associar-se no Centro Académico Monárquico onde pontificavam entre outros Carneiro Pacheco, Fezas Vital e Alberto Monsaraz (3).


2. A paixão pela Alemanha nazi

Pela Faculdade de Letras se manteve até 1922, ano em que decidiu ir para Leipsig a fim de aprimorar os seus conhecimentos da língua e cultura alemãs e preparar a sua tese de doutoramento sobre o poema dramático “Fausto” de Johann Wolfgang von Goethe, não sem que antes se tivesse filiado no Centro Católico Português em que militavam Oliveira Salazar e Gonçalves Cerejeira (4)
Em Leipsig tomou contacto com o ideário do Partido Nacional-Socialista, fundado em 1921, e com a Juventude Hitleriana, criada no ano seguinte para treinar e integrar politicamente as crianças e os adolescentes para serem colocados ao serviço do partido. Consoante a sua idade os jovens  eram organizados em grupos ou milícias  paramilitares.
Por lá se manteve durante cerca de quatro anos num ambiente que o seduzia dos pontos de vista intelectual, pessoal e afectivo. Já então corriam rumores sobre eventuais tendências homossexuais, uma vez que  tinha 34 anos e não se lhe conheciam amizades ou afectos femininos. Em 1926, com a queda da República e a subida  da  direita ao poder em consequência do golpe militar do 28 de Maio, regressa a Portugal para apresentar a sua tese de doutoramento na Faculdade de Letras tornando-se ainda nesse ano seu professor catedrático (5).
Em 1928 responde afirmativamente ao convite do coronel Vicente de Freitas para fazer parte do 2º. Ministério da Ditadura Militar pós Carmona- entretanto nomeado Presidente da República- com a missão de sobraçar a pasta da Instrução. O governo toma posse a 18 de Março mas vem a cair seis meses passados a pretexto de uma questão religiosa mínima mas que Oliveira Salazar (nas Finanças) e Cordeiro Ramos aproveitam para esticar a corda em demasia visando provocar a demissão do coronel, o que conseguem (6). Em sua substituição é nomeado o general Ivens de Freitas, também de índole moderada, mas os ministros de direita não o deixam sossegado impedindo-o de levar a efeito uma política conciliatória entre todos os portugueses.
Entretanto começa a gizar o seu plano de implantar em Portugal o modelo nazi de educação, cultura e instrução, criando a Junta de Educação Nacional (JEN) (7). O seu fito era o de «fomentar uma intensa e  eficaz formação dos nossos investigadores que permitisse,   em colaboração  com os de outros países, recuperar o nosso atraso científico». Para que tal se tornasse viável caberia à JEN promover a melhoria das condições materiais e morais de estudantes, jovens  professores e investigadores (entre eles estiveram Agostinho da Silva, Delfim Santos e José Rodrigues Miguéis) que quisessem participar nesse movimento de cooperação intelectual fazendo estágios, participando em congressos ou quaisquer outras reuniões e  eventos de carácter científico. Aos  candidatos a beneficiários a este apoio era sugerida a preferência pelo encaminhamento para a Alemanha. Cordeiro Ramos e a maioria da jovem intelectualidade nacional  viam na Alemanha o novo farol da cultura, da ciência e da arte à escala mundial 7.
Antes porém  reintroduzira o Alemão como língua obrigatória nos cursos complementares dos liceus com uma carga horária de quatro horas para os alunos de Letras e três para os de Ciências por entender que os governos republicanos a haviam desvalorizado ao extremo de limitar o seu ensino a duas horas semanais e apenas para os cursos científicos (8).

3. O reconhecimento do Liceu e a acusação de plágio

A nível de Évora, Gustavo teve um papel decisivo na resolução que constituía a não ocupação de grande parte do Colégio do Espírito Santo. Quando da sua instalação em 1841 o edifício estava na posse da Casa Pia que para o efeito houve de ceder várias das suas salas, sob contrato de arrendamento. Sucede que passados cerca de 80 anos a situação não se alterara e a frequência do Liceu crescera desmesuradamente pelo que se tornara ainda mais premente aumentar o seu espaço e ampliar as suas instalações.
O problema alastrava-se a outras cidades do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Castelo Branco, Lamego, Santarém e Beja)  em que as instalações eram demasiado exíguas para as necessidades, de forma geral com os respectivos liceus implantados em imóveis muito antigos e deteriorados que já reuniam as condições mínimas indispensáveis para suportarem e alojarem o crescente e imparável número de alunos que os procuravam. A solução era óbvia e passava pela criação de novos liceus. Ciente disso, Cordeiro Ramos, conseguiu obter junto de Oliveira Salazar, Ministro das Finanças, uma verba vultuosa para a consecução desse objectivo.
Mas António Bartolomeu Gromicho, reitor do Liceu de Évora por si nomeado e seu amigo pessoal, não queria que este saísse do carismático Colégio do Espírito Santo. Cordeiro Ramos fez-lhe a vontade negociando a saída da Casa Pia para outro local e fazendo reverter o imóvel para a posse do Estado. Removido assim o obstáculo impeditivo o edifício foi entregue ao Liceu  pelo que Gromicho pôde protagonizar a sua total recuperação e procedendo ao progressivo alargamento da área ocupada que se foi verificando ao longo da década e meia seguinte  (9).
Ivens Ferraz porém não gostava dele e acabou por substituí-lo.
Foi durante este período que Gustavo Cordeiro Ramos conheceu nova contrariedade. O professor Santana Carlos acusá-lo-á na revista literária “Águia" (10) de ter plagiado partes substanciais da sua tese de doutoramento, de lições  sobre “Fausto” de Goethe ministradas numa Universidade francesa. A acusação causou escândalo nos meios intelectuais e políticos. A revista acabará suspensa temporariamente e proibida de voltar a referir-se ao assunto. Pensou-se que a boa estrela, que o tinha acompanhado, empalidecera.
Mas Gustavo só esteve fora do Ministério da Instrução pouco mais de quatro meses porque o próprio general foi apeado do lugar de chefe do governo e substituído por outro general, Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira, muito mais chegado à direita. E com ele Gustavo Cordeiro Ramos voltou ao comando do Ministério da Instrução, onde se iria manter por dois anos e meio.




4. O lançamento do modelo nazi de educação

Mais. Domingos de Oliveira  deu-lhe carta branca para desmantelar toda a estrutura educativa ainda sobejante da governação republicana e conferiu-lhe o seu aval para implantar um modelo semelhante ao alemão, Cordeiro Ramos não perde tempo e o seu afã reformador não conhece limites. Em 1931 cria a Universidade Técnica de Lisboa e  institucionaliza a profissão de regente escolar, permitindo que o ensino primário chegue aos locais mais recônditos e atrasados do país a fim de diminuir a taxa de analfabetismo, flagelo  que os governos republicanos não haviam conseguido atalhar de forma significativa apesar das múltiplas promessas e dos esforços desenvolvidos nesse sentido.
Na primeira metade de 1932 desdobra-se na apresentação de diversas iniciativas. É o autor do projecto de criação da Liga da Mocidade Portuguesa cujo objectivo é o de colaborar no «robustecimento e elevação pelo espírito de disciplina e energia das novas gerações pelo espaço e moral que elas praticam em nome da defesa da ordem pública   da defesa da Nação» e estará na base da criação da Mocidade Portuguesa em 1936
A sua audácia e arrojo vão ao ponto de mandar publicar em Diário do Governo o Decreto 21.000, por si assinado e emanado do seu Ministério , um regulamento de educação física a ser obrigatoriamente implantado em todos os liceus, atendendo a que« até hoje o ensino tem sido feito às avessas prejudicando a educação física e intelectual». O regulamento que  ensina e exemplifica mesmo com gravuras os exercícios que devem ser praticados estende-se por 32 páginas da folha oficial11.Ele vai ser igualmente o principal impulsionador do escutismo católico ao criar e oficializar a Organização Escutista de Portugal nomeando como seu delegado e presidente o também germanófilo Vítor Braga Paixão.
Tudo parecia correr de feição para Gustavo Cordeiro Ramos quando inclusive o seu amigo Oliveira Salazar o mantém como Ministro da Instrução Pública quando da sua primeira nomeação para Presidente do Conselho. Mas quatro meses depois o homem de Santa Comba Dão, após uma remodelação ministerial, afasta-o do cargo e nomeia para o seu lugar, o já referenciado Carneiro Pacheco.
A decisão deixou perplexa e espantada toda a gente, incluindo o ministro  que foi oficialmente foi informado de que a mesma se devia à contestação de muita gente que o acusava de estar a politizar o ensino, nomeadamente, o  primário. De facto Cordeiro Ramos tinha chegado ao ponto de tornar obrigatória a inserção nos manuais escolares de textos de autores como Benito Mussolini, Quirino de Jesus, Alfredo Pimenta, Pequito Rebelo, Alberto de Monsaraz e António Sardinha. E havia quem torcesse o nariz a esta proliferação de textos doutrinários oriundos da mais reaccionária extrema-direita.
A justificação apresentada pelo ditador pareceu pouco convincente. Gustavo Cordeiro Ramos defendeu-se junto do ditador dizendo-se vítima de uma armadilha que fora urdida pelos seus detractores pelo facto de ele perfilhar ideais de extrema-direita o que não era bem visto por alguns apoiantes do Estado Novo. Acontece que Cordeiro Ramos acabou por aceitar bem a sua saída do governo e reforçou ainda mais os seus laços de fidelidade a Oliveira Salazar.

5. Homossexualidade afasta-o do Governo mas não do regime

A moderna historiografia tem outra explicação.Cordeiro Ramos foi traído pela sua homossexualidade que deixara de ser discreta e cuidadosa na escolha dos seus parceiros para começar a ser muito conhecida e comentada fora da elegante esfera burguesa onde era muito bem tolerada.. Mas tal como no Partido Nazi,  também no Estado Novo podia ser-se homossexual mas sem se infringir as regras  do decoro ou do recato público (12) Vícios privados, públicas virtudes, era a regra. Ora Gustavo Cordeiro Ramos havia perdido a noção das conveniências e fora por duas ou três vezes interceptado em rusgas a urinóis públicos ou pensões rascas na imediações do Príncipe Real, perto do próprio Ministério (13).
Salazar viu-se assim obrigado a decidir-se pela sua não manutenção no governo mas não o deixou cair e na sombra manteve-o como verdadeiro ministro da Instrução. Os seus substitutos, Alexandre de Sousa Pinto e depois Eusébio Tamagnini, ambos nacionalistas e seus velhos conhecidos do Integralismo Lusitano não colocam quaisquer entraves o  a que Gustavo continue a desenvolver o plano de reforma educativa por  congeminado e gizado. Assinale-se que Cordeiro Ramos havia voltado à Faculdade de Letras e fora nomeado procurador à Câmara Corporativa na sequência das eleições legislativas de 1934 (14). . Aliás essa reforma teve de passar pelo crivo deste órgão tendo sido o próprio Gustavo Cordeiro Ramos o relator do parecer final.
Mas para a implementar Salazar precisava de alguém de pulso forte e politicamente capaz. Foi assim que em 1936 nomeou para o lugar Carneiro Pacheco. A reforma 15 veio a ser conhecida pelo seu nome mas para qual se limitou a assegurar a sua execução e a mudar a designação do Ministério que passou a chamar-se da Educação e da Junta da Educação Nacional que viu o seu nome alterado para Instituto de Alta Cultura. De resto a introdução do livro único, a obrigatoriedade da aposição do crucifixo nas salas de aula e a sujeição do casamento das professoras à autorização do Estado (16) tudo foi da lavra de Cordeiro Ramos que defendia. ser urgente criar pela educação «um homem novo português.»
Disse-o claramente ao defender que : «Sob o disfarce do laicismo fez-se uma obra criminosa , anti-social e anti-patriótica de descristianização. (...) A religião tem de ser considerada como uma necessidade do Estado. A ordem nova com os seus conceitos dominantes de autoridade e de nação só se compreende admitindo uma ordem superior». Por outro lado Carneiro Pacheco  compreendeu que «as transformações educativas precisavam de um discurso de suporte » que valesse «sobretudo pela atribuição de sentidos á acção escolar e à política educativa».
E isso só Cordeiro Ramos lho podia assegurar, nomeadamente quando num discurso intitulado “Os fundamentos éticos da Escola no Estado Novo” (17) vincou o primado da educação sobre a instrução : « Alargou-se a acção da escola, cujo fim não é apenas ensinar, mas sobretudo educar e educar politicamente, no sentido nobre da palavra, isto é, transmitir conhecimentos que não contrariem, antes favoreçam os fundamentos morais do Estado».




 6. O amigo dos nazis e o agradecimento de Hitler

 Nesse ano de 1936 desloca-se à Alemanha para assistir  aos Jogos Olímpicos de Berlim. Estreita ainda mais as relações que teve com elementos do Partido Nazi e consegue mesmo que no ano de 1938 Joseph Goebbles, o famigerado Ministro Alemão da Propaganda, escreva o prefácio de uma antologia de textos e discursos de Salazar, com prólogo da sua autoria, numa edição que é patrocinada pelas autoridades nazis (18).
Entretanto a partir da sua cátedra continua a tecer os maiores louvores e elogios ao regime nazi  e ao ditador germânico que vivem os seus dias de glória afirmando a sua superioridade rácica, cultural e intelectual sobre todos os outros países do mundo. Faz visitas cada vez mais demoradas à Alemanha, vela pelos interesses germânicos e difunde por toda a parte as virtudes do povo teutónico . Em tudo o que diz respeito a assuntos entre Portugal e a Alemanha  ele é o interlocutor escolhido por Salazar para o representar dada a confiança que o próprio Hitler nele deposita. Cordeiro Ramos terá sido mesmo o único português a conhecer pessoalmente o ditador.
Tido pelo pelos germânicos como « o Amigo da Cultura Alemã » receberá as mais elevadas distinções e condecorações atribuídas a cidadãos estrangeiros. Assim será nomeado senador honorário da Universidade de Colónia e sócio honorário da Academia Alemã de Munique e receberá a Medalha de Goethe de Mérito Científico e Artístico e Artístico, a  Medalha de Ouro de Leibniz da Academia das Ciências da Prússia e a Placa de Honra da Cruz Vermelha Alemão. Mas a maior das distinções será a concessão da Grã Cruz da Ordem da Águia Alemã, aposta pelo próprio Adolfo Hitler e destinada a premiar os excepcionais serviços prestados ao III Reich por cidadãos amigos de outros países (19).
Em 1942 foi nomeado Presidente  do Instituto de Alta Cultura, designação que passara a ter a J.E.N., por ele criada como atrás se referiu. Celestino Costa, o médico de Coimbra que era titular do cargo desde a sua reconversão, proferiu publicamente algumas palavras que desagradaram a Salazar que o exonerou designando Gustavo Cordeiro Ramos para o lugar. A intelectualidade coimbrã não aceitou de bom grado esta decisão e escreveu ao homem de Santa Comba Dão a pedir que reconsiderasse pois ele era «germanófilo, hitlerófilo  e fama de homossexual pelo que a sua nomeação causara uma péssima impressão na comunidade científica» (20).
Mas Salazar não ligou à missiva. E em retaliação contra Celestino Costa, encarregou o Ministro da Educação, Mário de Figueiredo, de o demitir de director da Faculdade de Medicina de Lisboa.

12. A queda  no ostracismo

O Instituto de Alta Cultura começou a partir daí a perder influência, declínio que a vitória dos Aliados no conflito mundial e a derrocada do Reich veio a acentuar. Assistiu amargurado à queda da Alemanha, à quase destruição de Berlim e à sua divisão pelas forças aliadas enquanto a sua amada Lepsig, igualmente esburacada por bombardeamentos sucessivos, era incorporada na República Democrática da Alemanha de dominação comunista. Arrepiou-se com os suicídios de Hitler e do seu particular amigo Goebbels. E seguiu com angústia o julgamento de Nuremberga, onde alguns dos seus conhecidos vieram a ser condenados à morte por enforcamento
Para se recompor veio passar uma temporada larga à casa de família que manteve em Évora, situada na Rua do Conde da Serra da Tourega. Apesar de ter caído em desgraça o ditador manteve-o  contra tudo e contra todos na direcção do Instituto de Alta Cultura até 1962. Na Câmara Corporativa permaneceu até 1958. Por essa altura já estava bem avançado na idade anos e não passava de uma figura decorativa, embora fosse mau adereço, do regime, que começava a abrir brechas por todos os lados.
A evolução do salazarismo fê-lo cair no esquecimento. Tinha muito quem politicamente o detestasse. Como pessoa igualmente. Quando saía, já sem protecção policial, ouvia nas suas costas, os piores insultos. Conhecidos de outros tempos ignoravam-no, desprezavam-no e nem queriam sequer ouvir falar dele. A verdade porém é que a reforma educativa que empreendeu primeiro e  que depois fomentou e alargou, embora fora do Ministério, manteve-se praticamente inalterada até 1973, quando já no consulado de Marcelo Caetano, o ministro Veiga Simão a varreu do  panorama educativo português
Gustavo Cordeiro Ramos morreu em Lisboa a 13 de Novembro  do ano seguinte com a proveta  idade de 86 anos e meio mas ainda com a lucidez suficiente para se aperceber que o regime autoritário, repressivo e  nacionalista que ajudara a fundar ruíra de podre. A seu pedido foi sepultado em Évora junto das campas dos pais e irmãos. Solteiro e sem descendentes foram a irmã e uma sobrinha que mandaram inscrever na respectiva pedra tumular a extensa lista de distinções e condecorações com que o governo do III Reich o agraciara e que agora com a passagem do tempo começam a tornar-se menos perceptíveis embora ainda legíveis. A sua derradeira morada é fácil de localizar.Fica num quarteirão na ala direita do cemitério, mesmo ao lado do artístico mausoléu onde jaz o desafortunado António Borges Barreto, o piloto eborense da Ferrari falecido prematuramente em 1957, em França, vítima de um acidente ocorrido num treino quando preparava  a sua estreia em grandes prémios de fórmula 1.
Em testamento Gustavo deixou um legado de 150.000 escudos à Universidade Técnica que esta por determinação do Ministro Valente de Oliveira, decidiu em 1979, converter em certificado de renda perpétua. Com o rendimento daí adveniente foi criado um prémio com o seu nome  que é atribuído anualmente ao melhor aluno daquela instituição (21).

*Jornalista

Notas

1      Biografia Parlamentar e Geneall.net- Portal de Genealogia.
2      David, Celestino in “Reitores, Professores e Alunos do Liceu de Évora” (1841-1941) em “O Corvo” Número especial do 1º. Centenário do Liceu de Évora. Queirós Veloso foi, antes disso, em Évora, Director da Escola de Habilitação para o Magistério Primário e Director da Biblioteca Pública. Ver também Espanca, Túlio in “ Subsídios para a História da Biblioteca de Évora (1804-1950), “A Cidade de Évora”, números 63-64, 1980-1981.
3     Quintas, José Manuel, “ Os Filhos de Ramires – As origens do Integralismo Lusitano”, Editorial Nova Ática, Lisboa. 2004.
4      Biografia Parlamentar
5      História da Faculdade de Letras de Lisboa.
6      Rosas, Fernando, Nova História de Portugal, Vol.XII, “Portugal e o Estado Novo (1930-1960) “, Editorial Presença, Lisboa, 1992.
7      Ramos, Gustavo Cordeiro, “Objectivos da Criação da Junta da Educação Nacional-Alguns aspectos do seu Labor”, Lisboa, 1951.
8      Carvalho, Ana Maria Marques Carvalho, “O ensino do Alemão nos Liceus Portugueses entre 1926 e 1949”, Tese de Mestrado, Universidade de Aveiro, Departamento de Línguas e Cultura, 2013.
9      Gromicho, António Bartolomeu in “Cem anos de vida do Liceu” (1841-1941), idem 2.
10    A Revista “Águia” foi uma publicação bimensal e depois mensal, de literatura, filosofia e crítica social que foi editada entre 1910 e 1932 pelo movimento nacionalista Renascença Portuguesa.
11    Decreto 21.000 emanado do Ministério da Instrução Pública e publicado em Diário do Governo de 16/4/1932.
12    Dacosta, Fernando, “Máscaras de Salazar”, 2ª. Edição, Casa de Letras, Lisboa 2007.
13    Almeida, São José, “Homossexuais no Estado Novo”, Editorial Sextante, 2010.
14    Rosas, Fernando, “As I eleições sobre o Estado Novo-As eleições de Dezembro de 1974, Edições O Jornal, Lisboa, 1985.
15    Lei de Bases do Sistema Educativo
16    Artº. 9º. da  citada Lei. Para contrair matrimónio com uma professora do ensino primário o pretendente deveria ter bom comportamento moral e civil e possuir vencimento ou rendimentos, documentalmente comprovados, em harmonia com os vencimentos da professora.
17   “Uma série de conferências” , Colectânea editada pela União Nacional, 1937.
18   Ver “O devir de um Novo Estado-Discursos e Documentos” editado na Alemanha pela Essener Velgastat. Cf. Medina. João, “Salazar na Alemanha : acerca da edição de uma antologia salazarista na Alemanha” in “Análise Social “ nº.145, 1998.
19   A ordem de Mérito da Águia Alemã foi criada em 1937 por Adolf Hitler e destinava-se a galardoar cidadãos estrangeiros que contribuíssem para a divulgação e apoio incondicional à Alemanha nazi. A Grã-Cruz era o seu grau mais elevado e embora não se sabia o número de pessoas que com ela foram contemplados, estima-se que não tenha ultrapassado uma vintena. 
20     Rezende, Jorge “ Sobre as perseguições a cientistas durante o fascismo” , Revista Vértice, nº.166, Lisboa , 2012.
21     Portaria publicada em Diário da República 193/79, I série.


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