segunda-feira, 14 de julho de 2014

Reestruturações

Porque não gosto de assobiar para o lado, nem enterrar a cabeça na areia, aproveitarei esta minha última crónica antes do período de férias para vos falar um pouco sobre a notícia mediática dos últimos dias, em torno do Bloco de Esquerda.
Soubemos este fim-de-semana que o Fórum Manifesto, na qual se inclui a Ana Drago, se afastou do Bloco de Esquerda. Há muito que este conjunto de pessoas pressionava para uma aproximação do Bloco de Esquerda ao Partido Socialista. Apesar da actual maioria rejeitar esta política de aliança, teria sido mais claro levar esta posição à Convenção que se realizará em Novembro. Não foi o caso, e este fórum de discussão organizar-se-á na forma que considerar mais eficaz para prosseguir aquilo que entendem ser melhor para o país.
Ainda assim, este afastamento em nada altera a posição aberta para juntar mais forças à esquerda para enfrentar a política austeritária. As divisões à esquerda nunca são uma boa notícia, mas a definição do que é uma política de esquerda no actual momento político e social é crucial. E sejamos francos, só tem ilusões com o Partido Socialista quem não tem a mínima noção do que a sua máquina representa, e de quais os reais interesses que o sustentam.
Esta semana um conjunto de economistas - Francisco Louçã, Ricardo Cabral, Eugénia Pires e Pedro Nuno Santos - definiram um roteiro concreto para a reestruturação da dívida, que implica a redução de 149 mil milhões da dívida pública e de 100,7 mil milhões de redução do passivo dos bancos, através de um processo de resolução bancária sistémica, com o objetivo de garantir o autofinanciamento futuro da economia nacional. Este roteiro detalhado é claro e pode ser consultado na íntegra na internet.
António Costa e António José Seguro apressaram-se a desvincular-se deste roteiro detalhado para uma reestruturação séria da dívida. Mas alguém ainda tem dúvidas de qual a política que vai ser seguida por qualquer um dos dois?
De facto, a urgência de romper com um governo de direita não pode levar a soluções menos más, nem a ilusões. Portugal está numa situação de emergência. E à emergência só se responde com coragem, com cabeça fria e com respostas claras e objectivas.
As pontes e as portas deverão estar abertas à formação de um governo de esquerda, plural e abrangente, mas este não pode abdicar nem da reestruturação da dívida nem da rejeição do tratado orçamental.
Esta é a linha que separa. A vida, a política e os partidos não são feitos do que gostaríamos que fossem, mas da dura realidade.
Desejo a todos os ouvintes um bom período de férias. Estarei de volta em Setembro.

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

4 comentários:

  1. PODEMOS mudar a ESQUERDA ?

    ResponderEliminar
  2. Não! Não podes mudar a Esquerda, a do Bloco-UDP e a do PCP. Essa é imutável e anti capitalista com excepções: relações priveligiadas com a Russia de Putin e com a China. Além de patos de solidariedade com CFuba, Venezuela ou Bolivia.

    A esmagadora maioria da Esquerda em Portugal não é anti capitalista e é decisivamente pró ocidental. A Esquerda Portuguesa é Social democrata

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E que esquerda é essa que, mal chega oa poder, aplica as políticas capitalistas da direita, em detrimento dos interesses do Trabalho?
      Que raio de esquerda é essa que previligia o Capital e castiga o Trabalho?
      Será isso esquerda, ou é essa pretensa esquerda é apenas o instrumento do Capital para manietar os trabalhadores?

      Eliminar
    2. isso não é esquerda...
      Por isso este PS e PSD são liberais de tendência para a direita, e o BE e o PCP são extremistas de esquerda. Nem PS nem PSD fazem social democracia séria (apesar de existir ainda alguma estado social). E jamais o BE ou ao PCP a farão, porque para fazer social democracia tem que haver mercado...REGULADO e gatunos presos, sem gente pendurada e outros a trabalhar. Só assim se pode estar e viver numa democracia social aberta e honesta.

      Eliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.