segunda-feira, 14 de julho de 2014

Manifestamente Prematuras




Descobri há uns tempos o significado de “esquerda caviar”. Trata-se de uma esquerda cosmopolita, que partilha espaço sem contudo partilhar o que na realidade conta, experiências, simbiose, multiculturalismo, convergência... tudo isso é descartado, posto de lado. Na esquerda caviar está-se! Apenas isso.
Há território demarcado em que os outros são profanos! Há poder que se não partilha e múltiplas narrativas de poder que servem para embelezar a imagem propagandeada. Há em suma, na esquerda caviar, um vazio bacoco que só serve as aparências e assim se vai, aos trancos e barrancos, até a realidade cair de outra dimensão e esmagar os oráculos e os penduricalhos que enfeitam o oráculos e os genuinamente crentes que não sabem sequer o que é caviar...
Por isso me confundem as notícias de que alguém saiu do BE... ninguém sai do BE! O BE sai das pessoas, evapora-se, retorna à sua existência ficcionada. Na verdade o BE já há muito não existe. É caviar que alguns têm na mesa e é sonho para a maioria que ainda acredita poder existir um espaço de entendimento, de prática cidadã, de aposta nas diferenças como factores de crescimento, como mais valias para uma acção concertada, que introduza de vez uma prática republicana, valores republicanos, uma cidadania responsável!
Existe muita gente à esquerda do PS, que entende ser a convergência resultado de um esforço de entendimento, consequência de ir ao encontro de, em vez de ficar à espera que os outros aceitem condições impostas para que haja sequer hipótese de diálogo. Não creio que quem assim pense, constitua a minoria da esquerda neste país, mas mesmo que assim fosse, é de minorias somadas que as maiorias se constroem. Foi essa a lição que aprendemos com a criação do BE. Três correntes fundadoras que juntaram esforços e passaram por cima de receios infundados, para criarem um partido que foi, durante uns tempos, uma pedrada no charco da nossa democracia.
As coisas mudaram. Deixaram de estar institucionalizadas as correntes fundadoras, organizaram-se tendências, reformulou-se dentro do Partido a correlação de forças e, o que seria positivo, acabou por trazer á tona antigas divergências e "modus operandii" que supostamente estariam erradicados.
As querelas pelo poder chegaram ao ponto de assistirmos aos responsáveis pelo apoio, conjuntamente com o PS, à candidatura presidencial de Manuel Alegre, clamarem agora contra um putativo entendimento com os socialistas para derrubar o governo de direita. Curiosamente, são os mesmos que avançaram com a Moção de Censura que abriu as portas do poder a essa mesma direita, os mesmos que inviabilizaram entendimentos à esquerda para as eleições europeias, os mesmos que agora censuram o abandono do partido por parte de muitos, que cansados de não serem escutados, de não terem voz, de verem as suas propostas recusadas e depois recicladas por quem as descartou, chegaram à conclusão que o BE não é o único espaço, o exclusivo instrumento, para que possam prosseguir empenhadamente a sua luta.
Há uma diretiva que sempre deu mau resultado, como a própria história não se cansa de ensinar, e que reza assim: “ quem não está conosco, está contra nós”. 

Quanto à Manifesto... desvinculou-se, sem dúvida, mas... a militância no BE é individual, no partido é suposto não haver carneiros, por isso... afirmar que quem é da Manifesto, já não tem lugar no BE, é tal como afirmou Mark Twain dizer que as notícias da minha morte são “manifestamente” prematuras. Até parece que ele adivinhava.

15 comentários:

  1. O que se passa com as Esquerdas ?

    PS a luta fraticidia pelo poder,ideais já eram.......

    Bloco a desfazer-se...........

    PCP não conseguem ou NÃO quer alargar o seu espaço,o seu sectarismo a isso obriga.......


    O que fazer ?


    PODEMOS mudar isto ?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. 12:26
      Respondo com uma metáfora.
      Se a floresta fosse constituída apenas por uma espécie de árvore, vinha alguém que atearia o fogo, seguido de alguém que soltaria o vento e a floresta num ápice seria consumida pelas chamas.
      São necessárias várias espécies, para com as suas diferenças tornarem mais forte e resistente o conjunto...
      Claro que no ponto de vista do eucalipto, a floresta ideal seria um aglomerado de eucaliptos... o mesmo com os choupos e por aí fora...
      só que uma floresta não é apenas um aglomerado de árvores...

      Eliminar
  2. O Quito estava com um amigo com o carro em altos berros.
    O Quito como dono da cidade, no concerne à pedinchince, não admite que na zona nobre da cidade alguém peça para comer, ele precisa para adquirir droga e tabaco. O Policia lá o acalmou e lhe tirou o cacete, mas no carro já não teve pachorra para o intimar a tirar o chaveco

    ResponderEliminar
  3. O partido comunista nunca ira fazer pontes com quem quer que seja,para nunca terem responsabilidade de poder governar para não se queimarem,é melhor ficarem assim isolados,o bloco sempre foi um partido do cartaz e do slogan barato por isso esta apodrecer por completo e vai desaparecer como partido nas proximas eleições,o ps pertence os lobys do estado negocio privados e os jobs for de boys e pouco mais,com estas 3 forças de esquerda com objectivos diferentes e pensamentos opostos é impossivél uma união.

    ResponderEliminar
  4. "...As coisas mudaram. Deixaram de estar institucionalizadas as correntes fundadoras, organizaram-se tendências, reformulou-se dentro do Partido a correlação de forças e, o que seria positivo, acabou por trazer á tona antigas divergências e "modus operandii" que supostamente estariam erradicados..."

    Estás certo mas o mundo, o país, as circunstâncias mudaram e o bloco não teve capaciadde para absorver essas mudanças.
    Já agora...nunca ouvi da boca de nenhum Daniel Oliveira ou Ana Drago, qualquer aproximação ao PS. De qualquer forma, qualquer maioria de Esquerda sem o PS é o mesmo que pescar numa lago sem qualquer tipo de peixe.
    É Sabido que uma maioria de esquerda com o PS nunca terá o apoio da UDP nem do PCP.
    Atenção...tive a preocupação de dizer UDP, pois o BE já não existe e o PSR claudicou de tal maneira, que já vimos o Louçã subscrever manifestos com gente do PSD. Já nem o Louçã é do PSR (mas é comunista) e o PSR são uns putos com com umas rastas que frequentam o FMM de Sines.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. http://www.publico.pt/multimedia/video/ana-drago-explica-saida-do-bloco-2014713140152
      Esta é a posição da Ana Drago e de muita gente da Manifesto.
      Muitos continuam vinculados ao BE e esperam pela Convenção, para decidirem se continuam integrados no projeto político do BE, se saem... Existem outras formas de integrar a contestação às políticas de austeridade, que não passam exclusivamente por organizações partidárias ou tuteladas por partidos... partidos que acabam por sufocar movimentos de cidadania importantes neste contexto...

      Eliminar
  5. Do BE, saem mais uns quantos, dá a ideia que querem apanhar boleia na carrinha do A. Costa. É normal. Esta esquerda libertária pensa que é possível mudar a sociedade sem ideologia, sem organização e sem disciplina.
    Depois é o que se vê, e tudo em nome da unidade, por agora…

    ResponderEliminar
  6. Bloco de Esquerda: RIP. Enterre-se o que enterrado já estava. E construa-se uma verdadeira alternativa social que deixe os políticos a falarem sozinhos, numa perspectiva de transformação social radical.

    ResponderEliminar
  7. 22.06

    Esquerda libertária sem ideologia? Onde é que leu essa? Olhe que você é danado para a brincadeira.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Então qual é a ideologia do Bloco?
      Ou, se quiser, qual a ideologia que congrega numa mesma organização ex-trotskistas, ex-maoistas, ex-leninistas, ex-anarquistas, etc., etc., etc.

      Eliminar
  8. Já não há paciência para as guerrinhas desta gente,

    ResponderEliminar
  9. Não entendo essa crítica da ausência de ideologia... Nem tão pouco vejo aflorada no post a questão. Poderei, redigir um novo post que trate especificamente do assunto e que lance debate. Até porque o papel da ideologia neste novo contexto da globalização tem muito a ser debatido, 22:06. No BE não existem ex...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Aceito e retiro a referência aos ex-.
      Mas a questão da ideologia parece-me determinante na consolidação da organização. Sem ideologia a desagregação parece inevitável. Sobretudo, quando se trata de um partido que não tem com elemento agregador a distribuição dos saques e despojos resultantes da conquista do poder. (Ou, se se quiser utilizar palavras mais doces, os tachos e as negociatas inerentes aos actuais podres poderes).

      Eliminar
  10. Voltou o PS sócratiano,e as Esquerdas continuam entretidas a defender a sua "quintinha".

    ResponderEliminar
  11. basta ver quem manda na tra.da Alegria,fernandas,Capoulas e Araujos........negócios e arranjar tachos para os afilhados.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.