segunda-feira, 7 de julho de 2014

Estamos de Boa ou Má Fé?

Decorreu, este Sábado, na Boa Fé uma Assembleia Municipal Extraordinária para que a população e os eleitos recolhessem mais informações sobre o projecto de exploração mineira a céu aberto previsto para a zona.
Intervieram na reunião a Entidade Promotora, o AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), a Direção Geral de Energia e Geologia, um Professor da Universidade de Évora e o Presidente da Câmara Municipal de Évora.
Uma reunião que durou mais de cinco horas, que contou com uma exposição dos convidados e várias perguntas e comentários dos eleitos e da população que marcou presença. Ainda assim, ficaram muitas perguntas por responder: por habilidade retórica das entidades públicas governamentais e da empresa, pela ausência injustificável da Agência Portuguesa do Ambiente e pela inexistência de convidados que pudessem fornecer dados concretos e científicos a diferentes níveis (impacto económico, ambiental, saúde pública, etc.) que pudessem contestar aqueles que defendem este projecto.
Ainda assim, destaco três aspectos que ficaram claros:
1. Uma cumplicidade absoluta entre as entidades governamentais e a empresa. Aliás, qualquer espectador menos atento não conseguiria distinguir pelos discursos quem pertencia à empresa e quem pertencia à entidade pública.
2. Que um voto contra da Declaração de Interesse Municipal do Projecto em questão levará a empresa a recuar e a não investir. Apesar desta Declaração não ter um carácter licenciador, foi claramente expresso pela empresa que um voto contra levará à queda do projecto. Espero bem que o período de recolha de informações por parte dos órgãos executivo e deliberativo municipais seja breve para que esta Declaração possa ir a votação o mais depressa possível.
3. Que grande parte da população e uma parte importante dos eleitos estão neste momento claramente inclinados para a oposição à concretização deste projecto. E permitam-me que diga que esta é, na minha opinião, uma excelente notícia.
Mas ficaram, de facto, muitas questões por responder, umas de carácter mais amplo e outras de carácter mais específico. Atrevo-me a realçar algumas questões que importam esclarecer cabalmente:
1. Porque é que o Governo decidiu considerar este Projecto de Interesse Nacional sem contabilizar claramente os custos ambientais e económicos?
2. Como é que o Governo se precaveu face à possibilidade de abandono por parte desta pequena empresa que é filial de uma empresa com sede no Canadá e como poderá actuar judicialmente em relação a esta caso a sua filial abra falência, tendo em conta a impossibilidade de o fazer contra uma empresa com sede num paraíso jurídico?
3. Porque é que ninguém fez o cálculo económico exacto das perdas para a economia local caso este projecto avance? Sabe-se que a economia dos sobreiros perderá mais de um milhão de euros, mas falta acrescentar o impacto no turismo local, na fauna e flora, na agricultura biológica, etc.
4. Que tipo de emprego é gerado pela exploração mineira? Governo e empresa enchem a boca a falar sobre a importância deste aspecto, mas ninguém esclarece que tipo de contratos serão estabelecidos, por quanto tempo e em que condições, qual a repartição salarial por qualificações, quais as diferenças entre pessoal dirigente e de execução e quem pagará os custos sociais após o encerramento da mina.
5. A nível ambiental e de impacto na saúde pública, as interrogações são imensas, passando pelo impacto do arsénio e outros produtos considerados altamente perigosos, poluição nos aquíferos e no ar, qualidade e níveis do empoeiramento, níveis de ruído e de vibração provocados pelas explosões, etc, etc, etc.
Muitas questões ficaram por responder, mas é urgente que quem ainda tenha dúvidas que as esclareça rapidamente para que o município possa tomar uma posição clara sobre este projecto.
Da minha parte, tudo farei para que este assunto não seja arrumado numa gaveta e para que não acordemos um dia com um desastre ambiental e económico em mãos.
Até para a semana.

Bruno Martins (crónica aqui)

26 comentários:

  1. Mas qual exploração mineira?
    Será muito difícil perceber que aquilo que está em causa é o saque aos fundos comunitários, para apoio à dita exploração?

    ResponderEliminar
  2. Qual é a opinião do senhor Zorrinho ?

    ResponderEliminar
  3. A poluição dos aquíferos e do ar não existe.

    ResponderEliminar
  4. Preocupem-se em bater na porta da casa dos idosos dessa freguesia para saber se estão alimentados e tem condições de higiene , deixem-se de filmes de ficção cientifica .

    O ouro já o havia e foi retirado na época dos romanos , o que andaram lá a fazer é secreto e camuflado nessa parvoíce ... que só cai quem nada sabe o que fazer na vida .

    Também andaram , a NASA na zona de Portalegre ... queres saber coisas secretas ?

    ...tipo , minerais por descobrir e origem da vida ? ... daqui a uns 30 anos ficas a saber !

    Deixa de ser amador !

    Jorge

    ( ciclista )

    ResponderEliminar
  5. Por acaso também gostava de saber a opinião dos especialistas, geólogos, químicos, biólogos sobre o impacto ambiental. Existe ou não possibilidade de contaminação dos aquíferos subterrâneos?
    Em crónicas anteriores o Bruno falava de "números assustadores" e de "dados alarmantes", agora já só fala em "interrogações". O que mudou? Afinal o que dizem os especialistas, há ou não há problema? Ou anda toda a gente a discutir no ar?

    ResponderEliminar
  6. Temos homem para o BES
    João Moreira Rato
    Tem curriculum este cromo
    Bom funcionário
    Na Goldman Sachs e na Lehman Brothers na área de derivativos
    João Moreira Rato é licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa. É doutorado em economia pela Universidade de Chicago com especialidade em Finanças.

    Lecionou em Chicago a cadeira de Microeconomia na licenciatura e foi assistente de Econometria no doutoramento tendo sido assistente do Professsor Heckman, nobel da economia em 2000. Também realizou vários trabalhos para o Banco Bbozano Simonsen no Rio de Janeiro.

    Trabalhou na Goldman Sachs e na Lehman Brothers na área de derivativos em Londres onde vive desde 2000. Foi fundador da gestora de Hedge Funds, Nau Capital em parceria com o Grupo Espírito Santo. Actualmente, é director da Morgan Stanley onde é responsável de soluções de mercado para a peninsula ibérica.

    ResponderEliminar
  7. Conterrâneo e amigo de turma o ciclo da escola Industrial e Comercial de Évora Dr Vitor Bento, vão-te meter num covil de ladrões(BES). Exige clarificação de toda a situação do Banco outro BPN

    ResponderEliminar
  8. Eu estive entre o público presente na AM. Mais uma vez a nota de imprensa da AM não expressa o que nela se passou. O Bloco de Esquerda apresentou uma moção (protesto) sobre a visita da Embaixadora de Israel a CME e o comportamento do seu Presidente Dr Pinto de Sá. A moção (protesto) foi rejeitada por todas as forças políticas PC, PS e PSD tendo apenas o voto favorável do partido proponente.
    A ideia geral é que ao receber a dita embaixadora o presidente da forma que o fez (acompanhamento, fotografias, discursos) deu cobertura a um Estado terrorista e fascista. Como nota refira-se que ao que conste não foi sequer oficialmente referido o Povo Palestino. O presidente tentou justificar, dizendo que não aceita lições de democracia e que são conhecidas as suas posições sobre Israel e o que estava em causa era a relação institucional e as relações entre os dois povos. Esta é uma posição hipócrita e vergonhosa. A real-politic não pode justificar tudo. Qualquer dia vem uma delegação da Frente Nacional ou de outras forças fascistas do Parlamento Europeu e o presidente da CM abre as portas e recebe os ditos porque é institucional e mais tarde (caricaturando) recebe os tanques porque está instituída a invasão.
    O Presidente da CME prestou um mau serviço á cidade, aos seus munícipes, ao Povo Palestino, ao Povo de Israel, a todos os democratas e progressistas que lutam por um futuro de coexistência pacífica entre estes dois Povos.
    A censura das posições que vão contra O PCP estão a tornar-se norma nas notas de imprensa da AM. A transparência apregoada na companha eleitoral foi mandada as malvas.

    ResponderEliminar
  9. Numa coisa concordo com o articulista, as perguntas e as dúvidas são muitas e, enquanto não forem no fundamental esclarecidas, não se deve tomar posição sobre o assunto.

    Mas onde se foi buscar a ideia de que grande parte da população está claramente contra este projeto? Nada mais falso, tenho exatamente a ideia ao contrário. A população de Nossa Senhora da Boa Fé, agora unida a São Sebastião da Giesteira, na sua quase totalidade apoia o projeto da exploração mineira.

    Faça-se um referendo na localidade, ou um inquérito bem feito, e o resultado não deixa margem para dúvidas. Aliás, basta falar com a gente da terra.

    ResponderEliminar
  10. É muito interessante ver que o Bloco de esquerda com a muleta muitas vezes do PS, vem tomando as dores sobre o que foi a gestão ruinosa deste partido na CME. Mas vamos aos factos, na comemoração dos 40 anos do 25 de Abril a intervenção do PS foi menos à direita que a do bloco, mas mesmo assim esse "senhor" Martins fez questão de prestar vassalagem às duas intervençõse do Partido Socialista embora uma fosse em nome de uma outra entidade. Agora fecharam 3 escolas em Évora e não se ouve o bloco preocupado com essa situação, a meu ver
    tudo tem a ver porque foi o PS de facto a iniciar o encerramento de escolas e o bloco em Évora não quer bliscar o PS. Agora vem o "senhor" Martins fazer um relato da ultima AM realizada na Boa Fé, eu estive lá assisti a toda a reunião e não vi nem ouvi as questões levantadas no resumo agora a presentado, das duas uma ou o "senhor" Martins sabe outras coisas e não disse o que é grave, ou o "senhor" Martins não é rigoroso e isso tem um nome que eu não vou escrever por respeito aos eventuais leitores deste comentário. Isto significa que em Évora Bloco e PS caminham lado a lado, havendo um que por vezes aparece mais submisso que o outro.

    ResponderEliminar
  11. ...e o que é que o gajo de Montemor que está a fazer figura de corpo presente como chefe da CME tem a dizer sobre isto?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O 'gajo de montemor' deve andar preocupado com o reabastescimento das farmácias com rennies, para aliviar as azias de certa boiada que ainda não se recompos da decisão dos eborenses que os mandou para o descanço

      Eliminar
    2. Manoelinho, quem diria?
      Você por estas bandas!.
      É bom vê-lo num blogue que dá a voz a todos e, sempre coerente, caro manoelinho, na defesa exacerbada de quem lhe paga (não, não é a Câmara, é o partido).
      E gosto da terminologia: boiada e azia. Assim, pelo menos, já sabemos quem, a coberto do anonimato, espalha tanta "azia" e tanta fidelidade canina ao "chefe" pelas caixas de comentário. Boyzadas...

      Eliminar
    3. ADOREI !!! BOA ACINCOTONS!
      Esse manoelinho é um nome ficticio. O verdadeiro nome é PCP !
      Rua de Aviz 97.
      O gajo do 97 não se aguentou eheheh e desmascarou-se !

      Eliminar
    4. Manoelinho

      Azia??? Trabalho no privado com todo o gosto e nunca precisei de partido nenhum para me dar de comer a mim e há minha família, como parece fazer PCP com a sua. Que seria do Manoelinho sem a teta do partido?

      Eliminar
    5. Morria de fome. Pois o manoelhinho é um inutil.

      Eliminar
    6. O manoelinho quando o pcp correr com ele,pode sempre arranjar um trabalho honesto,numa farmacia a vender as famosas Rennies que tanto apregoa.
      Sim,mesmo que nao vendesse...ao menos pela primeira vêz na vida,tinha um trabalho honesto.

      Eliminar
    7. O quê,o manoelinho agora vende rennies e kompensans.
      Bem, a julgar pela quantidade de ressabiados e aziados que andam por aqui, deve ser melhor que vender palha para bestas.


      Eliminar
    8. Ressabiados?
      Não, nunca vi por aqui ninguém com esses sintomas.

      Eliminar
    9. o maneolinho se for preciso até dá o pacote para o PCP...

      Eliminar
  12. Ao mal intencionado das 9,00H.

    Só para se ilustrar (sei que sabe que o fecho das escolas é uma das questões que preocupa e mobiliza o BE, mas quer fingir que não sabe) passo a publicar a moção apresentada na Assembleia Municipal de 27 de Junho pelo BE e que foi aprovada pelo BE, CDU e PS e 2 abstenções do PSD e 1 voto contra do PSD.

    "MOÇÃO
    PELA DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA
    CONTRA O ENCERRAMENTO DE ESCOLAS DO 1.º CICLO

    A Assembleia Municipal de Évora manifesta a sua veemente oposição ao anunciado encerramento de 311 escolas do 1.º ciclo em todo o país, das quais 12 no Distrito de Évora e de 3 no Concelho de Évora (Escolas Básicas da Boa Fé, Torre de Coelheiros e São Miguel de Machede).
    O encerramento destas escolas no Concelho de Évora, como no restante país, prejudica gravemente as populações, mas especialmente as suas crianças, que serão obrigadas a desgastantes deslocações, sendo retiradas da sua comunidade de origem, e afastadas muitas vezes de avós e outros familiares, representando isso perda de qualidade de vida e de ensino, assim como mais gastos para as autarquias. Não podemos, também, esquecer que muitas das escolas agora encerradas foram alvo de remodelações recentes com gastos, assim, infrutíferos por parte das autarquias.
    São, sobretudo, as zonas serranas mais isoladas e deprimidas social e economicamente as principais vítimas desta nova investida contra os serviços públicos, que se vem juntar ao encerramento de tribunais, repartições de finanças, serviços de saúde, estações de CTT e postos da GNR, acentuando a sua interioridade e consequentemente a desertificação.
    A Assembleia Municipal de Évora considera o encerramento de escolas em zonas isoladas e empobrecidas como parte integrante do verdadeiro interioricídio em curso que agrava as assimetrias, contribui para a diminuição das condições de vida e promove a desertificação, e apela à promoção de medidas de descriminação positiva para inverter o processo destrutivo que assola o interior e, em especial, o Alentejo.
    O encerramento de centenas de escolas do primeiro ciclo é parte integrante de uma política educativa enformada por uma ideologia neoliberal e conservadora. A mesma ideologia que determinou a diminuição de recursos humanos e materiais nas escolas, a retirada de medidas de apoio a crianças com Necessidades Educativas Especiais e o encaminhamento precoce para vias profissionalizantes de ensino. A mesma ideologia que financia turmas com 14 alunos no ensino privado, e que encerra escolas com menos de 21 alunos na escola pública.
    A Assembleia Municipal de Évora opõe-se às tentativas de subordinação da educação a uma lógica de mercado, em que a Escola é transformada numa empresa e onde o consumo dos que detêm mais poder económico prevalece e as populações mais desfavorecidas são votadas ao abandono.

    Évora, 27 de Junho de 2014
    O membro da Assembleia Municipal eleito pelo Bloco de Esquerda,

    Bruno Manuel dos Santos Martins"

    Para a próxima não seja mentiroso e não venha com segundas intenções falar em nome dos interesses ou não interesses do BE, p.f.

    ResponderEliminar
  13. «Porque é que ninguém fez o cálculo económico exacto das perdas para a economia local caso este projecto avance?», pergunta o cronista/político.

    E eu pergunto ao cronista/político se ele, ou alguém do seu partido, já fez algum cálculo desses, ou uma simples estimativa das perdas para a economia local.
    É que mandar bocas e palpites é muito fácil. Apresentar propostas e soluções é que não é para todos.

    ResponderEliminar
  14. «Ainda assim, ficaram muitas perguntas por responder: ... pela inexistência de convidados que pudessem fornecer dados concretos e científicos a diferentes níveis (impacto económico, ambiental, saúde pública, etc.) que pudessem contestar aqueles que defendem este projecto»

    E o deputado municipal do BE fez alguma sugestão de convite ou convidou alguma individualidade que pudesse estar presente e fornecer os ditos "dados concretos e científicos a diferentes níveis"?

    Ou, simplesmente, limitou-se a mandar bocas para a plateia?

    ResponderEliminar
  15. Terceira e última:

    A exploração mineira da Boa-Fé, foi contemplada em revisão do PDM de Évora (em 2008 ou 2009?!).
    Como votou o Bloco de Esquerda essa alteração?
    Será que se pode saber?

    ResponderEliminar
  16. Olha o PC a querer fugir com o rabo à seringa. Aliou-se ao Zé Ernesto (em Évora), uma vez que o Pinto Sá era o presidente de Montemor e assinaram de cruz a autorização municipal para a prospecção. O BE fez disto um cavalo de batalha nas últimas eleições autárquicas. O PS tem vindo a mudar de posição. Mas o PC está-se a borrifar para o meio-ambiente e tudo o que seja património natural ou construído. O que lhe interessa é alimentar com tachos as suas clientelas, cada vez mais interessadas em benesses e em sinecuras. E aí anda como bichaninha tonta a espingardear para todo o lado, enlameando quem protesta e quem se assume contra esta colossal atentando ambiental que está preparado para a Boa Fé.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, mas esqueceste de esclarecer como votou o BE a alteração do PDM, promovida pelo Ernesto, que contemplou a exploração mineira da Boa-Fé.
      Ora, estando no PDM, bem podem fazer agora as piruetas que quiserem, que o Governo se está borrifando para isso...

      E, não adianta atirar lama e areia para os olhos dos incautos.

      Eliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.