terça-feira, 8 de julho de 2014

Cultura do engodo

Imbuída do espírito da cultura popular com as festas da cidade e da época, meti-me a falar de outras culturas, considerando várias aceções sobre crenças, costumes e hábitos humanos. Há uma tão enraizada com que nos cruzamos tanto e a toda a hora que, até como que hipnotizados, nos esquecemos da sua gravidade.
E aqueles que por um determinado modo de vida que levam se conseguem manter afastados desta pressão impercetível, não estarão menos sujeitos a ver-se enredados nos assuntos que acham impermeáveis a este tipo de procedimento, que vive sobretudo na linguagem e no discurso e que se está a tornar numa prática cultural cada vez mais universal.
Refiro-me à cultura da mentira, nos seus diferentes graus de intensidade e com consequências várias ainda que todas inevitavelmente lamentáveis, muitas altamente nefastas nem que seja pontualmente algures na cadeia que vai desde o momento em que é arquitetada e depois lançada, ou quando produz os seus efeitos por vezes ao lado ou mais além do seu projeto inicial. É que a mentira, esta mentira que não é erro ou engano, que não deriva de uma ingenuidade infantil desejosa de um mundo mágico, ou que é mesmo sintoma de patologia, esta mentira é uma mentira que engana de propósito, atraindo os mais distraídos para um determinado alvo com um certo isco, levando-nos a “morder o anzol”. Porque “morder o anzol” é uma das opções que temos, numa vida felizmente cada vez mais cheia delas, mas onde por vezes as alternativas não estão menos engodadas.
Desenganem-se os que já estão a pensar que estou a falar dos políticos, um alargado grupo de pessoas responsáveis por gerirem os destinos de um coletivo ou de fiscalizarem essa governação, e sim estou a referir-me a políticos em democracia, e que tantos ofendem classificando-os liminarmente como “todos iguais”. Desenganem-se porque este não é um texto confessional, e muito menos um pedido de indulgência de quem gosta da política e a pratica com convicção. É tão só e apenas uma reflexão de alguém que, como tantos outros, está sujeita a constantes doses de notícias e apelos lançados às massas e que um dia resolve dar-se ao trabalho de ouvir com atenção esses discursos em vários tons, suportes e propósitos, e perceber como tudo isto parece estar a tomar proporções inquietantes.
O grego antigo Heródoto terá dito que “é mais fácil enganar uma multidão do que um só homem” o que na nossa era continua a ser tão ou mais inquietante, e até porque as multidões são somas de indivíduos que são chamados como cidadãos a participar cada vez mais na vida pública. Certo é que as técnicas usadas para arrastar multidões são as mesmas para impingir o bom e o mau, e que muitas vezes só nos damos conta do mau, ou este se revela, depois de o termos escolhido como bom. Mas pior mesmo é irmos percebendo que toda esta prática propagandística, disfarçada de informação disponibilizada ao cidadão e às massas para que possam escolher isto ou aquilo, ou este ou aquela (porque as pessoas também estão disponíveis para ser escolhidas), tudo isto parece estar a viciar-nos ao ponto de deixarmos de acreditar em quem não a utilize. Uma cultura que tende a extremar as pessoas entre fervorosamente crédulos e constantemente desconfiados e que urge combater não só com a denúncia, mas muito fazendo por se assumirem as culpas quando assim for o caso.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

15 comentários:

  1. Dr.Cláudia continua sem esclarecer os Eborenses,o que se passou com a Urbanização das Pites?

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  2. Genro de Cavaco apoia costa...............................................

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  3. Como é GRANDE este polvoooooooooooooooooooooo,o cavaquismo na candidatura de Costa........................................

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  4. E o Salgado apoia quem?
    O costa ou o seguro?

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  5. Esta senhora está a falar para quem e quer dizer o quê com este palavreado?
    Alguém sabe explicar?

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  6. Algúem sabe o que vai nascer no antigo centro comercial Eborim?As obras andam em forte,espero que não seja outro hotel.

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    1. O Bloco de Esquerda também é contra os hotéis?
      Ou é só este blogue a tentar inventar mais uma polémica.

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  7. É isso. Leia aqui a decisão tomada em Setembro pela Câmara:

    http://www.cincotons.com/2013/09/evora-com-novo-hotel-no-antigo-centro.html

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  8. E alguém sabe o destino do novo Centro Comercial, agora nas mãos do BES, ao que dizem?

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    1. Sim está num fundo de investimento do BES. A cidade de Évora não tem população para sustentar economicamente o centro comercial. O Zé do Cano nunca devia ter aprovado o mamarracho.

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    2. Se está num fundo do BES isso significa que, mais dia menos dia, estará na "dívida pública"...
      Ou seja, tal como no BPN, ainda vamos ser nós todos a pagar pelos desmandos.

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  9. POLVO ou ROBALO ?

    A Destruição do SNS e o Vergonhoso NEGÒCIO com o Hospital de SERPA.

    ESTE GANGUE que gere a Saúde tem como objectivo Desmantelar o SNS.

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  10. Esta senhora foi vereadora da cultura da nossa cidade?
    Aquela vereadora que ia espatifando tudo o que é cultura local, substituída aos poucos por enlatados e "programadores" pagos a peso de ouro.

    Era só para saber se estamos a falar da mesma pessoa.

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  11. Os militares que fechem as fronteiras terrestres , aéreas e marítimas , metam Rui Rio e Marinho Pinto a limpar a corja política parasita instaladas e outros particulares que mamam mais que os donos de poços de petróleo nas Arabias !!

    Devolvam Portugal aos pobres !

    Jorge

    ( ciclista )

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  12. Ca'ganda confusão que vai neste texto e certamente na cabeça de quem o escreve. É preciso reler. Devo ser das massas enganadas que não entendo nada. Mas também não entendia a política cultural do executivo do qual esta doutora fazia parte, porque até hoje não entendo o que aconteceu ao dinheiro do tocar de ouvido, das associações culturais. E muito menos sei onde foi para a cultura do PS

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