quinta-feira, 5 de junho de 2014

Os P do F

Logo a seguir à Revolução de Abril fomos surpreendidos com uma explosão de siglas que correspondiam a partidos e movimentos políticos acabados de nascer ou resultado de dissidências mais ou menos antigas do PCP.
Na verdade os nomes dos partidos pretendiam vincar as suas opções ideológicas e, dentro destas, as diversas tendências e correntes para que não se confundissem com os parentes mais próximos.
40 anos depois, apesar de se manterem as siglas diferenciadoras, os partidos do centro político já não encontram ideias para se diferenciarem e passaram a promover o líder que pretendem ver como primeiro-ministro, assistindo-se a um processo cada vez mais acentuado de fulanização da actividade política.
Já não se apela ao voto no partido x ou y, antes se tenta convencer a votar no senhor x ou y que terá características pessoais mais sedutoras para o eleitorado.
Nas últimas eleições legislativas, por exemplo, a coisa foi-nos apresentada como uma luta entre Sócrates e Coelho e nestas europeias, apesar de ninguém votar no MPT, Marinho e Pinto obteve uma votação histórica.
A luta pela liderança do partido que ganhou as últimas eleições é o exemplo acabado da fulanização da política.
Os candidatos a candidato debatem entre si qual deles é o sabonete mais vendável ao eleitorado, qual deles é capaz de provocar a onda da vitória.
Se nos questionarmos sobre as diferenças políticas entre os dois chegaremos à conclusão que são praticamente inexistentes caindo a discussão em torno da confiança que cada um é capaz de criar no eleitorado, qual deles tem mais jeito para D. Sebastião, qual é o campeão do carisma e em qual confiaríamos para nos vender um carro usado.
A escolha não é entre esta ou aquela opção ou visão política mas entre o Costa e o Seguro, num concurso de mister simpatia, ganho à partida pelo que consegue o fenómeno de “melhor imprensa”, sabendo nós como esse fenómeno é criado.
E assim temos o partido do Costa, o partido do Coelho, o partido do Portas, a apresentarem as suas candidatura em nome próprio ainda que encobertas por uma sigla que nada mais significa que uma sigla.
Em boa verdade os partidos deste centro deveriam ter todos a mesma sigla, o P do F. Assim saberíamos que o Partido do Fulano ganharia sempre, mudando apenas o fulano que quer protagonizar a candidatura.
Apesar da nossa tendência para o sebastianismo, a fulanização, a aposta num protagonista em detrimento de ideias e opções, acabará por matar a política.
Eu, por mim, jamais farei escolhas em função de pessoas ou de características pessoais. Escolherei sempre em função de ideias e de projectos de sociedade. Talvez por isso nunca tenha alterado o sentido de voto e não prevejo vir a fazê-lo.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. Olha para este chico esperto...então porque é que o PCP correu com ele como candidato a Presidente de Câmara e foi buscar "um falano" a Montemor? e mais, porque é que ele depois de ter sido o primeiro candidato aceitou ser desapiado?

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  2. função de ideias e de projectos de sociedade,qual a Republica do laos ou a Republica da Coreia do norte?belas sociedades!
    A cada dia que passas como vereador estas mais perto dum tremendo flop ou bluf,até quando Pinto de Sá te vai segurar é a questão?!

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  3. Eduardinho com que então a tirar o PCP do caldinho de vender sabonetes. Vendem e de que maneira. Nas últimas europeias foi a agremiação de malfeitores que mais gastou em propaganda. Só que tens razão: aquilo já não são sabonetes, é mais sabão macaco.

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  4. Este Puto estúpido é o mais fraquinho da Câmara. Deviam correr com ele. Ninguém o grama e só causa prejuízo à imagem da Câmara e do partido. Só diz parvoíces de quem não pensa.

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  5. olha-me este...e o partido fulano do comité que manda ora nos sindicatos, ora nas comissões de trabalhadores, ora nas ideias.
    Mas alguém ainda tem dúvidas como seria se os fulanos efetivamente mandassem nisto a sério? Será que o Luciano já tentou em pensamento pular o muro da vergonha?

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  6. Este Puto Estúpido agora queria mandar nas mentes das pessoas e controlar as razões pelas quais votam ou deixam de votar.
    Pois fique sabendo, caro Puto Estúpido: cada um vota pelas razões que entende melhores.
    Se eu quiser votar em siglas, voto. Se quiser votar em pessoas, voto. E você não tem a ponta de um c...a ver com isso!
    Vá controlar as pessoas lá para o seu comité central. ou para o raio que o parta!

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