terça-feira, 17 de junho de 2014

Os fundamentos da nota de despedimento


E lá recebi esta manhã a minha nota de despedimento da TSF em conjunto com mais outros 13 companheiros/as e camaradas da rádio (o que de um total de 119 trabalhadores prefigura 11,5% de despedimentos na antiga "rádio em directo"). Alegando más prestações económicas a partir de 2011 (que foi precisamente quando os efeitos desta direcção - vendendo a antena a parcelas e descaracterizando a TSF - se começaram a fazer sentir) e a uma situação financeira insustentável, a administração da Controlinveste justifica os despedimentos como "difíceis, mas necessários" para a recuperação da rádio. No caso que a mim me mais diz respeito os autores desta nota de despedimento quase que foram "ternurentos". 
Escrevem que "aferido o volume de notícias oriundas da respectiva região, considera não se justificar a manutenção da delegação de Évora, região em que o noticiário local passará a ser coberto, em caso de necessidade, por correspondentes, colaboradores ocasionais não dedicados, de acordo com as orientações e agenda da Direcção".
E acrescentam, em jeito de La Palisse, que "a decisão de extinguir a delegação de Évora tem como consequência a extinção do posto de trabalho de jornalista a ela afecto".
E mais à frente: "o critério de seleção do trabalhador abrangido pelo presente processo de despedimento colectivo, cujo posto é extinto, está, exclusivamente, ligado à decisão de extinguir a Delegação de Évora da TSF, onde o trabalhador em causa desempenha a sua actividade".
Que bem ! (como se nos anteriores 24 anos que levo de jornalismo da TSF alguma vez me tivesse limitado - a não ser nos últimos tempos e com esta direcção - a produzir "notícias oriundas da região"....)
Mas pronto. É aqui que estamos.

14 comentários:

  1. Lamento Carlos Júlio,por ti, pelo jornalismo no Alentejo, lamento por todas as asneiras que se vão fazendo por este país fora em nome da Folha de Excel.Tens toda a minha solidadiedade e não dúvido que saberás levantar a cabeça.Um abraço do Carlos André

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  2. Lamento.É sempre triste ver o nosso posto de trabalho desaparecer.Não esquecendo,o drama de ficar sem meio de subsistência.
    Desejo que encontre uma alternativa....melhor ainda,quem sabe...
    Força !

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  3. CARO CARLOS JÚLIO

    ia a escrever amigo, troco a tempo por "caro" porque nunca fomos, nem somos verdadeiros amigos

    - conhecidos de alguns acontecimentos de RUA, vulgarmente contestatários da ordem estabelecida, eu pouco sabendo de si, com respeito pelo seu trabalho cultural através do "A CINCO TONS" - que até já tem tido a generosidade de transcrever também alguns poemas meus

    não acompanhei, como eventualmente mereceria, o seu trabalho radiofónico, profissional, do seu dia-a-dia, gostei de algumas poucas reportagens que vieram ter comigo acidentalmente

    uma palavra de solidariedade pela sua nova situação de despedido da TSF - onde afirma ter trabalhado 24 ANOS como jornalista profissional
    julgo saber que mantém outras atividades culturais secundários, no campo da Comunicação Social, a que talvez possa recorrer para evitar uma situação dramática de dependência financeira, semelhante ao que tantas vezes vem acontecendo neste país de flagrantes e graves injustiças sociais

    uma palavra, pois, de solidariedade - puxada pela memória esfumada de um breve diálogo entre nós, quando uma vez lhe fazia chegar o meu desconforto por ter sido "despedido" da minha qualidade de "cronista semanal" do DIÁRIO do SUL" - não 24 anos de colaborador mas se calhar não longe disso - sem um cêntimo de retribuição, sem uma palavra de reconhecimento, sem uma NOTA de DESPEDIMENTO
    - como aconteceu com o CARLOS JÚLIO

    só ao fim de alguns anos de colaboração "graciosa" o periódico teve a gentileza de me fazer chegar as suas edições diárias, de borla, como pagamento do meu já prolongado contributo

    fiz notar ao CARLOS JÚLIO a minha estranheza pelo facto, que ainda considero manifesta prova de ingratidão, salientando que auto-avaliava as minhas crónicas como compatíveis com a qualidade "literária"
    do diário

    e o CARLOS JÚLIO - talvez também por isso "caro" e não AMIGO - questionou essa minha sincera, quem sabe errada opinião:
    as minhas crónicas eram compatíveis...

    - E SERIAM MESMO ? foi o que lhe ocorreu perguntar-me na altura

    doeu-me na altura, e não seria coerente agora manifestar-lhe, como já o fiz, a minha solidariedade "cara"
    sem invocar o episódio que não mais esqueci

    antónio saias

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  4. Devem ter sido os comunas,,,
    Só pode!

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  5. 20:49,Proença de Carvalho é o CAPANGA de serviço, Homem de mão dos angolanos e do PSD.

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  6. Tenham tato o Angolano pertence a Internacional Socialista aquela esquerda que vocês tanto gostam.
    Não liguem o Angolano ao PSD só para fazer querer a quem não sabe que é verdade.

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  7. joaquim palminha silva17 junho, 2014 21:52

    Caro Caro Júlio:
    Lamento que tenha sido despedido por razões tão sem razão! Não lhe posso valer de grande coisa, dadas as minhas actuais limitações físicas,mas estarei disponível para lhe valer no que estiver ao meu alcance... Não é fácil viver sem ter onde ganhar"o pão nosso de cada dia".... - Eu sei o que é isso! Por isso o meu apoio como trabalhador da mesma lavra!
    Saudações
    Joaquim Palminha Silva

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  8. Porra sempre a mesma treta. É pena o k aconteceu e ainda vai acontecer à TSF.
    Já agora Platero deixe de chorar pelas suas defundas crónicas no DS, aquilo é um pasquim.

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  9. Eu por mim, só vou voltar a ouvir a TSF por engano. Não basta chorar, há que usar o poder que ainda temos.

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  10. Eles arranjam sempre desculpas para continuar a atacar quem não se verga, quem não se cala, quem não se entrega! Como todos os que já passamos por isso,depois do embate, da dor e da raiva iras continuar o teu caminho, já longo de grandes e bons projectos.
    Ca estamos para o que der e vier. Sabes que podes contar sempre connosco!
    Lurdes

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  11. Amigo Carlos,
    O teu despedimento levanta duas questões gravíssimas. Uma para a nossa profissão (e para ti, naturalmente). E outra para a região. Sabemos, aliás, já sabíamos, que o espaço do jornalismo sénior, crítico e ponderado, nas redações portuguesas é cada vez mais exíguo. Disso, aqui esta mais uma prova. também sabemos, sabíamos, que no negócio das notícias o Alentejo está cada vez menos cotado. Disso, aqui está mais uma prova. Uma prova dura, empobrecedora e muito, muito, muito preocupante.
    Deixo-te um abraço de solidariedade, na certeza que terás forças e criarás oportunidades para pôr em prática aquilo que melhor sabes fazer: um jornalismo sério, profissional e sem açaimos.
    Paulo Barriga

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  12. Carlos,
    agora que te negam o direito da honestidade no ofício de uma vida inteira e no coerente ganhar da papa, sabendo da tua verticalidade não deitada de cara descoberta e peito feito, acredito que continuarás a perseverar por uma terra menos madrasta.
    Um abraço solidário

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  13. «um abraço de grande solidariedade». Eras tu que ainda falavas um pouco da nossa região, caso contrário nada se sabia sobre o Alentejo. Muita coragem para ti.

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  14. Carlos Júlio,

    quando ouvi os primeiros rumores de que se anunciavam 160 despedimentos na Controlinveste andei à procura de notícias sobre a TSF no Twitter e, quando as vi, arrepiei-me com a leva de despedimentos do João Paulo Baltazar, a seguir soube do Nuno Galopim no DN, hoje da Lília Bernardes no Funchal e, com alguns dos nomes dos melhores, percebe-se a gravidade do que se prepara. A brutalidade do detalhe dos números sobre os jornalistas impressionam, ainda assim: 24 despedidos no DN, 20 no JN, 7 na TSF, 3 no Dinheiro Vivo, 2 no Jogo, 2 no Notícias Magazine e metade dos fotógrafos da Global Imagens. Depois, no dia seguinte, fui espreitando em directo a manif dos jornalistas em frente às instalações do DN em LX, logo de madrugada partilhei uma breve que saíu no Libération e sei que está marcada uma greve a favor do emprego e contra os novos accionistas da Controlinveste (angolanos diz-se, com as mãos de Proença de Carvalho à mostra).

    Ora, por razões que adiante explico, só agora cheguei ao A Cinco Tons quando fiz um zapping pelos meus blogs. Nem me ocorreu de momento pensar na delegação de Évora da TSF (vantagens e desvantagens do *nomadismo* profissional do Carlos Júlio, sempre o vi assim: como o singular jornalista da TSF no Alentejo, um dos históricos de um projecto pioneiro que arrancou entre os camaradas e isso não se troca por nada deste mundo, mas também um dos principais rostos de muitos outros projectos regionais).*

    Que os alentejanos da diáspora ficarão a perder isso é óbvio, mesmo que se tenha agora a net à mão, mas a perda será maior para os povos do Aquém-Tejo (e isso merecerá alguma reflexão dos responsáveis económicos, culturais e políticos interessados e, será inevitável, uns sorrisinhos sectários e espera-se que poucas garatujas na caixa de comentários).

    Quanto ao resto, a vida continua (e um abraço de solidariedade, como não podia deixar de ser).

    * Seguramente os + importantes porque independentes no pós-1974, o que não é coisa pouca.

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