segunda-feira, 23 de junho de 2014

Feira de São João: um anunciado "adeus ao Rossio de São Brás" que nunca aconteceu


Ainda não vi com grande atenção a Feira deste ano aqui em Évora, por isso apenas posso destacar três ou quatro pontos. Fui lá no sábado à noite, passei pelo chamado "Espaço Jovem", dei uma pequena volta pela feira do livro e jantei numa das associações culturais instaladas no Jardim. Deu para ver pouca coisa, mas não me pareceu absolutamente nada que esta seja uma feira de "ruptura", como disse o vereador da cultura da Câmara de Évora à Agência Lusa. Parece-me mais de continuidade e não podia ser de outra maneira. Esta feira existe há 500 anos, tem vindo a perder prestígio e importância - como a maioria das feiras deste tipo - e não é com um mero estalar de dedos que se rompe com o passado. Politiquices à parte, acho que a ligação da feira ao Jardim nunca deveria ter sido interrompida e a escadaria liga bem os dois espaços. A feira do livro pareceu-me muito fraca, descosida, quase triste, com os stands com poucos livros, com poucos frequentadores, apesar de haver muita gente a passar ali ao lado.
Gostei do facto de haver mais espaço (menos stands também) e dos carros não ocuparem toda a parte central da feira, mas ficou tudo mais escuro, falta iluminação e se se compreende a presença da chaimite ali, nos 40 anos do 25 de Abril, rodeada de cravos simbólicos, pelo menos à noite tudo aquilo passa despercebido e tem o aspecto de um qualquer mamarracho.
Mas o que se sente é que a Feira continua a perder importância e impacto, como aliás já se nota há vários anos. Já em 1995, o então vereador do PCP, Jorge Pinto dizia ao nº 3 da revista "Imenso Sul", em artigo intitulado "Feira de S. João: Adeus ao Rossio de S. Brás", assinado por Conceição Rego, que aquele poderia ser o último ano em que a Feira de S. João se realizava no Rossio, devendo ser transferida para outro local. Naquela altura ainda se discutia se seria "junto ao nó da Lagril, entre as instalações da SOMEFE e o espaço destinado ao MARÉ ou no Parque Industrial e Tecnológico de Évora, junto do NERE". Aliás, nesse ano, na Feira, foi também apresentado o projecto de Reordenamento do Rossio que previa a manutenção duma grande praça, complementada com edificios de habitação, escritórios e comércio, assim como um espaço para espectáculos e um outro para estacionamento público com 500 lugares. Anunciava Jorge Pinto que as obras deveriam ter início "em 1996 e decorrer até final do século".
Claro que as obras, quer do Parque, quer do Rossio nunca avançaram. A CDU esteve na Câmara ainda vários anos e, em cada edição, era anunciado que a Feira iria ter, no próximo ano, um novo espaço e novas condições para se realizar. Isso nunca aconteceu. Já no tempo em que o PS dirigiu a Câmara, a opção da mudança da Feira ainda perdurou durante alguns anos, mas José Ernesto Oliveira assumiu mais tarde que não havia condições económicas nem financeiras para a construção do desejado Parque de Feiras e Exposições.
É esse o ponto - parece - em que estamos e em que já ninguém defende a saída da Feira do local onde está. Ou não?

15 comentários:

  1. Consulta os programas eleitorais e tens a resposta.

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  2. Por falares em programas eleitorais vê lá o frisson em que ando à espera de ver cumprida a promessa da CDU de neste mandato construir um parque de autocaravanas junto ao Centro Histórico. Isto sim é que é promessa eleitoral.

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  3. Requalificar o espaço SIM.........a Feira pode e deve continuar no Rossio.

    Concordo falta LUZ...........a feira está melhor na organização dos espaços.

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  4. Não se pode ter uma feira no meio de habitações nem junto de 2 hotéis,é de terceiro mundo o barulho infernal,juntado o estacionamento selvagem bloqueando portas e portões.
    O rossio merece outro destino como porta principal da chegada da cidade,a feira tem o seu sitio escolhido e a bem de todos a sua transferência é urgente.

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    1. Faltam é os carcanhéus.

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  5. «acho que a ligação da feira ao Jardim nunca deveria ter sido interrompida e a escadaria liga bem os dois espaços»
    Estranhamente não me lembro de ter lido neste blogue qualquer critica à não utilização do Jardim, em anos anteriores.
    Aquilo que agora parece tão óbvio, não o foi durante 12 anos. Nem pelos fazedores da feira, nem pelos habituais criticos.
    Enfim, algo a que já estamos habituados.

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  6. «A CDU esteve na Câmara ainda vários anos e, em cada edição, era anunciado que a Feira iria ter, no próximo ano, um novo espaço e novas condições para se realizar...»
    O Carlos Júlio tinha a obrigação de saber que a CDU fez o que podia ter feito.
    - Em primeiro lugar alterou o Plano de Urbanização de Évora para contemplar o Parque de Feiras (o plano foi publicado em 2000)
    - De seguida, em 2001, comprou os 20 hectares de terreno necessários à construção do Parque de Feiras.
    - Ainda nesse ano inciou o estudo prévio, com vista à captação do financiamento necessário.
    - Infelizmente em 2002 iniciou-se um período para esquecer.

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    1. em 2001 havia terreno e DINHEIRO (crédito aprovadona banca) para fazer iniciar as obras.
      Passados 12 anos, nem obras, nem dinheiro e só ficou uma dívida monstruosa.

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  7. Esperemos é que este não seja também um "período para esquecer". Sinais disso não faltam.

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    1. O que falta são os carcanhéus.

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    2. Daqui a 12 anos podes apresentar as razões que te levam a dizer isso. Agora, nesta conjuntura e com a situação de falência técnica e funcional em que se encontra a CME, parece-ne apenas pessimismo, ignorância ou... má fé

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  8. EVORA ESTÁ SUJA !!!

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    1. Não será efeito da transpiração dos teus miolos?

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    2. Escrevi o comentário atrás por considerer que os teus últimos comentários "MENTIROSOS !" e "EVORA ESTÁ SUJA !!!" devem ter dado cá uma trabalheira.



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