segunda-feira, 23 de junho de 2014

Assim a festa não é bonita, pá!

Visitei a Feira de São João este fim-de-semana. Não posso deixar de felicitar o executivo municipal pela eleição dos 40 anos do 25 de Abril como tema central, tema que, por si só, enobrece a Feira.
Não posso deixar, ainda, de realçar a melhor organização dos espaços e a harmonia entre os mesmos, assim como a programação geral, em especial a programação do Espaço Jovem, que inclui vários tributos a personagens que lutaram e lutam pela Democracia em Portugal através do poder das palavras e acções, e a abertura do Jardim Público a espectáculos, a Associações do Concelho e à Feira do Livro.
Mas é pena e não posso deixar de lamentar profundamente que esteja incluída no Programa Geral da Feira (que pode consultar no site da Câmara Municipal) a Corrida de S. Pedro - espectáculo tauromáquico pouco dignificante para o Concelho.
Uma Feira que elege como palavras-chave a democracia, a liberdade e a cultura não pode incluir um triste espectáculo de exaltação do sofrimento animal.
Um Município que reconhece a importância dos direitos dos animais proclamados pela UNESCO e consagrados na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, não pode permitir a existência de espectáculos que violem estes direitos e, muito menos, incluir estes no principal evento anual realizado no Concelho.
A um executivo competente pede-se coragem nas decisões, pelo que ou este decide não reconhecer a Declaração Universal dos Direitos dos Animais ou decide não permitir a realização de espectáculos que violem estes Direitos. As duas coisas são incompatíveis!
Relembro que esta Declaração no seu artigo 2.º refere que "todo o animal tem o direito a ser respeitado", no seu artigo 3.º que "nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis" e no artigo 10.º que "nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem" e que "as exibições de animais e os espectáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal".
Há muito tempo que a ciência reconhece que a maioria dos animais, incluindo os cavalos e os touros, são seres sencientes, capazes de sentir prazer e dor, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade.
E já que um dos temas centrais da Feira de São João é a Cultura, realço que só um sentido humanista desta contribui para tornarmo-nos melhores seres humanos, sendo esta uma característica essencial para a evolução mental e civilizacional. As tradições retrógradas, como as touradas, em nada contribuem para esta evolução.
Adiar opções políticas por falta de coragem não dignifica os valores de Abril. É mais do que tempo de fazer de Évora um Concelho amigos dos animais.
Não nos esqueçamos que o respeito pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante e que no Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa está inscrito que Portugal deve ser um país mais livre, mais justo e mais fraterno. Que se cumpra!
Até para a semana.

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

22 comentários:

  1. Concordo em absoluto! Um espectáculo onde quanto mais um animal sofre, mais palmas se batem é simplesmente....

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  2. Desculpe , fala de animal pessoa em Portugal , ser respeitado ?

    O senhor e tal como os outros políticos da oposição , tem de utilizar o Parlamento para fazer política , não para esperar sempre pelo final do mês , quer que lhe explique melhor ?


    O próprio governo dá maus exemplos em cumprir as leis , confronta tribunais , quanto mais os sacanas dos privados , oriundos de famílias que mataram negros em África em troco de trabalho de graça ... gente , que deve abandonar Portugal um dia , caso contrário , pode haver por cá uma revolução de BRANCOS !!


    Isto hoje :

    ""A empresa pode obrigar-me a assinar uma declaração para não engravidar?" (Renascença)

    A Renascença dá a conhecer o caso de uma trabalhadora do setor da distribuição que se sentiu ameaçada pela sua empresa desde o fim da licença de maternidade. Recorreu a advogados e admite não voltar a ter filhos. "Não quero voltar a passar por esta angústia"."

    Jorge
    (ciclista )

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    1. Ó ciclista: tem mais cuidado com o que bebes, pá. Não dizes coisa com coisa...

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  3. Caro Bruno Martins:

    estou totalmente de acordo consigo. Uma pessoa que goza e se diverte a ver torturar um animal....é mais animal que o animal propriamente dito.

    É tradição? Há uns milhares de anos também era tradição fazer sacrifícios humanos.

    Há 2 séculos também era tradição comprar e vender pessoas como escravos.

    Infelizmente ainda há "gente" para a qual é tradição o marido bater na mulher.

    Tudo coisas bárbaras e indignas de gente civilizada. Tal como as touradas.

    As tradições são para manter? Sim, se forem boas e correctas. Não, se forem bárbaras. Neste caso, devem ser abandonadas essas tradições. Chama-se a isso evoluir. Ser civilizado. Usar o cérebro para melhorar.

    As touradas são indignas de seres humanos dignos desse nome.

    Carvalho

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    1. Tanto quanto me parece há por aqui alguma confusão entre uso ou costume e tradição. A Feira de S.João remonta ao ano de 1568 e foi criada por alvará de D.Sebastião.. A sua primeira realização ocorreu no dia 24 de Junho do ano seguinte.Feira agrícola, por natureza, as corridas de cavalos e de touros sempre estiveram presentes em todas as suas edições pelos tempos fora inserindo-se na sua multissecular organização e programação (450 anos sensivelmente) Entranhou-se na memória colectiva, passou a fazer da.A partir do momento em que esses pressupostos deixam de se verificar não há mais Feira de S.João por mais cosméticos que lhe queiram introduzir. Não passa de um lastimável abastardamento do conceito só explicável por razões ideológicas. Chamar Feira de S.João ao que neste momento está em exposição no Rossio de S.Brás, tenham dó.

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    2. E o que é que esta história acrescenta ao que se diz no post?
      Ou seja, por termos uma reles introdução histórica, já é mais humano torturar animais?
      As farpas espetadas e a dor dos animais (enquanto outros animais se babam de gozo com o triste espectáculo) ficam minimizadas pelo enquadramento histórico?
      Santa pachorra para aturar palermas...

      Carvalho

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  4. Corrijo.«Estranhou-se na memória colectiva e passou a fazer dela. »

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    1. Ao anónimo das 14.51 que assina por Carvalho. Em sua opinião «As tradições são para se manter se forem «BONITAS E CORRECTAS». Qual então o critério a adoptar para as sabermos diferenciar? Temos que primeiro solicitar a Carvalho a sua douta opinião por que a história é uma merda para decidir destas questões.Ou seja se fizer parte dos gostos de Carvalho, então é BONITA E CORRECTA..Boa! Nem mais.
      Atenção, não sou aficionado nem nunca entrei numa praça de touros para assistir a qualquer espectáculo taurino. Mas para vencer a sua ignorância sobre a ancestral Feira de S.João e evitar dizer asneiras sobre o assunto recomendo-lhe a leitura de "As Feiras de Évora" de Manuel Carvalho Moniz, editado pela Câmara Municipal de Évora,em 1997. Ah, pois não conhece nem o livro nem a besta que o escreveu. Cá me parecia.. Entretanto mande lá a sua lista das tradições «BONITAS e CORRECTAS» e respectiva bitola para nossa geral elucidação.

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    2. Ao anónimo das 21:32 que assina "José Frota" (quem?...)

      O critério é simples: é boa a tradição que não chocar com os valores da civilização, como o respeito por todos os seres vivos e a não promoção do sofrimento apenas para divertimento de energúmenos.
      É feia a tradição que se parecer consigo. Se a sua cara for do mesmo género do que você escreve, porra que é feia como tudo.
      E quem é que lhe disse, ó palerma auto-convencido, que você é o único a conhecer livros sobre o passado de Évora? Essa foi boa.
      Se você soubesse quem eu sou até você se ria da própria palermice que escreveu.
      Repito: haja paciência para aturar os palermas (sim, refiro-me a si; ficou claro ou precisa que faça um desenho?).

      Carvalho

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    3. Aos costumes disse nada.

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    4. Está enganado:

      Ao nada (você) disse o costume (banalidades que você consiga entender).

      Carvalho
      (isto é um pseudónimo...um nome falso....uma suposta identidade....Percebeu?)

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  5. António Costa vaiado pelo POVO socialista de Ermesinde.

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  6. Obrigado a cavar a sua própria sepultura foi, depois, abatido a tiro. Tornou-se uma das primeiras e mais célebres vítimas da Guerra Civil de Espanha. Morreu no dia 19 de Agosto de 1936.
    Vítima de uma denúncia anónima, Federico Garcia Lorca foi preso pelas tropas do ditador Franco e, sem qualquer acusação ou julgamento, sumariamente assassinado com um tiro na nuca.
    Um deputado local, talvez o autor da denúncia, argumentou mais tarde que ele seria “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”…
    A sua poesia sobreviveu e a caneta, como receava o deputado fascista, tornou-se mais perigosa que um revólver. Evoco aqui um excerto de um dos seus mais célebres poemas, La Cojida y la Muerte, da elegia Llanto por Ignazio Sánchez Mejías, conhecido como A las Cinco da la tarde. Em homenagem ao matador, o poeta criou um poema que se tornaria símbolo da sua própria morte.

    LA COGIDA Y LA MUERTE

    A las cinco de la tarde.
    Eran las cinco en punto de la tarde.
    Un niño trajo la blanca sábana
    a las cinco de la tarde.
    Una espuerta de cal ya prevenida
    a las cinco de la tarde.
    Lo demás era muerte y sólo muerte
    a las cinco de la tarde.

    El viento se llevó los algodones
    a las cinco de la tarde.
    Y el óxido sembró cristal y níquel
    a las cinco de la tarde.
    Ya luchan la paloma y el leopardo
    a las cinco de la tarde.
    Y un muslo con un asta desolada
    a las cinco de la tarde.
    Comenzaron los sones del bordón
    a las cinco de la tarde.
    Las campanas de arsénico y el humo
    a las cinco de la tarde.
    En las esquinas grupos de silencio
    a las cinco de la tarde.
    ¡Y el toro, solo corazón arriba!
    a las cinco de la tarde.
    Cuando el sudor de nieve fue llegando
    a las cinco de la tarde,
    cuando la plaza se cubrió de yodo
    a las cinco de la tarde,
    la muerte puso huevos en la herida
    a las cinco de la tarde.
    A las cinco de la tarde.
    A las cinco en punto de la tarde.

    Un ataúd con ruedas es la cama
    a las cinco de la tarde.
    Huesos y flautas suenan en su oído
    a las cinco de la tarde.
    El toro ya mugía por su frente
    a las cinco de la tarde.
    El cuarto se irisaba de agonía
    a las cinco de la tarde.
    A lo lejos ya viene la gangrena
    a las cinco de la tarde.
    Trompa de lirio por las verdes ingles
    a las cinco de la tarde.
    Las heridas quemaban como soles
    a las cinco de la tarde,
    y el gentío rompía las ventanas
    a las cinco de la tarde.
    A las cinco de la tarde.
    ¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
    ¡Eran las cinco en todos los relojes!
    ¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

    Federico García Lorca

    Que me desculpe o senhor Bruno Martins pelo incómodo e talvez enfado de o cravar com esta estopada sobre o poeta García Lorca. Já que se aproxima a hora do jantarinho São Joanino, por nada deste mundo o quero privar do supremo prazer de deglutir o tradicional franguinho assado. Adolescente avezinha, há não muitas horinhas, dependurada pelas patinhas e sacrificada através de electrocussão pelos irracionais proletas funcionários do matadouro.

    Cordialmente

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    1. Eu julgo que o Bruno é vegetariano.

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    2. E que não fosse vegetariano.
      Uma coisa é a criação de aves para alimentação humana, outra, completamente diferente, a tortura pública de animais para divertimento de animais vestidos com roupas de marca.
      O cu é o cu e as calças são as calças (há que não os confundir...).

      Carvalho

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  7. Hoje concordo com o Bruno Martins.
    Temos todos que perceber o que é o PCP.
    Querem dinheiro, votos e tudo o que seja para deitar abaixo o Governo do Passos Coelho porque este Governo quer melhorar o País.
    Touradas? Deixa andar.
    As touradas é que são um verdadeiro retrocesso civilizacional, mas como a maioria do povo é atrasado e gosta de touradas ao mesmo tempo que vota no PCP, o PCP já não está contra as touradas porque isso ia tirar-lhe votos.
    Assim se vê,
    a essência do PC.
    Outra coisa. Anunciaram hoje conversações com partidos de Esquerda para juntar forças. Pois, eu percebo. Apanham o BE a descer e armam-se em bonzinhos e dizem que querem unir forças.
    O que o PCP quer é absorver pelo menos alguns militantes desse e de outros grupos, como a Margarida Martins ou esse gajo do "Livre", que lhe pode trazer mais uns votos à custa da aniquilação desses grupos. Dão-lhes uns lugares nas listas para as próximas eleições, que é o que esses rapazolas querem porque já provaram e gostaram da mama e o PCP ganha um ou dois papagaios para a Assembleia da República que vão fazer o mesmo papel ou melhor que o João Oliveira ou a Rita Rato. Estes que se ponham a pau, porque o tachinho pode vir a ter concorrentes.
    O PCP é isto.
    Não acreditam?
    Então observem.

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  8. maldito pcp que tanto tem prejudicado o alentejo. vejam a vila de montemor que e um coio comunista. só tem gente embrutecida,patêgos e bebados. o terreno do pcp.

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  9. lá tinha de vir o cretino fascistóide abandalhar os comentários

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    1. deves ser patego de montemor

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    2. Então não era o "chupa-pilas" e o gajo que "tem azia"? Afinal em que ficamos? Decide-te, homem...
      Mas, por favor, não mudes de insultos, agora que já nos habituámos aos de sempre.... vá lá....não faças isso....

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  10. Ai Bruno, Bruno tens que cumprir o teu papel até ao fim...Câmara de Salvaterra de Magos: Rodeos, Corridas de Touros...Boa sorte Bruno.

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  11. Então como explicam que o Gabriel García Márquez, que foi um forte apoiante e admirador de Fidel Castro, tenha sido um grande aficionado e que várias vezes escreveu sobre as corridas de touros? O Picasso, que teve sempre mais ligações à esquerda do que à direita, também era outro grande aficionado. Existem vários dos seus quadros que são alusivos às corridas de touros!
    Em quantos concelhos do Baixo Alentejo, onde o PCP ainda sobrevive com alguma expressão, as touradas continuam a fazer parte das festas populares?
    Porque será que continuam a usar e abusar do argumento que as touradas são espectáculos de direita? Será por desconhecimento ou por falta de argumentos?
    Outro argumento muito utilizado pelos que são contra as touradas relaciona-se com o carácter civilizacional e intelectual dos aficionados mas basta ouvir/ ler algumas mas intervenções de elementos de associações de proteção de animais para verificar que a mediocridade impera e onde à falta de argumentos consistentes, fazem-se acusações.

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