segunda-feira, 30 de junho de 2014

Comboio presidencial


A vereação em peso no comboio presidencial. É um fartote de boa vida. Se fosse no tempo do PS o que não seria. Presidente, vereadores, assessores, malta da comunicação da Câmara exactamente iguais aos que os antecederam. O que dirá a isto a tal de Zulmira do vereador Luciano?

Anónimo
30 Junho, 2014 15:38

sábado, 28 de junho de 2014

O cante em filme esta noite em Beja


Assembleia Municipal de Évora aprova moções contra fecho da delegação da TSF/Alentejo e despedimentos na Controlinveste.


A CDU e o Bloco de Esquerda apresentaram na reunião de ontem à noite da Assembleia Municipal de Évora duas moções, de conteúdo similar, em protesto contra o fecho anunciado da delegação da TSF em Évora e o despedimento colectivo (abrangendo 140 trabalhadores, mais 20 rescisões “amigáveis”) que esta empresa de comunicação social pretende levar a cabo no “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, TSF e "Jogo".
A moção da CDU, apresentada por Duarte Nuno Guerreiro e intitulada “Contra o Processo de Reestruturação da Controlinveste”, refere que (este processo de despedimento) “é um processo intencional, revestido de uma fina capa de um argumentário económico-social ao qual já nos habituámos. A realidade é que foram despedidos profissionais altamente qualificados, com provas dadas, exemplos de um jornalismo de qualidade, reprodutor de uma cidadania activa, isento, imparcial e que não treme ao fazer as perguntas mais incómodas. Com este processo de despedimento é a isso que se pretende colocar um ponto final.”.
E logo a seguir escrevem os eleitos da CDU. “Mais, na nossa região a TSF deixa de ter a sua delegação. Extinguindo os postos de trabalho que lhe são adstritos é muito mais que isso que termina. Acaba-se com a ligação informativa que confere coesão territorial ao espaço nacional, que coloca o Alentejo no mapa informativo e que oferece a Évora o espaço noticiário que é seu por direito e mérito próprios”.
Conclui a moção apresentada pela CDU e aprovada por maioria que: “assim, a Assembleia Municipal de Évora, reunida a 27 de Junho de 2014:
- Manifesta-se contra o apelidado processo de reestruturação da Controlinveste que arrasta para o desemprego mais de centena e meia de trabalhadores;
- Opõe-se ao encerramento da delegação de Évora da TSF;
- Solidariza-se com os trabalhadores lesados por um processo de despedimento que pretende formatar e alinhar a comunicação social aos interesses económicos”.

BE contra “dizimação das delegações locais dos órgãos de comunicação social nacionais”

Uma outra moção do BE, também aprovada por maioria, com os votos do BE, CDU e PS e 2 abstenções do PSD e 1 voto contra do PSD, e intitulada “Pela Liberdade de Informar e Ser Informado”, refere que “Évora tem assistido ao longo dos últimos anos a uma autêntica dizimação das delegações locais dos órgãos de comunicação social nacionais, tendo como implicação a redução drástica da cobertura noticiosa da região que vê, assim, agravar o seu isolamento”.
O BE sublinha que “não há Democracia sem verdadeira liberdade de informar e ser informado.Nesse sentido a informação deve ser vista como um bem público e como tal, não deixa de ser com crescente preocupação que a Assembleia Municipal de Évora tomou conhecimento da intenção do Grupo Controlinveste de proceder ao despedimento colectivo de 140 trabalhadores que, localmente, se traduz no desaparecimento de mais um órgão de comunicação social em Évora.”
E isto porque “este processo de despedimento colectivo levará ao encerramento da delegação da TSF em Évora, com o despedimento, por extinção do posto de trabalho, do seu único colaborador".
“O anunciado encerramento da delegação da TSF foi precedido do encerramento das instalações da LUSA no Alentejo (estando os seus trabalhadores a desempenhar funções a partir de casa), da redução de três para duas equipas na RTP (acompanhada da deslocalização para instalações precárias), do fim da existência de correspondentes regionais dos jornais Público e Expresso e da desvinculação dos jornalistas que trabalhavam para a TVI e SIC. Assistimos, também, nos últimos anos, à venda da Rádio Jovem à TSF, que usa o emissor de Évora apenas como retransmissor, e à compra por parte da IURD da rádio Antena Sul. Ao silenciar-se mais um órgão de comunicação social, em Évora, silencia-se a voz dos eborenses e empobrece-se a região e a Democracia.”, refere o BE nesta moção aprovada pela Assembleia Municipal de Évora.
Para o BE, (sobre o fecho da delegação do Alentejo da TSF) “ao silenciar-se mais um órgão de comunicação social, em Évora, silencia-se a voz dos eborenses e empobrece-se a região e a Democracia”, pelo que “a Assembleia Municipal de Évora, reunida a 27 de Junho de 2014, não pode deixar de se solidarizar com os trabalhadores despedidos e manifestar o mais veemente protesto e repúdio pela decisão do Grupo Controlinveste. Atendendo a que cabe aos poderes públicos apoiar a concretização do direito de informação, pelo exposto, a Assembleia Municipal de Évora insurge-se, ainda, contra a degradação dos serviços de comunicação social no Concelho e apela ao Governo para a criação urgente de um sistema de incentivos à fixação local e regional de órgãos de comunicação social.”

Conselhos e conselhos


Em tempos alguém me deu o seguinte conselho: "fixa o que ouves, regista o que lês".
Na sequência da última reunião do Conselho Municipal de Juventude de Évora, tendo em conta o conselho dado, relembrei e revi algumas coisas que tenho ouvido e lido nestes últimos tempos.
Frases como "vamos dar voz aos jovens", "trataremos todos sem qualquer discriminação", "a lei tem de ser respeitada independentemente da cor política", cativaram muitos e deixaram-me expectante.
Sim. Expectante e na esperança que, embora muitos municípios continuem a menosprezar a importância da existência e do bom funcionamento dos Conselhos Municipais de Juventude, Évora continuasse a ser uma excepção à regra pela positiva.
Infelizmente, os meus receios e os de muitos confirmaram-se.
Évora viu o seu Conselho Municipal de Juventude transformado num órgão que funciona apenas pro forma em questões determinantes.
Em plena Feira de São João, grande parte da gestão da programação do espaco desportivo foi atribuída a apenas uma associação, contrariamente ao que tem vindo a suceder em anos anteriores.
Aos conselheiros apenas foi apresentada a decisão final, sem alternativas.
Ora, sendo este órgão composto em grande parte por associações e instituições representativas dos jovens do Concelho, e exercendo funções consultivas, porque não foi previamente ouvido?
Podia esta ter sido a única questão levantada nesta última reunião, mas assim não foi...
A esta decisão, seguiu-se um acto de total desrespeito por uma das instituições representadas acrescido da violação dos regulamentos gerais e internos actualmente em vigor.
Quando uma instituição, membro de pleno direito, vê o seu voto ser desconsiderado com fundamento numa formalidade inexigivel, respostas exigem-se.
E exigem-se porque um membro de pleno direito do Conselho Municipal de Juventude tem a sua presença e direito de voto automaticamente reconhecidos, não sendo necessárias mais formalidades para a prática do seu exercício.
Exigem-se porque, tendo essa instituição estado presente, com confirmação prévia, em reuniões anteriores, nunca ninguém alegou tal necessidade nem promoveu as diligências necessárias para a sua concretização.
Exigem-se porque nessa mesma reunião houve membros a tomar posse e a instituição em causa não foi contactada nesse sentido, nem sequer no inicio da reunião.
Ao que parece, apenas na altura "ligaram" ao assunto, sendo que nessa altura impediram a consideração do voto e da pessoa indicada por essa instituição como proposta para representante num Conselho Municipal.
Curioso é que, aquando da realização de actividades em que houve interesse na participação de um número elevado de associações e instituições, a opinião dos Conselheiros já tenha sido considerada, não se tendo olhado a cores políticas ou a formalidades às quais só se liga na hora.
Muito de novo se prometeu e até agora pouco de novo se fez.
É pena que parte desse pouco signifique desrespeito por órgãos municipais e instituições nele representadas.
Por isso relembro uma vez mais: "Fixa o que ouves, regista o que lês".
Rita Paias (aqui)

Évora: Contos esta manhã na "é neste país"



28 de Junho de 2014, pelas 11.30h
Com quantos pontos se conta um conto?

Ana Dias, Carolina Martino, Nídia Cambim & Tiago Barriga
Apareçam! É neste país!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

1ª página do DA de amanhã


O futebol como metáfora

Está a acabar a fase de grupos do campeonato do mundo de futebol e talvez seja o momento de fazer algumas leituras do que foi acontecendo retirando lições aplicáveis fora do restrito mundo do futebol.
A Itália, que tem certamente um dos jogadores mais inteligentes e o treinador mais elegante da competição, foi atirada para casa. Conclui-se então que inteligência e elegância não bastam para atingir o sucesso, sendo certo que é no momento da derrota que mais se evidenciam essas qualidades.
A Espanha que voltou a apostar nos mesmos jogadores e modelo de jogo que lhe garantiram a vitória nos último campeonatos da Europa e do Mundo foi atirada para casa ao fim de apenas dois jogos. Trata-se da demonstração ao vivo e a cores que mesmo quando parece que a receita da vitória é para todo o sempre é necessária a coragem para fazer rupturas, experimentar outros caminhos e ousar outras soluções, sendo preferível perder porque se mudou do que perder porque se teve medo de mudar.
A Inglaterra entrou e saiu sem uma única vitória, apesar da agressividade dos seus jogadores e da inegável disponibilidade para entrega à tarefa, jogando sempre com o coração e muito pouco calculismo. Moral da história, neste mundo em que o sucesso se mede em vitórias e derrotas, o cinismo é uma qualidade essencial para se ultrapassar os obstáculos.
Portugal precisa de um milagre no jogo de hoje para puder seguir em frente na competição, o que me parece altamente improvável.
A equipa da Federação Portuguesa de Futebol foi para a competição não como uma equipa mas como algo composto por um rei e 22 súbditos. A comunicação social e os patrocinadores centraram-se na figura de um D. Sebastião como se o restante exército fosse mera peça decorativa no campo de batalha.
Sendo o futebol um desporto colectivo seria previsível que um desastre estaria prestes a acontecer, quanto mais não seja pela dificuldade em motivar um colectivo que se sente apenas uma muleta de uma estrela que tem sobre si todos os holofotes do planeta.
Aqui, como na vida, a desvalorização do colectivo, a criação de hierarquias que substituem a distribuição de tarefas pela subalternização da importância real pela importância formal, leva à desagregação e à derrota.
No final resta (como sempre no nosso destino colectivo) a crença de que surgirá um qualquer homem providencial que voltará a guiar-nos à vitória, num qualquer futuro mais ou menos longínquo, sem percebermos que somos nós os criadores das nossas Alcácer Quibir.
A minha prima Zulmira prevê a vitória da Grécia, por várias razões. Porque o treinador é português, porque não jogam nada mas trabalham muito, porque não têm homens providenciais e porque nenhum dos seus jogadores se parece preocupar mais com o penteado do que com o futebol que joga.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ó Serpa (Eurico Carrapatoso)



1.
Ó Serpa, pois tu não ouves
Os teus filhos a cantar, \\ bis

Enquanto os teus filhos cantam,
Tu, Serpa, deves chorar.

2.
Aqui tens meu coração,
Se o queres matar, podes;

Tu estás dentro dele,
Se o matas, também morres. \\ bis

(popular)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Cultura do panfletário com cheiro a sardinha assada

Pois lá vou ter de citar Vergílio Ferreira outra vez. Os nossos Autores são assim, muito presentes. Desta feita é para falar da festa popular maior do nosso concelho que o escritor bem conheceu, a Feira de São João que está por agora a decorrer com a pontualidade costumeira.
Mas vou fazê-lo motivada pelo discurso oficial que em torno da edição deste ano se construiu e que ficará seguramente para a história (ficará?) como um panfleto simbólico deste novo (?) ciclo em que os eborenses confiaram para gerir a sua terra.
Mas vamos lá citar o Autor, num pensamento que encontrei quando procurava algo que incluísse: a fé, afinal a feira tem nome de santo; a política, o tema da feira é incontornavelmente político e toca ainda diretamente todos e cada um dos portugueses de, pelo menos, duas gerações (a dos que conheceram o antes e o depois do 25 de Abril, e os da primeira geração nascida em democracia); e uma espécie de cultura do susto, versão light do terrorismo, e escala que me parece mais adequada ao nível do assunto e dos protagonistas.
A frase de Vergílio Ferreira é densa, afinal o homem é um Autor, ao contrário do que se espera, e que afinal apesar de tudo se acaba por ter, pese embora toda uma gramática ideológica completamente desajustada, de um texto de apresentação de uma feira onde ócio e negócio se fazem, sobretudo, em ambiente de festa. Um discurso, ou narrativa como é mais moderno dizer-se, este do panfleto, que assenta obviamente numa dificuldade auto infligida. É que justifica o que não precisa de ser justificado, pois ou há novidades ou não há novidades e justificar umas e outras, o que há e o que não há, com base num mesmo argumento é arte para poucos. E é-se por isso obrigado, para contornar o fatalismo do discurso que só parece sobreviver se se acentuar o caos para dar brilho a uma nova luz, a usar uma tática velha e previsível entre adversários já que quanto mais forte é o outro maior é a minha vitória sobre ele. Isto quando, ao mesmo tempo, se quer deslumbrar à corrida os que, às vezes eterna e dificilmente, estão descontentes com a falta de novidade, mesmo que novidade a mais possa ser algo um pouco violento. O equilíbrio torna-se ainda mais penoso de assistir quando para se brilhar se apregoa com todas as letras a atitude do “isto tem de bater fundo para ser a nossa vez”. É o que se pode ler no excerto do texto oficial da Feira de São João 2014: «Em tempos de crise, de empobrecimento e regressão social, que atingem mais e mais eborenses e portugueses, os valores humanistas da Revolução de Abril apontam novos rumos para um futuro melhor em Évora e no país.» E é uma pena, enfim, quando só a partir de um caos, real ou construído (e os eborenses e portugueses sabem bem qual é o real e aperceber-se-ão um dia do que é o construído), só assim se consegue justificar o que se faz. Feitios…
Mas vamos lá à citação publicada em 1987 onde sem meter, metendo, o bedelho em dogmas religiosos ou políticos, o Vergílio Ferreira utiliza os conceitos de fé e esperança para falar do uso que delas se faz para criar sentimentos nas massas acríticas. E é, por isso, que em poucas palavras, Vergílio Ferreira nos fala das ilusões de uma e das cautelas de outra. E que acreditar coagido pelo sentimento de medo (susto ou terror) não é ter esperança, porque esta se vai ganhando com as respostas às questões que vão surgindo, resolvidas por outros mas também por nós, porque quer os outros quer nós também criamos os problemas a resolver, ou pelo menos tentar. E diz assim o grande Autor: «A fé é uma esperança terrorista como a esperança é uma fé democrática. A fé é um acto solitário. A esperança tem de ter em conta o que a excede. Mas na primeira está a certeza e na outra a dúvida.» Vão pensando no assunto e divirtam-se na Feira.
Até para a semana.
Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio Diana)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Escolas da Boa Fé, Torre de Coelheiros e São Miguel de Machede encerram.

Foi hoje publicada a lista das escolas do ensino básico que vão fechar em todo o país no próximo ano lectivo. No Alentejo são 35 as escolas do 1º ciclo que fecham - Aldeia da Luz (Mourão), que estava prevista fechar, escapa por agora. No concelho de Évora fecham 3 escolas - Boa Fé, Torre de Coelheiros e São Miguel de Machede. Mais uma machadada no interior do país, que continua a desertificar-se a ritmo acelerado!

Alteração de contrato com a Rodoviária do Alentejo diminui de 7 para 15 minutos frequência de autocarros da linha Azul, mas poupa 35 mil euros


Em reunião pública de 18 de junho, o Executivo camarário aprovou, com cinco votos favoráveis (CDU e PSD) e duas abstenções (PS) a primeira fase da reestruturação de serviços da Câmara Municipal de Évora. A proposta agora aprovada seguirá para deliberação em sessão da Assembleia Municipal e inclui, entre outros aspetos, aprovar o modelo de estrutura orgânica e de nuclear, definindo as correspondentes unidades orgânicas nucleares, o seu número máximo e respetivas competências. Após a deliberação em Assembleia, a Câmara debaterá em reunião pública a proposta já em termos concretos.
Foram pela primeira vez apresentados em reunião pública de Câmara os trabalhos realizados pelos alunos do Agrupamento de Escolas nº 4 de Évora/ Escola Secundária André de Gouveia referentes ao projeto Nós Propomos/Cidadania e Inovação na Educação Geográfica 2013/2014. O Executivo foi unânime em realçar a qualidade dos projetos, felicitando todos pelo trabalho desenvolvido. 
Os três projetos propostos foram: a recuperação de um moinho de vento degradado em S. Sebastião da Giesteira e melhoria da área envolvente; a proposta de melhoramento da Mata de S. Sebastião e a requalificação dos moinhos da Malagueira.
Uma proposta referente à modificação objetiva do Contrato de Concessão da Gestão do Serviço Público de Transporte de Passageiros no Município de Évora foi aprovada com cinco votos a favor (CDU e PSD) e duas abstenções (PS). A negociação entre o Município e a empresa, que decorreu ao longo dos últimos meses, obteve resultados concretos, tendo sido possível separar a dívida do restante processo, sendo esta alvo de uma segunda negociação.
De sublinhar que o contrato existente, prejudicial ao Município em termos de fatura mensal, teve diversos aspetos alterados, o que significa para a autarquia uma considerável poupança. Um exemplo disso foi, segundo o Vereador João Rodrigues, a decisão de alterar a frequência dos autocarros da Linha Azul que será de 15 minutos em vez dos habituais sete, o que permite reduzir, de 70 mil para 35 mil euros, a mensalidade que a autarquia pagava.
No período antes da Ordem do Dia, o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto de Sá, informou, com visível preocupação, da repentina decisão do Governo – sem negociar e à revelia do que ficou decidido no congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) – de aprovar em Conselho de Ministros a proposta de criação do Fundo de Apoio Municipal que, nas condições por si estabelecidas, é bastante lesivo para os municípios.
A proposta do Governo é de que o Fundo (que visa a ajuda às autarquias em dificuldades) conte com 650 milhões de euros, 70% destes financiados por todas as autarquias e que estes sejam de imediato descontados das verbas municipais. Em caso de incumprimento, as autarquias sofrerão sanções ainda mais graves do que as estabelecidas no PAEL. Face a tal, a ANMP reuniu de urgência e mandatou a Direção para procurar um acordo global com o Governo, pois existe um conjunto de questões que pretende ver resolvidas. No caso da Câmara de Évora, informou o Presidente, esta seria obrigada a pagar entre dois milhões e trezentos mil euros a dois milhões e quinhentos mil, o que seria uma situação incomportável para o Município, dadas as conhecidas dificuldades financeiras que já atravessa.
Por indicação do Presidente da autarquia, foi ainda aprovado por unanimidade um voto de pesar pelo falecimento do filho da Delegada Regional da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), Maria Reina Martin, e o envio de condolências à família. (Nota de imprensa da cme)

Feira de São João: um anunciado "adeus ao Rossio de São Brás" que nunca aconteceu


Ainda não vi com grande atenção a Feira deste ano aqui em Évora, por isso apenas posso destacar três ou quatro pontos. Fui lá no sábado à noite, passei pelo chamado "Espaço Jovem", dei uma pequena volta pela feira do livro e jantei numa das associações culturais instaladas no Jardim. Deu para ver pouca coisa, mas não me pareceu absolutamente nada que esta seja uma feira de "ruptura", como disse o vereador da cultura da Câmara de Évora à Agência Lusa. Parece-me mais de continuidade e não podia ser de outra maneira. Esta feira existe há 500 anos, tem vindo a perder prestígio e importância - como a maioria das feiras deste tipo - e não é com um mero estalar de dedos que se rompe com o passado. Politiquices à parte, acho que a ligação da feira ao Jardim nunca deveria ter sido interrompida e a escadaria liga bem os dois espaços. A feira do livro pareceu-me muito fraca, descosida, quase triste, com os stands com poucos livros, com poucos frequentadores, apesar de haver muita gente a passar ali ao lado.
Gostei do facto de haver mais espaço (menos stands também) e dos carros não ocuparem toda a parte central da feira, mas ficou tudo mais escuro, falta iluminação e se se compreende a presença da chaimite ali, nos 40 anos do 25 de Abril, rodeada de cravos simbólicos, pelo menos à noite tudo aquilo passa despercebido e tem o aspecto de um qualquer mamarracho.
Mas o que se sente é que a Feira continua a perder importância e impacto, como aliás já se nota há vários anos. Já em 1995, o então vereador do PCP, Jorge Pinto dizia ao nº 3 da revista "Imenso Sul", em artigo intitulado "Feira de S. João: Adeus ao Rossio de S. Brás", assinado por Conceição Rego, que aquele poderia ser o último ano em que a Feira de S. João se realizava no Rossio, devendo ser transferida para outro local. Naquela altura ainda se discutia se seria "junto ao nó da Lagril, entre as instalações da SOMEFE e o espaço destinado ao MARÉ ou no Parque Industrial e Tecnológico de Évora, junto do NERE". Aliás, nesse ano, na Feira, foi também apresentado o projecto de Reordenamento do Rossio que previa a manutenção duma grande praça, complementada com edificios de habitação, escritórios e comércio, assim como um espaço para espectáculos e um outro para estacionamento público com 500 lugares. Anunciava Jorge Pinto que as obras deveriam ter início "em 1996 e decorrer até final do século".
Claro que as obras, quer do Parque, quer do Rossio nunca avançaram. A CDU esteve na Câmara ainda vários anos e, em cada edição, era anunciado que a Feira iria ter, no próximo ano, um novo espaço e novas condições para se realizar. Isso nunca aconteceu. Já no tempo em que o PS dirigiu a Câmara, a opção da mudança da Feira ainda perdurou durante alguns anos, mas José Ernesto Oliveira assumiu mais tarde que não havia condições económicas nem financeiras para a construção do desejado Parque de Feiras e Exposições.
É esse o ponto - parece - em que estamos e em que já ninguém defende a saída da Feira do local onde está. Ou não?

Assim a festa não é bonita, pá!

Visitei a Feira de São João este fim-de-semana. Não posso deixar de felicitar o executivo municipal pela eleição dos 40 anos do 25 de Abril como tema central, tema que, por si só, enobrece a Feira.
Não posso deixar, ainda, de realçar a melhor organização dos espaços e a harmonia entre os mesmos, assim como a programação geral, em especial a programação do Espaço Jovem, que inclui vários tributos a personagens que lutaram e lutam pela Democracia em Portugal através do poder das palavras e acções, e a abertura do Jardim Público a espectáculos, a Associações do Concelho e à Feira do Livro.
Mas é pena e não posso deixar de lamentar profundamente que esteja incluída no Programa Geral da Feira (que pode consultar no site da Câmara Municipal) a Corrida de S. Pedro - espectáculo tauromáquico pouco dignificante para o Concelho.
Uma Feira que elege como palavras-chave a democracia, a liberdade e a cultura não pode incluir um triste espectáculo de exaltação do sofrimento animal.
Um Município que reconhece a importância dos direitos dos animais proclamados pela UNESCO e consagrados na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, não pode permitir a existência de espectáculos que violem estes direitos e, muito menos, incluir estes no principal evento anual realizado no Concelho.
A um executivo competente pede-se coragem nas decisões, pelo que ou este decide não reconhecer a Declaração Universal dos Direitos dos Animais ou decide não permitir a realização de espectáculos que violem estes Direitos. As duas coisas são incompatíveis!
Relembro que esta Declaração no seu artigo 2.º refere que "todo o animal tem o direito a ser respeitado", no seu artigo 3.º que "nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis" e no artigo 10.º que "nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem" e que "as exibições de animais e os espectáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal".
Há muito tempo que a ciência reconhece que a maioria dos animais, incluindo os cavalos e os touros, são seres sencientes, capazes de sentir prazer e dor, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade.
E já que um dos temas centrais da Feira de São João é a Cultura, realço que só um sentido humanista desta contribui para tornarmo-nos melhores seres humanos, sendo esta uma característica essencial para a evolução mental e civilizacional. As tradições retrógradas, como as touradas, em nada contribuem para esta evolução.
Adiar opções políticas por falta de coragem não dignifica os valores de Abril. É mais do que tempo de fazer de Évora um Concelho amigos dos animais.
Não nos esqueçamos que o respeito pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante e que no Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa está inscrito que Portugal deve ser um país mais livre, mais justo e mais fraterno. Que se cumpra!
Até para a semana.

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Passagem do solstício de Verão assinalada no Cromeleque dos Almendres (dia 21 de Junho)

clique na imagem para ler

5.45h nascer do sol
8.30h caminhada
15.30h atelier tecnologia pré-historica (Andakatu)
16.30h visita orientada por Pedro Alvim (arqueólogo)
19h performance artistica

Évora: começa hoje a Feira de São João


Programa aqui.

Exposição “Eborenses, Retratos de Eduardo Nogueira” é hoje inaugurada


“Eborenses, Retratos de Eduardo Nogueira” é o título da exposição de fotografia que a Câmara Municipal de Évora/Arquivo Fotográfico inaugura hoje, dia 20 de junho, às 21:30, no Palácio de D. Manuel, integrada na programação da Feira de S. João, e que conta com o apoio do CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora), do CHAIA (Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora).
Eduardo Nogueira (1898-1969), natural de Fatela (Fundão), foi um dos mais importantes fotógrafos estabelecidos em Évora no período de 1928 a 1968. No âmbito da sua atividade comercial, passou pelo seu estúdio, na Rua de Avis, 24, uma grande parte da população eborense. Em 1998, ciente da importância deste espólio, a Câmara Municipal de Évora tratou de o adquirir para incorporar o acervo do seu Arquivo Fotográfico.
Entre as espécies existentes é possível encontrar testemunhos iconográficos inéditos sobre a sociabilidade eborense entre os anos 30 e 60 do século passado, revelando o quotidiano da cidade de Évora nos múltiplos aspetos da vida pública e privada dos seus habitantes. A qualidade técnica e artística das obras do autor, para além de ter merecido o reconhecimento coevo, tem sido divulgada sobretudo através de fotografias que ilustram a vertente etnográfica do seu trabalho, com uma ampla galeria temática ligada ao mundo rural.
As fotografias da Colecção Eduardo Nogueira, selecionadas para esta exposição, datam do período compreendido entre 1930 e finais de 1950. Um primeiro conjunto corresponde a retratos realizados por encomenda e destinados a registar a realidade vivida, e um segundo conjunto é composto por retratos artísticos, desvinculados da realidade e exclusivamente preocupados com cânones estéticos e de composição fotográfica.
O conjunto expositivo representa, assim, uma visão parcelar da realidade económica, social e cultural eborense, correspondendo a um conjunto de códigos sociais, característicos de uma sociedade fortemente estratificada como era o de Évora naquele tempo.
A exposição deu origem a um catálogo, que estará à venda no espaço da Livraria Municipal, instalado na Feira do Livro de Évora, também a decorrer durante a Feira de S. João, de 20 a 29 de junho. A apresentação oficial desta publicação terá lugar no dia 29 de junho, pelas 19:00, no Palácio de D. Manuel. A exposição funcionará até 29 de junho, todos os dias, das 10:00 às 12:00 e das 17:00 às 23:00, e a partir de 30 de junho, de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 12:00 e 14:00-18:00, e aos sábados das 14:00 às 18:00. (nota de imprensa)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Hoje na Harmonia Eborense: Tertúlia à volta de Luiz Pacheco


SHE » Quinta, 19 de Junho às 22:30
A conversa fluída e informal volta aos sofás da SHE. Depois de uma animada sessão na companhia de Al Berto, junta-se a nós Luiz Pacheco para mais um momento de partilha entre néctares e as palavras.
Com Maria Ravasco e Gisela Vitorino.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Carlos Júlio



Ponho de lado quase 25 anos de fortes laços. Deixo à margem a amizade profunda. Deixo de lado os afectos normalmente causadores de olhares enviesados, apreciações subjectivas, análises injustas.

O jornalismo no Alentejo é alvo de profundos abanões nos últimos quatro, cinco anos. Sem perder tempo a enumerar os problemas, sigo directo ao assunto: Com o despedimento de Carlos Júlio a TSF acaba de cravar fundo o machado na delicada raiz do jornalismo que por cá se vai fazendo.
Se é uma má notícia para a região, é uma péssima notícia para o jornalismo deste país, que se vê privado de um dos seus maiores profissionais dos últimos 30 anos, figura incontornável da rádio, um dos obreiros da construção da TSF - daquela TSF que lá atrás foi farol para a renovação do jornalismo no Portugal democrático.
Ao serviço da RDP, primeiro e da TSF há quatro anos, foi distinguido com o mais alto galardão do jornalismo em Portugal, o Prémio Gazeta, sendo dos poucos no país com duas distinções.

Carlos Júlio é marca de seriedade. De competência. É sinónimo daquela que é a mais importante e difícil qualidade no jornalismo e que hoje em dia escasseia nas redacções: CREDIBILIDADE.
Credibilidade não é algo que se compre na drogaria, se estude na faculdade, se embrulhe em qualquer mestrado ou doutoramento. A credibilidade conquista-se com anos e anos de trabalho sério e continuado.
Numa altura em que o jornalismo é diariamente vilipendiado por gente que despudoradamente o maltrata por incompetência, medo e suborno, o jornalismo deixa de contar com uma personalidade frontal, convicta do papel e do poder do jornalista. Alguém que não se verga aos interesses partidários/políticos/económicos. Que faz da independência escudo para o exercício da arte de informar.

Carlos Júlio É, pois, um grande jornalista. Não foi mais além nas hierarquias, sei-o bem, primeiro por ser contrário ao seu feitio. Também porque decidiu um dia deixar a confusão da cidade grande e rumar ao sul. Ao seu Alentejo onde ficou e permanece preso de Amores.
Nos últimos 30 anos além do Alentejo fez reportagem em todos os cantos do país. Esteve em alguns dos mais marcantes momentos da vida política e social de Portugal. Fez inúmeras campanhas eleitorais. Realizou dezenas de programas por todo o país, chegando a ser companhia permanente no “Terra a Terra” nas manhãs de sábado.
Ao longo de quase um quarto de século na TSF, Carlos Júlio não foi correspondente em Évora. Carlos Júlio foi, é, repórter do mundo. De todo o mundo por onde passou cobrindo conflitos, as mais sangrentas guerras.
Esteve mais que uma vez, sempre que os tiros soaram, em Timor, na Guiné, em São Tomé e Príncipe. Passou semanas no Afeganistão. Esteve na ex-Jugoslávia, no sangrento conflito do Kosovo – onde viu a morte perto quase atingido por fogo “amigo” cuspido por F16 americanos que acabaram por matar o seu guia/motorista.
Do México a Cabo Verde e por muitos outros países, calcorreou quilómetros Espanha adentro sempre em reportagem. Por onde passou Carlos Júlio pintou retratos do quotidiano, da actualidade que marca a vida das populações.
Fez do jornalismo e da rádio a sua paixão maior.

A TSF não extinguiu um posto de trabalho. A TSF pôs na rua um profissional de créditos firmados. Marca de seriedade. De competência. De credibilidade.

A TSF não extinguiu um posto de trabalho.
A TSF deu um passo largo rumo à extinção.

Pelo contrário, Carlos Júlio há-de continuar jornalista. Junto com ele, meu grande mestre desta arte efémera como tão bem a descreveu Pedro Ferro, havemos ainda de pautar o andamento das notícias nesta nossa Pátria.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os fundamentos da nota de despedimento


E lá recebi esta manhã a minha nota de despedimento da TSF em conjunto com mais outros 13 companheiros/as e camaradas da rádio (o que de um total de 119 trabalhadores prefigura 11,5% de despedimentos na antiga "rádio em directo"). Alegando más prestações económicas a partir de 2011 (que foi precisamente quando os efeitos desta direcção - vendendo a antena a parcelas e descaracterizando a TSF - se começaram a fazer sentir) e a uma situação financeira insustentável, a administração da Controlinveste justifica os despedimentos como "difíceis, mas necessários" para a recuperação da rádio. No caso que a mim me mais diz respeito os autores desta nota de despedimento quase que foram "ternurentos". 
Escrevem que "aferido o volume de notícias oriundas da respectiva região, considera não se justificar a manutenção da delegação de Évora, região em que o noticiário local passará a ser coberto, em caso de necessidade, por correspondentes, colaboradores ocasionais não dedicados, de acordo com as orientações e agenda da Direcção".
E acrescentam, em jeito de La Palisse, que "a decisão de extinguir a delegação de Évora tem como consequência a extinção do posto de trabalho de jornalista a ela afecto".
E mais à frente: "o critério de seleção do trabalhador abrangido pelo presente processo de despedimento colectivo, cujo posto é extinto, está, exclusivamente, ligado à decisão de extinguir a Delegação de Évora da TSF, onde o trabalhador em causa desempenha a sua actividade".
Que bem ! (como se nos anteriores 24 anos que levo de jornalismo da TSF alguma vez me tivesse limitado - a não ser nos últimos tempos e com esta direcção - a produzir "notícias oriundas da região"....)
Mas pronto. É aqui que estamos.

Évora: projectos alternativos para estas férias

Até 27 de Junho, no espaço dos PIM


Em Julho na Casa da Zorra


Em JULHO, na CASAdaZORRA a crianças poderão de forma lúdica desenvolver a sua criatividade, num ambiente acolhedor e artístico permanente com actividades diversificadas.
Cada semana desenvolveremos temas em torno dos quais construiremos uma criação que será apresentada às famílias todas as sextas.
Actividades:
Teatro e Performance, Dança Criativa, Expressão Plástica e construção de Cenários/Adereços, Construção de EcoBrinquedos e Instrumentos Musicais, Jardinagem Ecocriativa, Percussão, Exibição de filmes de animação e visitas a outros Espaços artísticos e Exposições. 
Para crianças dos 6 aos 12 anos
Horário contínuo:
9h às 18h.
Relembramos que as crianças deverão vir com roupas confortáveis e T-shirt velha ou bata para a realização de algumas actividades.
Valores::
Diário 10 €
Semana 35 €
2 Semanas 60 €
As crianças terão de trazer marmita de almoço e lanches, mas as refeições serão realizadas no nosso espaço entre as 12:30 e as 13:30.
Para mais informações e inscrições ligue: 964 144 716 e/ou envie email para: zorra.producoes.arte@gmail.com

A partir de 1 de Julho, no Armazém 8


Na Sequencia das férias do Carnaval e da Pascoa em Julho e Agosto, no Armazém 8 as crianças poderão de forma lúdica desenvolver a sua criatividade, num ambiente de bom humor e de criatividade onde irão desenvolver-se diversificadas actividades artisticas, realizadas por actores, bailarinos, musicos e artistas plasticos
Cada semana desenvolveremos um temas em torno dos quais iremos criar e partilhar grandes obras de arte onde as artes cénicas se encontram e a criação é feita em conjunto
Actividades:
Teatro , Dança , Expressão Plástica , Construção de instrumentos de sopro e de percussões, actividades Musicais. 
Iremos também fazer algumas visitas à cidade e a espaços culturais emblemáticos na cidade. 

Para crianças dos 6 aos 12 anos
Horário contínuo:
9h às 18h.
Diário 10 €
Semana 30 €
2 Semanas 60 €
1 Mês 100,00€ 
* Descontos para irmãos
Inscrições para: associarte.aca@gmail.com ( inscrições limitadas) 
As crianças poderão trazer almoço e lanches, e os pais podem vir comer com elas entre as 12:30 e as 14,30
Deverão vir com roupas confortáveis e trazer T-shirt velha ou bata para a realização de algumas actividades.

Cultura da simpatia

A simpatia devia ser obrigatória quando não é inata. Não sendo, arranjamos-lhe equivalência a civismo, talvez e para arranjar terminologia académica em época de exames.
Não é a mesma coisa mas já dá para passar no trato quotidiano em que pessoas têm de interagir umas com as outras. Também lhe pode valer a cordialidade, cuja etimologia até está próxima do coração, ou a atenção, mais cerimoniosa. Mas são tudo áreas afins, também com a sua dificuldade em se adquirir ou, em algumas circunstâncias, estando lá, de demonstrar. Já a simpatia tende a ser mais natural e por isso cultivá-la podia bem ser uma forma de tornar a vida em sociedade mais fácil.
O Vergílio Ferreira, que não ficará seguramente para a história com a imagem de um homem simpático, mas para quem o lê e pela forma como se afirmou no panorama cultural português isso já não interessa nada, escrevia que "Não se tem simpatia se não houver seja o que for de admiração: tem-se apenas tolerância ou piedade." Esta simpatia é a dos sorrisos e restantes gestos que não são de fachada, mas que vêm de dentro independentemente de se sentir a tal admiração para com quem se é simpático ou porque, no sentido inverso, não se sendo espontaneamente simpático o outro com quem lidamos nos “obriga” a uma atitude simpática. Essa de que fala Vergílio Ferreira será aquela para a qual muita gente de difícil trato se deve então reservar, poupando-se no dia-a-dia, em tolerar ou apiedar-se dos outros com quem se cruza ou, mais sinceramente, sendo antipático, com todos os riscos daí decorrentes.
Quem está pouco habituado a lidar com a simpatia dos outros dificilmente se torna simpático se não o for já intrinsecamente, e isto por razões várias e tantas vezes compreensíveis pois das amarguras de cada um só o próprio sabe. Lá se disfarça às vezes, e ainda bem, com o civismo, o que faz com que muitas vezes esse esforço seja meritório. Já a tolerância e a piedade de que fala o autor, e que facilmente se confundem com simpatia, são em meu entender equivalências diretas para querer lidar o menos possível com quem as sente ou pratica.
Falo também de cultura da simpatia porque tantas vezes essa característica é tomada numa forma coletiva e atribuída a determinados povos ou comunidades, e até usada no marketing turístico. E este é um assunto recorrente, nesta época do ano quando folheamos brochuras de destinos turísticos. Confesso que acho essa distinção coletiva altamente promotora de comportamentos algo xenófobos e a roçar o incentivo ao comércio da banha da cobra. É uma espécie de contrafação do que é a simpatia enquanto característica humana e, porque não até dizê-lo e esticar o universo de convivência, do reino animal. Quando assim é, a simpatia afinal não é sequer por admiração, nem mesmo por tolerância ou piedade. Não é um traço de sentimento mas uma técnica de manual. Por isso também, quando as coisas me correm mal com quem tem no seu CV essa característica de simpatia por decreto, lá consigo pensar “ao menos foi simpático”. Sim, porque há quem ache que a simpatia é incompatível com a sinceridade, a honestidade ou a transparência e, de facto, pouco tem a ver com estas características. E se uma não disfarça a falta das outras, as outras podem, e devem digo eu, coexistir com ela sem a desvalorizar. Cultivar a simpatia é, afinal, todo um complexo programa de crescimento que não só beneficia os outros como nos faz bem a nós. Cultivemo-la, então.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Passos para trás

Na semana passada, assinei uma petição pública dirigida ao Governo e à Assembleia da República, que exige a revogação imediata da Portaria 275-A/2012 que regula o ensino de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE’s) com Currículo Específico Individual.
Sempre denunciei o carácter extremamente segregador desta Portaria, e que nesta crónica procurarei explanar.
De referir que, desde logo, Fenprof e várias Associações de Pais de Crianças e Jovens com NEE’s denunciaram o carácter segregador desta Portaria, e agora, passados quase dois anos da sua aplicação, associações de pais e associações especializadas na área da deficiência, decidiram lançar esta petição.
De facto, esta Portaria viola os princípios fundamentais da educação inclusiva, impondo a segregação aos alunos com NEE que chegam ao Ensino Secundário, uma vez que propõe um número mínimo de apenas de 5 horas lectivas na turma em que o aluno está matriculado, impondo que o restante (80% do horário lectivo!) seja cumprido fora da sua turma, e muitas vezes fora da escola numa instituição para pessoas com deficiência.
Esta Portaria interrompe o caminho da evolução na área da inclusão, representando um enorme retrocesso civilizacional. Além de segregadora no aspecto acima enunciado, ela extingue, ainda, a possibilidade destes jovens integrarem turmas com redução de alunos no Ensino Secundário, além de não assegurar o consentimento dos pais quanto à decisão do percurso escolar dos seus filhos, nem tão pouco permitir uma diversificação de áreas vocacionais, factor extremamente importante para dar resposta ao perfil individual de cada aluno e potenciar a inclusão destes no mercado laboral e na sociedade em geral.
É uma Portaria que impõe a segregação, e que não ajuda os alunos com NEE’s a nenhum nível: retira-os da escola (factor que também retira a possibilidade de alunos sem NEE’s conviver e aprender com estes alunos), não responde às necessidades específicas e em nada contribui para o ensino individualizado e para incrementar o sucesso da inclusão na vida pós-escolar destes alunos.
Aliás, a filosofia desta Portaria é clara: o Governo assume claramente que considera que a única via para os alunos com deficiência em currículo específico individual é a institucionalização.
Esta é a política: divisão de alunos de acordo com as capacidades cognitivas e condição sócio-económica: alunos com NEE’s para as instituições, alunos pobres na escola pública atacada e desvalorizada, e as elites no ensino privado a quem são atribuídas todas as condições.
É tempo de dizer basta. Comecemos por exigir a revogação imediata desta Portaria, porque, de facto, com este Governo só damos passos para trás…
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

ArabicFest em Beja


domingo, 15 de junho de 2014

Acerca do processo de extinção de posto de trabalho na TSF


Um dia deixaram de te telefonar
E raramente te marcavam serviços de agenda
E tu pensaste que era por acaso
E que a direcção devia estar muito ocupada

Depois de ganhares o prémio 'Gazeta' pela segunda vez
Proibiram-te de fazer “grandes” reportagens
Porque a direcção tinha um entendimento do direito de autor
Diferente do teu e do sindicato
E tu pensaste que com o tempo tudo se resolveria

Depois tiraram-te o carro de serviço
E nunca mais te destacaram para cobrir eleições,
Visitas presidenciais ou edição de noticiários
E tu ainda deste o benefício da dúvida

Depois começaram a comunicar contigo apenas por email
A fazerem-te um pedido de trabalho por mês
E o director a ligar-te quatro vezes em quatro anos:
Uma (depois de almoço) a dizer que o teu trabalho estava uma merda;
Outra a dizer que a esponja do teu microfone aparecia suja na televisão;
e duas outras a dizer que estavas na lista para despedimento
E aí começaram a desaparecer as dúvidas

A não marcação de trabalhos, a falta de contactos,
O isolamento, a contínua discriminação, a ausência de meios
Só tinham um objectivo: a extinção do teu posto de trabalho
E a tua substituição por quem, custando menos, se sujeitasse mais

E já não havia mais espaço para ter dúvidas:
No rolo compressor do poder
Só interessa quem custa menos, se submete,
Quem tem medo

Mas um dia destes alguns dos que agora fazem as listas
Também serão postos em listas.
Um telefonema pela manhã dir-lhes-á que já não fazem falta,
Que o seu trabalho não justifica o salário,
Que há sempre alguém mais barato do que eles

E já não terão ninguém para lhes mostrar solidariedade
Porque os que ficarem serão sempre

Os que melhor se deixarem submeter.

(Parafraseando Maiakovsky , Niemöller , Brecht…)