segunda-feira, 12 de maio de 2014

Saída limpa para quem?

Começou o embuste da saída limpa. Para aqueles que acreditam e promovem a ideia de que Portugal terá uma saída limpa após a intervenção da troika, pergunto:
- A dívida pública atingiu 213,6 mil milhões de euros; 8771 milhões a mais do que em 2012 segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal; o rácio da dívida pública em percentagem do PIB tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos e passou de 108,3% em 2011 para 124,1% em 2012 e para 129% em 2013. É isto uma saída limpa?
- A taxa do desemprego atingiu nos finais de 2013, 15,3% e Portugal continua a ter um nível de desemprego muito superior ao da União Europeia (10,6%) e ao da zona euro (11,9%). A taxa do desemprego jovem atinge os 35% sendo que, comparada com outros países, Portugal tem uma taxa média superior à média da zona euro (23,5%) e da União Europeia (22,9%). Será isto uma saída limpa?
- O Governo cobra cada vez mais e distribui cada vez menos: IRS subiu 35,5%, custo de vida 20% mas os apoios caem 7%; os novos dados da Segurança Social deixam evidente o caminho que tem sido implementado e assim entre Janeiro de 2013 e Janeiro de 2014, a rede de segurança do Estado foi alvo de mais cortes ajudando cada vez menos gente, isto apesar de os impostos sobre os cidadãos que financiam esta rede de segurança serem cada vez mais elevados – só a receita de IRS aumentou 35,5% em 2013. Continuam a acreditar na saída limpa?
- Em relação a Janeiro de 2013, a rede de proteção da economia continuou em queda em 2014: os 416 mil desempregados que recebiam apoio do Estado (subsídio, subsídio social ou prolongamento do subsídio social) passaram a ser 338,3 mil, uma redução de 6,68%. Mais de 438 mil desempregados não têm qualquer apoio do Estado e aqueles que ainda têm direito a uma prestação, se no início de 2013 o valor médio mensal do subsídio era de 510,2 euros, no início de 2014 foi reduzida para 470 euros o que diminui 40 euros mensais, significando assim um corte de um mês no valor recebido num ano. Os apoios aos desempregados foram reduzidos de 203 milhões mensais para 182 milhões. Porque nos falam em saída limpa?
- Que sentido faz falar em saída limpa, quando em apenas 2 anos o total de famílias em Portugal que ganham menos de 10 mil euros brutos por ano disparou 33,1%, ou quando o risco de pobreza da população portuguesa aumentou entre 2011 e 2012, atingindo 18,7% da população, ou seja, quase 2 milhões de pessoas.
- Todos sabemos que não existe qualquer saída limpa, o país e os portugueses estão mais pobres, e o futuro, caso não o consigamos contrariar, será de mais e mais austeridade. Assim está inscrito no Tratado Orçamental Europeu, que PSD, CDS e PS apoiam.
- Mas está na altura de uma verdadeira saída limpa, sim. No dia 25 podemos, todos, começar a contribuir para ela.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. Só ficam aqui uma que demontra toda a manipulação de numeros,até a chegada da troika todas as empresas publicas tinha o defice a parte,com a chegada da troika foi obrigatorio juntar o defice das empresas publicas a divida publica,claro o disparo da divida publica disparou.
    Outra para este cerebro de avelã,ninguém nos emprestava dinheiro sem ser a troika,iamos comer e viver nas pilhagens e hoje estavamos como?

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  2. Numa altura em que o governo parece especialmente empenhado em enganar os portugueses com a mistificação de uma saída limpa da troika, o seguinte artigo do líder parlamentar do PCP e deputado eborense João Oliveira, no jornal Público, é um bom contributo para desmascarar essa intrujice:

    http://www.publico.pt/economia/noticia/nem-saida-quanto-mais-limpa-1635161

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  3. O artigo de João Oliveira, no Público de 6ª feira passada


    Nem saída, quanto mais limpa...

    É preciso denunciar a saída "limpa" da troika que deixa cá a política suja dos troikistas.

    Ao contrário do que propagandeia o Governo, não há saída da troika. Muito menos uma saída limpa. Não só a troika estrangeira não abandona completamente o país a 17 de Maio, como fica cá a troika nacional a querer perpetuar a mesma política.

    Pelo menos até 2038, quando se programa que 75% dos empréstimos europeus sejam devolvidos, Portugal estará sob “vigilância reforçada”, com inspeções e sujeito a sanções. O relógio de Portas, com a contagem decrescente para a saída, tem de ser atrasado quase um quarto de século.

    Ficam cá os condicionamentos do euro e do seu Pacto de Estabilidade e Crescimento, fica cá o Tratado Orçamental e todas as outras regulamentações a vigiar e a garantir o prosseguimento da austeridade.

    Fica cá o rasto de destruição deixado pela troika.

    A maior recessão desde o final da II Guerra Mundial, o agravamento brutal do desemprego, que atinge perto de 25% da população ativa, nomeadamente os jovens, os mais qualificados, os trabalhadores da indústria e da construção.

    Os cortes selvagens nos salários, nas reformas e pensões, nos apoios sociais, na saúde, na educação, na ciência, na cultura, nos serviços públicos, a degradação do poder de compra, dos direitos laborais, da segurança no emprego.

    A emigração forçada massiva, como nos piores anos do fascismo.

    O alastramento da miséria e da pobreza, que em 2012 atingia já 2 milhões e 590 mil pobres, realidade dramaticamente ilustrada pelas crianças que vão para as escolas com fome ou pelos milhares empurrados para as cantinas sociais.

    O investimento, em queda praticamente desde a adesão ao euro, nos três anos da troika foi o mais baixo pelo menos dos últimos cinquenta anos. A economia nacional corre o risco de ficar obsoleta. As privatizações (EDP, REN, Caixa Saúde, GALP, ANA, PT, CTT, Caixa Seguros) proporcionaram negociatas chorudas mas prejudicam os serviços à população e alienam para o estrangeiro riqueza e centros de comando da vida nacional.

    E quanto à dívida não há dúvida que também fica e ainda maior.

    A dívida externa e a dívida pública explodiram. Esta última, cuja necessidade de contenção justificou a intervenção externa, aumentou nos últimos três anos de 94% do PIB para 129% e continua a crescer (mais 7 mil milhões de euros nos dois primeiros meses deste ano). As taxas de juro (as yields) das obrigações portuguesas desceram, como desceram geralmente em todo o lado, até na Grécia, por movimentos de especuladores e de capitais afastados do investimento produtivo, avolumados pelas injeções de liquidez dos bancos centrais, em busca de maiores rentabilidades. Mas, se desceram, podem mais tarde voltar a subir, como sucedeu não há muito nos estados europeus altamente endividados como o nosso.

    A solução não está no país financiar-se junto dos mercados, pedindo novos empréstimos para pagar empréstimos anteriores, a juros de qualquer modo incomportáveis, mas em reestruturar a dívida (prazo, juros e montantes) e preparar condições para recuperar a soberania monetária perdida, com um banco central emissor, que liberte Portugal da dependência dos especuladores nos mercados e afaste de vez o espectro da bancarrota.

    A troika não resolveu nenhum dos problemas nacionais. Pelo contrário, agravou-os.

    E cá fica a troika nacional – PS, PSD e CDS –, que introduziu o euro, que aprovou o Tratado Orçamental, que aceitou e aceita todas as imposições europeias, que trouxe para cá a troika estrangeira e agora se disponibiliza para assegurar a continuidade da mesma política.

    O PS abriu caminho com os PEC e depois, em conjunto com PSD e CDS, instalou a troika no país. Os três partidos não se distinguem nas matérias estruturantes, europeias ou nacionais.

    (conclui abaixo)

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  4. (conclusão)

    Enquanto o Governo fala da saída limpa de uma troika que nunca devia ter entrado, o futuro fica ainda mais comprometido e incerto.

    A questão que se coloca hoje aos portugueses é a de saber a quem dar força.

    Dar força aos partidos da troika, para que eternizem a política da troika, ou dar força a quem defende com firmeza a ruptura com essa política?

    Dar força aos partidos da troika, para que cumpram os compromissos que têm com o Tratado Orçamental e as imposições europeias, mantendo a política dos cortes e do aumento de impostos, ou dar força a quem luta pela devolução de salários, pensões e direitos?

    Dar força aos partidos da troika, que preparam hoje as desculpas que amanhã hão-de usar para não cumprir nenhuma das promessas eleitorais, ou dar força a quem todos os dias cumpre os compromissos que assume e luta ao lado de quem trabalha em defesa dos seus direitos e aspirações?

    É preciso denunciar a falsidade da saída “limpa” da troika que deixa cá a política suja dos troikistas. No dia 25 de Maio, o voto na CDU é o melhor contributo para libertar verdadeiramente o país de uns e de outros.

    Líder parlamentar do PCP

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  5. Não conheço o jovem OLIVEIRA,deve ser um brilhante largador de cassetes do pc,pois o discurso é de tecla REPEAT.

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  6. e este betinho só papagueia o que o outro diz nos debates da diana

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  7. Bruninho Filho...qualquer Português prefere um capitalismo selvagem com comida nas prateleiras das lojas e supermercados, bancos alimentares contra a fome, cáritas, etc, do que viver no Socialismo Chavista da Venezuela onde escasseia até nas prateleiras a simples pasta de dentes ou o arroz é vendido por senhas.

    Criticar por criticar quando os exemplos de casa são um cocó, é melhor um gajo abrir um buraco e esconder-se no chão para se deixar de popularismos ridículos e bacocos.

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