quinta-feira, 1 de maio de 2014

O(H)VIBEJA


aí estão as cabras
com os seus brincos
pendurados das orelhas
as vacas e os porcos
com seus piercings
no focinho e nas narinas
os burros
com a sua calma legendária
suas orelhas de abano
de grandes mais eficientes do que auscultadores
os cavalos lazões
castanhos izabela
prontos a serem montados
por meninos e meninas
aí estão os vendedores
de algodão-em-rama e de amendoins
e os cães domésticos
puxando os donos pelas trelas
aí estão as aves exóticas
os papagaios araras
e os garnizés
e os pombos gordos
que nem perus pelo Natal
e os camponeses velhos reformados
a não perderem nada
pelos pavilhões arrastando os pés
aí estão as avós
puxadas pelos netos
atrás dos fumos doces
dos churros das farturas
e os agricultores
perdidos em projetos
que rentabilizem
a ingrata agricultura
a água do Alqueiva
os olivais a rega
sem a qual a planta não tem seiva
o vendedor de máquinas
prometendo a entrega
do tractor New Holland
para virar a leiva
a gente do governo
pródiga em promessas
:
baixa de impostos subsídios sonhos
os putos marginais
virando a Feira das avessas
limpando ao braço
transpirações e ranhos
aí estão os balões
as espadas Excalibur
os pavilhões
de produtos regionais
:
os méis os queijos os enchidos maduros
os cheiros assimilados
a humores corporais
entanto o Sol falece
prós lados de Lisboa
são horas de apanhar o autocarro
- há quem vá devagar há quem se apresse
há os eternos retardatários
distribuindo ainda
o tinto que há num jarro
até pró ano - a Feira estava boa
podia estar melhor diz a mulher cansada
perde a gente o tempo
por aqui à toa
com o raio da crise
não dá pra comprar nada
António Saias (aqui)

1 comentário:

  1. poema deve ter 3 anos
    hoje eu faria algumas alterações de forma

    assim
    ;
    O(H)VIBEJA

    aí estão as cabras
    com os seus brincos
    pendurados das orelhas

    as vacas e os porcos
    com seus piercings
    no focinho e nas narinas

    os burros
    com a sua calma legendária
    suas orelhas de abano
    de grandes mais eficientes do que auscultadores

    os cavalos lazões
    castanhos izabela
    prontos a serem montados
    por meninos e meninas

    aí estão os vendedores
    de algodão-em-rama e de amendoins
    e os cães domésticos
    puxando os donos pelas trelas

    aí estão as aves exóticas
    :
    papagaios araras
    garnizés
    e os pombos gordos
    que nem perus pelo Natal

    e os camponeses velhos reformados
    a não perderem nada
    pelos pavilhões
    arrastando os pés

    aí estão as avós
    puxadas pelos netos
    atrás dos fumos doces
    dos churros das farturas

    e os agricultores
    perdidos em projetos
    que rentabilizem
    a ingrata agricultura

    a água do Alqueiva
    os olivais a rega
    sem a qual a planta não tem seiva

    o vendedor de máquinas
    prometendo a entrega
    do tractor New Holland
    para virar a leiva

    a gente do governo
    pródiga em promessas
    :
    baixa de impostos subsídios sonhos

    os putos marginais
    virando a Feira das avessas
    limpando ao braço
    transpirações e ranhos

    aí estão os balões
    as espadas Excalibur
    os pavilhões
    de produtos regionais
    :
    os méis os queijos os enchidos maduros
    os cheiros assimilados
    a humores corporais

    entanto o Sol falece
    prós lados de Lisboa
    são horas de apanhar o autocarro

    - há quem vá devagar há quem se apresse
    há os eternos retardatários
    distribuindo ainda
    o tinto que há num jarro

    até pró ano - a Feira estava boa
    podia estar melhor diz a mulher cansada

    perde a gente o tempo
    por aqui à toa
    com o raio da crise
    não dá pra comprar nada

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