terça-feira, 6 de maio de 2014

Alerta vermelho para as escolas nas freguesias rurais de Évora

Sete. Não, não é do número mágico que vos venho falar hoje, mas não deixa de ser simbólico. Este é o número de escolas primárias (chamemos-lhe assim porque foi assim que nasceram lá no passado onde estão ainda a servir o futuro), escolas da esmagadora maioria das oito reagrupadas freguesias rurais do concelho (antes 11), e de que se anuncia o encerramento.
Esta é uma notícia que a ser verdade, já que nos vamos habituando aos truques deste governo dos grandes disparates que depois são só disparates, é uma notícia que não se pode aceitar de cravo ao peito e braços cruzados. Este é o momento em que os que recusam liminar e demagogicamente as inevitabilidades se têm de lançar ao trabalho, aquilo que todos os políticos sérios defendem como valor primeiro, mas de que alguns se apropriam como slogan eleitoralista. É que não basta pôr faixas negras no gradeamento de escolas a esvaziarem-se, nem gritar contra outros poderes pelo simples exercício de contestação, tantas vezes demonstração de um poder por si próprio e não pelo resultado que se deseja obter. É que como dizia um político francês desaparecido há 100 anos, ativo republicano e enorme referência na história da defesa dos socialmente mais frágeis, Jean Jaurès, «não se ensina aquilo que se quer; ensina-se e só se pode ensinar aquilo que se é.» E lutar contra o encerramento de escolas em aldeias dispersas e distantes do centro urbano é todo um trabalho que percorri durante quatro anos e que, mais do que a minha vontade feita de conceitos que estudei, me transformou pessoal e profundamente na minha vida política, onde se exerce a “arte do possível” (esta uma expressão de Bismarck, outro estadista, prussiano, de enorme importância na diplomacia europeia do século XIX). Oiçam-me, pois, com a paciência que vos peço, por mais alguns minutos.
Muitos estudos nos dizem que as crianças têm de socializar para crescerem melhor. Outros há que defendem, nos primeiros anos de aprendizagem do elementar – ler, escrever e contar –, que o ambiente familiar e mais restrito também lhe é benéfico. No limite, e tratando-se de ciências humanas e sociais as que estudam estas matérias, caberá avaliar caso a caso os modelos de aplicação para um coletivo que se propõem e decidir. Há depois, na gestão do bem público, outros valores a ponderar, sendo que em educação, e em política de uma forma geral, é em investimento e não em despesa que nos devemos concentrar. Em educação não há luxos e os negócios não são, nem deviam ser, para ela chamados. Foi assim que, em 2010, aquando do primeiro e único encerramento de escolas; estavam propostas mais mas só uma fechou e não foi por falta de crianças na aldeia mas porque os pais não as inscreveram, com toda a legitimidade, porque as queriam perto do local de trabalho ou de outros familiares que lhes dessem apoio, argumento tão válido para aquelas famílias que as queriam manter na escola da aldeia. E foi a única escola que fechou, já a atual legislação estava em vigor, no mandato em que fui vereadora com responsabilidades na educação. 
Um trabalho que prosseguiu com o trabalho enorme de um conselho municipal de educação, voluntário e cheio de vontade, que se desdobrou não apenas em discussões ideológicas, já que ele era bem plural também nesse campo, mas em deslocações às comunidades educativas em risco pelo legislado, onde os presidentes de Junta, respetivos executivos e membros de assembleia são, ao lado dos pais, encarregados de educação, pessoal não docente e docentes, uma voz importante a escutar com muita atenção. Um trabalho que modificou aqueles que, como eu própria, apenas conheciam um lado da questão, o tal da socialização das crianças, embora soubesse já que aquelas escolas eram, e ainda devem ser, os lugares mais acolhedores, alguns mesmo quando comparados com novos edifícios urbanos e modernos igualmente atrativos, para neles se poder aprender a crescer. O investimento municipal nas escolas rurais, por parte da Câmara e das Juntas de Freguesia, era uma evidência inegável como contributo para o bom ambiente de ensino-aprendizagem. 
Os problemas que o encerramento da única escola levanta aos habitantes de uma aldeia, onde se já há poucas crianças quanto menos infraestruturas que as apoiem existirem menos haverá, são bem maiores do que os que imaginamos quando lemos trabalhos científicos com todo o rigor que efetivamente têm. Por isso, também, o trabalho de levantamento de razões e confirmação de posições tem de ser consistente, metódico e constante, para que o debate político com os restantes poderes, por ventura decisivos na matéria mas que devem seguir as regras da democracia aplicáveis quer a nível nacional quer local, não se fique pelo esgrimir de argumentos técnicos encontrados de régua e esquadro à distância ou, no outro lado, com ideologias por vezes corporativas outras vezes tão vagas que se tornam igualmente distantes do quotidiano e da vida das pessoas que em nós políticos depositam a confiança num compromisso de as representar. 
E é por isso que eu repito e reafirmo que fechar escolas não é uma notícia que se pode aceitar de cravo ao peito e braços cruzados. 
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

22 comentários:

  1. O memorando da TROIKA assinado pelo PS/PSD/CDS,contem encerramento de escolas,extinção de freguesias,concelhos,tribunais........

    É preciso ter lata ,uma "socialista" vir agora reclamar,quando em Maio de 2011 não ouvi ser contra o memorando.

    Não temos MEMÒRIA CURTA Dr.Cláudia.

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  2. Dr.Branco Filipe deixou o PS?

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  3. Escolas, hospitais, maternidades, postos de GNR, Correios, Tribunais, é tudo para fechar.
    Portugal está a ser deslocalizado para uma faixa de 50 Km de largura, entre Braga e Setúbal. O resto é para fechar. Mas, é bom que se note, estas políticas não começaram hoje...

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  4. Escolas encerram?
    Culpa do Zé do Cano!
    Culpa da Troika!
    Culpa da Cláudia Pereira!

    Évora está cada vez pior, mas felizmente temos agora uma excelente câmara CDU!

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    1. A culpa é das políticas que têm vindo a ser implementadas nos últimos anos. Políticas que tiveram o "Zé do Cano" e a "Cláudia Pereira" (e "Troika"), entre os seus paladinos e fomentadores.

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    2. Então para que é que elegemos uma Câmara CDU?

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    3. Para alterar o Memorando da Troika não foi, de certeza.

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  5. Maternidades de Beja e Portalegre vão ENCERRAR.

    Cumpra-se o memorando,assinado pelo PS/PSD/CDS.

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    1. será por causa do memorando que também te nasceu um bom par de cornos?

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  6. Salários até 675 Euros na Função Publica vão ser alvo de CORTES.

    Cumpra-se o memorando,assinado pelo PS/PSD/CDS.

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  7. 400 farmácias em risco de Fechar,politica Troikiana impede Idosos de comprar medicamentos.

    Cumpra-se o memorando,assinado pelo PS/PSD/CDS.

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  8. 12:45,meu caro estas medidas foram assinadas em Maio de 2011,pelo PS/PS/CDS.......MEMORANDO da TROIKA.

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  9. No Alentejo vão encerrar várias maternidades,apenas a de èvora vai permanecer.

    E assim se cumprirá mais uma exigência do memorando ,assinado pelo PS/PSD/CDS,em Maio de 2011.

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  10. DESPEDIMENTOS na função publica vão avançar.

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  11. PS / PSD / CDS assinou o memorando!
    e enquanto vereadora raramente recebia os munícipes ou dava andamento às conversas. lamentável

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  12. Évora Merece!

    a ecopista limpa

    a circular limpa.

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  13. O parque privado do Pingo Doce (BP),é um autêntico CHIQUEIRO,lixo e porcaria por todo o lado.

    O acesso ao parque é complicado,devido ao estacionamento selvagem,a POLICIA está no local mas nada faz.

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  14. Autêntico CRIME contra o Património,o estado do baluarte da Porta de Avis é VERGONHOSO,o responsável é a Junta Autónoma de Estradas.

    Como é possível numa cidade Património Mundial este ATENTADO numa das entradas Nobres do Centro Histórico?

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  15. Hoje fui correr um pouco no circuito de manutenção. É um espaço abandonado ás ervas e a tudo o mais. Pintam a Praça do Giraldo e esquecem o resto, como é costume. A cidade está ao mais completo abandono. É só obra de fachada e pouco mais. Cada vez há menos esperança de que esta câmara seja um pouco melhor do que a do PS.

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    1. Recordo-lhe apenas DOIS FACTOS:

      1. Foi deixado um buraco de 90 milhões, ali para os lados da Praça do Sertório que, conjuntamente com a famigerada 'Lei dos Compromissos', impedem a compra de herbicidas e máquinas, ou, muitas vezes, até mesmo a simples aquisição de peças para reparação das máquinas;

      2. Durante 12 anos foi implementada uma política perversa de contratação de pessoal que teve como consequência um aumento dos quadros superiores da CME em cerca de 60% e uma REDUÇÃO dos operacionais em cerca de 20%. Ou seja: existe hoje uma carência de funcionários para varrer, cortar relva, calcetar ou reparar pavimentos, enquanto noutras áreas o excesso é óbvio e notório.

      Portanto, antes de escrever sobre as desventuras e incapacidades do nosso município, convém ter presente estes 2 factos, simples e bem concretos.

      PS: E, já agora, aquilo que está a ser feito no Centro Histórico é uma necessidade sentida há muitos anos. Só espero e desejo que seja alargada a toda a cidade.

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    2. Não sejas aldrabão, na última Assembleia Municipal o Pinto de Sá reconheceu que aldrabou as contas, quando afirmou que a dívida herdada era de 83 milhões quando comprovadamente foi de 76 milhões, mais 2 milhões do que aquela que a CDU deixou em 2001.

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    3. 12:33
      Não insista na mentira. Essas mentiras da dívida de 2001, há muito que foram desmascaradas.

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