quinta-feira, 3 de abril de 2014

Culpa

Há gente que passa a vida a fazer julgamentos morais sobre os comportamentos alheios, reduzindo toda a análise da realidade à sua visão estreita, curta e superficial.
Quando o conhecimento dos seus julgamentos morais se ficam pelos mais próximos e se limitam a sorrir a acenar à populaça, a coisa até parece correr bem, o pior é quando lhes colocam um microfone na frente e não resistem à tentação de comunicar ao mundo o que pensam dos pecadores.
É o caso de Isabel Jonet, que resolveu brindar os ouvintes da Renascença com a sua aprofundada análise sobre a utilização das redes sociais pelos desempregados.
A senhora entendeu por bem afirmar que as redes socias eram “um dos maiores inimigos das pessoas desempregadas” criticando os que nessa situação “ficam dias inteiros agarrados ao fecebook quando poderiam participar em acções de voluntariado que lhes aumentassem as chances de arranjar emprego”.
Já tinha decretado que não havia miséria em Portugal, já tinha culpado os pobres por terem comido bifes todos os dias, já tinha culpado os pais das crianças que chegam com fome às escolas de não terem tempo para os filhos, agora critica os desempregados que ficam todo o dia nas redes sociais.
Sobre as causas do desemprego não consta que a senhora tenha produzido qualquer teoria mas quase que aposto que encontrará como culpados… os desempregados.
A teoria não é nova e insere-se nas balelas sobre zonas de conforto de onde os desempregados não querem sair e na proverbial falta de espírito empreendedor da maioria dos portugueses e que a existir transformaria todos os desempregados em magnatas de um qualquer negócio de sucesso.
O que parece novo (mas não é) nesta julgadora de pecadores é a teoria de que perante o desemprego e a ausência de rendimentos os desempregados deveriam apostar no trabalho gratuito na esperança que alguém dê por eles e lhes ofereça uma oportunidade de emprego.
Todos nós conhecemos jovens que saltam de estágio em estágio, de “trabalho voluntário” em “trabalho voluntário”, na vã esperança que um dia essa actividade se transforme em trabalho remunerado e com direitos.
Provavelmente um dia destes terão Isabel Jonet a culpar estes jovens por não tentarem o suficiente ou por não estarem de forma desinteressada a exercer o “voluntariado”.
Nada tenho contra o voluntariado enquanto acção exercida nos tempos livres de cada um, após o trabalho remunerado que permite a construção de um projecto de vida.
Mas chamar trabalho voluntário aquilo que se é obrigado a fazer gratuitamente na esperança que daí surja um emprego é esticar o conceito até limites intoleráveis.
Eu também preferia que os desabafos e indignações saíssem do mundo virtual e viessem para rua de forma organizada e consequente, mas quem sou eu para julgar o estado de ânimo de quem vive o desespero de não ter trabalho.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. Olha o festeiro,parece que não falha uma de comes e bebes!

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    1. Olha o "comentarista"! Parece que não comes, nem bebes, nem f....

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  2. Atenção dos Serviços e Limpeza.

    Muito lixo e ervas nas ruas de Évora.

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  3. O piso da Porta de Alconchel (granito) constitui Perigo para automobilistas........o piso (granito) da porta do Raimundo constitui Perigo para os automobilistas.

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  4. Atenção da CME

    Buracos vários por toda a cidade.

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  5. Urge uma grande intervenção a nível de buracos e ervas,dentro e fora de muralhas.

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  6. Um moralista critica (aliás com razão, mas isso é outra conversa) o moralismo dos outros... há gente mais moralista que os gajos do PCP?

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