quinta-feira, 6 de março de 2014

Os cortes definitivos


Sempre que o governo impôs cortes em salários e pensões, acompanhou essa imposição com argumentos que pretendiam garantir a sua transitoriedade. Era só por um bocadinho enquanto a troika não se ia embora, ou enquanto o deficit das contas públicas não baixasse, ou enquanto o PIB não crescesse, ou outra meta qualquer (real ou imaginária) não fosse atingida.
Pretendia-se convencer os incautos que o esforço seria recompensado num futuro qualquer, com a reposição dos valores entretanto roubados ao rendimento dependente da prestação do trabalho.
Ontem, na Assembleia da República, o primeiro-ministro afirmou que o nível de rendimento dos portugueses (não estava a falar de todos mas certamente apenas daqueles que viram os seus rendimentos reduzidos) não voltaria aos níveis de 2011.
Se somarmos este rasgo de sinceridade à confissão de Luís Montenegro sobre o estado do país em contraposição com o estado das pessoas, poderemos afirmar que na cabeça dos homens do regime de Passos e Portas a situação das pessoas será tanto pior quanto melhor for a situação do país.
Houve quem sempre alertasse que a austeridade não era temporária, que as medidas adoptadas não tinham carácter de excepção, antes configuravam uma estratégia clara de redução dos custos do trabalho à conta da redução dos salários e pensões, quer por via do aumento da carga fiscal, quer pelos cortes directos nesses rendimentos, quer pelo aumento do horário de trabalho.
A ideia de estarmos todos num barco que está a ir ao fundo e que necessita que todos se sacrifiquem para que o barco flutue, voltando tudo à normalidade logo que esse objectivo esteja conseguido, não passou de um logro para garantir que a agenda ideológica do neo liberalismo indígena se impusesse com o mínimo de conflitualidade social.
A recuperação de direitos perdidos e reposição de rendimentos só será conseguida pela mobilização e luta dos espoliados e nunca pela boa vontade dos agentes dos espoliadores e todos sabemos como é difícil atingir esse objectivo.
Razão tinha o poeta Aleixo: É fácil a qualquer cão / Tirar cordeiros da relva / Tirar a presa ao leão / É difícil nesta selva
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na Rádio Diana)

3 comentários:

  1. Temos um vereador preocupado com a sua gestão na auatarquia na gigante manta furada urbanismo ou temos um cronista activista do pcp mais preocupado com o comité.
    Começo a ficar farto de cronicas balofas e farto de ver o diversos problemas bem graves no urbanismo a arrastarem-se por favor politico,mais do mesmo CHEGA!!!

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  2. Pois é Luciano, o que não te falta é trabalho na Câmara... COmo é que ainda tens tempo para andares metido nas croniquetas? Ou ficam elas mal ou a autarquia. Tens que decidir...

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  3. Pois eu gosto de ver um politico que escreve sobre as coisas que preocupam todos nós! è porque esta atento, porque não se fechou na redoma da politica! Quanto ao tempo, se calhar tira ao descanso! Ás Festas ou pode ser mesmo alguém com ma energia acima da media, não vos parece?
    Lurdes

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