segunda-feira, 31 de março de 2014

Centro Histórico de Évora: degradação, casas devolutas e necessidade de reanimar a zona


No dia Nacional dos Centros Históricos, a jornalista Rosário Silva, da Rádio Renascença, ouviu a posição do Grupo Pró-Évora sobre o Centro Histórico de Évora que apontou três problemas principais: degradação, casas devolutas e necessidade de reanimar a zona.
"Envelhecido e desertificado, o centro histórico de Évora precisa de “vida”, defende Grupo Pró-Évora. Ser Património Mundial não chega, é preciso reanimar uma zona que, cada vez mais é dos turistas e menos dos eborenses. 
No Dia Nacional dos Centros Históricos, o Grupo Pró-Évora alerta para a necessidade urgente de revitalizar o centro histórico de Évora. O mais antigo grupo em actividade em Portugal, na defesa do património, lembra que os anos passam e os problemas agravam-se, nomeadamente ao nível da habitação. Há dezenas de casas devolutas cujos proprietários ou se desconhecem ou não tem capacidade para cuidar dos seus bens patrimoniais. 
Os jovens “fogem” para a periferia da cidade, ficam os mais velhos. O problema está a crescer e urge encontrar soluções para inverter este padrão. 
“Pensamos que o centro histórico tem que ser vivido e, no caso de Évora pela sua extensão ainda com maior razão de ser. É preciso que a habitação seja revitalizada e que os habitantes tenham cuidado com o que é seu para que não se degrade. O problema não é só a falta de gente a viver dentro do centro histórico, é também a degradação que tem sofrido” lamenta Celestino David, do Grupo Pró-Évora." (ler mais)

Memória

Assinei este fim de semana a petição intitulada “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente”. Uma petição que defende que esta reestruturação deve envolver o abaixamento significativo da taxa média de juro, a extensão de maturidades e a reestruturação da dívida acima dos 60% do PIB, tendo na base a dívida oficial.
Ainda assim, gostava de realçar que a subscrição desta petição, não representa a primeira forma que encontrei para expressar a minha opinião acerca deste assunto.
Em 2011, quando coloquei uma cruz no boletim de voto para as eleições legislativas, fi-lo de forma consciente e informada. Fi-lo porque sabia que estava a votar num programa político que defendia, entre outras coisas, a renegociação da dívida.
Relembro o que estava escrito neste compromisso eleitoral:
“O Bloco de Esquerda propõe uma auditoria à dívida para conhecer em detalhe a composição da dívida pública e privada, seus prazos de amortização e juros. O objectivo: identificar a dívida que o Estado deve assumir, separando-a da parte que resulta de especulação, corrupção ou favorecimento ilegítimo.
O Bloco defende, ainda, uma renegociação que estabeleça novos prazos, novas taxas de juro e condições de cumprimento razoáveis, que acompanhem a recuperação económica, e que anule a dívida inexistente. Em vez de ser uma oportunidade de negócio para os credores dos países da periferia, as presentes dificuldades devem mobilizar uma política de cooperação europeia contra a especulação.”
Lembram-se do que a grande maioria dos comentadores e políticos diziam acerca desta opção? Lembram-se do que dizia Sócrates e os seus seguidores? Eu lembro-me bem. Apelidaram esta política de irresponsável e chamaram a todos os que defendiam a renegociação de caloteiros.
Com isto não quero dizer que não reconheço a possibilidade de algumas pessoas mudarem de opinião. Aliás, é bastante positivo que tenham a capacidade de reconhecer que estavam errados. Estarei ao lado de todos e todas que lutem pela reestruturação da dívida, pois esta é, de facto, a única forma de salvar a economia e os portugueses.
Não sinto, portanto, qualquer dificuldade em estar lado a lado com aqueles que apelidaram de irresponsáveis aqueles que defendiam o que, só agora, defendem.
Ainda assim, não me esqueço que enquanto assobiavam para o lado perante a urgência da renegociação da dívida, a economia foi sendo destruída, e com ela o emprego, os salários, as pensões e as funções sociais do estado.
Estou convosco, mas não me esqueço que pretendem, agora, ser salvadores de uma pátria que ajudaram a destruir.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

domingo, 30 de março de 2014

Ciclista de Euskadi vence 32ª Volta ao Alentejo


Carlos Barbero (Euskadi) venceu a 32ª Volta ao Alentejo Liberty Seguros no dia em que Samuel Caldeira (OFM - QUINTA DA LIXA) vence na inédita chegada à Praça do Giraldo, em Évora, debaixo de chuva, mas também muitos aplausos.
O derradeiro dia de competição, domingo, 30 de março, começou em Alcácer do Sal junto ao tribunal. A partida for dada às 11h15, a 173 quilómetros da meta final da 32ª Volta ao Alentejo Liberty Seguros. 
As metas volantes de Vendas Novas, Pavia e Arraiolos e o prémio de montanha de 4ª categoria, às portas de Montemor-o-Novo, foram pontos “quentes” de uma jornada que terminou em festa no centro histórico de Évora, em plena Praça do Giraldo, que não recebia a visita da “Alentejana” desde 2010.

sábado, 29 de março de 2014

Hoje no Armazém 8: reviver os "Cantos Livres" do pós 25 de ABRIL


Também com José Elizeu Pinto, um dia depois do grande concerto de Lisboa de homenagem a José Afonso e de comemoração dos 40 anos do "I Encontro da Canção Portuguesa", de 29 de Março de 1974, antecipador do grande movimento de transformação da sociedade portuguesa iniciado a 25 de Abril.

Hoje no Artcafé, às 22H (Évora)


Évora, uma Câmara em acção: Relatórios & Estudos


Em reunião pública de 26 de março: Limpeza do Centro Histórico, início da intervenção em Abril
A Câmara Municipal de Évora conheceu o relatório “Avaliação Permanente do Espaço Público”, que uma equipa de técnicos municipais elaborou ao longo dos últimos anos para diagnosticar os problemas de higiene e limpeza pública (existentes em contentores, placas de toponímia, sinais de trânsito, papeleiras, floreiras, parquímetros, etc.) no Centro Histórico e apontar caminhos que os solucionem. A equipa é composta pelos arquitetos António Bouça e Daniel Valente e pela engenheira Cristina Jan. Este é o segundo relatório que apresentam (o primeiro foi em 2011), estando já em preparação um terceiro sobre os pavimentos do Centro Histórico.
Um trabalho que o Presidente do Município considerou de grande qualidade, o que também foi reconhecido pelos vereadores, e que irá ter seguimento com os recursos disponíveis, tendo o Vereador João Rodrigues anunciado que em abril será feita uma importante intervenção na área do Centro Histórico, prevendo numa fase posterior alargá-la a outras zonas da cidade.
O início do processo de delimitação das Áreas de Reabilitação Urbana para o Concelho de Évora, de acordo com o Regime Jurídico em vigor nesta matéria, foi aprovado por unanimidade. Trata-se de um instrumento legal para apoiar e promover a reabilitação urbana. A proposta será submetida a discussão pública, voltando posteriormente à Câmara para aprovação e seguindo então para deliberação em Assembleia Municipal.
A Câmara tomou conhecimento do acordo de pagamento estabelecido entre a Portugal Telecom e o Município de Évora que permite a este último efetuar, sem juros, os pagamentos que tinha em atraso. A autarquia está a procurar negociar também com outras empresas este tipo de situações, que permitam o não pagamento de juros, informou o Presidente.
Mereceu igualmente aprovação unânime o projeto de arquitetura do Campo de Rugby em Relva Artificial e Pista de Atletismo, uma obra do Instituto Português do Desporto e Juventude, cujo projeto e restantes especialidades são da responsabilidade do Município.
Foi aprovada a abertura do prazo de candidaturas ao Programa Casa Caiada, que decorre até 30 de Junho. Podem candidatar-se proprietários, senhorios e inquilinos em todo o Centro Histórico e área de proteção à muralha. As respetivas inscrições terão início após publicação do edital, devendo os interessados dirigir-se à Divisão do Centro Histórico, Património, Cultura e Turismo de Évora.
Foi tomado conhecimento da proposta de criação do projeto municipal “Centro de Recursos da Tradição Oral e do Património Imaterial do Concelho de Évora – Laboratório da Tradição Oral e da Cultura Popular”. A importância, objetivos, atividades propostas e parcerias foram os principais aspetos focados neste projeto que se apresenta como estratégia para uma continuidade do Projeto Oralidades (enquanto projeto estruturante nas áreas do Património Cultural Imaterial da Tradição Oral e da Cultura Popular).
De salientar ainda que a Planta e Edital da Feira de S. João 2014 mereceram aprovação unânime, tendo o Presidente da Câmara Municipal salientado alguns aspetos do trabalho em curso e das alterações previstas, nomeadamente no que concerne a um melhor aproveitamento dos espaços, dando como exemplo o Monte Alentejano, local onde se irá apostar na gastronomia regional, e a utilização do Jardim Público como espaço de espectáculos.
O acordo de colaboração entre a Câmara Municipal, a Universidade de Évora e os proprietários de edifícios devolutos no Centro Histórico de Évora, para a realização de estudos académicos, na unidade curricular de conservação e reabilitação de edifícios do 1ºciclo em Engenharia Civil, foi aprovado por unanimidade. Através dele, a autarquia pretende sensibilizar e dialogar com os proprietários no sentido de conhecer as problemáticas e os obstáculos à reabilitação do edifício, visando também começar a desenvolver a “consciencialização” social sobre esta matéria.
Foi aprovado o Acordo de Colaboração “Desafio pela Saúde 2014” para formalização da parceria entre as diferentes entidades envolvidas nesta iniciativa que decorre já nos próximos dias 4 e 5, simultaneamente em Évora e Mérida. Aprovada igualmente a adesão camarária ao evento global ambiental “Hora do Planeta”, dinamizado pela organização WWF, no próximo dia 29, em que se convida todos a desligarem as suas luzes durante uma hora, a partir das 20:30 horas. (nota de imprensa da CME)

Évora: na "é neste país" daqui a pouco


29 de Março de 2014, pelas 11.30h
Com quantos pontos se conta um conto?

Trulé


Apareçam! É neste país!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Hoje no Armazém 8 (Évora): Bonecos & Campaniça


Às 22H.
Um músico e um marionetista dão vida a duas mãos cheias de bonecos e contam as suas histórias. Histórias sem palavras, ao som da viola campaniça.
Trulé Manuel Dias a mão que conta: Marionetista/construtor e investigador em formas animadas
Tó Zé a mão que toca: Composição/Música original. Viola Campaniça

Fotografia: Telmo Rocha (Telmo Rocha - Deambulações)
Fotografia/Vídeo: Joana Dias
Produção: É neste país - Associação Cultural
Organização:Armazém 8 - Évora

quinta-feira, 27 de março de 2014

Évora: teatro do Brasil na BruxaTeatro


Realiza-se hoje ultimo espectáculo de teatro no mês de março em parceria com o FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo. Hoje ás 22h no espaço da Bruxa Teatro teremos a actuação do grupo Cena, do Brasil, com a peça "Dinossauros".
Dinossauros foi a montagem inaugural do Grupo Cena, tendo estreado em Dezembro de 2005. Desde sua estreia, o espetáculo participou de alguns dos mais importantes eventos do país, sempre com excelente repercussão, merecendo elogios de alguns dos principais críticos brasileiros. 
Um banco, uma luz e dois atores. Isso é o suficiente para criar a atmosfera do espetáculo Dinossauros, que desde sua estreia vem encantando o público com sua simplicidade e singeleza. Sob direção de Guilherme Reis, estão em cena Carmem Moretzsohn e Murilo Grossi. Os atores encarnam dois solitários desconhecidos que, na madrugada de uma grande cidade, se encontram e aos poucos estabelecem uma relação que vai do medo ao companheirismo, chegando sutilmente a uma situação de intimidade entre si e com o público.

Évora: "Autos da Revolução" hoje no Garcia de Resende com entrada livre


O Cendrev e a ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve apresentam, a partir de 27 de Março no Teatro Garcia de Resende em Évora, “Autos da Revolução” com textos de António Lobo Antunes, dramaturgia e encenação de Pierre-Etienne Heymann com a colaboração de Rosário Gonzaga. 
Sabemos que apenas apoiando-nos em poetas rebeldes podemos dar conta dum mundo que mete medo, mesmo se o seu olhar não é nada agradável. Desde os anos 80, António Lobo Antunes recusa-se a contribuir para a edificação duma lenda dourada do 25 de Abril.
O espectáculo propõe os relatos cruzados de sete personagens, que recordam o seu 25 de Abril e contam o que lhes sucedeu: um operário carregador de mudanças, uma burguesa caridosa, a esposa de um contra - revolucionário, um militante político que foi preso em Caxias, uma camponesa explorada numa quinta, um banqueiro e a governanta do dono da quinta. Cada personagem grita a sua verdade, a sua duplicidade, o seu fervor, a sua franqueza, o seu desvairamento, a sua inocência.
Com a revolução de Abril, não foi conquistada apenas a liberdade e a democracia política, criaram-se também condições para notáveis avanços civilizacionais que hoje estão a ser profundamente delapidados e, sendo o teatro um espaço privilegiado de encontro e reflexão dos homens, este acontecimento maior da nossa História recente não podia deixar de constituir matéria do nosso trabalho.
O espectáculo conta com a interpretação de Mário Spencer, Rosário Gonzaga, Maria Marrafa, Bruno Martins, Tânia da Silva e Jorge Baião. A cenografia e figurinos de Elsa Blin, direcção musical e sonoplastia de Gil Salgueiro Nave e Iluminação de António Rebocho, assistido por Sérgio Santafé (aluno estagiário do Instituto del Teatro de Barcelona).
Esta co-produção ficará em cena em Évora até 20 de abril, de quarta a sábado, às 21h30 e aos domingos, às 16h00 e no Teatro Lethes em Faro, de 25 de Abril a 11 de Maio.
No dia Mundial do Teatro, à semelhança do que acontece na generalidade dos teatros do mundo inteiro, também em Évora abrimos generosamente ao público as portas deste belo Teatro Garcia de Resende para celebrar o Teatro e a liberdade. Devem dirigir-se à bilheteira do TGR para levantar o respectivo ingresso, a lotação é de 326 lugares. (Nota de imprensa Cendrev/ACTA)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Évora: hoje na BruxaTeatro "La Edad de la Ciruela"


Hoje às 22H na BruxaTeatro.

Já na recta final do mês do teatro da SOIR em parceira com o FITA a companhia TEATRO D’DOS de Cuba trás á cena a peça “La Edad de la Ciruela”. 
Pela primeira vez em Évora a companhia cubana leva-nos ao mundo de duas personagens partilham com o público o tempo da sua infância. A “La Edad de La Ciruela” é um espectáculo que se distingue pela sua clara concepção “minimal” de espaço de representação, plenamente justificado pelo valor das palavras. Duas mulheres prontas para dormir tentam desesperadamente agarrar-se aos restos de vida que as preenchem, que as distinguem e lhes permitem ser o que são para os outros e para si mesmas.

Começa hoje em Castelo de Vide a 32ª Volta ao Alentejo


“Alentejana” na estrada!
Cinco dias e quase 900 km de competição

A 32ª Volta ao Alentejo em Bicicleta Liberty Seguros começa esta quarta feira, na vila de Castelo de Vide. Até domingo, 30 de março, 142 corredores, de 18 equipas, terão pela frente 896,8 quilómetros com quinze Metas Volantes e seis Prémios de Montanha. O vencedor da competição” será coroado em plena Praça do Giraldo, na cidade de Évora.

Na primeira etapa o pelotão sai de Castelo de Vide pelas 11h20 e após 167 quilómetros irá chegar ao alto de Marvão coincidindo a meta com uma contagem de montanha de 2ª categoria. Cerca de doze quilómetros antes da chegada haverá uma outra contagem mas de 3ª. As metas volantes estarão instaladas no Crato, Monforte e Degolados.

Esta “Alentejana”, que teima em não deixar nenhum corredor vencer duas vezes, é uma organização conjunta da CIMAC - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central e a Podium, e terá resumos televisivos diários na RTP2 depois do serviço informativo das 22 horas.

As “Cores” dos vencedores
O pelotão da 32ª Volta ao Alentejo em Bicicleta Liberty Seguros lutará diariamente por uma das quatro “Camisolas” símbolos de liderança. A maior distinção de todas, a Camisola Amarela Liberty Seguros para o líder da classificação geral, a Camisola Verde Crédito Agrícola dos pontos que será vestida pelo homem mais regular, a Camisola Castanha Delta Cafés que irá premiar o melhor trepador de todos, o chamado Rei da Montanha e por fim a Camisola Branca RTP, envergada pelo melhor jovem classificado na 32ª Volta ao Alentejo Liberty Seguros!

Últimos Vencedores
2013 - Jasper Stuyven (Bontrager Cycling Team)
2012 - Alexey Kunshin (Lokosphinx)
2011 - Evaldas Siskevicius (Pomme Marseille)
2010 - David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira)
2009 - Maxime Bouet (Agritubel)

Resumo Etapas
1ª Etapa - 26.03.2014 - Partida Simbólica: 11h20 - Castelo de Vide / Marvão - 167km
2ª Etapa - 27.03.2014 - Partida Simbólica: 10h30 - Sousel / Montemor-o-Novo - 192,7km
3ª Etapa - 28.03.2014 - Partida Simbólica: 10h35 - Redondo / Mértola - 205km
4ª Etapa - 29.03.2014 - Partida Simbólica: 11h35 - Odemira / Santiago do Cacém - 159,2km

5ª Etapa - 30.03.2014 - Partida Simbólica: 11h15 - Alcácer do Sal / Évora - 172,9km

terça-feira, 25 de março de 2014

PS/Europeias: Capoulas Santos não se recandidata, Carlos Zorrinho é terceiro


Carlos Zorrinho é o número três da lista do PS às eleições europeias, mantendo-se em lugares elegíveis as atuais eurodeputadas Elisa Ferreira e Ana Gomes. A lista apresentada à Comissão Política Nacional do PS, reunida na sede do partido, em Lisboa, e que foi distribuída aos jornalistas, coloca Elisa Ferreira em quarto lugar e Ana Gomes em sexto.
Os atuais eurodeputados Vital Moreira, Edite Estrela, Capoulas Santos e Correia de Campos não constam da lista.
A lista, liderada por Francisco Assis, tem como número dois a antiga ministra de António Guterres e atual conselheira da União Europeia Maria João Rodrigues, em quinto o açoriano especialista na área do mar Ricardo Serrão Santos, a professora universitária madeirense Liliana Rodrigues em oitavo, Manuel dos Santos em nono, Maria Amélia Antunes em décimo e José Junqueiro em décimo primeiro.
Em 2009, o PS elegeu sete eurodeputados, numa lista liderada por Vital Moreira: Edite Estrela, Capoulas Santos, Elisa Ferreira, Correia de Campos e Luís Paulo Alves.

Carlos Braumann não se recandidata ao lugar de reitor da UE


Ana Maria Costa Freitas, Carlos Marques, Hermínia Vilar e Manuel Collares-Pereira são os quatro candidatos ao cargo de reitor da Universidade de Évora, cujas eleições decorrem a 23 de abril, anunciou hoje a academia alentejana.
O Conselho Geral da Universidade de Évora (UÉ) divulgou que estas foram as quatro candidaturas admitidas pela comissão eleitoral, numa reunião realizada hoje.
Três dos candidatos - Ana Maria Costa Freitas, Carlos Marques e Manuel Collares-Pereira – já se tinham apresentado a votos no anterior ato eleitoral para reitor da UÉ, a 31 de janeiro, quando a escolha foi adiada, sendo decidido convocar novas eleições, por não ter havido maioria absoluta.
Na altura, também o atual reitor Carlos Braumann se apresentou a sufrágio, mas, em março, anunciou à academia que não iria voltar a concorrer no novo processo eleitoral lançado pelo Conselho Geral.
Assim, como novidade nestas eleições, em comparação com as anteriores, surge Hermínia Vilar, atual vice-reitora e professora do Departamento de História da UÉ.
Ana Maria Ferreira Silva Costa Freitas é professora do departamento de Fitotecnia e, entre 2006 e 2010, foi vice-reitora da universidade.
Carlos Marques já desempenhou igualmente as funções de vice-reitor da UÉ, entre 2006 e 2008, e é professor do departamento de Gestão.
Manuel Collares-Pereira, da área da Física, é investigador e titular da cátedra em Energias Renováveis, criada pela academia alentejana.
De acordo com o calendário eleitoral, consultado hoje pela agência Lusa, está prevista parta 02 de abril uma reunião extraordinária do Conselho Geral, sendo depois divulgadas datas para a audição dos candidatos perante aquele órgão.
Entre 21 e 22 de abril decorrem as audições públicas dos candidatos, realizando-se a eleição no dia seguinte, enquanto a tomada de posse do novo reitor, para o quadriénio 2014-2018, está agendada para 09 de maio.(Lusa)

Hoje em Évora, 22H: vem dar Música à SHE com Ana Paula Amendoeira, Diretora Regional da Cultura


Este projeto de cidadania, que retomamos na Sociedade Harmonia Eborense, tem como principal objetivo aproximar personalidades públicas da sociedade civil num ambiente informal, partilhando com os sócios da SHE a sua "playlist” pessoal e as histórias que justificam as suas escolhas.
Na 1.ª sessão de uma nova série de convidados contamos com Ana Paula Amendoeira, Diretora Regional de Cultura do Alentejo desde Dezembro de 2013.
Historiadora, mestre em Recuperação do Património Arquitetónico e Paisagístico pela Universidade de Évora, foi eleita em 2011 presidente do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) em Portugal. Diploma Europeu em Gestão de Projetos Culturais (Conselho da Europa/Fundação Marcel Hicter-Bruxelas) e doutoranda na Universidade de Paris IV SORBONNE onde desenvolve investigação sobre Património Mundial.
Desde 2012 é investigadora na Universidade de Coimbra e assistente convidada na Faculdade de Letras de Coimbra na área de Gestão do Património, e entre 2000 e 2008 foi Chefe de Divisão da Ação Cultural, Educação e Ação Social no Município de Reguengos de Monsaraz. (nota de imprensa)

Na ISV (Évora), esta noite: Saló ou os 120 dias de Sodoma, Pier Paolo Pasolini



Para quem não puder ir fica aqui o filme. Para quem puder ir à Igreja de São Vicente, é às 21,30H. (aqui)

Amanhã na UE, debate: “EXISTE UMA CULTURA EUROPEIA?”


A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) vem até Évora debater sobre se ‘Existe uma cultura europeia’, no âmbito do ciclo de debates “Presente no Futuro – Portugal europeu. E Agora?”, que em Setembro levou 1200 pessoas ao liceu Pedro Nunes, em Lisboa. Esta sessão, iniciativa conjunta da FFMS e da Universidade de Évora, realiza-se na próxima quarta-feira, dia 26 de Março, às 17h, no Auditório do Colégio do Espírito Santo, em Évora. A entrada é livre e gratuita e não é necessária inscrição prévia.
Qual a estratégia que faz mais sentido hoje? A crise do Estado social dita a crise da cultura europeia? Existe uma clivagem cultural entre os países do Norte e os países do Sul da Europa? E qual o papel que a cultura desempenha na cidadania europeia? É preciso voltar a repensar e refletir o tema da identidade e cultura europeia.
Num debate moderado pelo jornalista José Manuel Fernandes, o Presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins (depoimento em vídeo), o arquiteto João Luís Carrilho da Graça e o escritor e investigador Luís Carmelo vão refletir sobre diversas questões atuais e urgentes em torno da cultura europeia.
Estão confirmadas as presenças de Carlos Braumann, Reitor da Universidade de Évora, e de Marina Costa Lobo, Comissária do encontro Presente no Futuro.
Esta iniciativa enquadra-se no ciclo de debates “Portugal europeu. E agora?”, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos realiza entre Março e Maio de 2014, em parceria com Universidades, Municípios, associações, espaços culturais e órgãos de comunicação, disponibilizando dados para reflexão e promovendo uma preparação fundamentada para as eleições europeias.
Destinados às várias camadas da sociedade civil, estes debates procuram aprofundar a discussão iniciada em Setembro, no encontro Presente no Futuro, cujas sessões poderão ser vistas em http://www.presentenofuturo.pt/portugal-europeu/sessoes-online/ .
Nota: Mais informação e material de apoio em http://www.presentenofuturo.pt/portugal-europeu/pos-encontro/prepare-se (nota de imprensa)

Manifesto-me

Cansa-me por vezes ouvir as pessoas a falar, até ingenuamente, do que desconhecem com a profundidade proporcional às críticas que lhe infligem. Até porque isso dá jeito a quem discorde dos assuntos que estão em cima da mesa e faça toda a espécie de contorcionismos para falar do que lhe interessa e não do que lá está.
O caso do Manifesto dos 70 parece-me exemplar, já que aparece como um “ponto de ordem” a ter de ser feito nesta espécie de vertigo em que o governo português nos precipita. A minha crónica de hoje, “cosida” com excertos deste Manifesto é uma tentativa de falar do que ele é e esclarecer os que foram arrastados por alguns que o transformaram naquilo que querem que seja. É que como disse o Sartre, «a desordem é o melhor servidor da ordem estabelecida.»
Apesar de disponível em vários meios, o que ficou e quiseram muitos que ficasse deste Manifesto, que considero histórico, foi o facto de ter sido subscrito por pessoas de quadrantes políticos distintos, com a ausência do PCP-PEV que ficam assim, como o outro, “orgulhosamente só”.
O Manifesto é uma tomada de «posições diversas sobre as estratégias que devem ser seguidas para responder à crise económica e social, mas que partilham a mesma preocupação quanto ao peso da dívida e à gravidade dos constrangimentos impostos à economia portuguesa». É que se à partida, em política, partamos do princípio que o interesse comum é o objetivo e as propostas para lá chegar é que podem variar, damo-nos conta que, demasiadas vezes, quando se tem o poder, mesmo o da oposição, esse objetivo parece perder-se pelo meio de outros interesses.
Os que o assinaram confirmam que foi a, jocosamente tratada por muitos, «crise internacional iniciada em 2008 [que] conduziu, entre outros fatores de desequilíbrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública» e estão conscientes de que esta «tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo».
Com a aproximação das eleições europeias, habitualmente pouco participadas pelos eleitores, é também comum apelar-se à demonização do euro. A moeda única é, de forma simplória, conotada com a desgraça em que caímos mas, como diz ainda o Manifesto, «se o euro, por um lado, cerceia a possibilidade de uma solução no âmbito nacional, por outro, convoca poderosamente a cooperação entre todos os Estados-membros aderentes. A razão é simples e incontornável: o eventual incumprimento por parte de um país do euro acarretaria, em última instância, custos difíceis de calcular, mas provavelmente elevados, incidindo sobre outros países e sobre o próprio euro.» E alerta ainda que quando da «entrada em funções da nova Comissão Europeia [a que sai das próximas e importantes eleições em maio], deverá estar na agenda europeia o início de negociações de um acordo de amortização da dívida pública excessiva, no âmbito do funcionamento das instituições europeias.»
Finalmente, a buzzword que me fica deste Manifesto, que inclui propostas concretas que vos aconselho a ler, poderá resumir-se assim: «No atual contexto, Portugal pode e deve, por interesse próprio, responsabilizar-se pela sua dívida, nos termos propostos, visando sempre assegurar o crescimento económico e a defesa do bem-estar vital da sua população, em condições que são também do interesse comum a todos os membros do euro.»
Termino. O Manifesto dos 70 é uma posição de oposição. Construtiva, responsável e moderada, muito diferente da oposição radical que “rasga vestes”, “arranca cabelos” e promete os “amanhãs que cantam” de que ainda estamos à espera nos sítios em que são poder.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Para quem ainda não viu: Tamera (no concelho de Odemira)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Comunicado da Associação Académica da Universidade de Évora a propósito do Dia Nacional do Estudante


Comemoramos hoje, dia 24 de março, o Dia Nacional do Estudante, em homenagem ao espírito dos estudantes que lutaram contra a opressão na década de 60. Em 2014, em ano de celebração dos 40 anos do 25 de abril, o sentimento é especial: a Revolução foi o tiro de partida para a construção de um Estado assente na educação, saúde e proteção social para todos os cidadãos. Infelizmente, apesar dos significativos avanços das últimas décadas, “Abril” continua por cumprir plenamente. E continuará por cumprir enquanto a possibilidade de acesso aos vários graus de formação não for universal; enquanto tivermos colegas que não podem prosseguir os seus estudos por não conseguirem suportar os custos de frequência do ensino superior; enquanto houver colegas que desistem a meio do seu curso superior por dificuldades financeiras, apesar de serem estudantes exemplares; enquanto tivermos instituições de ensino superior que ignoram estes problemas; enquanto tivermos um Governo que demagogicamente tenta negar o que é evidente, brincando com os números e vendendo um discurso que não tem qualquer adesão à realidade.
Nós, os estudantes de ensino superior, somos herdeiros dos valores da solidariedade entre cidadãos, onde, por exemplo, um cidadão analfabeto está disponível para, com os seus impostos, financiar a formação superior de outros. Em defesa desta solidariedade, destas bases de progresso social, da educação como melhor instrumento de mobilidade social, os estudantes e seus representantes continuarão sempre a ser agentes de intervenção.
Não tenhamos ilusões: apenas com uma sociedade mais qualificada conseguiremos ser competitivos no futuro; apenas quem desconhece os custos da ignorância propõe desinvestir na educação.
Períodos de maior dificuldade como o que hoje atravessamos exigem mais de quem tem a responsabilidade do governar. O ajustamento não pode servir de pretexto para o desinvestimento na educação dos cidadãos. Se assim for, que País teremos no fim da crise? Como criaremos um economia baseada no conhecimento, na criatividade e na inovação? Como seremos competitivos a nível global?
O caminho não é este: continuar com os cortes indiscriminados no financiamento às instituições de ensino superior, recusar alterar um sistema de ação social obsoleto que não dá resposta às reais necessidades dos estudantes e das suas famílias, assistir apaticamente ao abandono do ensino superior sem criar mecanismos eficazes para a sua prevenção, manter uma rede de instituições de ensino superior que desenvolvem a sua atividade de costas voltadas, manter uma oferta formativa desorganizada difícil de compreender por quem se candidata ao ensino superior.
Mude-se a governação ou mudemos os governantes! (aqui)

Temas do novo disco dos Buraka Som Sistema vão ser apresentados na Ovibeja 2014


O nome ainda não é conhecido. Vai ser lançado oficialmente em Junho. Mas, a Ovibeja vai presentear os seus visitantes com a apresentação, em primeira mão, do novo álbum dos Buraka Som Sistema. No dia 2 de Maio, na Ovibeja, vão ser estreadas algumas músicas do novo álbum dos Buraka que ainda estão no segredo dos deuses.
Com muitas novidades na bagagem, os Buraka Som Sistema vão estrear, ao vivo na Ovibeja, algumas músicas do novo álbum de estúdio que foi desenvolvido ao longo de 2013, entre a turnê de Verão passado e os eventos únicos em toda a Europa. Ainda em 2013 a banda estreou no Festival de Cinema de Londres o documentário Off the Beaten Track, realizado por João Pedro Moreira. O filme, que pode também passar na Ovibeja, mostra o percurso que levou os Buraka Som Sistema desde a Amadora aos palcos de todo o mundo e revela ainda como se desenrolou a sua última digressão e de que forma é que se desenvolve o processo criativo do grupo. Para ser descortinado na Ovibeja, o novo disco marca a viagem pela Global Club Music – objectivo máximo da banda.
Bem conhecidos pelas suas performances ao vivo com bastante energia em palco, com efeitos visuais únicos, os Buraka Som Sistema são considerados como fundadores do novo som electrónico Kuduro progressivo. A banda portuguesa, cuja batida selvagem do Kuduro angolano nos clubes de Lisboa, se concretizou como Buraka Som Sistema, teve como primeiro grande sucesso a música "Yah!" em 2006 com a participação de Petty e Kalaf, seguindo-se novo sucesso com "Wawaba".
A banda que vem revelar segredos à Ovibeja é composta por João Barbosa (BRANKO), Rui Pité (DJ RIOT), Kalaf Ângelo, Andro Carvalho (CONDUCTOR), Blaya e Frederico Ferreira. No ar ficam duas possibilidades sobre a actuação dos Buraka Som Sistema nos palcos da grande Feira do Sul: O nome do novo álbum vai ser revelado na Ovibeja? Quantos elementos desta formação vão dar corpo às novas músicas? Um mistério que só os visitantes da Ovibeja e todos os fãs da banda poderão conhecer no próprio dia.
O cartaz da Ovibeja 2014 fica completo com um espectáculo que está a ser preparado pela SIC com “Factor X”, show programado para o dia 3 de Maio. (nota de imprensa)

O Socialismo não tem prazo de validade

O Bloco de Esquerda completou, recentemente, 15 anos de existência. Os seus primeiros 15 anos.
Muitos vaticinaram o seu fim… Muitos continuam a defender esta profecia. Uma profecia que não passa de um profundo desejo de alguns. Um desejo que diz muito do valor e da importância do Bloco de Esquerda na sociedade portuguesa. Porquê? Porque é um desejo que parte, ora da direita incomodada com a acção incisiva, desconcertante e responsável do Bloco; ora de um Partido Socialista que falha a todos os níveis e não consegue, nem quer, ter um projecto socialista para o país, mas que se sente incomodado com o projecto claramente socialista do Bloco; ora da Esquerda Ortodoxa que tem medo de um movimento de esquerda moderno, não acomodado e revolucionário. Um projecto que nunca escondeu que também combate, sem medo, a ortodoxia e o comodismo existente em alguma esquerda do nosso país.
Podia falar-vos das grandes conquistas do Bloco de Esquerda nestes 15 anos. Vou cingir-me a fazer um pequeno resumo das propostas do Bloco de Esquerda na actual legislatura. Sim, uma legislatura, onde o Bloco viu o seu grupo parlamentar reduzido para metade, mas na qual demonstra maior maturidade, competência e responsabilidade. Deputados e deputadas que fazem valer cada voto que lhes foi confiado. Senão vejamos…
O Bloco defendeu através de projectos lei:
  • A gestão pública da água e dos resíduos sólidos;
  • A majoração do subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego para famílias monoparentais;
  • O combate ao falso trabalho temporário e a protecção dos trabalhadores temporários;
  • A criação de equipas escolares multidisciplinares;
  • A diminuição do número de alunos por turma e por docente nos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário;
  • A criação de um programa de pequeno-almoço na escola;
  • Um novo regime de atribuição de bolsas de estudo a estudantes do ensino superior;
  • O estabelecimento de um regime laboral e social para investigadores científicos e pessoal de apoio à investigação;
  • A actualização extraordinária do valor das bolsas de investigação científica;
  • A reposição da taxa do IVA no setor da restauração para os 13%;
  • Um regime especial de comparticipação de medicamentos destinados a portadores de doenças raras;
  • A extinção do pagamento de taxas moderadoras no SNS;
  • A igualdade de tratamento para as listas de cidadãos eleitores aos órgãos das autarquias locais;
  • A adopção por casais do mesmo sexo;
  • O reforço das medidas de proteção às vítimas de violência doméstica;
  • O acesso de todas as mulheres à procriação medicamente assistida;
  • O estabelecimento da mutilação genital feminina e da violação e coação sexual como crimes públicos;
  • A criação de uma taxa travão para acabar com as taxas de juro praticadas pelos bancos;
  • A proibição do apoio institucional à realização de espetáculos que inflijam sofrimento físico ou psíquico a animais;
  • A proibição da exibição de espetáculos tauromáquicos na televisão pública;
  • A legalização do cultivo de canábis para consumo pessoal;
  • A regularização de trabalhadores imigrantes e menores nascidos em Portugal ou a frequentar o sistema de ensino;
  • A ampliação das condições de acesso ao regime de crédito a pessoas com deficiência.
Seria impossível nesta crónica resumir todo o trabalho, toda a proposta, toda a acção.
Apenas pergunto: E se não houvesse Bloco de Esquerda? Quem ficaria a ganhar? Os portugueses não, seguramente…
Até para a semana.

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

domingo, 23 de março de 2014

Matéria par(a)lamentar: nomes dos deputados que representam empresas privadas no parlamento




Entre almoços e jantares vai-se a canalha divertindo


Não vejo senão canalha
De banquete pra banquete,
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem "azête"

Ainda o que mais me admira
E penso vezes a miúdo:
Dizem que o sol nasce para tudo
Mas eu digo que é mentira.
Se o pobrezinho conspira
O burguês com ele ralha,
Até diz que o põe à calha
Nem à porta o pode ver.
A não trabalhar e só comer
Não vejo senão canalha!

Quem passa a vida arrastado
Por se ver alegre um dia
Logo diz a burguesia
Que é muito mal governado,
Que é um grande relaxado,
Que anda só no bote e "dête".
Antes que o pobrezinho "respête"
Tratam-no sempre ao desdém
E vê-se andar, quem muito tem,
De banquete pra banquete.

É um viver tão diferente
Só o rico tem valor.
E o pobre trabalhador
Vai morrendo lentamente.
A fraqueza o põe doente
E a miséria o atrapalha;
Leva no peito a medalha
Que ganhou à chuva e ao vento
E morre à falta de alimento
Quem produz e quem trabalha

Feliz de quem é patrão
E pobre de quem é criado
Que até dão por mal empregado
O poucochinho que lhe dão.
Quem semeia e colhe o pão
Não tem aonde se "dête",
Só tem quem o "assujête"
Para que toda a vida chore,
E em paga do seu suor
Come açordas sem "azête" "

JAIME DA MANTA BRANCA, poeta popular
(Benavila, 1894 – Cano, 1955)

aqui 

sábado, 22 de março de 2014

Este domingo em Évora


Domingo às 16H na SOIR Joaquim António D’Aguiar

Também este sábado, em Évora




Évora: Migas Amigas…e solidárias


A iniciativa Évora Doze Meses de Boa Mesa, que visa dar o devido destaque à excelência gastronómica do concelho de Évora ao longo de todo um ano, prossegue este sábado (11h00 – 16h00) com mais uma ação de divulgação denominada: Migas Amigas.
Trata-se de uma mostra degustativa de seis variedades de migas tradicionais feitas em pleno tabuleiro da Praça de Giraldo pelos formandos do Curso de Cozinha e Pastelaria do Centro de Emprego e Formação Profissional.
Para a degustação, o público participante deve adquirir no Posto de Turismo municipal um conjunto composto por um prato de barro e respetivo pucarinho identificado com o monograma da iniciativa, o qual tem um custo de 3,5€. Com este “kit” o participante pode degustar uma das variedades de migas e beber um pucarinho de vinho. As outras cinco variedades de migas, que serão fornecidas pela Confraria da Moenga, terão um custo unitário de 1,5€. Parte das receitas apuradas reverterão a favor da Associação Pão e Paz.
As Migas Amigas é uma iniciativa co-organizada pela Câmara Municipal de Évora e pela Confraria da Moenga integrada no programa dos Doze Meses de Boa Mesa, cujo objetivo é o da promoção dos sabores e dos produtos tradicionais alentejanos. (nota de imprensa da CME)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Torcionários homenageados pelos "altos e assinalados serviços à Pátria" no pós 25 de Abril.

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Ontem assisti à sessão de debate com Aurora Rodrigues e Diana Andringa sobre o ser-se jovem em Abril de 1974, no Palácio D. Manuel. Presentes muitos jovens e menos jovens, mas particularmente atentos. Foram dois testemunhos relevantes de duas jovens de então empenhadas na luta contra o fascismo. As duas estiveram presas antes do 25 de Abril. Aurora Rodrigues foi barbaramente torturada e agredida. Jovem alentejana nascida em Mértola, mas desde muito nova a viver em Castro Verde, frequentava o curso de direito em Lisboa, quando foi presa e esteve 16 dias em tortura de sono. Hoje magistrada do magistério público em Évora, contou as memórias daquele tempo tenebroso e referiu-se a um PIDE em particular, Óscar Cardoso, que posteriormente viveu na Azaruja, perto de Évora, que aparecia depois das sessões de tortura e das agressões, para falar com ela, tratando-a por você, bem vestido e perfumado, fazendo o papel do "Pide intelectual". Tratava-se, no fundo, dos mesmos instrumentos ao serviço do sistema prisional: a humanização era apenas um expediente para fazer quebrar os presos e extrair-lhes informações.
Aurora Rodrigues disse que esse mesmo PIDE (e outro) tinha sido "agraciado" pelos "altos e assinalados serviços à Pátria". 
O "Diário da República" (acima) onde essa vergonha foi exarada tem a data de 15 de Abril de 1992 e o diploma em causa foi assinado por Cavaco Silva (primeiro-ministro) e por Jorge Braga de Macedo (ministro das finanças). Fica para a memória destes 40 anos do 25 de Abril e, sobretudo, para a história da ignomínia.

Também hoje em Évora

Música


Teatro

Hoje dia 21 de Março e quando se comemora o Dia Nacional de Teatro de Amadores o Grupo Cénico da SOIR Joaquim António D'Aguiar leva à cena mais uma vez sua mais recente produção a peça “Noites de Comédias” com textos de Anton Tchekov e encenação de João Bilou.

Assinalar o Dia Mundial da Poesia com Jorge de Sena


No País dos Sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é e pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

Jorge de Sena
10/10/1973

Inauguração de exposição de pintura esta tarde na CCDRA


“Paisagens sem Fronteiras” é o nome da exposição de pintura organizada conjuntamente pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo - CCDRA, a Eurorregião EUROACE – Alentejo, Centro, Extremadura e a Casa do Pessoal da CCDRA e que será inaugurada hoje, dia 21 de Março, pelas 18 horas na Galeria de Exposições da CCDRA.
A exposição estará patente ao público até ao dia 5 de Abril, das 12h às 15h e das 16h às 19h, nos dias úteis, e aos sábados das 12h às 18h.

Hoje, Dia da Poesia, várias iniciativas em Évora

Biblioteca Pública de Évora


* Mostra Florbela Espanca na Biblioteca Pública de Évora | 21 março - 17 de abril
* Disponibilização do espólio de FLORBELA ESPANCA on-line | 21 de março, poderá consultá-lo aqui
No âmbito da comemoração do diaMundial da Poesia, 21 de março, a Biblioteca Pública de Évora divulga o espólio, que tem à sua guarda, da poetisa alentejana, Florbela Espanca. Poderá conhecê-lo na sala de exposições da BPE e poderá visualizá-lo no nosso site.

Nas ruas da cidade, entre as 10H e as 17H

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dia 21 de março há poesia à solta... Procure-a nas ruas!
Évora com poesia... O Comércio e a Biblioteca abrem portas à inspiração.
Entre as as 10h00 e as 17h00
A Biblioteca Pública de Évora em parceria com a Associação Comercial do Distrito de Évora, e em colaboração com a Escola Secundária Gabriel Pereira e a EB1 de São Mamede, vão "envolver" a cidade em poesia. Os alunos destas escolas irão percorrer algumas ruas do centro histórico, onde vão declamar poesia em espaços públicos e nas lojas aderentes a esta iniciativa. Quem fizer compras nestas lojas poderá levar um saco, muito ESPECIAL... com poesia!

No Palácio D. Manuel, às 18H


No Convento dos Remédios, 18H

Celebração do Dia Mundial da Poesia

Na Junta de Freguesia Bacelo-Sra. da Saúde, 18H


EXPRESSAR A LIBERDADE! - Roda de Poesia
Esta sexta feira, dia 21 de MARÇO a União das Freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde vai celebrar o DIA MUNDIAL DA POESIA com uma roda de poesia com o tema enquadrado nas comemorações de 40 anos de 25 de Abril: EXPRESSAR A LIBERDADE!
Iremos ter a participação de alguns poetas populares da cidade!

Casa da Zorra, 22H


É já esta sexta dia 21 que se comemora mais um dia Mundial da Poesia e é com grande prazer que o convidamos para uma noite de encontros, música e palavra. A partir das 22H o encontro faz-se de leitura e partilha de poesia nas vozes daqueles que connosco quiserem vir partilhar sentimentos feitos palavra. Às 23H o projecto de Música|Poesia com Ze Peps, Florbela Figueiredo e com um convidado especial: Tó Zé Bexiga.

No Armazém 8, às 22H


quinta-feira, 20 de março de 2014

Évora: grupo de Teatro Tierra, da Colômbia, hoje com "El Nano" na BruxaTeatro


Depois de uma fantástica prestação do grupo "El Mura" do Uruguai, hoje mesmo dia 20, às 22H, a companhia Teatro Tierra da Colômbia trás-nos " El Enano" a não perder no espaço da Bruxa Teatro.
"É uma exploração dos labirintos do ser humano, uma reflexão dramática sobre os conflitos que afectam o mundo desde há séculos, ou talvez desde sempre, à hora de cometer a mais grave depravação contra a vida: a guerra, essa besta voraz que nos persegue e nos remete para a nossa própria impotência."

quarta-feira, 19 de março de 2014

Amanhã, em Évora, um debate e um filme que valem a pena



Esta quinta-feira, dia 20, Palácio de D.Manuel , 18h00

Ser Jovem em Abril/ 74- Experiências de Vida com Aurora Rodrigues e Diana Andringa.
Apresentação do Documentário Tarrafal Memórias do Campo de Morte Lenta”

Volta ao Alentejo termina na Praça no Giraldo

Apresentação da Alentejana em Évora: da esquerda para direita: Joaquim Gomes – Diretor de Corrida; Delmino Pereira – Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo; Carlos Pinto de Sá – Presidente da Câmara Municipal de Évora; Hortênsia Menino – Presidente da CIMAC - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central; Pedro Lancha – Vice Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo; Daniel Carreiras da Silva - Vice Presidente Câmara Municipal de Castelo de Vide

A 32ª Volta ao Alentejo em Bicicleta Liberty Seguros realiza-se este mês de março entre os dias 26 e 30. São quase 900 quilómetros de competição que se começam a traçar em Castelo de Vide sendo o vencedor coroado, ao fim de cinco etapas, em pleno centro histórico de Évora. A “Alentejana”, como é intitulada e acarinhada pelas suas gentes, é uma organização conjunta da CIMAC - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central e a Podium.

Resumo Etapas 
1ª Etapa - 26.03.2014 - Partida Simbólica: 11h20 - Castelo de Vide / Marvão - 167km 
2ª Etapa - 27.03.2014 - Partida Simbólica: 10h30 - Sousel / Montemor-o-Novo - 192,7km 
3ª Etapa - 28.03.2014 - Partida Simbólica: 10h35 - Redondo / Mértola - 205km 
4ª Etapa - 29.03.2014 - Partida Simbólica: 11h35 - Odemira / Santiago do Cacém - 159,2km 
5ª Etapa - 30.03.2014 - Partida Simbólica: 11h15 - Alcácer do Sal / Évora - 172,9km

Desde 2010 que a Volta ao Alentejo não "visitava" Évora.

Teatro hoje em Évora, na Bruxa

terça-feira, 18 de março de 2014

Évora: é estranha esta sensação de se estar num fim de ciclo quando ele ainda mal se iniciou


CJ a sua análise parece-me errada, as seitas caraterizam-se pela desmedida e irracional crença em algo que nos é superior, os eborenses situam-se exatamente no pólo oposto, o da descrença, o de não acreditar na palavra dos que os governam.
Os que não aderem às politicas que se definem para a cidade não é pelo facto dos "administradores da polis" estarem noutra corrente politica, é porque existe uma enorme descrença e desconfiança na qualidade das mesmas.
No inicio do mandato da anterior gestão, os eborenses acreditaram e parrticiparam na vida colectiva da cidade o que deixou de acontecer à medida que começaram a ver caír uma a uma as boas razões que os haviam mobilizado.
O que se nota agora, neste inicio de ciclo, é a mesma incapacidade para mobilizar os eborenses, patente na segunda metade do ciclo anterior. É pois estranha esta sensação de que se está num fim de ciclo quando ele ainda mal se iniciou.

Anónimo
18 Março, 2014 12:45

A fome e a vontade de comer


Elias, JN, 18/03/2014

Mistérios e maldições

O Boeing 777 da Malaysia Airlines, que já se considera o caso mais misterioso deste tipo de ocorrência, levou-me a pensar no quanto ficamos incrédulos quando julgamos que temos tudo devidamente controlado num ou noutro aspeto das nossas vidas e, de repente, algo acontece que nos escapa. Espantamo-nos mesmo sabendo que há imprevistos, mesmo sabendo que nunca pessoas poderão controlar totalmente situações ou outras pessoas.
No limite, denúncias, aplicação de leis, revoltas, fugas, revoluções, intervenções diplomáticas ou bélicas, e até simplesmente eleições têm tratado de resolver esse tipo de situações em que pessoas tentam controlar outras pessoas. Já com as falhas em matérias como as tecnológicas, como esta história dos radares que não encontram o avião ou partes dele, ficamos tão desasados que, perante a assunção de um erro para o qual não temos justificação, empurramos a falha para o domínio do misterioso. E fazê-lo é, de facto, assumir a nossa falta de controlo, às vezes óbvia e sem que se tenha de justificar. Tentar corrigir o desconcerto perante a falha é algo que algumas vezes, esfarrapadamente, se faz à custa de coisas que também só no universo do mistério ganham existência. Isto acontece muitas vezes em domínios não tão tecnológicos assim, como o das relações de poder em diferentes níveis, por exemplo.
Ao multifacetado artista e poeta francês Jean Cocteau atribui-se uma frase, que não consegui contextualizar mas que me pareceu oportuna, e que diz o seguinte: «Uma vez que estes mistérios nos ultrapassam, finjamos ser os seus organizadores.» E é assim que muitas falhas são aproveitadas, quer por quem falha para as remeter abusivamente para a zona do mistério, quer por quem esteja mortinho por que alguma coisa falhe e venha recriar maldições póstumas, daquelas em que já não é preciso ser-se bruxo para as fazer.
Parece-me que há quem muitas vezes se aproveite para transformar uma falha, que porque é falha não devia ter acontecido ou estar a acontecer, no tornar-se realidade ou do seu ceticismo sem fundamento ou da sua discordância por uma razão que não aquela por que se dá a falha, mas fingindo que é. Normalmente fala assim quem não age, ou não tem oportunidade de agir, e se coloca na confortável posição de espetador, pois como é sabido “só não erra quem não faz”. Fala assim quem tem dificuldade em colocar-se, benevolamente “fingindo-se” (que é o mesmo que imaginar-se) na posição e nas circunstâncias do outro.
Mas regressemos ao voo 370 da Malásia. Quando eram uma pálida amostra do que são hoje os instrumentos que permitem a busca de um avião desaparecido, não era tanta a frustração perante a incapacidade de agora (não sei como será à hora de ouvirem ou lerem esta crónica) ainda nada se saber. E é nestas situações de falha que há alguns que se tornam precisamente mais injustos com os avanços que a humanidade fez e parecem esquecer o que de pior ficou para trás.
É uma injustiça semelhante que sinto quando oiço aquelas vozes que desancam nos últimos 40 anos da vida em Portugal e sonham com o antes. Mas isso é assunto para outra crónica.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)