terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fazer falar o silêncio: inauguração é já esta tarde

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Em 2012 uma cidadã entregou no Arquivo Fotográfico da CME dois sacos com fotografias retirados do lixo numa das ruas da cidade. As fotografias encontravam-se em péssimo estado de conservação e correspondiam a memórias familiares de um eborense já falecido. 
Eram imagens anónimas e as suas evidências eram apenas aquelas deixadas na fotografia, como o nome do estúdio fotográfico, algumas datas e comentários inscritos no verso, pelo que dificilmente poderiam contar uma história. O seu longo percurso tinha desfeito eventuais elos de ligação, sendo impossível dar-lhe coerência, gerar qualquer narrativa ordenadora do real. Se o fizéssemos estaríamos a produzir, falsamente, uma unidade coerente, onde só existiam fragmentos.
Era, todavia, importante recuperar o prestígio de memórias vernáculas abandonadas e alertar para a importância de pequenas colecções fotográficas, veiculadoras de histórias de vida de homens e mulheres anónimos, cujas estórias permitem recuperar a História de uma comunidade.
A entrega deste conjunto de fotografias conduzia-nos, paralelamente, a questionar aspectos éticos da sua utilização/divulgação pública, bem como a efectuar algumas reflexões teórico/filosóficas sobre a relação lixo/memória/fotografia. Optámos, assim, por lhe dar novos significados, (re)desenhar-lhe percursos inimagináveis, fazer falar o silêncio... 
Partimos, assim, para a realização de uma exposição/instalação, contando com a colaboração do fotógrafo António Carrapato e do escultor João Sotero. António Carrapato (re)fotografou as fotografias recuperadas do lixo em novos contextos, conferindo-lhe novos significados, e João Sotero sublinhou e redefeniu o seu novo significado através de uma instalação efectuada a partir de objectos também recuperados do lixo. 
Évora, Janeiro Fevereiro/2014

Arquivo Fotográfico da CME

6 comentários:

  1. Desta vez tenho que dar razão ao Senhor Frota,o clima na Universidade está bastante pesado,a casa do Saber tornou-se num campo de batalha,grupos,grupinhos....por este andar o Futuro é Negro para a Instituição.

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  2. Eborenses acudam á Universidade.........está a DESFAZER-SE.

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  3. AUSENDA/ANA FREITAS/PINGO..........é preciso CORRER com esta gente.

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  4. FROTA,conta TUDO o que sabes sobre a Universidade,antes do seu ENCERRAMENTO,depois é tarde.

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  5. TOMARA QUE SE DESFAÇA E ENCERRE DE VEZ !
    FORA DAQUI COM OS VANDALOS A QUE CHAMAM ALUNOS ! ! !

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  6. Excelente exposição! Uma ideia extraordinária concretizada por dois dos nossos grandes artistas. Estão de Parabéns! Obrigado João Sotero, António Carrapato e Carmem Almeida (arquivo fotográfico)
    Lurdes

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