sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Petição Pública sobre a Sé de Évora está a circular na Internet


TODOS OS DIAS SE VIOLA A CONSTITUIÇÃO NA SÉ DE ÉVORA 
Por vicissitudes históricas que são conhecidas e que remontam ao início da República, o Estado procedeu à apropriação de diversos bens imóveis pertencentes à Igreja Católica. Concorde-se ou não com o que sucedeu em 1911, a verdade é que diversos templos passaram a integrar o património do Estado, o qual desde então passou a ser responsável pela sua preservação e conservação. 
Mais tarde, numa tentativa de apaziguamento e de normalização das relações entre Estado e a Santa Sé, a Concordata de 1940 determinou que os imóveis classificados como «monumentos nacionais» e como «de interesse público», ou que o venham a ser dentro de cinco anos a contar da troca das ratificações, ficarão em propriedade do Estado com afectação permanente ao serviço da Igreja. 
Mais especificou que à Igreja incumbiria a sua guarda e regime interno, designadamente no que respeita ao horário de visitas. A concordata de 2004 manteve inalteradas estas regras. 
Entre esses casos encontra-se a Sé de Évora, imóvel pertencente ao Estado classificada como monumento nacional desde 23 de Junho de 1910. Ora até 2006, o Estado, através do IPPAR, vinha realizando algumas intervenções de conservação e recuperação deste imóvel, mantendo, igualmente, um funcionário com funções de guardaria. 
Sucede, porém, que a partir deste ano, por decisão unilateral do Cabido, sem audição prévia do Estado - proprietário, relembre-se- as portas do templo encerraram-se aos cidadãos. A entrada passou a ser condicionada ao pagamento de uma importância que reverte para os cofres da Igreja e não do Estado. A destrinça entre visitantes e fiéis passou a fazer-se de forma arbitrária com base na aparência e na indumentária do visitante, em clara violação do princípio da igualdade previsto na Constituição Portuguesa. 
As receitas, desde então, passaram a reverter para a igreja e o imóvel começou em processo de degradação acelerado. É comum encontrar "baldes" espraiados pela capela-mor para recolher a água da chuva que cai em dias de intempérie. 
O próprio destino das receitas que deveria reverter para a conservação e recuperação do imóvel é desconhecido. É nítido que o Estado se demitiu das suas responsabilidades! 
É notório que o Cabido da Sé viola regras canónicas sobre o livre acesso dos fiéis aos templos e descurando, em toda a linha, a conservação do mesmo! 
Estamos perante a maior catedral do país, classificada como monumento nacional, património de todos os portugueses, pelo que não podemos ficar indiferentes à incompetência e incapacidade das instituições de conservarem e protegerem aquilo que é de todos! 
Senhor Primeiro Ministro, Senhor Arcebispo de Évora: É altura de se respeitar a constituição; é altura de se respeitar a Concordata. A conservação e protecção deste património é uma exigência não apenas nossa, mas de todas as gerações.

Para ler e assinar a petição aqui.

12 comentários:

  1. Façam como as pessoas normais , vendam o ouro para pagar obras !


    Quando construiram a Sé pediram fundos comunitarios a quem ?

    Triste Portugal que para pregar um prego na parede precisa de apoios da UE .... e a ver vamos se um dia para comprar papel higienico se não temos de pedir ... PEDIR !!!

    Jorge

    ( ciclista )

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  2. Há muito que eu me interrogo sobre a natureza deste pagamento...
    A igreja ao contrário do que muitos tentam fazer passar é um local onde há grande riqueza e onde as pessoas que nela gravitam (uma grande maioria) tem uma postura pouco cristã. Direi mesmo que a acreditar num Jesus de Nazaré, ESTE ficaria muito tristinho, se cá voltasse e visse os que apregoam a causa cristã, tanto gostarem de arrecadar dinheiro.
    Nunca entendi a enorme riqueza que o Vaticano dispõe.
    Nunca entendi como é que os padres, bispos e outros hierárquicos ligados à igreja dispões de tanto luxo, inclusive belos carros, que fazem inveja a qualquer um que trabalha uma vida inteira e não consegue. É que estes que eu saiba não auferem um salário...
    Em nome de todas estas interrogações, sou uma pessoa agnóstica.
    Nunca vi nada que me permitisse acreditar mais no além, como também não acreditar que ele existe.
    Limito-me a viver uma vida terrena, pautando-me por ser uma pessoa justa, amiga das pessoas, ajudo os que precisam de mim e dentro das minhas possibilidades.
    Se existir uma figura omnipotente tal como a igreja a desenha, certamente também reconhecerá a minha verticalidade como pessoa de bem, ainda que não frequente uma igreja. Este Deus, certamente não estará nada contente com a igreja e o que ela representa: Um antro de corrupção, e de escândalos sexuais.
    que tem sido abafados e perpetuados ao longo do tempo, por todos os que deveriam ser os primeiros a denunciar por estarem mais perto de Deus..
    Pode ser que o Papa Francisco faça alguma coisa sobre esta igreja que cada vez mais afasta os fieis.
    Uma vergonha!...

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  3. Cá por mim, a porcaria da Sé pode cair aos bocados que eu não mexo uma palha.
    Puta que pariu a igreja de hipócritas e pedófilos mais os seus símbolos ridículos e anacrónicos, que só servem para estupidificar ainda mais quem já é estúpido por natureza.

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  4. De facto
    se Cristo fosse vivo
    seria julgado, condenado e crucificado
    unicamente
    pela Igreja Católica.

    (promete aos explorados a recompensa no reino dos céus; cala a revolta das vítimas; promove a servidão e a escravatura; é de facto a igreja do capital)

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  5. A Igreja de Évora está nas mãos de VENDILHÕES do TEMPLO,Todos ligados a opus-dei e extrema -direita.

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  6. A decisão de fazer pagar a entrada na Sé foi tomada em 2006, como muito bem lembra o autor da petição, em tempo de D. Maurílio Quintal de Gouveia como Arcebispo de Évora. Logo na altura, o EXPRESSO (eu e o meu colega Mário Robalo) procurou ouvir o Cabido da Sé sobre as razões subjacentes à mesma, que provocou alguma perplexidade e indignação entre fiéis e visitantes.
    Disponibilizou-se, ainda que visivelmente incomodado, para prestar declarações, o falecido cónego Manuel da Silva Barros que era então o vigário geral da Arquidiocese. As questões que lhe colocámos foram genericamente as que fazem parte do texto da petição, garantindo desde já para evitar especulações, de que NÃO SOU EU o seu autor.
    Manuel Barros adiantou-nos que o Cabido se vira obrigado a tomar aquela decisão para «poder pagar a três funcionários que contratara para efectuar a vigilância e o controlo das pessoas entradas na Catedral a fim de se evitar roubos e desvio de preciosidades no seu interior, como estava a acontecer em muitos templos do Alentejo».
    Abria-se uma excepção para a missa dominical, das 9.30 às 10.30, em que a nave central, o espaço de culto religioso, no qual se podia entrar para assistir, mas apenas quem fosse identificado como frequentador habitual.
    Depois desta conversa, Mário Robalo seguiu para tentar ouvir a Delegado Regional da Cultura do Alentejo, mas este ou esta (já não me recordo quem era) estava ausente, ficando eu com a incumbência de ouvir os funcionários contratados que me confirmaram a necessidade do pagamento do estipêndio por parte dos visitantes para que o seu salário pudesse ser assegurado. Montava ao ordenado mínimo segundo me informaram. Ou seja em dois dias de poucas entradas (30) o problema estava resolvido. O destino das verbas dos restante dias era para eles desconhecido.
    A notícia com todos os pormenores saiu no sábado seguinte, assinada por ambos, no caderno de cultura e com algum destaque.Ninguém na cidade, entre as suas gentes oficiais, se pareceu incomodar muito com o assunto.
    A situação não se alterou em 2008 com a entrada de D.José Sanches Alves para a mitra episcopal e a promoção de Eduardo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração da Fundação Eugénio d'Almeida, a Vigário Geral e a presidente (Deão) do Cabido da Sé e moderador da Cúria Diocesana.
    Antes pelo contrário, adensaram-se os mecanismos para que ninguém se possa esquivar ao crivo inicial sem pagar portagem.
    O tempo foi passando e os protestos crescendo. No local, a revolta entre muitos visitantes ia-se avolumando por não poderem entrar para orar, procurar conforto para a sua alma,ou até mesmo entre as jovens (e algumas até já menos jovens) por não poderem ir pedir a benção, rogar, agradecer ou mesmo doar à Senhora do Ó, padroeira das grávidas.
    Assisti a queixas em catadupa, a comparações odiosas entre o que ali passava e o que se passava noutras catedrais, nacionais ou estrangeiras.«Os padres são uns gosmas,uns gananciosos, só pensam em dinheiro»-ouvi vezes sem conta. Quanto ao celebrante, finda a sua missão, tirava os paramentos, vestia-se «à civil», e saía de fininho como se não tivesse nada a ver com aquilo.
    Esta atitude de desprezo, de não se dignar a fornecer uma explicação cabal e racional, de não ter de dar satisfação a ninguém (nem o próprio Estado através das suas instituições lha pedia)foi lentamente acirrando os ânimos.
    As queixas chegaram aos blogues e culminaram agora, sete anos depois,com a apresentação de uma petição pública, muito bem elaborada, pedindo a reposição da legalidade na Sé de Évora.
    Sou católico assumido, praticante, mas não estou vinculado às decisões das estruturas e ínstituições eclesiásticas que não são conformes à minha consciência ou à minha liberdade e independência de paciência.
    E é por isso que vou assinar a petição.

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  7. Ainda mais estranho é ninguém se incomodar com o facto de unilateralmente Igreja de Évora se ter apropriado de um Património, o Arquivo da Sé de Évora, que é do Estado, que até há pouco tempo era consultado na Biblioteca de Évora e agora pertence apenas ao Cónego Lavajo que o utiliza para seu usufruto próprio, Impondo condições draconianas a quem pretende consultar o espólio, e que não tem acesso a grande parte do mesmo porque nem sequer esta devidamente inventariado.

    Triste cidade esta em que ninguém dá sequer por mais este abuso. Incomodam-se e com razão pelos euros que pagam na entrada do templo, mas com a tomada de posse unilateral de um património de Estado já ninguém se importa...

    Se eu fosse eborense, já teria feito alguma coisa.

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  8. 23: 57min

    Não é só aqui que as pessoas não se importam.

    E importam-se com o abuso destes governantes, que tratam os portugueses a baixo de cão, com todo o respeito que tenho por estes últimos?...

    O país está adormecido, lamentavelmente.
    Com mais um saque que este governo fez com os ordenados e pensões da função pública, o país era para estar neste momento na rua a abanar com o governo e a exigir explicações por tudo isto.
    Vê alguém a fazê-lo?
    Ao que parece em frança já despejaram uma camioneta de esterco de cavalo em frente ao parlamento por o Hollande falar em austeridade e as medidas apresentadas lhe cheirarem mal.
    E aqui?
    Aqui neste triste país, o líder do partido do governo, para mostrar que ele é quem manda na vida das pessoas inventou nas últimas horas um referendo sobre a co adoção, pois é o que está a preocupar o país neste momento...
    Um país desgraçado que está pior que no tempo do Salazar. Já começo a pensar que Salazar ao pé deste governo era um querido.
    Ainda hoje no jornal da noite num dos canais, passou uma reportagem sobre o que se passa no poder local: Câmaras que levaram para lá a família. Um dos presidentes levou a filha para sua assessora. Outro levou o filho a ganhar 2 mil e tal euros/mês. Outra presidente levou o companheiro e outros levaram outros. Todos já vinculados ao estado.
    Uns não quiseram falar à reportagem sobre o assunto. Outros apareceram com toda a lata a dizer que não tem qualquer mal, e que não encontraram pessoas mais competentes...
    Mas a isto chamam país?...
    Isto é um estado de direito?...
    As pessoas continuarão a estar na disposição de ir colocar o seu voto para empregar estes bandidos corruptos?
    Por esta razão, o país chegou ao fundo.
    A máquina de interesses partidários é tal que só já funciona como um objetivo único: Garantir empregos seguros, muito bem pagos e para sempre, a indivíduos, que se desconhece o mérito e que nem sequer tem que prestar exame, tal como é exigido aos professores que são perseguidos quase por toda a população portuguesa com fama de serem incompetentes e não quererem prestar provas.
    E estes? Não precisam de exame?
    Estes nascem com uma competência nata?
    E o concurso público para estes lugares de assessores ou outros lugares nas câmaras e autarquias?
    Não seria normal o concurso ser feito, estar na net para que as pessoas pudessem consultar/comparar e ver o currículo de todos os candidatos?
    Os portugueses exigem que se faça assim? Não!
    Somos pouco exigentes e não há poder crítico que possa ter substância suficiente para que se altere. Enquanto isto, o país vai ficando cada vez mais pequenino limitado para uns, e numa outra dimensão completamente diferente para outros.Outros que o ganham, sem qualquer esforço ou mérito, apenas porque um belo dia se inscreveram num partido político e aprenderam a cavalgar as rédeas de um poder que seduz, que oferece o que em situações normais seria inalcançável...
    Resumo dizendo:
    Nojo!!!...

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  9. Os bispos não são imunes a esta típica tentação – talvez a menos grave, mas nem por isso a menos prejudicial – daqueles que têm certo poder no mundo: a de cercar-se de um grupo de protetores cuja única assessoria é bajulá-los, e que só servem para afastá-los da realidade, ou seja, do seu povo.(Papa francisco)

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  10. Relativamente ao arquivo da Sé é matéria para ser certamente tratada pela nova directora da Biblioteca. Os fundos nacionais não podem ser da esfera do Estado sem devido título. Se o forem podem facilmente ser resgatados com recurso às vias legais!

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  11. 10:27


    Linguagem encriptada... Podia trocar por miúdos o que quer dizer? É que em relação ao repositório do Arquivo da Sé, há apenas um despacho do Dantas, o tal do manifesto do Almada negreiros, a dizer que a Cabido da Sé fica Fiel Depositário, mais nada...

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  12. Se o título que permitiu que a transferência do arquivo para uma entidade terceira é apenas um contrato de depósito - e interessaria ler o respectivo teor- é algo de muito precário pelo que pode facilmente ser reivindicado se existir interesse por parte do proprietário Estado através da Biblioteca Pública. Existe interesse?

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