sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O EXAME DOS PROFESSORES E DOS POLÍTICOS


Neste país surrealista em que vivemos, assistimos agora à negação pelo próprio Ministro da Educação, ao criar uma prova extra, de todas as formações e qualificações que o Ministério que dirige concedeu, ao longo de anos e anos, quer através de instituições de ensino superior, quer através dos institutos politécnicos. Isto sem sequer suscitar qualquer hipótese, ainda que vaga, de reestruturar, alterar ou até fechar alguns dos cursos e das instituições de que parece agora duvidar. 
Sem coragem para atacar os interesses instalados em muitas universidades privadas, em variados institutos politécnicos e outros ainda piores, onde muitos políticos do PSD têm o seu tachinho, prefere atacar os fracos, simulando assim uma atitude de rigor e exigência. 
Rigor e exigência seria ter a coragem de encerrar muitas dessas universidades privadas e intitutos politécnicos, verdadeiras fábricas de desempregados, onde durante anos e anos se vendeu gato por lebre, onde os governantes desempregados, quando “caem” na oposição, vão fazer um bico enquanto não chega a hora de “ir novamente ao pote”, muitas delas ligadas a escândalos de que todos nos lembramos bem, como é o caso da Moderna, da celebérrima Independente e, mais recentemente da Lusófona com o estranho caso Relvas e não só. Isso sim, é que seria rigor e exigência, coragem e discernimento.
Em vez disso, assistimos à criação de um exame absurdo e completamente destituído de sentido que não resolve nada a não ser a necessidade do Ministério reduzir o seu orçamento, despedindo pessoal. Mas isso poderia ser feito com alguma dignidade quer para o Ministério, quer para os professores, o que não é o caso.
Temos assim um Ministro que tem a mania dos exames para resolver tudo. Penso que o que ele deveria fazer era aplicar esta solução aos seus colegas de governo. Esses sim, é que precisavam de fazer exame, a começar pelo Primeiro que, embora tenha entrado na Universidade Pública, que abandonou certamente por as coisas aí não lhe correrem bem, acabou por optar pela facilidade das privadas para concluir o curso em 2001, aos 37 anos de idade, na Lusíada. Isto é que são bons alunos! Deve ser este percurso académico de sucesso ( a fazer vagamente lembrar o do “outro”) que lhe dá autoridade moral para que o Ministro da Educação do seu governo venha agora impor aos professores, alguns formados em universidades muito mais sérias e exigentes, mais um exame extra. Acho que o ministro Crato deveria começar por lhe apresentar um exame de Direito Constitucional, cadeira que, por razões óbvias, ele nunca fez. 
Em seguida, podia continuar a aplicar a medida à sua própria equipa, já que o Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, licenciado também numa privada, a Lusófona, já nossa conhecida do caso Relvas, e uma das piores do país, foi ele próprio orientador de estágio e professor nos cursos de pós-graduação na área da educação na Universidade Fernando Pessoa, outra privada. Este senhor omite sistematicamente nos seus elementos biográficos o ano da conclusão da sua licenciatura e a média final. Mas podemos fazer contas: se nasceu em 1957 e a Lusófona só foi fundada em 1986, mesmo que seja da primeira fornada, terá concluído o curso em 1990, isto é, com 33 aninhos de idade. Deve ser isso que fez dele um génio talhado para funções dirigentes no Ministério da Educação. E é entre gente desta que o Ministro Crato, cujo lema é rigor e exigência, recruta o seu staff. Se Crato se reserva o direito de duvidar das habilitações dos professores, não deveria então duvidar também da formação destes senhores, formados nos mesmos sítios e eles próprios formadores dos professores agora sob suspeição? 
Também o Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, conforme consta do seu currículo, publicado em Diário da República de 22-11-2013, foi formador de professores desde 2001 e Director do Centro de Formação de Professores Leonardo Coimbra entre 2002 e 2011, tendo como formação superior um Curso de Estudos Superiores especializados em Administração Escolar, tirado no Instituto Superior de Ciências Educativas, concluído em 1993, aos 35 anos, depois de ter tirado o Magistério Primário em 1980. Intrigada com esta misteriosa formação do Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, fui investigar na Net o que era o Instituto Superior de Ciências Educativas e descobri que se trata de um Instituto Politécnico, em Ramada-Odivelas, fundado em 1984( dos tais que floresceram sob o cavaquismo) e, ao que parece, já extinto, que fazia formação na área da Educação, Desporto e Turismo basicamente, oferecendo um curso de Formação de Formadores ao lado de uma especialização em Gerontologia. Afinal o Secretário de Estado que, numa atitude de rigor e exigência, exige aos professores um exame adicional, tirou o seu curso superior aos 35 anos, num politécnico em Odivelas. Depois, fez um mestrado na Universidade Portucalense, outra privada, em 2007, e na mesma Universidade fez a parte curricular de um doutouramento em Educação em 2008. Esta gente gosta de estudar é nas privadas e nos politécnicos. Fazem licenciaturas relâmpago, mestrados e doutoramentos em três tempos, ora são formadores, ora são formandos, no intervalo vão fazer uma perninha numa Direcção Regional ou num gabinete de estudos, tudo muito bem pago, é claro, que esta gente gosta tanto de canudos como de dinheiro ( de saber é que nem por isso) e agora, ao fim de dez anos ou mais a viver no sistema, no qual se formaram e foram formadores, vêm pô-lo em questão, arruinando a vida dos outros, nunca a deles, é claro. Afinal o staff que o Ministro Crato elegeu para o seu gabinete, tem todo o seu passado ou nas privadas ou em institutos politécnicos. Podemos então concluir que o Ministro Crato desconfia desta gente para ensinar no Ensino Básico mas vê nela capacidades para dirigentes ministeriais e é aí que vai afinal recrutar o pessoal do seu gabinete ministerial. Não dá para perceber. Era com isto que Crato devia acabar mas afinal é isto que promove no seu gabinete. O caso do ministro Crato, à volta do qual se haviam gerado tantas expectativas, confirma cabalmente a máxima, tanta vezes citada, de que o poder corrompe. 
Ficamos nós a saber que é esta gente que nunca fez uma licenciatura a sério, que nunca passou por um estágio, que se limitou a fazer cursos manhosos e tardios em instituições obscuras e sem prestígio, com médias que eles próprios se envergonham de confessar, a mesma que vem agora despudoradamente exigir aos professores que façam mais um exame adicional . Ficamos também a saber que é este tipo de gente que pulula nos gabinetes ministeriais, vivendo luxuosamente e com toda a pompa à custa do contribuinte pagante, cuja vida destroem a cada dia que passa.
Alíás mais de metade do governo vem das universidades privadas, como é o caso do Primeiro Ministro, da Ministra das Finanças ou da Ministra da Justiça, o que pode explicar o fraco desempenho governativo, o vazio de ideias, a ausência de um verdadeiro debate de ideias, a falta de visão estratégica para o país ou a falta de uma cultura humanista, centrada na pessoa humana. E sejamos claros e digamos as coisas sem rodeios: eu, que nasci em 58, sou da geração que teve de lutar contra o “numerus clausus”. Quando me candidatei ao Ensino Superior, pelo fim dos anos 70, não havia privadas. Foi por essa altura aliás que surgiu a Universidade Livre, da qual nasceu mais tarde a Lusíada. Eu própria, receando o numerus clausus, procurei essa universidade mas, percebendo, apesar de ser muito jovem, que aquilo não passava de uma banca de negócios, saí daquele edifício, situado então nas Picoas, com a firme decisão de ir para casa estudar afincadamente a fim de passar o então Exame de admissão ao Ensino Superior, entrar na Pública e fazer um curso com seriedade porque comprar um diploma à custa do dinheiro dos meus pais não era coisa que me interessasse. Cedo aprendi que não devemos escolher o caminho mais fácil. Assim, depois de meses de estudo, passei o exame de admissão, entrei na Faculdade de Letras e aí fiz a minha licenciatura tendo como docentes os grandes nomes da literatura em Portugal. Achava eu na altura que os mediocres não iriam longe na vida mas agora, que já não há Soares nem Cunhal, eles apanharam a cadeira do poder vazia e, descaradamente, sentaram-se nela, ainda que não tenham estatura para ela. Portanto, quer enquanto estudante, quer mais tarde como professora, sei bem que quem procurava ou procura este tipo de escolas são os alunos fracos que não conseguem entrar na Pública ou, quando o conseguem, não se conseguem depois aguentar, como é o caso de Passos Coelho que, embora tenha entrado na Pública, não se aguentou e foi acabar o curso, anos mais tarde, na privada, já perto dos 40 anos. Percurso típico do aluno fraquinho, que só vai acabar o curso porque precisa de se afirmar lá na empresa e um canudo dá sempre jeito. O título é o que os move, não o conhecimento. Fazem tudo por um canudo, menos queimar as pestanas. 
Contudo, e apesar de tudo isto ser muito triste e mesmo deprimente, o caso mais aterrador parece-me ser o do Ministro Mota Soares, que se formou na Universidade Internacional, considerada, a par da famosa Independente, a pior do país e fechada compulsivamente pelo Governo em 2009. Pois foi aí, na pior Universidade do país, que o Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social fez a sua licenciatura com uma mediazinha de 11(onze!!!) valores. Não há dúvida que tem perfil ministerial !! E é este génio, sem qualquer preparação técnica, com meia duzia de cadeiras feitas a trouxe-mouxe, quem comanda os destinos dos desempregados e dos reformados deste país. Isto é absolutamente assustador, ainda por cima com os graves problemas que ameaçam a Segurança Social.. 
São personagens perfeitamente queirosianas a mostrar que Portugal continua um país, inculto, falhado, iludido e desacreditado, incapaz de se regenerar, a soçobrar, exangue, sob as sanguessugas que o asfixiam. É afinal esta gente sem background, sem cultura, sem competência, sem estrutura intelectual (ou outra) que está a destruir segura e paulatinamente, perante a nossa passividade, aquilo que a geração anterior, a que passou pela guerra colonial, a que lutou contra a ditadura, a que sofreu o exílio lá fora, construiu muitas vezes com prejuízo das suas carreiras e vidas pessoais. É esta geração, que cresceu placidamente à sombra da democracia, que acalentámos indulgentemente durante anos nas escolas portuguesas, formada nas universidades privadas do cavaquismo, sem competência técnica nem cultura humanista, que hoje destrói aquilo que a sociedade europeia do pós-guerra e a geração que lutou contra o nazismo construiu a pulso, provocando um retrocesso social que nos atira de novo para a pobreza do séc.XIX, com a precaridade no trabalho, a exploração laboral, o desemprego, a emigração, a falta de assistência na saúde e na velhice. 
E pensar que foi o povo que lhes entregou a cadeira do poder, depois de a ter entregue a Sócrates e depois de eleger Cavaco, para dizer de cada uma das vezes que afinal foi enganado. Apetece-me citar aqui alguém que disse: “ Se há um idiota no poder, os que o elegeram, estão bem representados.” 

Maria do Rosário Capoulas Santos
Professora aposentada (texto enviado por email)

16 comentários:

  1. O Futuro é dos idosos
    Hoje pelas 9.00 no largo de S. Domingos um casal de octogenários descarrega uma camioneta de fruta e hortaliça de cultivo próprio para um comércio.
    Desconheço se é por necessidade ou se é para ajudar filhos e netos desempregados, todavia o que choca é que este casal, com tão profeta idade devia descansar, passear, foi para isto que foi feito o 25 de Abril há 40 anos?
    A direita roubou o sonho a 10 milhões de portugueses

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  2. O Futuro é dos idosos
    Hoje pelas 9.00 no largo de S. Domingos um casal de octogenários descarrega uma camioneta de fruta e hortaliça de cultivo próprio para um comércio.
    Desconheço se é por necessidade ou se é para ajudar filhos e netos desempregados, todavia o que choca é que este casal, com tão proveta idade devia descansar, passear, foi para isto que foi feito o 25 de Abril há 40 anos?
    A direita roubou o sonho a 10 milhões de portugueses

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  3. A caridadezinha voltou pela mão da direita e de uma certa igreja beata........a sopinha dos pobres e de novo a "irmandade" a gerir a saúde dos pobrezinhos........Portas,Paulos Macedos,Robalos todos afinados com as politicas salazarentas.

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  4. Façam exames aos professores catedraticos que se reformam das Universidades com perto de 5000 euros e deixam passar alunos com sabedoria inculta !


    O Crato aplica aos professores o que fazia na TV aos gaiatos pequenos ...

    " temos duas bananas se der uma , com quantas fico ? "

    Chama-se a isto histórias de almanaque !

    Jorge

    ( ciclista )

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  5. Não li tudo o que a Senhora Capoulas Santos aqui diz, porque não tive paciência, todavia porém, li de atravessado e percebi o seguinte:

    Tem razão quando fala da classe política incompetente.

    Mas o que não pode esquecer é que essa classe política foi licenciada por todos nós,professores ou não.

    Mas o que não pode esquecer também, é que grande parte dos professores, sobretudo os mais velhos agora à beira da reforma,ou já reformados,são aqueles que, quando lhes foi exigida uma avaliação de modo a verificar-se a sua responsabilidade profissional e bem assim as condições para que fossem promovidos na carreira, esses professores aliaram-se (uma vez na vida) aos sindicatos para dizerem em Lisboa entre os tais 100 mil manifestantes, que NÃO QUERIAM SER AVALIADOS.

    E porque não queriam ser avaliados?
    Pela simples razão de considerarem que não necessitariam de reciclar os seus «dossiês de trabalho» relativos à disciplina que leccionam.

    E porquê? Por considerarem que o seu estatuto de docente é imaculado pelo facto de eventualmente terem feito um estágio integrado, ou terem 30 anos de serviço docente.

    NADA MAIS ERRADO!!

    A maioria desses professores,(sobretudo os mais velhos) são os principais responsáveis pela dormência em que o ensino entrou
    neste país, pela dificuldade que tiveram ou têm de inovar,criar,questionar, leccionando a «sua disciplina» como quem cumpre a tarefa de manga de alpaca numa qualquer repartição do Estado.

    Depois lá vem a ladainha,ou a conclusão estatutária de que os alunos «estão mal preparados», remetendo-se sempre a culpa para os professores de ciclos anteriores.
    Esses alunos crescem,vão para as universidades e alguns chegam a ministros incompetentes e irresponsáveis, feitinhos à imagem dos ensinamentos que lhes ministraram.

    E então?Que era de esperar?

    Na minha terra diz-se que há por aí muita gente, que só se lembram de Stª Bárbara quando faz trovões.

    Emanuel

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  6. Não li tudo o que o sr. Emanuel escreveu proque é muito longo e o português um pouco arrevezado. Mas pelo que percebi ele é capaz de ter razão no primeiro aspecto e não no segundo. Ou ao contrário, como quiserem. Também na minha terra se costuma dizer que não há fumo sem fogo. Mas que isto dos profesores terem que fazere exame é uma grande treta.

    Rita

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  7. Não podia estar mais de acordo com o texto.

    O que também não é normal é os comentadores da nossa praça, sejam eles jornalistas, políticos, ou economistas irem comentar sobre a avaliação dos professores, dizerem à boca cheia quase em jeito de provocação e misturando algum cinismo com ignorância (pois não sabem o que se passa na escola pública) que os professores não querem é ser avaliados.
    Porque não são eles igualmente exigentes com os políticos e não pedem um exame para exercer funções no estado?
    Afinal é uma responsabilidade menor? Quem são aqueles jovens que ascendem ao poder acabados de sair das universidades sem se conhecer qualquer currículo e prova dada de mérito?
    Quem levou Portugal à banca rota foram pessoas que, ou não percebiam de economia, de gestão, de planeamento entre outros, ou arruinaram o país deliberadamente para satisfazer egos pessoais e políticos, ascendendo sem qualquer esforço na esfera social.
    É inconcebível e dá-me nojo quando ouço sempre os mesmos sábios da era moderna a falar mal dos professores por estes não acharem justa a avaliação ou esta afronta de exame que lhe querem servir de bandeja.
    Exijam exames para os políticos. Esses sim, uma grande parte é corrupta adquiriu o canudo sem qualquer trabalho ou esforço.
    Porque não hão-de os políticos fazer um exame na área da pasta que lhe é dada?
    Porque tenho eu que acreditar que aquele homem ou mulher eleito
    tem sabedoria/competência para o cargo que lhe é conferido?
    Tudo é muito relativo na vida.
    Acredito cada vez mais, que cabe aos cidadãos exigirem novas formas de eleger pessoas, de sermos governados.
    Penso que as linhas orientadoras de uma grande mudança deve ser dada a conhecer antes das eleições. Deveriam ficar inscritas num documento, com conhecimentos de todos os representantes dos partidos e jamais poderiam ser alteradas.
    Os eleitores estão cansados de serem utilizados. A partir do momento em que depositam o voto deixam de existir e um novo país surge, contra a vontade duma grande maioria de pessoas. Éjusto tudo isto continuar assim?
    Até quando as pessoas vão aguentar este achincalhamento a todas as classes sociais e principalmente à classe média, esta, uma parte do motor da economia?...

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  9. Licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa onde depois obteve o grau de Mestre em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas. Doutorou-se em 1992, em Matemática Aplicada na Universidade de Delaware, Estados Unidos. Foi professor na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, no Instituto Superior de Economia, na Universidade dos Açores, no Stevens Institute of Technology e no New Jersey Institute of Technology. É desde 2000 professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é catedrático de Matemática e Estatística. Foi também Pró-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa.

    Depois de ler o post, percebe-se que existe de facto um padrão. Faço também eu um pouco de serviço público até porque o Nuno Crato tem um percurso que é, para mim, um dos + intrigantes nos actuais protagonistas da política à portuguesa (o Nuno Crato licenciou-se com a nota de 14 valores, no ISEG). Em cima está um excerto da sua página *higienizada* na Wikipédia em que, feitas as contas, o padrão se repete (na idade e no facto de ser a sua média final pouco + do que sofrível).

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  11. Adenda. Embora tenha sido escrito por um apaniguado, em 2011, subsiste um post intitulado Nuno Crato: um liberal que nasceu para a política no seio do maoismo onde se conseguem perceber alguns dos seus passos no ISEG. O blog original era de um professor e, aparentemente, desapareceu... mas deixou rasto.

    «[...] A juventude e o início da vida adulta de Nuno Crato foi passada no Instituto Superior de Economia, hoje ISEG, uma escola de elite nos estudos económicos e financeiros integrada na Universidade Técnica de Lisboa. Foi lá que se licenciou em Economia em 1981. Nasceu em 1952, licenciou-se aos 29 anos. Não foi rápido a concluir a licenciatura. De seguida, fez o mestrado em Métodos Matemáticos para a Gestão de Empresas, igualmente no ISEG. O hiato entre o final da licenciatura (1981) e o início do mestrado (1985) foi preenchido a fazer muitas coisas, entre elas a docência de matemática numa escola secundária dos Açores.
    Logo depois de concluir o mestrado parte para os EUA para estudar matemática aplicada na Universidade de Delaware onde se doutorou em 1992. Regressa a Portugal para ensinar matemática aplicada no Instituto Superior de Economia, hoje ISEG. Faz a agregação em 2002 e acede a professor catedrático uns anos depois.»

    Idem, sobre o seu passado político.

    «Frequentei a Universidade de Lisboa entre 1973 e 1979. Não me cruzei com Nuno Crato porque eu me movimentava entre a Faculdade de Letras, a Faculdade de Direito e a Faculdade de Ciências. Entre a Cidade Universitária e a Rua da Escola Politécnica. Mas sou amigo de colegas do Nuno Crato quando jovem estudante.
    Partilharam com ele muitos plenários, distribuição de panfletos e manifestações contra a guerra colonial, o "fascismo" e contra o ensino "burguês". Naquela altura, os estudantes radicais distribuíam-se por dois movimentos políticos: a União dos Estudantes Comunistas, na altura apelidados de "revisas" e os maoistas. Os últimos, maioritários no ISE, na Faculdade de Direito e na Faculdade de Ciências, dividiam-se entre os que integravam a Federação dos Estudantes Marxistas Leninistas e os chamados "Pops", da lista "Uma escola ao serviço do Povo", o braço estudantil do Partido Comunista Reconstruído, de inspiração albanesa. Henver Hosha e Mao Tzé Dong eram os gurus do movimento estudantil maoista. Nuno Crato alinhava com os "pops", o braço estudantil do PCR que, mais tarde, estaria por detrás da UDP. Nessa altura, Nuno Crato era um estudante maoista. [...]»

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  12. Mas que parvoíce é esta de virem agora para aqui mandar abaixo o desgraçado do Nuno Crato?

    Mas que mariquice e bufaria é esta?

    Mas alguém tem dúvidas que a maioria dos professores(maior do que se pensa) tem um saber compartimentado,relativo,culturalmente insuficiente e estagnado?

    Mas alguém tem duvidas que muitos professores seriam eliminados numa prova de cultura geral básica e que em relação às matérias que leccionam pouco ou nada evoluíram?

    Pois eu sabendo bem do que falo , direi que não tenho dúvidas nenhumas e sou absolutamente favorável à avaliação rigorosa e competente dos professores.

    E já agora, alguém viu os sindicatos de professores alguma vez exigirem qualidade de ensino ( e não quantidade de ensino) nas nossas escolas??

    Acordem e abram os olhos porque estamos todos a ser ludibriados com falsos argumentos.

    Emanuel


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  13. E já agora Emanuel quem é você com tão enorme carga de sapiência para julgar os demais?
    Duvido sempre de pessoas fundamentalistas. Você pelo que leio é um deles.
    Peça exame aos políticos que lixaram o país. Peça que os professores que estão nas universidades deiam aulas apenas onde estão, cumprindo datas e horários e não andem a correr pelo país a ganhar rios de dinheiro. Mais, muitos até para fora vão. Como é possível professores universitários estarem em tanto lado a dar aulas?
    Peça igualmente maior justiça para o que se passa a nível de médicos, que estão poucas horas nos hospitais públicos e dedicam-se ao privado na maior parte do dia até altas horas da noite.
    Peça exames par os incultos dos políticos que ascendem onde estão comprando licenciaturas aos amigos que proliferam por muitas universidades. Sabe do que estou a falar, pois é publico.
    O Emanuel parece ser uma pessoa pouco informada e defensora da classe política vigente. Certamente será dos que está a beneficiar.
    Homem, não faça dos outros palermas, porque você sabe muito bem onde é que esta avaliação leva assim como os exames.
    Já agora: Dê-me nomes dos professores que foram avaliados pelos colegas e que tiveram notas de Bom, Muito Bom e Excelente. Progrediram na carreira? Destacaram-se dos outros? Diga!!!
    Fale criatura!...
    Pessoas como você dão-me pena porque expiram cinismo e desprezo para cima de todos. Certamente não será uma pessoa feliz na vida e terá alguns problemas por resolver, que só você saberá...
    Concentre-se nos políticos que foram eles que arruinaram o país e o puseram na banca rota, não os professores que você diz serem incultos, e impreparados.

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  14. E. de Manuel: é claro que o E. não sabe do que fala, nem quer saber, porque terá provavelmente por ambição encher chouriços nos blogs (porque, no fundo, é sempre da + básica ambição, da guerra de todos contra todos, que nos falam os *empreendedores* menos qualificados do eleitorado PSD/CDS, não é verdade?). Nada sabe, nomeadamente, da desgraçada avaliação que é hoje feita sobre a acção de Nuno Crato à frente do ME relativamente ao ensino superior ou à FCT. Eis um exemplo (para que saiba): André Freire que, no caso, vem das ciências sociais, explicou nas páginas do P. alguns pontos da agenda ideológica do Cratismo e de quem o acompanha num elucidativo artigo intitulado Nuno Crato: o facilitismo e a cruzada ideológica.

    «Resumindo, a confusão que grassa na FCT, sobretudo em matéria de CSH e não só (vide a contestação do concurso investigador FCT 2013), deve-se a orientações políticas da tutela de valorização das instituições privadas, passando por cima de vários critérios meritocráticos básicos (ao nível individual e/ou institucional), que revelam que a tutela não está nada preocupada com a excelência, está antes obcecada em cumprir uma determinada agenda ideológica, a qualquer custo. De caminho, há ainda uma visão tecnocrática de menorização das CS&H e de desvalorização e instrumentalização dos órgãos de topo da FCT. Semelhante padrão de favorecimento e de dualidade de critérios encontra-se também no ensino secundário: no público, é precisa uma prova para selecionar os melhores para a profissão docente, no privado, não; as escolas públicas são afogadas em regulamentação paralisante, as privadas vivem numa cada vez maior desregulação; há liceus históricos de Lisboa literalmente a cair e a escola pública conhece sucessivos apertos orçamentais, mas para o privado há sempre mais e mais dinheiro.»

    Pode ler-se aqui (colar no browser, se necessário): www.publico.pt/sociedade/noticia/nuno-crato-o-facilitismo-e-a-cruzada-ideologica-1618706

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    1. Chama "agenda ideológica" a querer libertar a educação do monopolitismo do Estado? Havendo concorrência de escolas avaliar-se-ão os professores. Com naturalidade e não por processos ridículos que não avaliam nada. É a concorrência que (quase) todos temem. por tal, falam (hipocrita e ridiculamente) em "escola pública de qualidade". Tal escola serve para perpetuar o dilitantismo, a cultura geral do "burro carregado de livros", o conformismo cultural que um dia foi de "direita" e hoje é de "esquerda". Mas sempre conformismo, mediocridade, esta sim a agenda ideológica de uma maçonaria eterna que aspira a dominar o mundo.

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    2. Chama "agenda ideológica" a querer libertar a educação do monopolitismo do Estado? Havendo concorrência de escolas avaliar-se-ão os professores. Com naturalidade e não por processos ridículos que não avaliam nada. É a concorrência que (quase) todos temem. por tal, falam (hipocrita e ridiculamente) em "escola pública de qualidade". Tal escola serve para perpetuar o dilitantismo, a cultura geral do "burro carregado de livros", o conformismo cultural que um dia foi de "direita" e hoje é de "esquerda". Mas sempre conformismo, mediocridade, esta sim a agenda ideológica de uma maçonaria eterna que aspira a dominar o mundo.

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