terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Batotices

Dizia o Émile Voltaire que "fazer batota ao jogo e não ganhar, só de um tolo." O que assistimos na semana passada na AR não foi mais do que uma imensa e pública batota ao abrigo da democracia. Não foi uma ilegalidade, mas foi uma jogada pouco limpa em nome da escolha, que é também uma das regras da democracia, essa que, não sendo a perfeita forma de governo é a melhor, a que temos e a que temos obrigação de aperfeiçoar, os que governam e os outros, diariamente, se não quisermos cair em coisa pior.Podia, mas não vou falar, da tremenda injustiça que o vazio de uma lei que permita a co-adoção e adoção por casais do mesmo sexo. Injustiça para crianças já nascidas nesta situação familiar ou à espera em orfanatos. Injustiça perante a desigualdade de duas crianças, uma em situação de casal heterossexual, mesmo não tendo sido um deles o progenitor, outra num casal homossexual, permitindo-se a uns perfilhar e a outros não.Vou antes falar desta batota no jogo político, entendido este, nesta crónica, como o exercício entre poder e contrapoder, seguindo as regras estabelecidas, uma delas que dá a uns maior responsabilidade na prossecução do objetivo final, mas indeterminado no tempo, de cuidar e legislar no sentido de que o bem e interesse públicos sejam defendidos. Jogo também, já que os jogadores são julgados vencedores ou vencidos, não apenas pela História, que demora, mas pelos populares que escolhem os jogadores e lhes alteram as posições, em determinados momentos a que chamamos eleições. Os tabuleiros de jogo são vários. No nosso caso português vão do local ao europeu passando pelo nacional. E é por isso que devemos tentar que nos expliquem o melhor possível as regras, para que a nossa escolha seja a mais consciente com os nossos princípios, no momento principal, e talvez único, em que somos de facto ouvidos para entrar nesse “um dos jogos” que nos governa (noutros não temos, pela nossa condição humana a que se chama Vida, grande hipótese de escolha).
Assim vistas as coisas, a importância da escolha assume um aspeto assustador, a que muitos fogem, com argumentos em meu entender pouco válidos ainda que legítimos, já que, como sabemos, o voto não é obrigatório, sendo um dever, e a contestação é um direito de todos e usado por muitos em formas e doses diferentes. Regras… que se podem sempre mudar, entenda-se, dentro de outras regras maiores a que normalmente chamamos princípios.
Ora, ao que assistimos na semana passada foi a uma jogada batoteira, já que se uns estavam a levar o jogo a sério, outros houve que, vendo-se na eminência de uma derrota na jogada, resolveram usar uma estratégia que, na opinião de todos ainda que na decisão final do PR e do TC, evitasse essa derrota ou, pelo menos, a adiasse. A batota é isso mesmo. É quando num jogo uns o levam a sério, jogando com astúcia a sua melhor maneira de o ganhar de forma limpa, e os outros, os batoteiros, não. Perguntarão os senhores como é que tendo maioria os que fizeram batota estavam em risco de perder. Fragilidades no grupo, talvez. Até podia ser, mas não julgo que seja a única razão. Divergências de opinião nestes grupos, a que se chamam normalmente partidos, são comuns e, reconhecendo-se mais nuns no que noutros, poucas vezes são as causas de derrotas fora do grupo, mesmo se também neles haja jogadas tão pouco claras como esta batota. Mas, enfim, essas são lá com eles, que as resolvam entre si e com a consciência ética, e às vezes até moral, de cada um e uma. (Breve parêntesis para dizer que a moral incorpora as regras que temos de seguir para vivermos em sociedade e determinadas pela própria sociedade; a ética reflete sobre as regras morais e essa reflexão pode inclusive contestar as regras morais vigentes, entendendo-as, por exemplo, como ultrapassadas.)
Não esquecendo a frase de Voltaire, ela aplica-se a este tipo de jogada, que pode fazer ganhar tempo mas não ganhar o jogo. Para defender o grupo, o interesse particular, a batotice impedirá o batoteiro de agir na tal prossecução do objetivo final, de legislar no sentido de que o bem e interesse públicos sejam defendidos, atirando para uma outra jogada possível, o referendo, que tem no entanto condições que dificilmente a tornam jogável agora. E isto não é ganhar o jogo, porque este não é o objetivo final do jogo da democracia como esta foi instituída.
Entretanto o vazio mantém-se, e os direitos das crianças não se cumprem. Relembro, para terminar, o ponto dois do artigo terceiro da declaração universal dos direitos da criança: «os Estados Partes comprometem-se a garantir à criança a proteção e os cuidados necessários ao seu bem-estar, tendo em conta os direitos e deveres dos pais, representantes legais ou outras pessoas que a tenham legalmente a seu cargo e, para este efeito, tomam todas as medidas legislativas e administrativas adequadas.» Acredito que esta batotice põe em causa este princípio. E eu sou contra.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

27 comentários:

  1. URGE acabar com as Praxes.

    ResponderEliminar
  2. CARNAVAL 2014

    sugestões:

    retomar o carnaval das escolas

    retomar as brincas

    Domingo de carnaval:animação da Praça do giraldo,parceria cãmara e associações culturais.

    ResponderEliminar
  3. Coreto do Jardim


    sugestões:Música no Jardim

    Domingos de Maio a Setembro,bandas filarmónicas da região.

    ResponderEliminar
  4. Depois do socialismo real........chegou a hora da social-democracia ...MORREU.

    ResponderEliminar
  5. O PS é melhor mudar de nome.

    ResponderEliminar
  6. Hollande deu a ultima machadada na social-democracia,e agora PS?

    ResponderEliminar
  7. É a Hora de reconstruir a esquerda ,esta velha acabou.

    ResponderEliminar
  8. Dr.José Ernesto

    Eng. Melgão

    Dra.Aurora Carapinha,

    O que se passa com a Igreja da rua do raimundo?


    ResponderEliminar
  9. NUM PAÍS CIVILIZADO,os RESPONSAVEIS estavam já DETIDOS.

    ResponderEliminar
  10. @14:19

    «Hollande revelou-se um político banal. Daqueles que mentem, deliberadamente, para ganhar eleições. Mas, desta vez, Marx não tem razão. A comédia de Hollande não repete nenhuma tragédia anterior. Pelo contrário, antecipa uma calamidade que se tornará praticamente inevitável. Hollande acabou de oferecer não só a vitória nas Europeias à Frente Nacional como escancarou as portas da Presidência a Marine Le Pen. A crise vai deslocar-se da periferia para o coração da Europa, prometendo um espectáculo de "som e fúria". Todos seremos actores. Quer queiramos quer não.»

    V. Soromenho-Marques, DN

    ResponderEliminar
  11. No período escolástico, podia-se escrever o que quer que fosse, a maior asneira deste mundo, desde que se fosse citando os autores da patrística, estava tudo bem.

    Esta dótora, faz a mesma coisa, começa por citar autores clássicos para dar um ar inteligente e sabedor ao texto, e depois escreve as maiores banalidades...

    Enfim, isto é a universidade....

    ResponderEliminar
  12. As dores continuam...

    ResponderEliminar
  13. Olha a fofura sexy....taoo lindaaa

    ResponderEliminar
  14. Os assassinos da Praia do Meco deviam ser liminarmente expulsos da universidade e sujeitos a julgamento em tribunal, por pressão psicológica e abuso sobre os jovens que foram colocados a seu cargo.
    Não se diga que os falecidos foram de livre vontade.
    Os falecidos fizeram fé nos estudantes seniores, nomeados pela comissão de estudantes, e que tinham a obrigação de os respeitar e proteger, como é próprio de qualquer praxe, de boas vindas e integração de jovens.
    Só com o julgamento e a condenação dos assassinos é que será possível pôr cobro aos procedimentos obscenos, desumanos, indignos, e criminosos.

    ResponderEliminar
  15. Por favor alguém que dê um safanão ao anónimo das 15.12 para ver se ele acorda porque adormeceu em Setembro do ano passado e permanece em estado de hibernação ideológica. Ou está em coma profundo. Ou padece de amnésia selectiva como o outro.
    De qualquer forma era importante fazer-lhe saber que o PCP está no comando da autarquia vai para 100 dias (não se nota mas isso é outra questão) e que a Drª. Aurora Carapinha foi substituída pela Drº. Ana Paula Amendoeira a 2 de Dezembro do ano passado, nomeação que se fez pública na folha oficial de 18 do mesmo mês.
    Engana-se pois quando vem agora pedir, a quem já não exerce os cargos, que lhe explique o que passa no momento na Igreja da Rua do Raimundo, de que desgraçadamente nem lhe sabe o nome,nunca lá entrou ou desconhece até a quem pertence.
    Na igreja de Nº.Srª. das Mercês, pertencente ao convento dos Agostinhos Descalços, mais conhecidos por frades grilos foi instalada desde 1956 a Secção (depois Núcleo) das Artes Decorativas Religiosas do Museu de Évora) por acção decisiva do seu Director Professor Mário Tavares Chicó,sob assistência do Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.
    Ficou a possuir um belo e variado espólio composto essencialmente de ourivesaria, paramentaria, escultura e mobiliário.
    Só por decreto de 3 de Janeiro de 1986, do Ministério da Cultura através do Instituto do Património Cultural o edifício foi classificado como Imóvel de Interesse Público, não sendo considerado (consultar site do IGESPAR) como situado em espaço "non edificandi" ou estando localizado em zona ZEP (Zona Especial de Protecção) ou ZP(Zona de Protecção). Nestas circunstâncias e dado o interesse de uma empresa implantar um hotel na cerca que lhe era contígua e ameava arruinamento, o município não colocou objecções e licenciou a obra.
    A última palavra cabia porém à Secretaria de Estado da Cultura (olá Jorge Barreto Xavier) que não pondo entraves à intervenção, exigiu que esta fosse seguida pelos técnicos da Direcção da Cultura do Alentejo a fim de estes detectarem quaisquer danos no interior do templo.
    De facto, algumas fissuras nas paredes interiores e exteriores da Igreja apareceram pelo que as obras passaram a ser alvo da monotorização do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil). De aí até à conclusão das mesmas não dei conta da existência de qualquer outro problema na «Igreja da rua do raimundo».
    Se queria referir-se aos danos provocados pelas máquinas em manobras no pavimento da rua e à responsabilização da empresa ,isso cabe à actual autarquia e nem vejo o que é que a Direcção Regional da Culturapode ter a ver com isso.
    Não venho aqui ser advogado de ninguém mas irritam-me solenemente os impostores que demagogicamente se fingem adormecidos no tempo.

    ResponderEliminar
  16. via Aventar:

    “Tudo o que temíamos acerca do comunismo – que perderíamos as nossas casas e poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema – converteu-se em realidade sob o capitalismo”
    Jeff Sparrow

    Privatiza, filho, privatiza!

    ResponderEliminar

  17. PÁTRIA NOSSA QUE TÃO INDIGNOS FILHOS ESCOLHESTE PARA TE GOVERNAR

    Estamos a ser governados por gente que não olha a meios para atingir os fins. Aniquilar o Estado Social.

    No poder, temos gente indigna, sem palavra, que dá o dito por não dito. Gente de coração gélido, que com uma frieza enorme, farpeia o pobre e explorado povo que outrora lhe entregou as rédeas do poder.

    Governo que diariamente vai apunhalando este “retângulo” democrático, que à custa de muitos sacrifícios, sangue e luta, ousou, num florido dia de Abril nascer livre aos olhos do mundo.

    Pela nossa humildade, passividade, tolerância aos sacrifícios que nos vão impondo, merecemos muito, mas nunca, gente com a “silhueta” apresentada no texto que seguidamente publicamos – Branco é Portas o põe, da autoria de Paulo Morais, professor universitário, publicado no Correio da Manhã:


    Branco é, Portas o põe


    Portas tinha jurado salvar os Estaleiros, mas afinal foi o seu carrasco. O ministro Aguiar-Branco o coveiro

    Quando Paulo Portas, em 2004, enquanto ministro da Defesa e dos Assuntos do Mar, assumiu a tutela dos Estaleiros de Viana, prometeu a salvação da empresa. Mas, no momento em que esta é extinta e o seu património entregue a um dos grupos de pior reputação, ao grupo Mota, ninguém vem pedir explicações ao vice-primeiro-ministro.

    Estando a empresa sob tutela do Ministério da Defesa, antevia-se um futuro promissor. Era previsível então que os Estaleiros recebessem encomendas de navios por parte da Marinha. Havia financiamento prometido, pois a Defesa dispunha de verbas avultadas, decorrentes de contrapartidas pela aquisição de submarinos aos alemães. Mas a corrupção que dominou este negócio originou o pagamento de ‘luvas’ e levou a que o governo português jamais tivesse exigido as legítimas contrapartidas. Com a corrupção nos ‘submarinos’, afundava-se a credibilidade de Portas. E o abandono dos Estaleiros de Viana constituía um dano colateral do escândalo. Ao fim de oito anos, nem encomendas, nem contrapartidas. Os Estaleiros de Viana foram abandonados à sua sorte pelo governo de que é vice-primeiro-ministro quem tinha prometido a salvação. Com a justificação de que não dispunha de verbas para viabilizar os Estaleiros, o atual detentor da pasta da Defesa, Aguiar-Branco, anuncia o seu encerramento e a entrega do seu património, sob forma de concessão, a um dos grupos económicos do regime. Inexplicavelmente, o mesmo governo de Portas, que tinha prometido o céu e a seguir tinha condenado os Estaleiros à morte, disponibiliza agora milhões… desde que estes sejam utilizados para pagar o funeral, ou seja, despedimentos.

    Ao mesmo tempo, os gestores públicos que até aqui não conseguiam contratualizar encomendas, até se prontificam a transmitir aos novos concessionários os contratos relativos aos navios asfalteiros para a Venezuela. Mesmo que para isso tenham de ir prestar vassalagem ao governo corrupto da Venezuela, numa delegação chefiada… pelo próprio Portas. Portas tinha jurado salvar os Estaleiros, mas afinal foi o seu carrasco. Para o ministro Aguiar-Branco sobra agora o papel de coveiro. Cabe-lhe a indigna tarefa de tentar lavar a imagem de Portas e enterrar o assunto

    Por: Paulo Morais, professor universitário

    ResponderEliminar
  18. Mas esta fulana tem honras de botar faladura no cinco tons porque?
    Que fez ela pela cultura da cidade Carlos Júlio?
    A senhora que vá cultivar horaliças para as hortas sociais

    ResponderEliminar
  19. fofura sexy....taoo lindaaa, ou ela é fofinha, está muito melhor que os arremessos de mau gosto que por aqui costumam sobrar.
    Louvo e desejo que esta nova modalidade continue. Sim, desatem a chamar-se amorosos, bébés, rechonchudinhos, xuxus, e tudo o mais que de bom se lembrarem. Há-de ser uma maneira inovadora e criativa de olharmos para isto tudo, seus douradinhos.

    ResponderEliminar
  20. Especialmente ao irritado Sr. Frota apetece-me chamar-lhe bigodinhos, coisinha forte, eloquente jornalistazinho, gracinha da nossa cidade. E aposto que ele haveria de ficar menos irritado.

    ResponderEliminar
  21. A criatura das 20:11 tenta ilibar os responsaveis pelas Obras da rua do Raimundo.

    ResponderEliminar
  22. A criatura das 20:11 é ignorante nada percebe de Património e vem agora ILIBAR quem foi responsavel pelos atentados ao Património na rua do raimundo.

    ResponderEliminar
  23. Ernesto,Melgão ,Aurora Carapinha e técnicos da cãmara são RESPONSAVEIS.

    ResponderEliminar
  24. Hollande "ENTERROU" definitivamente a social-democracia.........o PS é melhor mudar de nome....qualquer coisa como conselho de "administração do estado".

    ResponderEliminar
  25. Antes fosse "administração do estado".
    Na verdade são "comissões liquidatárias do estado".
    São associações criminosas que desmembram e privatizam o estado em proveito próprio.
    Não querem saber de Portugal.
    Alimentam-se do cadáver.
    São necrófagos.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.