quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Revolta

Joaquim Palminha da Silva
O «homem é a única criatura
que se recusa a ser o que é»
- Albert Camus in, O Homem Revoltado.

      A revolta é um sentimento de insatisfação isolado ou contínuo. Pode exprimir-se num gesto, constituir-se numa atitude ou posição face ao que se quer contrariar. Pode, inclusive, determinar uma acção direta, imediata ou não.
            A revolta é a escolha daquele que foi impedido de escolher. Atitude ou gesto, a revolta manifesta-se perante o arbitrário da vida que, como se sabe, é sempre uma contínua prepotência social para o ser isolado, para o eu.
            Enquanto a revolução é exclusiva da História e tem os dias contados pelos adeptos das ideologias colectivistas, a revolta está ao alcance de todos e só precisa de um acto individual de vontade para se exprimir, de forma a acontecer na realidade espiritual e material da vida.
            Cada revolução tem sempre como objectivo impor a sua Ordem à Ordem estabelecida, naturalmente através de uma falsa-desordem. Porém, seja qual for a revolução, trata-se sempre de um movimento de vanguardas condutoras que, após a tomada do Poder serão conservadoras. O fim da revolução é “fazer parar” o processo histórico da sociedade, de modo a conduzi-la até um estado pré-determinado e, depois, conservá-la dentro do caminho imaginado, “planificando-lhe” a velocidade de andamento e procurando controlar-lhe os eventuais desvios. Nesta ordem de ideias, a revolução comandada pelas ideologias é a negação da mudança a longo termo, ainda que este tipo de revolução se apresente, nos seus tempos heroicos, como potencial motor de inovação revolucionária, e o possa mesmo ser efectivamente…
            A revolução recruta e arregimenta revolucionários, isto é, agentes da nova Ordem, mas nunca terá nas suas fileiras verdadeiros revoltados. – A soma das revoltas individuais nunca deslizará para a revolução. Entretanto, a revolução não aceita de bom grado a presença da revolta individual no seu seio, dado que esta nunca fica quieta, satisfeita e confortada.
            Na verdade, a revolta dependa da capacidade de indagaão de cada um, da consciência que tiver sobre a impossibilidade de viver a sua vida segundo os seus desejos, por pacíficos e fraternos que eles sejam.
            A revolta permanente contra a sociedade e o Poder estabelecido, é um estado de espírito de contínuo alerta, por isso de grande tensão e desgaste. Tem-se verificado porém que, se está ao alcance de todos, só uma minoria tem conseguido praticá-lo com coerência: - Profetas e Santos… Poetas e Anarquistas!

            Normalmente, o cidadão comum revolta-se a conta-gotas, com intermitências. Mas nunca permanece no estado de revolta completamente, sem descanso. A revolta esporádica, assim, levada a efeito é, pois, um desejo de reconciliação disfarçado. A revolta permanente é a forma de estar na vida do ser insatisfeito, do verdadeiro revoltado!

Copyleft

E eis-nos de novo chegados a mais um fim, desta feita o do ano de 2014. Tempo de podermos fazer um balancete, para usar o “economês” da moda e do modo como tudo quanto administra bens parece merecer mais confiança por parte dos cidadãos. 
A pontos de que quase se exija a quem esteja à frente de um governo, local ou nacional, que tenha de ser economista ou gestor, independentemente do bom senso que aplique nas suas decisões políticas. Albarde-se o verbo à vontade da verba, podia ser a máxima dinâmica de quem não queira perder o “comboio do progresso” da governação política.
Mas o conceito que me traz hoje ao final de 2014, no costumeiro estrangeirismo, terá a ver com a quadra festiva com que se assinala um aniversário celestial e um fim de ano terreal. 365 dias são muitos dias para lembrar e a memória, para o bem e para o mal, tem a sua seleção especial que os edita de jeito personalizado, à vontade do freguês. É que na quadra festiva em apreço, entre os estados de alma, coração e a carteira – a de cada um e a do erário público – as manifestações exteriores de celebração são quase sempre assunto de conversa. À volta de luzinhas, bolinhas, enfeites e vozes angelicais em altifalantes, discutem-se os gostos como se discutem clubes ou fé, dificilmente chegando o debate a conclusão que sirva a quem tem de decidir-se por esta ou aquela solução, mais ou menos criativa, mais ou menos em modo de moda. Certo é que tudo está condicionado aos constrangimentos que envolvem “pão” e “palhaços”, para lançar mão à linguagem do maior espetáculo do mundo, pelo menos em cada Natal. Falo do circo, bem entendido, não, ainda, de videomapping que é o que se chama às projeções de imagens nos monumentos. Pão e circo podem ter de existir em alternância e sem pão não há palhaços, nem circo. Tudo linguagem afetuosa para o dinheiro, esse grande motor da sociedade em que vivemos, e os seus modos de uso nos quotidianos de lazer e fruições estéticas.
Em Évora já houve fausto nos enfeites natalícios, pois já. E nem eram com intenções eleitoralistas, não senhor, pois recordo-me muito bem do Natal de 2009, três meses depois de eleições autárquicas, e o último em que os eborenses arregalaram os olhos para as iluminações e patinaram no gelo na Praça como nas grandes capitais, esquecendo até a restante programação que, essa sim, se mantém há anos, com um esforço dos que ainda se associam, mesmo à mingua de pão e mais ou menos contrariados, mas que, enfim, em época de paz na terra lá exercem, sabe-se lá com que esforço, a sua genuína boa vontade. Mas vamos ao estrangeirismo final de 2014.
O conceito de copyleft, usado sobretudo na informática, pode traduzir-se por “permitida a cópia” e é resultado de um trocadilho da outra palavra mais conhecida e oposta, o copyright, que se refere aos direitos de autor. O copyleft defende a ideia de que uma obra não deve ter direitos exclusivos e pode, inclusive, receber o contributo de várias pessoas, que passariam a ser coautores, aperfeiçoando a criação original. Ora eu tenho para mim, que também tive responsabilidades no assunto do Natal nas ruas de Évora, que ficaram de herança duas ideias ao completo abrigo, porque também já eram ideia velha de outros lugares, do copyleft: uma, tomada por medidas de contenção, foi a grande árvore de Natal reutilizável, e reutilizada, feita integralmente pelos serviços municipais; outra, que apenas deu um arzinho da sua graça por estes dias (talvez para a foto!), e que tanta falta fazia neste ano particularmente gelado, e na minha modesta opinião está bom de ver, que era o madeiro a arder. À volta dele tínhamos sempre o “Beato Salú”, o “Rambo”, o “Quito Cigano”, figuras conhecidas de todos e que com a sua estranha forma de vida nos confrontam diariamente com as nossas derrotas num nunca acabado esforço de integração e coesão social, uma luta interminável da civilização. E a eles se juntavam todos quantos quisessem, partilhando um calor que para muitos seria mais do que simbólico. Aquela grande fogueira, tradição mais rural é certo, e que tem origem nos cultos pagãos de celebração do solstício de Inverno, lembraria a muitos habitantes da cidade a infância distante e permitiria que os mais novos percebessem a partilha como o mais importante motivo da quadra natalícia. Tudocopyleft! Um bom 2015 e até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Nação do Desleixo habitada por Relaxados

Joaquim Palminha da Silva
            Uma população com “estatuto de cidadania” que não cuida da Nação por negligência generalizada, associada a “tradicional” preguiça mental, quando ela mais necessita de atenção e inteligência que a socorra, bem como de solidariedade que a recupere, desampara-a. Porém, se o faz quando a Nação se encontra num iminente risco de perecer ou sacrificar a sua honra, que é como quem diz a sua independência, identidade cultural e liberdade de decidir por si própria o seu destino, então tal população desce ao mais desprezível estado mental que se pode imaginar, pois ao abandonar a Nação, opta pelo abandono das suas raízes, renegando-se a si própria. Para empregar um lugar-comum japonês, essa população passa a praticar diariamente um psicótico hara-kiri!
            A situação do País deve o seu trágico estado à orquestrada malicia e egoísmo das minorias que o têm governado, seja qual for o partido político destas minorias: - Bancos a falirem; corrupção ao mais alto nível e em contínua aceleração; grande volume de capital a fugir para paraísos fiscais; empresas portuguesas a abrirem sedes no estrangeiro; património empresarial (e não só) do País vendido a interesses estrangeiros; baixo ou nulo investimento na investigação científica; Bolsa de valores a cair estrondosamente; baixa dos níveis médios de solidariedade e assistência na saúde, na educação, na protecção social e, consequentemente, nível de vida material da população em queda abismal, atirando para a pobreza perto de 2,5 milhões de portugueses, “acreditando” nas estatísticas oficiais (o que quer dizer que á muito maior o seu número).
No entanto, a situação do País deve-se também ao relaxamento da maioria dos cidadãos, que praticam um desdém repreensível e uma inconsciente indiferença por tudo o que não seja as suas vidas individuais.
Desde há 20 anos (pelo menos) que a má governação praticada pelas minorias, entretanto escolhidas nas urnas de voto pelas maiorias, se tornou o bode expiatório de todas as desgraças de Portugal, como se fosse logicamente possível responsabilizar exclusivamente as minorias de escroques que nos governam, por decisões cuja prática as maiorias é que autorizaram com os seus irracionais e “democráticos” votos.
Não é preciso ser especial “pesquisador” do “inédito” e do “pitoresco” para recensear imensa quantidade de “curiosidades” e “ruínas” mal pressentidas, postas na sombra do esquecimento, ignoradas por inexplicável cegueira do cidadão comum, que dão ao País a fisionomia, a “cor” do desleixo, enquanto atributo sui generis da maneira de ser dos portugueses, transformando os habitantes numa multidão de relaxados que subsistem numa terra de lixeiras, supostamente protegidos por tetos de cartões podres!
Na verdade, há saliências na vida dos indivíduos como na vida das Nações, as quais justificam à saciedade poder atribuir-se-lhes qualidades ou defeitos colectivamente partilhados. No caso concreto, podemos apontar o desleixo como a fisionomia geral do País, servido por uma maioria populacional que, aos mais diversos níveis, fez do relaxamento uma forma de ser e estar natural. O relaxamento da população portuguesa é presenciado à vista desarmada pelo visitante estrangeiro, ao dobrar cada esquina de rua, mas nunca é assumido pelo cidadão comum como coisa real: - Este último, fiica mesmo ofendido se lhe lembram que não se escarra para o chão, que os papéis não são para atirar ao vento, que aquilo que se danifica por desgaste do tempo é para reparar imediatamente, e não para abandonar até à podridão!


Nunca outro “atributo” denunciou tão insofismavelmente o descaro com que se afirma esta desamparada forma de viver e administrar o espaço territorial e humano que consubstancia Portugal: - Desleixo!
De posse dos principais fios da teia burocrática que compõe o Poder político central, regional e local, os políticos (os relaxados de cima!) despoletam imediatamente um “iluminado” discurso verbal, com diatribes e alucinações palavrosas sobre grandes “linhas de rumo”. Envernizando as suas “almas” enxovalhadas com as cores de limpos propósitos, revelam-se todavia incapazes de gerir a tempo e horas a mais simples recuperação do empedrado das ruas de cidades, vilas e aldeias lusitanas, para só citar a mais prosaica das questões. Relaxados de cima que se supõem argutos e enérgicos raciocinadores, inauguram escusadas discussões sobre a sua autoridade institucional, sobre o seu pacto indissolúvel com inúmeras organizações internacionais, etc., arrastando para polémicas despropositadas os partidos adversários de outros relaxados. Mas à medida que o tempo corre, verifica-se que apenas se distraíram da gestão do bem público e esqueceram aquilo para que foram eleitos. Mas diga-se, com forte desapontamento, que a este estado de coisas não responde nenhum motim dos relaxados de baixo, porque afinal de contas os de cima e os de baixo são massa da mesma levedura. Ambos, portanto, exacerbados relaxados no que respeita questões concretas que fazem de uma Nação um espaço cultural respeitável e respeitado, no seio das nações europeias…
Desde as obras públicas de Governos (às vezes encenações em betão!) até aos sanitários públicos, os serviços materiais da República estão minados pelo vírus do desleixo! Podemos mesmo dizer quer a atmosfera do desleixo que os relaxados (de cima e de baixo) respiram é tão densa como o próprio oxigénio!
O que parece ter uma importância extrema para que o mecanismo social funcione, por obra e graça dos relaxados de cima e de baixo, passa a não ter importância nenhuma, o que parecia indispensável à vida quotidiana da República, sem o que não conseguimos dar um passo, reduz-se a zero. Assaltado pelo desleixo do Minho ao Algarve, Portugal tornou-se uma terra suja, feia e ordinária. Não vale a pena esclarecer e discutir esta afirmação com a esmagadora maioria de relaxados, pois estes, só conhecendo o desleixo, não estranham a lôbrega enxovia em que se tornou o País…
E, assim, enquanto os diversos deputados da Nação dão as mais “naturais” cabriolas, os ministros se sucedem em pinchos extravagantes, as forças da Ordem montam as suas tendas de “secos e molhados”, entre uma e outra sessão de pancadaria a manifestantes e desempregados, as empresas públicas levantam os seus vestidos sem pudor e vendem o corpinho ao “primeiro estrangeiro” que aparece, o cidadão anónimo, baseado neste procedimento geral de relaxamento em série, devolve em aparas miúdas o desleixo que os relaxados de cima lhe despejam em blocos… - E vota sempre maioritariamente no mesmo tipo de escroques!
Enfim, o mundo subterrâneo pôs-se a caminho… Há sempre um canto de rua onde o lixo remexe continuamente movido pelas ratazanas! Há sempre um suposto descendente de Viriato a expelir, conforme a fantasia dos seus pulmões, um escarro desdenhoso no pavimento, ao lado do património classificado!

Aqui é tudo brando e “simpaticamente” barato: - O relaxamento, o desleixo, o desarranjo geral, os costumes e a falta de higiene mental (e não só)! Eis porque ainda há turistas de “mau gosto” a passar a fronteira…

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal

Escrever uma crónica que vai para o ar no dia de Natal não é uma tarefa fácil para mim, que tenho numa relação estranha com o que se vive nesta época.
Gosto dos cheiros e das cores do Natal. Gosto das luzes e dos cânticos, gosto dos olhos brilhantes das crianças que ainda acreditam no pai natal, gosto do frio próprio da época, gosto de ficar aflito no dia 23, sem saber que vou fazer para o comer no dia 24 e de ir ao supermercado ainda na véspera porque me esqueci de quase tudo.
Gosto de revisitar a minha infância e de descobrir que as coisas não até nem foram más de todo e quando o foram teve a ver com o facto de eu não ser propriamente uma criança fácil.
Gosto de imaginar que toda a gente guarda para este período um tempo de reflexão, de olhar mais aprofundado para o que a rodeia, desliga a televisão e fica a olhar a vida.
Sei que não é assim e é por isso que todos os anos se repetem as mesmas frases e se vai imaginando que nada mudou, excepto os lugares na mesa que ficaram vazios.
Depois há um outro Natal, que eu presenciei no almoço da véspera. O Natal em que dezenas de pessoas se sujeitam a que lhes ofereçam uma refeição, gente que o passado parece ter empurrado para um presente sem perspectiva de futuro.
Gente que tem de se sujeitar ao discurso dos seus benfeitores, que os infantiliza ao ponto de perguntar “sabem porque estamos aqui hoje?”.
Gente que leva a 24 o almoço de 25, em sacos de plástico azuis, um por cada pessoa, devidamente controlados por uma lista que não deveria existir.
Apesar de tudo isto, não é possível não elogiar as organizações que promovem este tipo de intervenção, sem a qual muita gente não comeria nem no Natal nem em muitas outras épocas do ano, apesar de se perceber que algumas motivações individuais nada têm a ver com a ajuda aos que foram atirados para o limbo da sobrevivência.
Das muitas pessoas que estavam a ajudar na confecção e na distribuição do almoço foi perfeitamente possível distinguir os que ali estavam por sentirem que deviam estar próximos de outros seres humanos, num momento em que todos os sinos tocam a mesma música, uma música que os mais pobres não podem acompanhar e aqueles para quem aquele é um momento em que se olham ao espelho repetidamente para reverem a sua bondade.
Como se notam esses tiques?
Quando num simples discurso de distribuição de tarefas pelos voluntários a palavra “eles” é repetida vezes sem conta.
Quando em cada conjunto de alocuções há pelo menos um preconceito presente, seja a propósito da quantidade de comida, seja a propósto das rotinas das pessoas que ali estão para almoçar.
Quando deixam de ter um ar incomodado por existirem seres humanos que necessitam do apoio de instituições de solidariedade social e passam a ter o ar de quem se acha imprescindível para esse fim.
Quando aceitam a pobreza como uma inevitabilidade.
Quando ficam felizes por ajudar, quando deveriam ficar infelizes por existirem pessoas que precisam dessa ajuda.
Infelizmente a sociedade baseada na busca do lucro e na crença de que essa busca individual resultará sempre em melhores condições de vida para todos, leva milhões de pessoas à miséria extrema da humilhação diária para uma refeição quente.
Pergunto-me: sem a resposta destas instituições como seria o dia a dia de pessoas de todas as idades, muitas delas sem nenhum meio de subsistência?
Nesta altura o meu filho mais novo diz-me “acende a luz, pai”.
A metáfora é boa filho, mas há coisas que o pai não é capaz.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na Rádio Diana)

Mataram o Mandarim… mas “lixaram-se”!


Joaquim Palminha da Silva
  Que sabemos nós de concreto acerca do atrevimento dos políticos, a quem saí a lotaria (eleitoral) do Poder a usar durante período suficiente para «matar o madarim»? – Muito pouco!
            Reparem bem: - A maioria dos políticos não são sequer pessoas vagamente afidalgadas de usos e costumes e, quanto a “cultura geral”, são relativamente modestos os seus pertences. Através de atribulações burocráticas e processos formatados em Universidades privadas, alguns apresentam o aspecto exterior de um licenciado, subtraído muitas vezes aos “estragos” do estudo sério e “maçador”!
            Do que não há dúvida, é que quase todos revelam bastantes conhecimentos sobre a História recente e, nessa ordem de ideias, alguma habilidade no percurso necessário para «matar o mandarim» nem sempre com êxito, diga-se… Tal foi o caso de quadros superiores do Estado, ex-ministros, administradores de Banco, e outros seres humanos que as circunstâncias (e a manha!) elevaram acima da mediania, nesta lusitana e pardacenta época. Mas não sabendo eles toda a História do «mandarim», acabaram apenas por armar desordens institucionais e degenerescências éticas e, por fim, como se dizia ao despejar o “vaso de noite” na Lisboa do século XIX, terminaram lançando “água vai!” sobre os meios de comunicação social…  
            Como muito esquece a quem não sabe, aqui deixo a recordação da histórica ideia de «matar o mandarim»…
            A expressão é de origem francesa, embora tenha sido objecto de muitas utilizações e citações literárias. Entre nós, portugueses, o seu maior mérito foi o de ter inspirado a Eça de Queirós, a pequena obra-prima que é a novela «O Mandarim», (1880). Pensa-se que tal ocorreu ao escritor português ao ler uma passagem da obra «O Génio do Cristianismo», do visconde de Chateaubriand que, no capítulo «Do Remorso e da Consciência», propõe um problema de consciência nos seguintes termos: «Se

pudesses por um simples desejo matar um homem na China e herdar toda a sua fortuna na Europa […] consentirias em formular esse desejo?». A China entrou na exposição desta ideia, segundo se pensa, apenas porque era então uma terra remota, antípoda da França. O grande escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850), num dos seus primeiros romances («Anete e o Criminoso», 1824), repetiu esta questão, mas introduzindo na pergunta a palavra mandarim. Esse romance do escritor, pioneiro do realismo literário, é ainda hoje considerado obra menor de um principiante, e a frase passou despercebida. Porém, dez anos mais tarde, com a publicação da obra-prima «Pai Goriot», Balzac apresenta a mesma questão de consciência nas palavras do personagem Rastignac dirigidas a outros personagens da obra. A questão tornou-se então proverbial e, assim, nasceu a expressão «tuer le mandarin», («matar o mandarim»). Todavia, na época, Balzac enganou-se na autoria da expressão, atribuindo-a a Jean Jacques Rosseau, provavelmente por alguma falha de memória.
            De 12 de Março a 15 de Outubro de 1865, o jornal «Cruzeiro do Brasil», folha católica conservadora, publicou como folhetim, sem referir o autor, o romance francês «O herdeiro do Mandarim», onde abordava a mesma questão. Acredita-se que foi essa a fonte inspiradora de Eça de Queirós que, no seu «O Mandarim», identifica o seu personagem central como «Teodoro», que fez matar um mandarim na China, tocando num botão de campainha em Lisboa.
            Recorde-se que o título «mandarim» não existe em chinês, tendo sido inventada pelos primeiros portugueses que colonizaram Macau, para designarem os importantes funcionários da China. O próprio Eça de Queirós dá a este respeito alguns esclarecimentos na sua novela, ao dizer que «ninguém o entende na China» e que «vem do lindo verbo mandar». Na realidade, funcionário em chinês é kwan. Todavia, a palavra «mandarim» internacionalizou-se. Por exemplo, em Inglaterra, e pelo menos até aos anos 50 do século passado, a palavra fazia parte da gíria dos funcionários diplomáticos: «the mandarins of the Foreign Office». E em França (1954) serviu de título ao romance de Simone de Beauvoir «Les Mandarins».
            Regressando ao mundo de língua portuguesa, Machado de Assis (1839-1909) utilizou várias vezes a imagem e expressão do «mandarim», mas enganou-se, pois falou do «botão de Diderot que matava um homem na China», (por exemplo, crónica na publicação «A Semana», de 22/1/1893).
            Entretanto, já com o tema celebrado como questão “filosófica”, dois franceses autores de teatro (Albert Monnier e Edouard Martin) escreveram uma peça intitulada «As-tu tué le Mandarin?», representada em francês no teatro Alcazar no ano de 1864, período em que Machado de Assis foi cronista e folhetinista no jornal «Diário do Rio de Janeiro». Pensa-se que talvez tenha sido a partir dessa peça de teatro que, por engano, Machado de Assis colheu a ideia de que a sua origem remontava a Diderot (1713-1784). De resto, foi sobre esta mesma questão que o escritor brasileiro escreveu o seu famoso conto «O Enfermeiro».
            Nestes últimos tempos, depois de desenrolarem os tapetes do Estado sob os seus pés, um sem número de personagens tocaram a campainha em Lisboa, com atitudes desembaraçadas de quem está servindo a causa pública. Na verdade, falharam a morte do «mandarim» na China, mas acertaram em cheio no quadro de “natureza-morta” que é o País e a sua população… Desta vez, alguns “lixaram-se”… o seu dia social, político e cultural acabou na suspeita de prática criminosa…

            Mas amanhã? – Quem nos livra de que apareçam outros a tocar a campainha? Quem salva o «mandarim» que existe em cada um de nós?


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Wishful thinking

É a semana do Natal, quadra em que mais do que no resto do ano se fala de desejos. Não os sensoriais e sensuais, nada disso, que é quadra de história celeste e requer recato e pudor.
É época de votos, que não são os de um sistema democrático, mas os de desejar aos outros o que desejamos para nós. Afinal, isso é que é a solidariedade, irmã da fraternidade e da reciprocidade, que se materializam em troca de coisas, reais, materiais ou incorpóreas.
Sobre isto dos desejos lembrei-me da expressão idiomática inglesa wishful thinkingque, por ser de difícil tradução exata em português também usamos. Significa tomar os desejos por realidades e, onde normalmente se utiliza é quando nos referimos a decisões que se tomam seguindo raciocínios que se baseiam não em factos mas, precisamente, em desejos. É uma espécie de otimismo exagerado o que, enfim, pode acontecer ao mais incrédulo mas que, aterrando a realidade de outra forma causa alguns desgostos ou, pelo menos, algumas desilusões.
Isto dos desejos exacerbados dá muito nas crianças e nos seus sonhos que alguns insistem em que, um dia, se cumprirão, prolongando na infância um modo de sonhar muitas vezes saudável. O que é bom se, obviamente, ao crescerem não se tornarem vítimas do tal wishful thinking e, logo, de uma ilusão que nunca se concretize. Mas, ainda assim, era bom que estes sonhos se perpetuassem por todo o lado e por todas as crianças que aí vêm…
Vem isto a propósito de um panfleto, dito informativo e em formato de boletim, que amavelmente colocaram na minha caixa do correio. Lá se fazia um balanço do que se passou cá na freguesia durante este ano que finda. Foi então que confirmei, naquela prendinha que me ofereciam, uma das grandes desilusões do meu ideário político. Ao percorrer cada linha e cada pixel do dito folheto, confirmei que durante quatro anos, em que tudo fiz para me certificar de que a gestão do que eram dinheiros públicos revertesse precisamente para o bem público, andei a acreditar, embora já sempre muito desconfiada, que estavam verdadeiramente preocupados, uns certos senhores, com a despesa que a autarquia pudesse fazer em informação e aconselhavam a que se emagrecesse essa rubrica orçamental. Cedência feita para se manterem outras que, enfim, nunca eram alvo de sugestão, o que até se pode considerar normal já que quem governa é que deve saber fazer as escolhas, mas adiante.
Afinal, mesmo com o esforço em priorizar investimento financeiro noutras áreas, como por exemplo suportar o preço de cada metro cúbico da água que serve os habitantes de Évora, ou comparticipar medicamentos para os mais idosos que provassem necessitar dessa comparticipação, o que felizmente até se vai mantendo com a nova governação, afinal, dizia eu, parece que vão sobrando uns dinheiros para a tal informação que surge agora já como uma prioridade.
São assim os mestres da propaganda: fazem-nos desejar o melhor dos mundos num mundo em que se esforçam por demonstrar que está tudo mal, para que quando são eles a decidir e a tomar conta dele valha também tudo o que até aí não prestava, pintado de outras cores. Criam em nós essa lógica de raciocínio que nos faz desejar estarmos a fazer o melhor possível, que é o que manda a boa política, para depois afinal nos apercebermos que são truques aplicáveis aos outros e inválidos para eles próprios. O que vale é que o que não nos mata, nos deixa mais fortes ou, como traduz o povo português: o que não mata engorda. Aviso aplicável à quadra que, à mesa, costuma para alguns proporcionar excessos. Um Bom Natal a todas e a todos!

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Tempo

joaquim palminha da silva












Inverno… Ainda um sol esguio
um pouco de céu aberto…
Logo um vento frio
augura o tempo certo.

Difunde-se o estranho mistério
do além-mar muito ao longe
que embebendo com sua luz
fez do cavaleiro um monge.

As folhas hirtas caem por terra
de árvores sem idade
e morrem na sombra que encerra
um país com cheiro de saudade.

Ruínas de fortalezas
de esperança meio acesa
sempre acordam encharcadas
da chuva da tristeza…

Em tudo a voz do Inverno
o tempo e a Estação:
- Mas o tempo está certo
Portugal é que não!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Este sábado na "é neste país"


Neste sábado teremos a última sessão de contos deste ano e será uma sessão muito especial, é a prenda de natal de todos para todos, é graças à nossa caixinha (daqueles outros "Pontos") que temos o prazer de vos trazer o contador Carlos Marques. É de Montemor- o-Novo e desde 2007 realiza e programa sessões performativas de contos, cooperando com diversos narradores.
20 de Dezembro de 2014, pelas 11:30
Com quantos pontos se conta um conto?

Carlos Marques

Apareçam! É neste país!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Inaugura hoje no Círculo Eborense


A Grande Questão!

©Joaquim Palminha Silva

    Segundo F. Dostoievsky, no romance «Os Irmão Karamazov», assim falou a Jesus Cristo o Grande Inquisidor:
   «[ ...] Então tu não vieste realmente senão para os eleitos? Mas, se assim é, há aí um mistério que não podemos perceber; e, então, nós também temos o direito de pregar um mistério e de ensinar aos homens que não é o livre julgamento dos seus corações nem o amor o que importa, mas esse mistério, ao qual eles se devem submeter cegamente, mesmo contra a sua consciência. Eis o que fizemos. Corrigimos a tua obra e fundámo-la sobre o milagre, o mistério e a autoridade. E os homens rejubilaram por serem de novo conduzidos como um rebanho e libertados desse dom funesto que lhes causava tais tormentos. Tínhamos razão para proceder assim? Fala! Não é amar a humanidade compreender a sua fraqueza, aligeirar com ternura o seu fardo, tolerar mesmo que a sua fraca natureza peque, contanto que seja com o nosso consentimento? Porque vens entravar a nossa obra? E porque me fitas silencioso, com esse olhar perscrutador e terno? Zanga-te, antes; eu não quero o teu amor, porque eu próprio não te amo. E de que me serviria esconder qualquer coisa de ti? Não sei a quem estou falando? Tudo o que poderia dizer de antemão o saberias. Mas talvez o queiras ouvir da minha boca. Ouve então. Nós não estamos a trabalhar contigo, mas com ele, eis o nosso mistério…».
            Na impossibilidade de reproduzir todo este notável monólogo da história da literatura russa, e universal, e do pensamento religioso e ideológico, bem como suas inerentes dúvidas, fixei-me nestas linhas.
O Grande Inquisidor é um velho cardeal espanhol da época mais cruel e fanática da Inquisição Ibérica que, na véspera do seu aparecimento “em cena”, nas páginas do romance, tinha acabado de mandar queimar uma centena de hereges ad majorem gloriam Dei.
Convém tentar compreender o pensamento do cardeal, através das suas palavras dirigidas à imagem muda de Jesus Cristo pregado num grande crucifixo. Ele acreditava que a longa experiência da sua vida (este cardeal teria perto de noventa anos), ensinara-lhe que a grande maioria da Humanidade é composta por seres fracos, sem vontade própria, sem energia, absolutamente incapazes de se perfilarem no escasso número dos que são realmente eles próprios. O que a imensa maioria deseja é precisamente não ter que usar a liberdade de consciência, que está na base do Cristianismo, mas sim colocar essa mesma liberdade nas mãos de um autoritário senhor que os governe e lhes assegure o pão de cada dia, ganho com o trabalho de cada um. São estes os que preferem ao pão celeste (a vida espiritual, a abnegação, etc.), o pão terrestre (os prazeres da estreita materialidade, o encolher de ombros, etc.).
Em face da enorme maioria dos fracos, o Grande Inquisidor pensa que Jesus Cristo se enganou, ao imaginar que era possível para todos o que já era difícil de atingir apenas por alguns. Vista assim a questão, o Grande Inquisidor não está disposto a cometer esse erro, exactamente por amor dessa fraca Humanidade, para a qual não há maior tortura do que ter de distinguir, em plena liberdade de consciência, o bem do mal!
O Grande Inquisidor pensa, por conseguinte, que a única forma de organizar a sociedade é transformá-la num imenso rebanho, pastoreado por uma escassa minoria de homens que por inteiro se votariam ao sacrifício de não poderem considerar os outros homens, a maioria, seus iguais e de terem de suportar sozinhos, o pesado fardo de separar o bem do mal. O Grande Inquisidor sabe perfeitamente que o seu trabalho será sempre incompleto, dado que de vez em quando, uma parte do rebanho se insubordina. Porém, para reduzir o número e a frequência dessas insubordinações, lá está o Tribunal do Santo Ofício, os autos de fé, as fogueiras e a morte.
            A ideia do Grande Inquisidor é baseada na existência espiritual de um Deus terrível (segundo a tradição hebraica), embora justiceiro, todavia um Deus que não perdoa, pois não acredita na Humanidade que criou. Eis a razão porque o velho cardeal levanta o olhar acusador e rude para a humanidade compreensiva que existe em Jesus Cristo, que do seu crucifixo o olha doce e serenamente.
            Nos trágicos dias que atravessamos, este trecho de «Os Irmãos Karamazov» parece-me cada vez mais actual, e elucidativo: - Estão a transformar-nos, paulatinamente, num rebanho! Estamos aptos a ser democraticamente escravizados! Os nossos próprios protestos têm o sabor da derrota, do desespero que consente, não do protesto radical da revolta em acção!

Estamos prontos a ser rebanho! – Naturalmente saído das falseadas urnas de voto, já só nos falta o Grande Inquisidor?

Lançamento dos Programas Operacionais do Portugal é hoje: Alentejo tem mais de mil milhões de euros de fundos comunitários até 2020



A Cerimónia de Lançamento dos Programas Operacionais do Portugal 2020 vai realizar-se hoje, dia 19 de Dezembro, pelas 10:30 horas no Auditório da Fundação Champalimaud, em Lisboa.
A Cerimónia conta com a presença do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, do Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida, e a participação da Comissária Europeia para a Política Regional, Corina Cretu.
No evento será ainda feita a apresentação e início de funções dos gestores dos novos programas operacionais.
A Comissão Directiva do Programa Operacional Regional do Alentejo 2014-2020 - ‘Alentejo 2020’, será presidida pelo Presidente da CCDR Alentejo, António Costa Dieb, por inerência de cargo, e tendo por vogais, António Costa da Silva e Filipe Palma, este por indicação da ANMP.
O ‘Alentejo 2020’ tem uma dotação global de 1.082,9 Milhões de euros, dos quais 898,2 Milhões de euros do FEDER e 184,7 Milhões de euros do FSE. (nota de imprensa da CDCRA)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Évora: de hoje até terça-feira há animação no Art Café


O Art Café, em Évora, vai realizar dias 18,19, 20, 21 e 23 de Dezembro 2014, com início às 16h00, atividades de âmbito cultural de forma a dinamizar o espírito natalício. 

Programação:

Dia 18 às 22h - Little Garden, performance de Márcio Pereira;
Dia 19 às 22h - Garoupas de Ipanema
Dia 20 às 16h - música com Sérgio 
Dia 20 às 22h - Pequena Valsa, de André Russo
Dia 21 às 16h - Espaguete & Pitú (Palhaços)
Dia 23 às 22h - Estrela da Alvorada

ORGANIZAÇÃO: Art Café
APOIOS: Inatel Évora
PREÇO: Entrada livre


https://www.facebook.com/events/793024797403246/

Amanhã, às 21,30H no Teatro Garcia de Resende (Évora)



“Directum” é um trabalho para saxofone, percussões e eletrónica (máquina de loop). Corrado Floriddia convidou Rui Gonçalves para esta nova experiência em 2007, depois de centenas de concertos executados juntos, com os “Macacos das Ruas”, “4eto Jazz” e “FunkTroika”, entre outros, “Directum”, performativo, acústico-eletrónico, é a viagem entre standard de Jazz como “AllBlues” e “Night in Tunísia”, que são intercaladas com cantos populares italianos-portugueses. “Chaves de Sax em Feed Back” também dão espaço a momentos completos de improviso procurando ambientes naturais paisagistas, sem usar os instrumentos propriamente de forma tradicional. (Corrado Floriddia, saxofone | Rui Gonçalves | percussão e eletrónica | duração: 60 min. | M/12)

Organização: Câmara Municipal de Évora
Apoios: CENDREV
Contacto: 266 703 112 | geral@cendrev.com
Inf. Extra: Preço - 8€

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O significado de Partilhar

A época natalícia teve o seu início há quase três semanas, porém, a nossa cidade apresenta-se muito envergonhada, diria mesmo um pouco empalidecida. Falo-vos, por isso, dos enfeites de natal existentes e da animação, sobretudo da realidade que compreende o centro histórico.
Não obstante, tenda a reconhecer que existem aspectos novos e diferentes dos que aqueles que conhecíamos e uma tentativa de alterar e cortar com o passado recente. Para isso a edilidade juntamente com a associação comercial do distrito de Évora e a Entidade Regional de Turismo disponibilizam um comboio turístico para todos aqueles que queiram passear pelas ruas da nossa cidade, mediante um pagamento de um bilhete, como, também, proporcionam o visionamento de um filme na fachada principal da igreja de S. Antão, na praça do Giraldo.
Todavia, no que ao comboio turístico diz respeito, uma vez que é uma iniciativa sazonal, não tem carácter regular, temo que o pagamento de um preço possa colocar o sucesso da iniciativa em causa. Relativamente à projecção do filme na parede da Igreja de S. Antão, não digo que seja uma má iniciativa, mas com a parede da Igreja no mau estado em que se encontra, de todo em todo, resultará.
Em todo o caso, as reflexões que aqui deixo, são unicamente para acrescentar e não para destruir, não mais do que isso. Penso, aliás, que, para o ano, as partes interessadas, Câmara, Junta de Freguesia, no caso União das freguesias de Évora, Instituições públicas e privadas, Comerciantes e/ou quem os represente, deverão, todos em conjunto, concertar-se no sentido de conceberem uma animação de natal que verdadeiramente mobilize as pessoas, os residentes e quem nos visite, com o objectivo de fruírem e de gastarem efetivamente dinheiro, nas lojas, cafés, restaurantes, hotéis e nos demais locais da nossa cidade. Precisamos, por isso, que isto seja uma realidade e não um proclamado desejo.
Estou, portanto, convencido que todos, sem excepção, poderemos vir a beneficiar de entendimentos partilhados. E, por conseguinte, esta forma de actuar não pode ficar no campo das intenções, deverá, portanto, densificar-se na ação politica e empresarial no dia-a-dia.

José Policarpo (crónica na RádioDiana)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

António Dieb reconduzido no cargo de presidente da CCDRA por mais 5 anos


Antonio Costa Dieb foi designado para nos próximos cinco anos exercer, de novo, o cargo de Presidente da Comissão de Coordenação Desenvolvimento Regional do Alentejo.
A escolha do novo Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo decorreu de um processo concursal no âmbito da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CreSAP), entidade independente que assegura o recrutamento e seleção de candidatos para cargos de direção superior da Administração Pública e ao qual se apresentaram a concurso para o Alentejo doze candidatos
António Costa Dieb é licenciado em Sociologia pela Universidade de Évora, possui o Curso de Especialização em Gestão de Recursos Humanos e entre variada formação complementar possui o Curso Avançado de Gestão Pública – CAGE.
António Costa Dieb exercia já as responsabilidades de Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo desde 2012, sendo igualmente Presidente da Comissão Diretiva do Programa Operacional Regional - InAlentejo e, no âmbito da Cooperação Transnacional é Presidente da EUROACE - EuroRegião Alentejo, Centro, Extremadura, Vice-Presidente da EUROAAA - EuroRegião Alentejo, Algarve, Andaluzia e Membro da ARE - Assembleia das Regiões da Europa . (nota de imprensa da CCDRA)

Évora: debate público sobre o IMI no Centro Histórico, esta noite


“Centro Histórico de Évora, classificação e o futuro” é o tema de um debate que se realiza esta noite no edifício da União das Freguesias de Évora.
A iniciativa realiza-se, a partir das 21:00, a propósito das comemorações da classificação da cidade como Património Mundial da Humanidade.
Segundo os promotores, um dos pontos em cima da mesa é a questão da isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) no Centro Histórico de Évora.
Estão previstas intervenções de várias entidades, nomeadamente da união das freguesias, câmara, Direção Regional de Cultura do Alentejo, Movimento de Defesa do Centro Histórico de Évora (MDCHE) e da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património (APRUPP).

Assembleia Municipal de Évora: só a CDU votou a favor as Opções do Plano e Orçamento para 2015


A Assembleia Municipal de Évora deu continuidade à sessão de 28 novembro, que havia sido adiada para o dia 12 de dezembro, devido à significativa quantidade e natureza de assuntos para deliberação. Do conjunto de pontos tratados, destaca-se a aprovação, por unanimidade, da proposta de Regimento da Assembleia Municipal de Évora, onde foram introduzidas diversas melhorias em relação ao documento inicial, nomeadamente no domínio das competências de apreciação, fiscalização e funcionamento desta.
O Presidente da Assembleia, António Jara, salientou, entre as alterações aprovadas, o uso da palavra pelo público. Assim, em cada sessão ordinária e extraordinária, o Presidente fixa um período de intervenção, aberto ao público presente, de 45 minutos, que terá lugar em dois momentos: o primeiro, de 15 minutos, no início da sessão; o segundo, de 30 minutos, terá lugar após o encerramento da ordem do dia. Este período poderá ser prolongado, nos dois momentos.
A apreciação das petições (ou relatórios relativos às petições) subscritas por um mínimo de 150 cidadãos eleitores, recenseados no município, é obrigatoriamente inscrita na «Ordem do Dia» de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal, durante a qual os primeiros subscritores das mesmas podem usar da palavra.
Foram aprovadas as Opções do Plano e Orçamento para 2015, após um amplo debate, com 16 votos favoráveis (CDU), 5 abstenções (3 do PSD, 1 do BE e 1do PS); e 12 votos contra (PS). 
O Parecer apresentado pela Câmara contra o Projeto de Criação do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo (SMAASLVT) foi aprovado com 17 votos a favor (15 da CDU, 1 do BE e 1 do PS) e 14 votos contra (11 do PS e 3 do PSD). Recorde-se que este parecer, já aprovado em reunião pública de Câmara, responde ao ofício, datado de 23 de outubro, do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, propondo a inclusão de Évora no referido Sistema. O Município de Évora decidiu que rejeita o processo que levou à apresentação da presente proposta de Decreto-Lei, desenvolvido no desrespeito e à revelia das atribuições e competências do Poder Local; manifesta o seu parecer negativo e, em consequência, a sua total recusa em aderir e integrar o propostoSistema, por considerá-lo prejudicial para os interesses das populações.
Contrariamente à proposta da integração no SMAASLVT, o Município de Évora defende que uma agregação deveria garantir os seguintes princípios: manter o centro de decisão desta determinante na área pública e o sector económico na região e sob a égide dos municípios integrantes; e contribuir para a coesão territorial e socioeconómica do Alentejo, quer pelo território abrangido, quer pela construção de uma empresa regional estratégica e de dimensão estruturante, assente numa parceria pública, à semelhança do que já acontece com alguns municípios vizinhos.
Mereceram aprovação unânime a Autorização para abertura de procedimento concursal para internalizar, na Câmara, um trabalhador da extinta empesa Mercado Municipal de Évora; a proposta de Regulamento Municipal para a atividade de comércio a retalho não sedentário, exercida por feirantes e vendedores ambulantes; a Alteração aos artigos 6º e 8º do Regulamento da Comissão Municipal de Economia e Turismo de Évora; a Alteração, por adaptação, do Plano Diretor Municipal de Évora (PDME), por via da aprovação do Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios (PMDFCI 2014-2018) para o Município de Évora; e as Orientações Estratégicas da Câmara Municipal para o mandato da gerência plural da Habévora.
A Assembleia tomou ainda conhecimento da informação do Presidente da Câmara Municipal acerca das atividades e da situação financeira do município, relativas aos meses de setembro e outubro de 2014, tendo o Presidente Carlos Pinto de Sá feito o destaque de algumas questões e respondido às diversas perguntas colocadas pelos membros da Assembleia.(nota de imprensa da CME)

Hoje na SHE: conversas em torno de Mário Cesariny

Évora: "Que escondes tu?", pelo Pim Teatro na Igreja de S. Vicente

Sessões para escolas: 
16 a 23 Dezembro
segunda a sexta, 10:30

Sessões para público familiar: 
20 e 21 Dezembro
27 e 28 Dezembro
sábados às 16:30
domingos às 11:00

Bilhetes Público Escolar: 3 euros

Bilhetes Público Familiar:
3euros crianças | 5euros adultos | 3euros grupos /famílias (5 pessoas)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A posição do PS na Assembleia Municipal de 12 de Dezembro sobre a "questão da água"

Intervenção de Francisco Chalaça na Assembleia Municipal de Évora de 12/12/14
A Discussão em torno das questões que se prendem com a gestão da água enquanto recurso fundamental assentam em duas óticas, no nosso entender, um ótica politica, em que se define quem deve possuir a propriedade da água e para nós é claro que a propriedade da água deve continuar a ser pública.
E Por outro lado, uma ótica económica e financeira que avalie a capacidade da Empresa Gestora para efetuar um elevado volume de investimento associado a uma gestão eficiente que assente num tarifário justo, mas suportável para os consumidores, este aspeto é hoje essencial, tanto mais, que é conhecida a legislação comunitária, que obriga a que, os estados membros, façam refletir no tarifário da água todos os custos de produção da mesma com qualidade para consumo. Ou seja, quanto maior for a capacidade de investimento, melhor será a qualidade da água, quanto maior for eficiência operacional da empresa Gestora da Água, menores serão os custos de produção, logo, mais baixo será o índice tarifário para os consumidores.
É esta a tónica que colocaremos na análise que aqui iremos fazer, sobre este assunto.
Começo pois por reafirmar, em nome do Grupo do Partido Socialista nesta Assembleia, que somos absolutamente contra qualquer intenção de privatização da água, é nosso entendimento que, independentemente da reorganização, das entidades gestoras, que venha a ocorrer no sector, a água, como elemento vital, deve permanecer como um “Bem Público”.
Não restando qualquer dúvida ou equívoco sobre esta nossa posição, passamos a analisar a questão que nos é colocada de emissão de parecer sobre a integração das “Águas Centro Alentejo”, no “Novo Sistema Multimunicipal de Lisboa e Vale do Tejo”.
A questão em si mesma não pode deixar de ser contextualizada face às alternativas hoje existentes de integração do município num sistema público de distribuição de água e de tratamento de água residuais, tanto assim que nos foi enviado o contrato de parceria entre a Águas de Portugal e os municípios aderentes e o estudo de viabilidade de criação da empresa de “Águas Públicas do Alentejo”, que tem como acrónimo AgdA   que,  passarei a usar sempre que pretender referir aquela empresa.