terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Meu Avô

Não há como não falar hoje em Mandela. Mesmo se há quatro dias é o que mais se tem feito no espaço público, a importância sobretudo simbólica de Nelson Mandela assim o exige.
E depois este político foi profícuo em ensinamentos vertidos em frases lapidares. Das muitas que também por aí circulam, escolhi aquela em que diz que «A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo». Porque a educação também nos é dada pelos nossos antepassados e não há como não sentir Mandela como uma espécie de avô de todos nós que viveu até ao fim, mesmo se esse fim nos surpreendeu, vou falar-vos do meu avô que também morreu assim, no fim, aos 96 anos, e que me marcou de uma forma que reconheci sempre em sua vida mas que, surpreendentemente, se me tem revelado agora, nestes últimos quatro anos, particularmente inspiradora, tendo revisitado todos os seus testemunhos com grande entusiasmo.
O meu avô, que era primo direito do José Régio e do Júlio, duas figuras maiores da Cultura portuguesa, teve o privilégio, fruto de algumas posses de uma família de burgueses que valorizavam já na altura o único património que sempre considerámos, na família e a par da família, inalienável, o do Conhecimento, de ter estudado em Coimbra, onde foi presidente da Associação Académica, e ter sido advogado. Fez parte de movimentos políticos na clandestinidade e, com alguns destes, ajudou a fundar, lá pelo Norte do País, após o 25 de abril, o Partido Socialista. Foi sempre Presidente da Assembleia Municipal de Vila do Conde, a terra da minha família paterna, desde que houve eleições locais democráticas, até que a saúde lho permitiu.
Atarefado pelas atividades profissionais e políticas, os momentos em que convivíamos, nas férias às refeições e nas quadras festivas do calendário cíclico, ouvia-nos e respondia-nos às perguntas de vária ordem e contava-nos histórias, episódios da sua vida, que ouvíamos, netos e mesmo depois os bisnetos, em silêncio com muita atenção. Pois também é isso que faz a maior parte dos avós neste mundo, assim se criem as condições para tal.
Já estaria pelos seus 70 anos, e a minha avó por perto, quando a propósito da curiosidade de um dos meus primos sobre a genealogia da família e a vontade de poder ter por lá alguma figura notável, fomos descobrindo uma história do lado da minha avó sobre brasões e títulos nos Açores, de onde seriam os antepassados, e que um tio-avô teria mandado lançar ao mar quando lhe perguntaram o que fazer com a pedra de armas da família. Espantados com estas novidades do passado da minha avó, que tinha uma enorme mágoa por não ter nunca estudado mais do que a quarta classe, logo perguntámos ao meu avô pelos seus antepassados. Resposta dele: «Plebeus puros!».
A par de outras curtas e certeiras respostas que lhe fui ouvindo ao longo da vida a propósito de maneiras de a viver, tomei-o sempre como exemplo nas ações que acompanhavam as palavras tão admiradas por tantos. E aprendi que, não descurando a nossa individualidade sobretudo na opinião que formamos e naquilo que é do foro mais privado, o bem comum que partilhamos com os outros, esse Povo em que afinal todos nos tornámos com a Democracia, é precioso. Foi esse o sentido que deu ao termo plebeu que então usara. Esse sentido de pertença a um coletivo de direitos e deveres com as mesmas oportunidades de os exercer. E esse bem comum tem de ser tratado no sentido de que nele se gerem o menor número de injustiças possível, já que a própria vida às vezes nos parece fazer algumas.
Os códigos de conduta pública, quando balizados por regras e leis onde o bom senso, muitas vezes uma equação difícil mas não impossível de encontrar, é a pauta por que todos nos devemos reger, sem exceções por arbitrariedade. Ou como costumo ouvir dizer a outro homem com quem muito tenho aprendido, a regra defende o pobre e se o que é comum for cuidado, então também o que o que é de cada um fica salvaguardado.
São os indivíduos que, normalmente com um coletivo, têm na mão essa arma poderosa que é a educação dos outros pelo exemplo que são. São raros os que, chegando a políticos ou assumindo posições de poder, tenham para além do papel de modelos da humanidade a felicidade de contribuir para alguma coisa no mundo mudar, para melhor. Nelson Mandela foi um deles. E à muito minha escala, que é a de tantos outros netos e filhos e irmãos, o meu avô também.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

27 comentários:

  1. A cãmara cedeu o quiosque da rua de machede a uma instituição de solidariedade social,pode fazer o mesmo com o do Rossio.

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  2. Um gesto Nobre da cãmara.

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  3. quem não gostaria de ser Nelson
    MANDELA

    - sem os vinte e sete ANOS
    fechado
    numa CELA

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  4. Mas esta Claudia ainda manda postas de pescada.
    Fez parte de uma gestão ruinosa da cidade. Ao menos o melgas eo ernesto está calado, Porque te não calhas?

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  5. A Havaneza não se envergonha da entrada da loja?


    A parede toda esburacada.......

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  6. O bolas não tem cêntimos.

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  7. Claudia Pereira desperdiçou a oportunidade de concretizar o que enuncia «São raros os que, chegando a políticos ou assumindo posições de poder, tenham para além do papel de modelos da humanidade a felicidade de contribuir para alguma coisa no mundo mudar, para melhor.»

    Na verdade são raros, tão raros que ela preferiu fazer parte dos outros, daqueles que ficam para a história como a pior vereadora da câmara de Évora, a gestão mais ruinosa não só do ponto de vista financeiro mas também de descredibilização da instituição câmara e das suas relações com os agentes culturais, educativos , sociais, desportivos, ..., ....

    Claudia fará parte,para a posteridade, do grupo dos que destruíram a cidade.

    Claudia, pelo péssimo serviço público que desempenhou, devia desaparecer da cena pública.

    Claudia faria um favor a todos nós se se calasse de uma vez por todas.

    Já não aguentamos mais, Claudia. Por favor, cala-te !

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  8. A autarquia deve tomar medidas,para evitar mensalmente a LIXEIRA no Rossio.

    É vergonhoso numa Cidade Património Mundial.

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  9. Meu Caro Luciano:

    A praça do Giraldo precisa de ter taças (ferro) com plantas e mais bancos.

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  10. Revitalizar o Mercado Municipal,dar vida ao espaço vazio no piso superior.

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  11. Aproveitamento do GRANDE espaço (antiga rodoviária),para fins culturais.

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  12. Reactivar o Coreto .

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  13. Recuperar o quiosque do Rossio.

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  14. Vê se logo que é natal, toda a minha santa gente tem pedidos. Nem querem saber da situação desastrosa que o PS deixou a cidade e a CME.

    Isto está bonito está!!!

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  15. a lâmpada do 3º candeeiro da rua fria está fundido

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  16. Se a senhora ex-vereadora não se cala, ao menos o ACincoTons podia poupar-nos ao mau gosto de nos impingir as suas (dela) "Crónicas".

    É que não há pachorra para aturar mais isto.

    Vocês (Carlos Júlio) odeiam assim tanto os frequentadores do blogue para nos obrigarem a olhar para esta cara feiosa e a ler as ainda mais feiosas palavras da senhora? Que mal vos fizemos nós?
    Por favor, já chega!...

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  17. 18,03

    Querias ser o único a ter licença para arrotar, não?

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  18. @ 17:04 Taças de ferro com flores ? No Alentejo ? Até nos vasos de barro elas cozem quanto mais nos de ferro. Ele há gente sem a mínima noção da realidade ...

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  19. "Cedência e exploração da instalação municipal do Quiosque do Jardim do
    Paraíso – Évora
    ...
    A Câmara deliberou, por unanimidade, aprovar a proposta do Sr. Presidente

    excerto da acta da reunião de camara de dia 14 de Junho, ou seja, esta nova câmara nada tem a ver com esta atribuição!!!!!!

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  20. Publiquei isto no manelinho , mas eles devem estar a apagar, a propósito da entrevista do dr. Pinto Sá ao Diário de Notícias sobre a água, onde não há nenhuma novidade.
    "O que o dr. Pinto Sá diz nesta entrevista parece decalcado das palavras do dr. José Ernesto e é exactamente o que ele disse por várias vezes. (Até disse que tinha sido enganado quando entrou no "negócio") Aliás foi ele que pediu a saída das Águas do Centro Alentejo, que lhe tem sido negada. O dr. Pinto Sá está na mesma: que ganhava a ãmara e fazia e acontecia. Até agora é só choradinhos sobre o molhado. Que a situação era esta todos sabiamôs (porque é que o PCP julga que ganhou a Câmara?). O que se esperava não era mais choradinho - era que fizessem alguma coisa que se visse. Mas já se percebeu que até ao momento o que vai haver é a "dívida catastrófica" e a "água catastrófica" tudo para esconder a gestão do PC que, pelo que se prenuncia, também irá ser de "uma excelência castastrófica".

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  21. @22:44
    Há uma diferença substancial: no momento em que o Dr. Ernesto e o PS conduziram irresponsavelmente a CME para a negociata desastrosa da águas, o Dr. Pinto de Sá AVISOU os munícipes do seu concelho e os cidadãos de outros concelhos do distrito de Évora dos resultados desastrosos dessa decisão.

    Enquanto um estudou os assuntos em profundidade e avaliou as consequências, o outro tomou a atitude irresponsável de submissão aos interesses de Sócrates e do aparelho socialista, entregando o destino dos eborenses nas mãos desses interesses estranhos.

    O que fez depois, o Dr. Ernesto, nem foi um acto de contrição e pedido de desculpa aos eborenses pela sua decisão irresponsável, mas, antes, um cínico acto de sacudir "água do capote" tentando iludir as suas responsabilidades.

    Portanto, nem que seja por uma questão de higiene e salubridade, é bom que não se confunda azeite com vinagre...

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  22. Fala muito e quando lá esteve, o que fez?

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  23. Andou às ordens do brilhantina...

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  24. concordo com os comentadores que já estão fartos desta claudia xuxa. desta e das outras xuxas feiosas. esta até tem olhos verdes de bruxa e é toda descabelada.Vá a ver a outra que manda nas gajas todas até bigode parece que tem de tão machorra que é.Mais a girafa da mulher do padre que tem a mania que manda em todos porque se meteu debaixo das saias do gajo. E ainda a deputada que parece uma boneca a desensuflar. xoxas xuxas. Esyou curioso, será que estas tambem escrevem cronicas em algum lado ou só fazem numero.

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  25. Lá no teu partido também tens das boas: a Elsa vereadora, a Margarida sindicalista, a outra do Eboramusica. Tudo material de primeira...

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  26. margarida sindicalista? se é quem eu estou a pensar...coitadinha...é do mais burra e parva que existe.
    anda a fingir que percebe de sindicalismo,mas NUNCA foi sindicalista EM LADO NENHUM.
    é o exemplo tipico de uma impostora .é apoiada pelo PCP esta AUTENTICA NULIDADE,mas maldade nao lhe falta.
    também é de montemor,eheheh

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  27. A delegada da Educação de Évora para além de incompetente, instalou um clima de medo nos serviços e trata os funcionários com uma arrogância despropositada e anormal.Em versão popular é do tipo de cadela que não conhece o dono. Trata mal até os que votam do seu partido, o CDS/PP e adora tratar mal o pessoal do PSD, que ela considera uns trastes. O anterior adjunto (PSD) foi-se embora para Beja e o actual é permanentemente desconsiderado. É lamentável a direcção do PSD nada fazer perante os casos que tem acontecido. Mas bomba vai rebentar em breve.

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