terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Natal é amor porque sim

São cada vez mais as notícias sobre vítimas, mortais, de violência doméstica. No entanto não sei se há mais vítimas agora do que há 40 anos atrás, com as devidas proporções demográficas tidas em conta. São, é sem dúvida, mais as discussões em espaço público sobre o assunto.
Está o problema centrado na inadmissível violência, que alguns fazem recair sobretudo numa questão de género o que me parece já redutor, e que é tanto mais inadmissível, sendo-o desde sempre, quanto mais o Homem (assim com maiúscula) se afasta da besta num rumo desejável da civilização. 
Mas a questão também se centra, e de forma muito vincada, na relação fronteiriça, e tantas vezes violada por “dá cá aquela palha” e alimentando o que de pior há em nós, entre o público e o privado. Por isto, a violência em domínio privado passou a ser considerada crime público, ainda que só há uma dúzia de anos, e não sem controvérsia, aqui em Portugal. Nietzsche afirmava, na sua obra «Para além do Bem e do Mal», que “Em homens duros a intimidade é questão de pudor - e algo de precioso” o que justificará a denúncia de uma situação da intimidade, ainda que de outrem, para o domínio público como, ainda para muitos, um ato de fraqueza, semelhante à da delação, e não de coragem. Também neste campo as fronteiras são difíceis de medir e julgar, com parâmetros de Bem e Mal à mistura e a baralhar o comum mortal.
A preciosidade da vida íntima ou pessoal, característica que Nietzsche lhe atribui na sentença que citei, é precisamente o que tantas vezes leva à hesitação da denúncia, pelos próprios, e aí é queixa, ou terceiros. Queixa e denúncia são substantivos negativos, sendo até o diminutivo “queixinhas” sinónimo de denúncia. Substantivos tutelados por um outro maior, e tão louvado e usado, que se adjetiva inúmeras vezes para fazer descer ao caso particular: o amor. E muitas vezes, só quando o amor a outros se sobrepõe ao amor-próprio ou até mesmo, porque não admiti-lo ao amor por quem maltrata, só aí a fraqueza se faz coragem, e se disfarça com o medo.
O que me parece certo é que, para além das patologias que só encontram possível cura junto dos médicos, mais uma vez é na educação que se previnem os casos, ligeiros ou extremos. Ambos são de violência, que acontecem no espaço privado das famílias e que, na maioria dos casos, têm conotações e justificações com a intimidade sexual de cada um. E para que também não se caia na tentação do extremo oposto que, afinal, vem depois legitimar o descrédito das “queixinhas”. É, por isso, tão lamentável existir quem, com responsabilidades políticas, pareça continuar a achar que a educação sexual na escola pública, tantas vezes confundida porque quem não conhece os seus conteúdos, e que assenta, quando é bem feita, na sólida base da educação dos afetos, seja ainda matéria controversa e, por isso, a rejeitar e não a aprofundar. Como também ouvi esta semana que passou, isso seria deixar espaço a que para muitos, talvez ainda uma maioria dos jovens no mundo inteiro, a educação sexual se faça atrás do pavilhão da escola, e com ela a dos afetos. Pode, afinal, tratar-se de uma questão quase geracional, talvez.
Agora que o Natal se aproxima e a quadra já se vai revestindo desse ambiente que promete o amor e as tréguas entre todos e em geral, nem que seja só como interrupção do resto do tempo e as rotinas prossigam dentro de momentos, talvez a tolerância ganhe outra definição. Mais próxima da intolerância com pactos de silêncio perante situações que sendo da vida íntima, uma tolerância despudoradamente viva na denúncia sem estigmas de delação, mas única e exclusivamente com pudores, porque também os deve haver, de justiça. É que nestes casos em que tantas vezes só podemos julgar pelas aparências, porque tudo se passa no espaço privado, quando chegamos a saber e calamos, consentimos.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

18 comentários:

  1. Mas esta "senhora" não se enxerga? Alguem que a cale, por favor. Não há pachorra!!!!!

    ResponderEliminar
  2. A Igreja de Santo Antão e Harmonia precisam de pintura.

    ResponderEliminar
  3. Podia ao menos mudar a foto?

    ResponderEliminar
  4. O Dr Pinto de Sá não tem picão.

    ResponderEliminar
  5. Se nao tem picao,ele já sabia.Ou apenas interessava o poder?
    Na minha opiniao sao todos a memissima trampa.

    ResponderEliminar
  6. Os anteriores comentários anónimos e anódinos são de comentadores que se julgam no tempo da inquisição.
    Será que outras pessoas não poderão pensar de maneira diferente.
    O aceitar o outro com as suas ideias, com as quais poderei discordar, não será um acto de cidadania e uma atitude democrática.

    António Gomes

    ResponderEliminar
  7. Tudo certo. Eu apenas pedi para mudar a foto. De resto escreva o que lhe der na veneta.

    ResponderEliminar
  8. 18.00

    Envia-nos a tua foto para que a Comissão de Estética veja se sobrevives a um olhar mais atento.Depois se verá o teu destino, mas para teres esses recalcamentos deves ser cá uma estampa!!!

    ResponderEliminar
  9. Esqueci-me de dizer que gostei do Texto da Cláudia. É profundo e diz muito à sociedade de hoje...
    Gostava de adiantar que não sou do PS, mas tenho amigos no PS e também aceito opiniões vindas do aceito, apesar de algumas delas.
    Não a conheço. Foi vereadora do PS no anterior mandato. Comportaram-se mal e sofreram as consequências.
    É, assim a democracia...

    António Gomes

    ResponderEliminar
  10. O texto é da Madame Min ou da Maga Patalógica????

    ResponderEliminar
  11. posso fazer download da foto ?

    é para mostrar á minha mae...

    é que ela nao acredita em monstros!

    ResponderEliminar
  12. Deixem estar a foto, por favor. Ontem a minha pequenita não queria comer a sopa, ao jantar, e eu mostrei-lhe esta foto e disse-lhe que vinha esta senhora dar-lhe a sopa. Comeu-a logo e foi prá cama sem refilar.
    Esta "senhora" é uma benção para os pais de crianças birrentas. Muito melhor que o Homem do Saco.

    ResponderEliminar
  13. 17:09 A Igreja de Santo Antão e a Harmonia são património da câmara, são património público isto é, de todos nós ? É que se não forem e a câmara as mandar pintar eu vou exigir que me pintem também a casa !! Já basta o meu IMI ter aumentado por causa da péssima gestão do PS e do empréstimo que fizeram por 20 anos !
    A câmara pintar o que é do domínio privado ? Onde encontrariam justificação legal para usar o meu dinheiro para pintar o que não é público ? Havia de ser bonito !

    ResponderEliminar
  14. Exactamente, ó comentador das 08:08.

    Tem toda a razão.

    E o que diz da Câmara ter usado o meu dinheiro e o seu para pagar a remodelação de uma praça de touros que pertence a uma família particular?
    Por causa do dinheiro que gastaram aí, a beneficiar os amiguinhos chuchas, é que o meu e o seu IMI aumentaram. Isto também critica ou já não?

    ResponderEliminar
  15. Por FAVOR ,podia por a foto maior?
    Pra se ver de longe.Tenho o pc na sala,mas janta-mos na cozinha e ve-se mal. A ver se gaiato come tudo.
    Muito obrigado.

    ResponderEliminar
  16. A foto ainda está do mesmo tamanho.
    NAO SE ESQUEÇA POR FAVOR.
    OBRIGADO.

    ResponderEliminar
  17. Realmente que monstro em todos os sentidos, mas esta gente do PS não se enxerga ?
    Desapareçam, metam o rabo entre as pernas. Venham outros que estes já provaram que nada valem

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.