terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Esta noite na Casa da Zorra (Évora)


1 comentário:



  1. Seriedade fingida




    Paulo Morais - Passou mais um ano e a vergonha continua: Portugal é classificado como um dos países mais corruptos da Europa Ocidental. A podridão na política e na administração pública portuguesa só é comparável à da Grécia, da Itália e da Espanha.

    Os indicadores internacionais que avaliam a corrupção, produzidos pela "Transparency International" e divulgados na última semana, colocam-nos assim num desonroso trigésimo terceiro lugar, no conjunto dos países avaliados. Num índice que consolida informação do Banco Mundial, do Fórum Económico Mundial ou do "Economist" entre outros, estamos situados a anosluz dos estados mais desenvolvidos. Mas, mais grave do que a situação atual, é a tendência. Na década de 2000 a 2010, Portugal foi mesmo o país que mais se depreciou em termos de transparência. Em 2000, ocupava o 23.º lugar na tabela e em apenas dez anos passou para 32°, continuando a tendência de deterioração na década atual.

    Curiosamente, o estado português é um dos mais lestos a subscrever as convenções internacionais de combate à corrupção, das Nações Unidas à OCDE. Mas é inconsequente, não concretiza aquilo a que se compromete.

    Não há uma estratégia global de combate à corrupção, faltam tribunais especializados dotados de meios. Não se recuperam os ativos que são subtraídos à sociedade em casos de corrupção como o do BPN ou dos submarinos; os contratos das parcerias público-privadas, apesar de irregulares, continuam a ser pagos religiosamente, perante a cumplicidade do Parlamento e do Tribunal de Contas. Não há qualquer proteção aos denunciantes de corrupção que são vítimas de retaliação.

    Inexplicavelmente, os atores políticos, sempre tão preocupados com a imagem internacional de Portugal, nada fazem para combater este fenómeno. Não passam dos discursos piedosos e hipócritas. Fingem defender a boa, imagem do estado e do país, apelando ao pagamento atempado dos juros da dívida pública, ou até aos resultados positivos no futebol. Nunca perceberão (porque não querem) que a melhor forma de prestigiar um país é dispor de um estado sério. E isso consegue-se combatendo a corrupção. E nunca protegendo-a ou ignorando-a.

    paulo Morais | Correio da Manhã | 10-12-2013

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