quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Defesa miserável de uma prova miserável

Ontem não foi o dia d, mas foi a tentativa de impor o dia h para um conjunto alargado de trabalhadores do sector da educação.
Na linha do feroz ataque aqueles que querem fazer da docência o seu modo de ganhar a vida, o Ministério da Educação impôs a obrigação de um humilhante exame de acesso à profissão, para milhares de professores com menos de cinco anos de exercício daquela actividade.
O dia foi aproveitado pela comunicação social para dar voz a todos aqueles que fazem dos professores da escola pública o alvo preferencial da sua mesquinhez, muitas vezes pegando em exemplos e episódios negativos para generalizar e lançar um anátema contra a totalidade dos que exercem a profissão.
Foi valendo de tudo. Desde o comentador que não faz ideia do que é o sistema de avaliação da função pública e que afirma que os professores não querem ser avaliados (confundindo avaliação com restrição de acesso à profissão) até à reportagem onde foram colocadas duas jovens que frequentam o ensino secundário, a afirmar que a prova era demasiado acessível até mesmo para quem não tem habilitação própria para ensinar.
Peça essencial desta campanha foi a entrevista concedida por Nuno Crato a José Rodrigues dos Santos onde, beneficiando da passividade do entrevistador, chegou a perguntar se não era legítimo que um licenciado em comunicação social prestasse provas para pivot de telejornal, sem que o entrevistador tivesse devolvido a pergunta questionando a legitimidade de prestar provas para ingressar numa profissão que se exerce há 5 anos, estabelecendo propositadamente a confusão entre candidatura a um emprego e o direito de se considerar apto a exercer uma determinada profissão.
Na defesa miserável da sua dama, o ministro não hesitou em colocar em causa a qualidade do ensino superior deixando no ar, com claros propósitos divisionistas, que os que frequentam as universidades são melhores que os que frequentam as escolas superiores de educação.
Diga-se em abono da verdade que ao dividir os professores em dois escalões, com mais e com menos de cinco anos de profissão, já tinha tentado o truque de colocar os mais velhos contra os mais novos, com a preciosa ajuda do sindicato afecto à UGT.
O que está em causa não é o número de professores que são obrigados a fazer a prova, mas a instituição de um princípio humilhante para quem tem de a fazer e de intolerável desconfiança para quem a tem responsabilidade de formar alunos para o exercício da docência e o ministro deixou isso bem claro nas declarações que prestou.
Por isso mesmo o estabelecimento de um patamar acima do qual não era exigida a prova, não foi uma cedência do ministro mas uma atitude legitimadora por parte do sindicato que aceitou desistir da luta.
A prova miserável, defendida miseravelmente pelo ministro e suas caixas-de-ressonância e legitimada por quem deveria ter como principal preocupação a defesa da dignidade dos seus associados.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

3 comentários:

  1. o Ministério da Educação impôs a obrigação de um humilhante exame de acesso à profissão,humilhante?Todas as profissões ou atraves de ordens ou do empregador passam por uma prova ou selecção,é normal numa democracia normal.
    Percebo as suas ideias num sentido de ditadura de esquerda por imposição,é incrível!

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  2. os comunas continuam no seu melhor

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  3. Desta gente não sai UMA ÚNICA coisa positiva, que dê esperança e optimismo!
    NADA!

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