segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Renegociar já!

Decorreu este Sábado, em Cacilhas, um Fórum de Debate intitulado “Uma Saída para a Crise” organizado pelo Bloco de Esquerda e pelo Grupo Parlamentar Europeu da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica. Um tema crucial deste debate foi a reestruturação da dívida nas economias periféricas.
Hoje em dia, a grande maioria dos economistas, da esquerda à direita, assumem a necessidade inevitável de renegociar a dívida. O Bloco de Esquerda desde a primeira hora afirmou que era necessário reestruturar a dívida. É bom que não nos esqueçamos. Lembram-se de qual a justificação dada para não nos sentarmos à mesa com a Troika?
Mas hoje, é também necessário alertar e imperioso separar o trigo do joio. Existem aqueles que dizem ser necessário renegociar a dívida, mas que vão adiando essa ideia, vão deixando que as políticas austeritárias retirem o dinheiro daqueles que trabalham ou trabalharam toda uma vida para transferir esse dinheiro para a banca e para o grande capital. Aqueles que vão sustentando uma política que ataca os mais desfavorecidos para perpetuar uma dívida, que nunca mais desce, mas que entretanto vai servindo para pagar à Banca internacional e para recapitalizar sucessivamente a Banca nacional. Aqueles que dizem que a renegociação pode esperar, que há ainda terreno para secar, que há ainda forma de atacar ainda mais o valor do trabalho.
E há aqueles que dizem que a renegociação feita ontem já era tarde de mais. Que a política austeritária tem de parar já, que está na hora de defender os portugueses, a democracia, o Estado Social em detrimento do poder financeiro.
Renegociar a dívida pública. A proposta do Bloco de Esquerda é clara. O Orçamento de Estado para 2014 prevê o pagamento de juros sobre a dívida pública de 7.323 milhões de euros. Propomos, de forma resumida:
a) Início imediato de um processo de renegociação da dívida pública com os credores privados e oficiais, tendo em vista a aplicação de regras de sustentabilidade no pagamento da dívida pública, indexando o seu pagamento ao crescimento da economia e das exportações.
b) Moratória sobre o pagamento de juros.
c) Fim da isenção de imposto sobre o rendimento obtido com Obrigações ou Bilhetes do Tesouro concedida a investidores não residentes e instituições financeiras, permitindo um encaixe de 1,1 mil milhões de euros em 2014 e de 8,8 mil milhões de euros até 2020.
d) Garantia de manutenção das condições dos detentores de certificados de aforro e certificados do tesouro.
Este é um desafio imediato. Um desafio à escala nacional e europeia. Não desvalorizemos as eleições para o Parlamento Europeu. Nestas muito ficará decidido sobre o nosso próprio futuro. Espero que a memória não seja curta, pois se ela for os danos podem ser duradoiros.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

4 comentários:

  1. Manuel Fernandes Tomás (Figueira da Foz, 30 de Junho de 1771 — Lisboa, 19 de Novembro de 1822).
    Pai da consttiuição de 1822, proibe aos titulares de cargos públicos de auferir qualquer rendimento, que diferença em relação oas chupistas de hoje. Morreu mesmo de fome, pois não auferindo qualquer rendimento não se alimentava, não se pedia o mesmo aos politicos de hoje, mas sim frugalismo, ética valores coisas que eles desconhecem : Os de hoje roubam delapidam, são pessoas como os outros, não estão autorizados a roubar

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  2. O que o Bloco de esquerda quer assim como o PCP e todos os partidos da extrema esquerda, é deixar arder aqueles que emprestaram dinheiro para pagar déficits das contas públicas atrás uns dos outros, anos e anos.
    E depois de deixarem os credores a arder, julgam que podem cantar e rir sem que os outros exerçam represálias. Julgam que podem comer da CEE a vida toda

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  3. A incapacidade de pensar ataca muito boa gente. É o que acontece ao comentador das 20:18 ou então é só má fé.
    Renegociar a dívida é o que todos os países fazem. A Alemanha, os EUA quando precisam negoceiam para estender os prazos, renegociar taxas de juro, obter perdões parciais de juros. Porque é que Portugal enquanto membro e acionista do BCE apoia os empréstimos à banca a 0,5 % de juro ou menos e depois vai comprar esse mesmo dinheiro a 6%? É legitimo?

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  4. @21:32

    "b) Moratória sobre o pagamento de juros"
    É o que o senhor Bruno/Bloco dizem. Se calhar o senhor Bruno nem sabe o que é uma moratória.

    e você sabe o que é uma moratória?
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Morat%C3%B3ria

    Ora aqui está: FICAR A ARDER COM O PAPEL. é O QUE A EXTREMA ESQUERDA preconiza.

    Precisa de um desenho?

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