terça-feira, 5 de novembro de 2013

o trabalho como estruturante do tempo que vivemos


Quando me convidou para um café percebi-lhe o tom de um entusiasmo invulgar na voz. Logo que me sentei à sua mesa notei -lhe no rosto um ar tão cansado que me preocupei.  O desfiar inspirado do que trazia para me contar, e as mudanças que a valorização de uma ideia podem operar, deixaram-me a pensar até aqui ...
Trata-se de uma  mulher adulta, experiente, com inúmeras realizações profissionais e pessoais no seu vasto curriculum. Mas estava ali, à minha frente, tão feliz e entusiasmada como há muito não a via, só porque tinha acabado de receber luz verde  para trabalhar, ou seja para  executar uma ideia. Ela é, há muitos anos, quadro da função pública, mas a oportunidade de concretizar uma proposta sua, de ir para lá da rotina, de tornar real o que lhe germinara na inteligência, afinal tão só a possibilidade de fazer, continua a potenciar-lhe o ânimo, a motivação, e a existência, de forma quase tão refrescante e até enternecedora, como, só aparentemente, inexplicável . A ela e a um vasto grupo de outros implicados.

A cena real, ocorrida ontem, confirma que o trabalho continua, apesar das incessantes moldagens que a contemporaneidade lhe tem trazido, a desempenhar o papel de "categoria fundante do ser humano e de suas formas de sociabilidade" .

Vem isto a propósito de não nos ficarmos pela compreensível relevância que nos dias que correm se atribui  às condicionantes financeiras, sejam os números das dívidas ou os dos orçamentos. 

Vem ainda isto a propósito da necessidade de sublinhar que há um imenso capital que não sendo financeiro, é tão precioso que não se sabe ainda contabilizar, e se tende a menosprezar :  O capital que são os recursos humanos. Numa organização, as pessoas e as suas potencialidades, são de facto o capital maior mas também o mais difícil de gerir. Daí que os gestores da maior parte das instituições, e até dos países, continuem a concentrar-se principalmente nos números. Às pessoas não sabem ainda bem o que fazer, para além de contabilizarem em numerário as mais valias diretas que estas lhes rendem.

1 comentário:

  1. Mas que se passa na nossa cidade?
    Chegamos o nível da Nicarágua a nível de policia?
    Hoje tiroteio e pancada entre ciganos na rua da creche na Malagueira,no Verão foi o mesmo filme chega a policia faz uma entrevista tipo escuteiro e brincando sem identificar ninguém,a armas tiros na via publica e fica tudo impune?
    O presidente Pinto de Sá tem que exigir outro comissario este brinca com a população pondo a em risco de vida.
    ESTOU EM CHOQUE COM O QUE VI HOJE!

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.