domingo, 3 de novembro de 2013

FEMINIZAÇÃO DO PODER COMEÇOU NO ALENTEJO


O recente acto eleitoral autárquico determinou que apenas 23 mulheres no cômputo dos 308 concelhos do país  viessem a ocupar  a presidência de  Câmaras, o que representa em termos globais um valor de 7,46 pontos percentuais. Facto surpreendente, e que ninguém analisou até agora embora aqui tivesse sido referido, é que, 7, cerca  de um terço delas (30,43 %), foram eleitas nos municípios do Alentejo dando-lhe  o segundo lugar em termos das regiões portuguesas, apenas igualada pela vasta região de Lisboa e Vale do Tejo. 
A nível nacional é o PS que detém metade das mulheres eleitas, em número de doze mas no contexto do Alentejo é o PCP que lidera com três, seguido pelos socialista, com duas, o PSD, com uma, sendo a outra pertencente a movimento de independentes. Outra curiosidade: embora seja o distrito de Santarém com mais mulheres presidentes de Câmara, nada menos de 5, Évora está em segundo lugar com 4 e com três está Portalegre.
Mas há outros  números surpreendentes. Em 2005 o número de eleitas para o cargo foi de 19 e em 2009 subiu para 23, tantas como agora. Em 2009 no Alentejo só duas mulheres ( Gabriela Tsukamoto, em Nisa, e Fermelinda Carvalho, em Arronches, haviam merecido a escolha dos seus munícipes. Também, poucas foram as que se candidataram.
Agora tudo foi diferente. Desta feita foram 22 as candidatas que se apresentaram a escrutínio, encabeçando listas partidária ou de independentes e sete as eleitas a saber:  Adelaide Teixeira (Portalegre), Idalina Trindade (Nisa), Hortênsia Menino (Montemor-o-Novo), Mariana Chilra (Alandroal), Fermelinda Carvalho ( Arronches), Clara Safara (Mourão) e Sílvia Pinto (Arraiolos). Pertencem 4 ao distrito de Évora e 3 distrito de Portalegre, sendo que para bandas de Beja as mulheres ainda não adregaram arranjar coragem para dar o passo em frente com determinação e convicção tal como nos 4 concelhos do distrito de Setúbal (Litoral Alentejano).
O mais curioso sucede quando se verifica que apenas uma delas, está à frente de uma capital de distrito, outra lidera numa cidade e as restantes em vilas, meios rurais por excelência onde o machismo e algum marialvismo predomina. «A confiscação até aí da representação política  pelos homens sugeria a ideia de que o mundo político era a última fortaleza masculina, a esfera mais machista, a mais fechada às mulheres» escrevia Gilles Lipovetski em 1997, em “La Troisième Femme” , editions Gallimard, obra traduzida pelo Instituto Piaget para a sua colecção “Epistemologia e Sociedade”. (Eh, porra, oh E.L., ajuda-me lá a que eu me lembre a que enciclopédia e verbete fui eu  buscar isto ou se a citação  está descontextualizada?!)
E prossegue o filósofo e sociólogo francês, opinando que «as mulheres políticas não têm exactamente as mesmas motivações dos seus colegas masculinos e não mantêm a mesmas relações que eles com o poder político. As mulheres políticas são mais pragmáticas e menos carreiristas do que os homens, menos fascinadas do que eles pelos jogos de poder, menos preocupadas em obter cargos do que em fazer passar as suas ideias e realizar acções concretas. Isto não significa que as mulheres não têm ambição, mas que esta está mais associada à vontade de ver resultados do que em obter «postos» e honrarias. O poder é mais percepcionado como um meio do que como um fim em si mesmo ».

Ora parece ter chegado a altura de a mulher alentejana deixar ser «a fada do lar, a escrava do senhor ou o seu objecto de adorno» para se enfronhar na vida política, rejeitando a paridade imposta e nunca respeitada, a qual constitui uma regressão naturalista à ideia de cidadania moderna, para inserir na vida pública e política para discutir com os homens a vida e o futuro dos seus, do seu concelho, da sua freguesia.
Fazendo-o, no entanto, de acordo com as características da sua condição, apresentando-se como tal e ajudando a destruir o mito de que é preciso fazer a barba para se fazer  política, necessário vestir-se como um homem, utilizando vestuário unisexo ou envergar as banalizadas gangas, prescindindo de tudo os que possa identificar como mulheres.
Pelo contrário, as mulheres alentejanas, que chegaram ao poder, foram tomar posse com brio, fazendo alarde da sua condição feminina, vestindo primorosa e diferenciadamente, alguns delas usando vestido ou saias curtas e elegantes e calçando saltos de salto.

Para dizerem indirectamente, afinal, que as autarquias de que iam tomar posse não se regeriam pelos caminhos que até aí tinham trilhando mas que a partir daí seriam geridas com uma visão diferente das coisas, assente nas suas capacidades criativas, de iniciativa  e com a sensibilidade que lhes é própria. Nenhumas delas é “dinossaura”, nenhuma delas tem os vícios enquistados de muitos anos no poder. Têm entre 35 e 51 anos, assumiram com grande aprumo e responsabilidade as suas funções e responsabilidades e disseram-nos, no geral, que iam fazer diferente. È uma lufada de ar fresco que chega ao nosso poder local, é um safanão que aos poucos agitará uma região amorfa a tornar-se desencantada pela inércia e marasmo dos seus protagonistas principais. Recebamo-las com muita esperança no percurso que agora encetam esperando que elas sejam o motor da mudança de que aquele está efectivamente carenciado. E é bom sinal que a feminização do poder tenha chegado ao nosso Alentejo.

José Frota

12 comentários:

  1. Diz o Frota:

    «Fazendo-o, no entanto, de acordo com as características da sua condição, apresentando-se como tal e ajudando a destruir o mito de que é preciso fazer a barba para se fazer política, necessário vestir-se como um homem, utilizando vestuário unisexo ou envergar as banalizadas gangas, prescindindo de tudo os que possa identificar como mulheres.»

    Esta frase é uma pérola! Destruir o mito (ainda é mito? e de quem?) de "que é preciso fazer a barba para se fazer política" até podia ser uma maneira engraçada de denunciar a masculinização do poder, mas logo a seguir se entorna o caldo com as referências a "vestir-se como um homem", "utilizando vestuário unissexo", "envergar as banalizadas gangas" ou "prescindindo de tudo o que possa identificar como mulheres".

    Porque uma mulher pode, por exemplo, usar vestuário unissexo, isto é, indiferenciado para os dois sexos, mas não pode fazer a barba (como um homem).

    Frota confunde coisas distintas e deixa-nos sem perceber a que mito se refere? Ao mito de que é preciso SER homem para exercer o poder político ou ao mito de que é preciso PARECER homem? Não é o mesmo.

    E que mal há, por exemplo, no vestuário unissexo, se é apropriado tanto para mulher como para homem?

    O que mais impressiona nisto é que Frota acha que uma mulher que use "as banalizadas gangas" não se apresenta "de acordo com as características da sua condição" feminina (ou, na versão mais fraca da frase seguinte, não faz "alarde da sua condição feminina"), como se usar ganga fosse equiparável à característica biológica de "fazer a barba".

    Tudo isto é uma patetice e traduz, bem lá no fundo, um machismo e um marialvismo que o autor na aparência (mas só na aparência) condena.

    As mulheres autarcas devem vestir-se como melhor entenderem, como se sentirem mais confortáveis, escolhendo naturalmente as suas indumentárias conforme a natureza (e a solenidade) dos actos em que participam.

    Pode ser de saias (curtas ou compridas) ou de calças (de ganga ou outro tecido), pode ser de saltos altos ou saltos baixos. Pode e deve ser como quiserem e melhor entenderem.

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  2. As mulheres e que gerem a casa e bem,se aplicarem isso numa autarquia fica garantido o bom resultado.

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  3. Eu diria antes FEMINILIZAÇÃO!

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  4. Mas a que raio de propósito é que no meio do post vem uma frase completamente descabida dirigida a um E.L.?
    Mas querem ver que a bestinha agora convenceu-se que o vereador Eduardo Luciano lhe anda a dar troco nos comentários, quando muito provavelmente nem leu e, certamente, não perderia um minuto sequer com a sua insignificância?
    Mas este homem, além de cagão e não se enxergar, não consegue viver sem um ódio de estimação?
    O Eduardo Luciano fez-lhe algum mal ou agora deu-lhe para marrar para aí porque basta ser comuna, como se diz que os touros marram contra a capa vermelha dos toureiros?
    A sério, este homem é doente.
    Tirem-lhe o cabresto e vacinem-no contra a raiva, senão ainda lhe dá um badagaio de tanto ódio.

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  5. Será que o Frota se dá conta do ridículo em que se mete frequentemente, graças aos seus 'odiozinhos' de estimação?

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  6. Podes crer que não dá. O homem é um desequilibrado mental.

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  7. @12:16

    "Feminização" está correto.

    Já "calçando saltos de salto" (sic) só nas sapatarias Frota, Lda.

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  8. Na verdade, só por má fé, é que não se quer perceber que se trata de uma gaffe: o que se pretende dizer é sapatos de salto. Mas a alusão que é feita a seguir (lojas Frota e Frota,Lda.) por não ser feita pela vez primeira, permitiu-me identificar o comentário (olá Manuelinho).
    Por outro lado a emissão de uma crónica de opinião é susceptível de ser alvo de comentários de contestação. O que me parece é terem sido feitos por machistas militantes que não se querem assumir como tais mas são incapazes de demarcar dessa forma de pensamento.
    Seria importante conhecer a visão das mulheres e da maneira como são encaradas dentro dos meios políticos, em que para obterem reconhecimento precisam de ser"parecerem" com um homem.
    Curiosamente , este texto foi igualmente publicado noutro espaço e tem recebido notas de apreço, quase todas oriundas de mulheres, o que poderá significar alguma coisa.
    Porque como se sabe, em muitos meios insuspeitos, ainda predomina a violência doméstica, na base do que escreveu José Cardoso Pires em "O Delfim" :«com as mulheres,é rédea curta, vinho por medida e porrada na garupa». E o Manuel Maria Carrilho está aí para o provar.
    Quanto aos eunucos de pensamento não vale a pena ripostar».

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  9. O Frota que não ande há procura de bruxas onde elas não existem. Nada tenho a ver com o Manoelinho (do Mais Évora?), tal como nada tenho a ver com E.L. ou qualquer outro para que o Frota, no seu desvario, dispara.

    Não falei em lojas Frota Lda, falei em sapatarias Frota Lda e era um evidente gracejo à volta da gaffe do calçado.

    Tal como já tinha gracejado em comentário às 13:34 de 1 de Novembro do seu post de quinta-feira.

    Você anda suscetível, homem. Na altura até lhe deixei, entre parêntesis retos, a mensagem para que não interpretasse mal:

    «[Vá lá homem, sorria. É uma brincadeira. Percebemos a gralha. Toda a gente se engana. Veja lá é se ganha juízo.]».

    Desta vez, por tão evidente e para não dizer o mesmo, achei desnecessário. Mas visto que me acusa despropositadamente de má-fé (não acha que se ridiculariza com o exagero?) aqui lha deixo, repetida, mais uma vez:

    Vá lá homem, sorria. É uma brincadeira. Percebemos a gralha. Toda a gente se engana. Veja lá é se ganha juízo.

    Com uma ênfase especial na última frase:

    Veja lá se ganha juízo!

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  10. São tantas, que acho que o Frota, gaffeur>, devia mudar o nome para, como o personagem da banda desenhada de Franquin, Frota Lagaffe.

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  11. São tantas, que acho que o Frota, gaffeur, devia mudar o nome para, como o personagem da banda desenhada de Franquin, Frota Lagaffe.

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  12. Para o Frotas é simples: nada de calças, nada de gangas, mulheres é de saias e saltos altos. Se não, não são femininas, não se apresentam de acordo com a sua condição natural e não se distinguem ou não fazem para se distinguir dos homens no exercício de cargos políticos. Mas que é isto senão machismo rasteiro?

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