quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Votámos


Domingo passado, a maioria de nós aliviou a consciência cívica por mais quatro anos. Exercemos o nosso direito democrático de votar. Talvez, nos tempos atuais, fique melhor dever do que direito, todavia essa é outra história.
O importante agora, no “day after”, é saber o que resta das magníficas ofertas dos programas eleitorais vencedores.
Essencial é todos estarmos bem conscientes da importância deste nível de governação: o poder local. Às vezes basta olhar para os concelhos vizinhos (os mesmos de sempre já que neste país de brincar não houve coragem para alterar o que tem de ser alterado ao nível dos concelhos existentes) e compreendemos facilmente, pela diferença boa ou má, a importância de um bom governo local. Aliás, pouco mais nos resta do que ter a “sorte” de viver num concelho localmente bem governado.
Assim, muito para além das cores partidárias, dos independentes ou dos movimentos de cidadãos - sim, porque estes também têm cor e se vos disserem que não, desconfiem e muito –, há a credibilidade, seriedade e valor das diferentes propostas.
Como de betão, rotundas, pavilhões multiusos, etc., estamos todos mais ou menos conversados, isto é, endividados, o mote desta vez foi bem diferente.
Diferente não pelas melhores razões, mas antes por mero e básico oportunismo político. Das centenas de exemplos possíveis, talvez o mais comum em todo o país, no norte, sul, litoral e interior, transversal e esclarecedor desta triste e mentirosa realidade, é a oferta de emprego. Centenas de propostas ofereceram-nos a criação de emprego.
Será que ainda há incautos que acreditam que uma autarquia tem capacidade para criar emprego? Como vai fazer? Ela própria vai empregar pessoas desempregadas? Cria condições para atrair empresas, com novos e modernos parques empresariais? Se bem repararmos, todos o fizeram ou prometem fazer e o que mais há são parques empresariais sem empresas. Então como vai jogar a equação da competitividade territorial?
Nesta matéria, como noutras, não há milagres. Nenhuma autarquia cria emprego e quem já é competitivo para atrair empresas vai continuar a fazê-lo e quem não o é muito dificilmente vai entrar nesse comboio. O resto são fantasias e mentiras.
Até domingo passado vivemos num mundo de ilusões e fantasias impunes em que uns ainda embarcam e outros, felizmente cada vez mais, já não. Depois da venda do impossível, o que será possível?
Estamos agora com os executivos eleitos e perante a realidade, bem diferente do que nos prometeram.
É bom que se compreenda, de vez, que nada é gratuito. Por este país instituiu-se, durante anos, essa ilusão. A realidade é simples e mostrou-nos que o gratuito, muitas vezes confundido com direitos (porque deveres poucos os têm), nos sai muito mais caro a todos.
Mais do que uma cruz num boletim de voto de quatro em quatro anos, temos de dar respostas, respostas a coisas simples. Queremos ter casas de banho públicas gratuitas mas imundas e vandalizadas e por isso impróprias para qualquer pessoa decente utilizar, ou queremos pagar 50 cêntimos para usar uma casa de banho pública limpa e adequada?
Fazê-lo diferente marca a diferença e em tempo de recursos mais próximos da nossa realidade, isto é, da riqueza que criamos, a diferença pode ser essencial.
Que país quer?

Carlos Alberto Cupeto
cupeto@uevora.pt  Professor na Universidade de Évora

13 comentários:

  1. Mas que raio de professores se juntaram nesta universidade de Évora!

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  2. Concordo com muito do que é dito (não incluindo o exemplo da casa de banho). Mas deixava uma notação crucial para que a referência descabida "à magnífica oferta dos programas eleitorais vencedores" (Cupeto leu o da CDU?) não induza em erro os leitores desprevenidos.

    Na campanha eborense quem andou a vender a ilusão da criação de emprego, por obra e graça da Câmara socialista, foi o PS. Quem introduziu o tema da crise económica, apontou as responsabilidades do governo nacional (seja do PS seja do PSD/CDS), desmontou aquelas ilusões e deixou bem claro os limites da intervenção autárquica nesse domínio foi Pinto de Sá, candidato da CDU. Quem não quiser vasculhar muito que ouça novamente a entrevista da Antena 1.

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  3. Gostaria de saber onde vive Carlos Alberto Cupeto... seguramente não é em Évora porque nos últimos 12 anos Évora pode ter sido muita coisa mas seguramente não foi um "concelho localmente bem governado."

    Basta olhar para o Salão Central, para o Parque Desportivo, olhar para as "docas secas" nas Portas de Aviz, olhar para o asseio das ruas e a brancura das paredes do centro histórico (edifícios municipais incluídos)...

    Claro que Évora não tem um pavilhão multiusos ou um cine-teatro municipal, ou sequer um auditório que permita acolher um congresso ou um evento de média-grande dimensão com um mínimo de dignidade. Mas Évora tem uma excelente Praça de Touros onde a CME meteu milhões de euros e que serve para... touradas.

    Claro que "pouco mais nos resta do que ter a “sorte” de viver num concelho localmente bem governado." onde pagaremos derramas, taxas e licenças nos máximos permitidos por lei!

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  4. Não percebeste. O autor fala em abstrato, não do caso de Évora. Tirando isso, concordo com as críticas.

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  5. o Professor não entendeu uma coisa.

    A autarquia do PS atraiu para Évora tão só e simplesmente aquilo a que se pode chamar o inicio do polo aeronáutico Português. Potencial enorme. Ainda por avaliar o verdadeiro impacto que terá. Não é nenhuma ilusão nem fantasia. O PROJECTO Existe e outros virão...assim os novos autarcas se predisponham a mover influências positivas.

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  6. O "polo aeronáutico português", se algum dia tiver viabilidade, começou pelas OGMA, aliás porta de entrada da Embraer no país. Quanto ao cluster regional, desejável mas inseguro, o futuro é bastante incerto.

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  7. @07:58
    Quando se acabarem os fundos comunitários, e já não falta muito, vamos ver o que acontece ao dito "polo aeronáutico"...

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  8. Para a industria internacional se instalar em Portugal é preciso
    - ser financiada pelo estado, governo e autarquias locais;
    - com condições de localização, licenciamento, e impostos, excepcionais, a que os nacionais não têm direito;
    - com ordenados e condições laborais cada vez mais de escravatura;
    - com indemnizações principescas, caso o negócio não dê o lucro pretendido.

    Quanto pagaram os portugueses, e quanto pagaram os brasileiros pela EMBRAER?
    Qual a vantagem para nós e para eles?
    Além da Fundação EA, quem mais recebeu luvas?

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  9. Em toda a Europa a Industria é subsidiada. Em Portugal tinha que ser assim.

    Mas para os comunistas há sempre algo ruim, como a Embraer ter sido subsidiada em Portugal e em Evora. Se fosse subsidiada em Bilbao ou em Braga não havia problema nenhum.

    Haverá algum comunista BOM nesta terra de Évora que consiga ao menos trazer alguma coisinha de investimento industrial para cá durante os próximos 4 anos?

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  10. @15:27
    E que vai acontecer a essas empresas, quando deixarem de correr os milhões que recebem do Estado em subsídios?
    Vão continuar por cá, ou vão deslocalizar-se à procura de novas tetas?

    Não estará na altura de começar a perceber o que é este regabofe da rapina dos dinheiros públicos, à custa dos sacrificos e da miséria de muitos milhões de pessoas por todo o mundo?

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  11. Espero que o novo executivo municipal avalie o tipo de informação, comentários e comentaristas, que são publicados no Diário do Sul, e que passe a usar outro meio de comunicação, mais democrático, imparcial, e respeitável.
    Um meio de comunicação ao serviço do Alentejo, com verdade e honestidade, em vez destes lacaios ao serviço da gatunagem.

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  12. @15:25

    Vocês falam assim desde a Siemens agora TYCO. Cassete gasta.
    Se pudessem nacionalizavam todas as multinacionais.

    É por isso que o partido comunista tem dado ao Alentejo é ZERO de desenvolvimento e economia.
    Não fossem os Burgueses do PSD ou do PS puxarem dinheiros na Europa para projetos destes ou até mesmo Alqueva, e o Alentejo comia as sobras da festa do Avante.

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  13. Se pudessem voltavam a nacionalizar igualmente o Jornal do Velho Piçarra

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