sábado, 26 de outubro de 2013

QUE NÃO SE LIXE A REVOLUÇÃO


Estou de saída para a manifestação em Lisboa. Antes, um episódio:
Conheci ontem uma pessoa que tinha chegado do tribunal. Estava cansada por ter estado a servir de testemunha abonatório a uns estudantes universitários envolvidos em tumultos frente ao Parlamento. Esta testemunha tirara fotografias da forma como estes rapazes tinham sido agredidos violentamente por polícias e arrastados escadas acima, com bastões a enforcarem pelo pescoço, e detidos.
Perguntei-lhe, a certa altura: "E achas que serão condenados?" Ele ficou surpreendido e respondeu: "Espero que não, como tenho as fotografias e os testemunhos..." E aí eu percebi que os estudantes eram os arguidos. Não eram os polícias. Um miúdo de 19 anos estava acusado de ter agreditado (em simultâneo) 4 brutamontes equipados até aos dentes. E eles, coitados, estavam ali para que se fizesse justiça. Mais à frente, pelo relato, foi necessário agendar nova sessão. Os estudantes terão pedido à juíza que tivesse em conta as datas das frequências, para não faltarem. Os polícias "É quando quiserem!". No corredor, foram vistos a rir da coisa e a gabar-se como teriam dados 2 sovas num dos arguidos. Impunes, contentes, alarves.
Vou à manifestação também por isto. Para que mude o ministro da administração interna que há poucos dias veio lembrar a necessidade de não se criar confusões "por causa do turismo", e que é preciso reforçar as forças policiais para que sufoquem (escadas do Parlamento, acima) cada vez mais, quem o fizer.
Vou porque não me importo de pagar para que as coisas melhorem, mas não quero continuar a encher o cu a banqueiros, investidores internacionais, empresas que irão empregar esta corja quando finalmente nos deixarem em paz, como prémio.
Vou porque é preciso ir mesmo sem fé na solução imediata. Para demonstrar com o corpo que nem tudo é permitido. E que há sempre mais do que uma solução para qualquer problema. Eventualmente, uma que passe por não nos tornar a todos escravos dos juros que irão servir para construir palácios privados, lato sensu.
Vou só calçar uns ténis, porque posso ter de correr, para não magoar algum matulão armado de cassetete...

1 comentário:

  1. lamento dizê-lo mas o texto acima está tão confuso, não percebi nada

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.