quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Indignações…

No princípio deste mês, o presidente da comissão europeia permitiu-se fazer declarações ofensivas sobre as decisões Tribunal Constitucional, fazendo pairar ameaças e chantagens sobre um Tribunal de um país soberano, sem que por parte do governo, ou da maioria parlamentar, existisse qualquer tomada de posição sobre o assunto em defesa da soberania do país.
Ontem, correu mundo um vídeo onde o presidente da FIFA pretendeu ridicularizar um jogador de futebol de nacionalidade portuguesa, desvalorizando-o em comparação com um colega de profissão de nacionalidade argentina, sublinhando com uma grotesca tentativa de imitação da postura do jogador português em campo.
De repente o assunto transformou-se em questão nacional e de estado, promovendo uma catadupa de declarações em defesa do cidadão português ofendido, que incluíram afirmações de um Secretário de Estado e de deputados.
Olhando os principais órgãos de comunicação social, parece que o assunto se sobrepõe a tudo o que acontece de gravoso no nosso país.
De repente a indignação contra um orçamento de estado desastroso foi substituída pela indignação contra as palavras do senhor da FIFA e até a apresentação do plano de desmantelamento do Estado e das suas funções sociais parece ser abordada como apenas mais uma intervenção de Portas, igual a tantas outras.
Parece que o percurso de despolitização dos cidadãos começa agora o seu processo de aprofundamento, levando à desmobilização em torno do que é essencial e, em simultâneo, vai construindo processos de mobilização em torno do acessório, seja o resultado do embate entre uma apresentadora de televisão e do seu marido, seja a ofensa a um jogador de futebol transformado em símbolo da nação.
Talvez por isso já haja petições com milhares de assinaturas a exigir a demissão do presidente da FIFA e não exista nenhuma, à hora que escrevo, a exigir a demissão do governo antes que ponha em prática o plano de reforma do estado que vira do avesso o regime constitucional em que vivemos.
Os tempos que aí vêm vão ser ainda mais exigentes para os que resistem a esta ofensiva política de deriva anti democrática, que é acompanhada por uma estratégia de comunicação que, apesar da incompetência inicial, vai afinando estratégias e corrigindo caminhos.
O mês de Novembro tem um calendário de lutas sindicais que irão ser desvalorizadas e atiradas para fundo das páginas dos jornais e para os espaços noticiosos dos canais televisivos que não são de acesso geral.
Comunicar é uma exigência fundamental dos tempos que correm, comunicar e divulgar as lutas, grandes e pequenas, é fundamental, sob pena de se canalizarem indignações e entusiasmos para assuntos que não merecem mais que uma palavra de desagrado.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

4 comentários:

  1. Este cavalheiro desde que sentou as nalgas na cadeira de vereador já deixou de falar de Évora? Agora Évora já não existe para estes artistas?

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  2. 11:12
    Andas muito desatento ou é a AZIA que te anda a perturbar os sentidos?

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  3. Ò secretário da AZIA, vê lá se fazes alguma coisa para além de estares de serviço aos blogues. Já tens segway?

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  4. @11:44
    Essa AZIA está a revirar-te os miolos, não é?

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