terça-feira, 22 de outubro de 2013

Blasfémia

O escritor americano Mark Twain é dos mais presentes em compilações de citações, e também daqueles que mais humor põe nas suas sentenças, muitas delas retiradas de romances e novelas. Terá escrito um dia que "se estiver zangado, conte até cem; se estiver mesmo muito zangado, blasfeme."
A blasfémia é também coisa do sagrado, ou por outra, é coisa contra o sagrado. Mas nos tempos de ciberespaço que atravessamos, a blasfémia é, ou podia ser, apenas o grau mais elevado de quem se ofende porque se sente alvo de crítica, contestação, insulto ou difamação. Assim, em diferentes graus que arrumo em crescendo, numa escala muito minha. Crítica, contestação, insulto, difamação.
Se a crítica e a contestação me parecem naturais, e por isso quando somos alvo delas podemos ficar apenas um-bocado-chateados-mas-adiante, já o insulto e a difamação são uma blasfémia para quem deles é vítima. Só uma raiva ou um descontrolo muito grandes fazem com que uma crítica ou uma contestação se transformem em insulto ou em difamação. Mas começa a acontecer de forma cada vez mais frequente e a vários níveis.
A escalada da violência verbal, em espaço público, começou no momento em que dizer a alguém que está a mentir e não ser punido por uma acusação que se prove não ser verdade passou a dar muito trabalho e, por isso, chegar o encolher de ombros, ou a explicação que não querem ouvir ou, lamentavelmente, dar uma resposta a descer ao nível. Aqui chegados, até se deu azo a que não se distinga quem mentiu mesmo, de quem apenas tomou uma decisão com consequências que se preveem de desfechos diferentes por quem ofende e por quem é ofendido. E o insulto passa a servir não apenas para desmascarar, deixando de ser insulto e passando a acusação, mas simplesmente como forma baixa de contestação.
A blasfémia dessacralizou-se na mesma medida em que o insulto se popularizou. E acho que foi um direito que se conquistou, considerar-se blasfémia o que é dirigido a pessoas e não a deuses. O insulto popularizou-se tanto que se massificou e tem os seus momentos de explosão em manifestações que também seguem essa “lei”, chamemos-lhe assim, de proporções. Quanto mais o grupo ou a multidão se compõe de gente que individualmente se sente atacada, maior é a agressão verbal. Por isso também as manifestações têm sido não as da ordem, a dos sempre zangados com tudo e todos, e que deviam contar até cem, para passaram a ser momentos de catarse em que o desespero se alivia na blasfémia.
E aqui acode-me um outro inglês, o poeta Ralph Hodgson, que terá afirmado que "as blasfémias proferidas em estado de angústia valem o mesmo que as orações." É o perdão em tempos de angústia.

Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

12 comentários:

  1. Aqui está uma crónica reveladora do carácter e do perfil da pessoa e da política que a assina.
    Mulher inteligente, culta, foi "apanhada" na ratoeira da pequena política, qual jovem murídeo seduzido pelo cheiro, cor e brilho do queijo. Sem experiência que lhe permitisse escapar ao presente envenenado, entrou tão empenhada e genuína que, pouco depois, só lhe restava a sua própria defesa. Foi o que fez ao longo de todo o mandato e o que continua aqui a fazer: A defesa de si própria.O erguer de muros cada vez mais altos e robustos. Tem todo o direito a fazê-lo, até em nome da sua dignidade. Mas convenhamos que para um desempenho politico é manifestamente pouco. Insuficiente, mesmo que feito com inteligência.

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  2. Pinto de Sá.
    Tire o brinquedo do namorado da Ex-Srª Vereadora. Cai mal um cavalheiro tão bem nutrido andar de trotineta eletrica apressado, como se fosse apagar algum fogo

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  3. Estava mal rodeada e não lutou contra tal. Deixou-se arrastar no arrasto dos miseráveis que se queriam servir.

    Não me servem estes lamentos e pieguices. Alimentou aquilo que não devia ser alimentado, porventura porque não teve forças. A justiça foi feita.

    Viva a minha cidade!

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  4. Está na hora da senhora voltar à sua anterior função na Universidade, donde não devia ter saído.
    Na sua função Política, revelou-se um verdadeiro desastre. Não deixa saudades.

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  5. Insulto aos cidadãos íntegros e decentes é esta senhora ainda andar por aqui.
    Exile-se onde há muito já devia estar exilada: no raio que a parta. Por exemplo.

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  6. 19:32
    Tas-te a lembrar da Sibéria não ?

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  7. 19:38:
    Por exemplo. Tambem queres ir?

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  8. 19:32

    E tu, com esses insultos, não tens vergonha de existires? O que é que já fizeste por esta cidade? O que é que fizeste por alguma coisa mais que não sejam os teus interesses mesquinhos? va te faire foutre!

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  9. 22:14:
    sabes lá o que já fiz por esta cidade; ficarias surpreendido.
    E a tua noção de cultura é essa, palavrões em francês? Ainda bem que o ridículo não paga imposto, caso contrário estavas lixado. Já agora, é "va te faire encouler". Não há pachorra para imbecis...

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  10. Este rapaz é modesto. Já fez tanto pela nossa cidade que não pode revelar o seu nome, nem as suas notáveis contribuições para o progresso da nossa terra. Sempre na clandestinidade e no anonimato.E compreendam-no: ele só não o revela pelo bem da nossa saúde. É que a nossa surpresa podia ser tanta e tão grande, que poderia dar-nos alguma sulipanta ou algum tataranho, algum AVC ou até mesmo uma embolia cerebral, que nos atirasse directamente para o caixão. Por favor não revele nada que nós ainda queremos viver mais uns anitos. Seja misericordioso e, continue a fazer muitas coisas pela nossa cidade, sem que ninguém o saiba. Bem haja!

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  11. 23:10:
    És tãããão engraçado. Esperemos, sinceramente, que o governo não invente um novo imposto sobre a graça: endividavas-te para o resto da vida.

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  12. E aos costumes disse nada.

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