domingo, 8 de setembro de 2013

estradas para os passos de quem anda, ou um debate a propósito da Síria em Évora, ontem à noite.


Os espaços de encontro, de conversas, de trocas e debates estão para a cidade como a página em branco para quem escreve. De novo o único porto onde acostar. Mesmo depois de se tentar contorná-los, seja em nome da preguiça, do acomodamento, do fundado receio de ineficácia, dos custos da exposição, ou de outros quase infinitos motivos, é afinal tão só o único espaço disponível neste tempo.
Alguns dos habitantes da cidade vertem-se então aí, com modos, tons, estilos, estares e seres, bem distintos. Como se nos fosse possível saciar, por momentos,  uma parte ínfima da fome imensa de liberdade, de igualdade e de fraternidade. Como se assim, e por instantes, nos elevássemos a um nível aceitável. Como se estivéssemos a criar o chão de um sorriso possível ou de uma débil esperança.

E eis que me surgem as palavras de Tommaso citadas por Valleriani:

" O meu caminho, disseste, é 
um não caminho
uma estrada que leva a outro lugar
Mas, uma não estrada não deveria
tornar-se estrada
para os passos de quem anda?"

                                             
                                                  António Valleriani, "Al di lá dell'occidente", 2009, Edizioni unicopli, Milano, p.145
                                                                                                                                                                  ( tradução minha)

8 comentários:


  1. Sim, tudo isso é bonito.
    Mas o objectivo destes debates, destas vigílias, qual é, verdadeiramente?
    Voltarmos para casa com a consciência tranquila, mergulhada na ilusão de que fizemos alguma coisa e assim somos mais gente?
    Ou seria, por exemplo e pensando na vigília de ontem, fazer alguma coisa positiva pelo povo da Síria?
    E o que foi feito pelo povo da Síria?
    O que ganhou este povo com a vigília ou o debate ou o encontro ou as velas acesas?
    O povo da Síria sabe ao menos que Évora (ou Lisboa) existe?
    A guerra parou imediatamente por causa da vigília?
    Serviu para lavar consciências auto-masturbatórias ou serviu para nada?

    Carvalho

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  2. Olha Carvalho, o teu comentário é um dilema...
    Ao menos interrogas-te e obrigas, penso, outros a interrogassem-se
    Já é bom...
    É uma abertura de consciência...
    Ficar parado e não fazer nada, é pior.
    O Papa Francisco está ser um exemplo, de uma Igreja que, estava parada e que está a acorda...
    As reticências são dúvidas de quem acredita num mundo melhor...

    António Gomes

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  3. Carvalho:
    Essas são as perguntas para as quais temos as respostas: não e nada.
    Mas se tivermos bastante consciência de que não há fadas munidas de varinhas de condão, nem beijos que despertem o mundo, e aceitarmos a nossa condição de caminhantes, saberemos procurar respostas ainda por desvendar. Talvez discursos outros, atitudes maiores, poesia por escrever.

    Entretanto, cabe-nos não desistir sabendo que isso já é imenso.

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  4. Uma Igreja junto dos que sofrem,contra os poderosos,os senhores da guerra,o capitalismo selvagem que destrói vidas........o papa terá a FORÇA necessária para expulsar os vendilhões do templo,acabar com a igreja que viveu servindo o Poder,que defendeu a caridadezinha em vez da Solidariedade e de uma economia ao serviço do homem........são desafios Enormes para uma Igreja dos pobres e oprimidos.....

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  5. A hierarquia da igreja eborense, infelizmente está ao serviço dos poderosos,convive nos palacetes dos senhores do dinheiro, é uma igreja distante dos que sofrem,está nas mãos dos cristãos mudar esta igreja.

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  6. JESUS CRISTO foi assassinado porque lutou por uma sociedade Nova,contra todo o tipo de opressão,onde homem fosse Livre e Solidário.

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  7. Aqui, no blog, um retrato:

    http://joserodriguesdias.blogspot.pt/2013/09/uma-sombra-ainda-de-uma-guerra.html

    J. Rodrigues Dias

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  8. oh rodrigues dias vc faz uma poesia fordista que se aproxima bastante da cadência da produção de salsinhas industriais. E a sua edição é obra. Continue e não esmoreça que ainda pode ser um poeta.

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