quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Então o que falha na nossa querida alentejaninha?

Olá amigo, como estás? Hoje vim a Cambridge fazer um levantamento e tive a estranha sensação de estar em algo que me era familiar, como se estivesse numa Évora do norte... Cambridge é pequena e quase exclusivamente académica: uma cidade dedicada ao ensino e à investigação. Esse poderia ser o paralelo com Évora, como a Cambridge do Mediterrâneo... Só que Évora tem muito maior potencial, porque também tem indústria, (para já não falar do clima). Ambas as cidades são isoladas e interiores, cercadas pelo rural... Então o que falha na nossa querida alentejaninha? Iniciativa, dinâmica, políticas! Tudo conceitos abstractos! Na minha óptica, o que estes gajos têm que nós não temos é uma máquina de marketing... Todo o mundo pensa que a Inglaterra funciona como um relógio suíço, que investiga e aborda temáticas que em nenhum outro lado do mundo se abordam mas, na prática, quando nos mudamos para cá, depressa percebemos que o mundo tem uma ilusão romântica em relação ao Reino Unido e eles tiram partido disso... Fica o desabafo! Ambos sabemos que Évora poderia ser uma Shangri-La europeia... Não o é, porque nunca se assumiu como tal... Abraço João
(...)

Falta-nos, como diz o João, iniciativa, dinâmica e políticas: tudo coisas simples e fáceis de obter. Todo o difícil, tudo o raro, (clima, potencialidades, etc.), nós temos! Faltam-nos só as coisas que, estranhamente, todos os outros parecem ter: iniciativa, dinâmica, políticas! Por cá, como é sabido, formar uma empresa e montar um negócio poderá ser incorporado nos 12 Trabalhos de Hércules, cerceando qualquer capacidade de iniciativa; a dinâmica e capacidade de adaptação a novas realidades são conceitos quase inexistentes, “é apelido”, como diriam os brasileiros e finalmente, sobre políticas, apoios, facilitações e clareza de métodos, está tudo dito! Tudo? Talvez não! Creio mesmo que pode ser aí que resida a mola que nos impulsionará, um dia, para a “frente”, para a autonomia, para a vanguarda europeia de que já fizemos parte quando não nos limitávamos, como hoje, a receber ordens de outros. Claro que esses outros só podem é estar interessados em nos manter onde estamos e, se possível, ainda pior! Quando nos capacitarmos que não somos menos que os outros, quando soubermos para onde, como e com quem queremos ir, estaremos finalmente prontos para cumprir o sonho maior do 25 de Abril. Já não do ido de 1974, já não o repisado e passado conceito que muitos ainda insistem em sonhar (para trás), mas um 25 de Abril que seja, com consistência, consciência e trabalho, a consumação dos generosos e possíveis ideais então enunciados. 

Fernando Pinto, escreve hoje uma crónica intitulada "o país que podia ser", aqui.

2 comentários:

  1. sim

    Tudo isso seria fantástico se de repente caíssem uns pozinhos de perlimpimpim na cabeça de cada um dos Eborenses ou daqueles que pretendessem vir a sê-lo e de repente nos tornássemos todos” iniciadores” de algo. Dinâmicos.

    Mas isto não está na nossa génese enquanto Eborenses e Alentejanos.

    Poderia até haver uma janela de hipótese mas para isso as lideranças políticas teriam que ser iluminadas de desassombradas. Inspiradoras.
    Mas não é isso que se constata nos políticos pelo menos para os próximos 4 anos nesta cidade.

    Mas há boas chances.
    Está aí a Industria Aeronáutica e o Alentejo - pela 4ª vez consecutiva - é a melhor região turística.


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  2. Este Fernando Pinto, arquitecto, não foi aquele "interessante" que, quando responsável pela recuperação da muralha à Porta da Lagoa. deixou aqueles buracos (porta e janelas) de um pardieiro que parasitava a muralha, a pretexto de que eram uma marca de tempo, ou algo nesse sentido?
    Este "maduro", se tivesse um pouco de vergonha, "metia a viola no saco", e não vinha para aqui falar de património... Entretinha-se a fazer as suas habilidades, como quando era director dos Monumentos Nacionais (Estado) e, ao mesmo tempo, mantinha no centro da cidade um gabinete de arquitectura aberto ao público...Como se isso fosse a coisa mais natural desta vida...
    Mas é bem feito!Os eborenses têm a memória curta!

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