quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Uma cidade doente, sufocada de ódios....


Sim, senhor. Acho que tem razão: aqui em Évora, manifestar a sua opinião, assinando por baixo, expõe a represálias. É verdade que já assim era no tempo do salazarismo. A prudência impunha o silêncio. Aqui em Évora temos, em tempos de democracia, um esquema porventura mais vicioso ainda. Com uma cidade esquizada entre comunistas e socialistas, qualquer palavra menos banal vai ser escrutinada pelas equipas de vigilantes dos partidos. Ou é um deles que deita o anátema, ou o outro que amaldiçoa. Pior, acontece que sejam os dois campos inimigos viscerais que, duma só voz, insultem, agridam, desqualifiquem o(a) que ousou falar. Logo, o MEDO instala-se, e o desejo de manifestar a sua opinião, legítimo como é, só encontra na sombra do anonimato o parco espaço de expressão. Compreende-se que alguém que quer denunciar práticas ilegítimas, por vezes violentas, de certos indivíduos com poder directo sobre essas pessoas, não assinem. Mas quando se trata de exprimir uma opinião POLÍTICA, ou moral, sobre a situação da cidade, sobre as gestões anteriores, sobre o que se entende que deveria ou poderia ser feito, não é aceitável que o sistema de represálias se ponha a funcionar a pleno regime. A colonização dos posts de blogues por equipas de parasitas da comunicação, que não só fazem copiar colar em quantidade para publicar "comentários" que nada têm que ver com o assunto, a estratégia do cuco, essa colonização, dizia, não é aceitável. Quanto aos insultos, aos ataques pessoais, à tentativa de destruição moral das pessoas, como aqui presenciámos em relação a certos redactores do blogue, quanto a essa empresa de sabotagem anónima da comunicação, temos aqui em Évora um retrato da cidade, uma cidade doente, sufocada pelos ódios partidários, sem espaço público. O que por aí vai de miséria na falta de ideias para os programas autárquicos é o correlato infelizmente bem "natural" da única questão que lhes interessa: a conquista do poder. para quê? Para o poder. E ai de quem não alinha... ou não se cala.

Assino: JRdS.

N.B.: A exposição de escultura em pedra inaugura-se hoje às 18:30. Passei por ali enquanto estavam a fazer a montagem. Vi ali peças lindíssimas, que poderiam estar presentes em qualquer grande bienal por essa Europa fora. Évora dentro.

José Rodrigues dos Santos
21 Agosto, 2013 08:34

15 comentários:

  1. As pessoas vivem com MEDO,basta conhecer certas instituições publicas desta cidade,não é facil criticar ............quem se arrisca a criticar os chefes,os dirigentes de certas instituições.........Universidade,CME ou Hospital por exemplo.

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    1. Concordo. Esse é um dos aspectos do mal que nos destrói enquanto colectividade de - potenciais - cidadãos livres. Nesses casos, acho, e é mera opinião pessoal, que este blogue tem razão em aceitar o anonimato. Penso na questão dos desvios da cobrança das águas, no escândalo do canil municipal, nas negociatas quanto à privatização das águas, etc. Muitas dessas coisas nunca poderiam ter vindo a lume em público se o anonimato dos blogues não existisse. Outra coisa é a instalação do temor das represálias quanto a uma opinião política. Quer um exemplo? A lei sobre a limitação do número de mandatos sucessivos. Dê a sua opinião: se não se enquadrar, tenha cuidado com a lama que lhe vai cair em cima. E isso, isso, não é normal. JRdS

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  2. Diário do Sul corta artigo de Carlos Pinto de Sá.....realmente é uma cidade doente.

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    1. lol

      Se calhar dizia mal do Piçarra

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    2. Se calhar denunciava o descalabro da gestâo PS que levou a CME á falência.

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  3. "...A partir de 2014 as câmaras municipais vão ter menos funcionários, mas vão ter também menos dirigentes. O governo vai discutir esta semana em Conselho de Ministros a proposta de redução dos dirigentes autárquicos que obriga as autarquias a reduzir em pelo menos 30% os lugares de chefia até ao final de 2013. E entre as que mais têm de cortar estão as principais câmaras da CDU.

    Pelas contas do governo, há 38 câmaras (ver ao lado) que têm de reduzir os cargos de dirigentes municipais – chefes de divisão, directores de departamentos e directores municipais – em pelo menos metade, num total de 388 cargos só nestas câmaras segundo contas do i. E, cruzando o esforço em percentagem com o número de dirigentes actuais, as autarquias CDU são as mais afectadas. Quase metade dos presidentes de câmara do PCP (12 em 28) vão ser obrigados a acabar com pelo menos 50% dos lugares de chefia: cerca de 175 nas 12 câmaras Entre elas estão as câmaras de Almada, que terá de acabar com 62 cargos de dirigentes (67%); Palmela, 23 lugares (64%); Sesimbra, 19 lugares (61%) e Seixal, com uma redução de 67% dos cargos de dirigentes.

    Mas a tesourada na hierarquia dos funcionários públicos camarários afecta também PSD e PS. Os sociais-democratas presidem a 14 autarquias que têm de cortar estes cargos para menos de metade (duas em coligação com o CDS), das 136 a que presidem. A que acrescem ainda 11 câmaras PS (das 132). Mas se o total das que mais reduzem o esforço é idêntico, em termos de lugares a eliminar, PSD e PS têm menos com que se preocupar, uma vez que se trata de câmaras mais pequenas. PSD terá de reduzir cerca de 105 cargos e o PS 108, apenas nestas 38 câmaras.
    Em termos geográficos a concentração é mais evidente. Das 13 autarquias do distrito de Setúbal, nove têm de acabar com pelo menos 50% dos lugares de chefes: sete do PCP, uma do PS e uma de independentes.

    O governo diz que não se trata de despedimentos, mas de extinção de cargos de chefia. Cabe depois a cada autarquia a gestão do mapa de pessoal..."

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    1. A esquizofrenia dos comentarista (anónimos, claro) é sufocante. Obsessiva, monomaníaca, prefigurando o que seria uma cidade com gente desta no poder. Irra!

      José Rodrigues dos Santos

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    2. Ainda me lembro bem do que se passava na CMÉvora no tempo dos comunistas. Só Directores de Departamento eram 4 (quatro!)
      Foi preciso chegarem os socialistas em 2002, para ver reduzir os Directores de Departamento para 11 (onze!).
      Passar de 4 para 11, foi uma redução de excelência!

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  4. joaquim palninha silva21 agosto, 2013 14:54

    Este texto é felizmente algo que devo saudar com entusiasmo!Afinal não estou sozinho a declarar que Évora é cidade com parte de população dos "blogues" francamente doentia, pidesca,diabólica!A esqizofrenia desta gente é assustadora, de facto... Uma cidade assim habitada, só pode resultar num espaço urbano decadente,tribal, sobretudo constítuido por corporações de cobardes. Mas há remédio para este estado de coisas? - Há! Basta que os administradores dos "blogues" tenham a coragem de cortarem a propagação desse lixo mental!
    Terão os administradores de "blogues" tal coragem? - Não sei...

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    1. No final a bonecada dos blogs vale quando? 0.5%? É como nos clubes de futebol - Vieira e Godinho são (eram) muito mal amados nos fóruns, mas na realidade a maioria não muda (mudava). E com os ódios que por aqui vão passando - não especificamente neste blog - mais duro torna de se mudar. Acredito pouco nuns, acredito ainda menos noutros e tenho cada vez mais a sensação que estão todos nas tintas para mim e para os cidadãos como eu. Nisto uns demonstram-no abertamente, enquanto outros tentam disfarçadamente fazê-lo. Digo: lixem-se todos. Não faço parte de nenhum partido, nem faria, porque não quero - como a maioria - ter em mãos um tacho. Vejam, por exemplo, a mandatária para a juventude da CDU, ou lá que cargo ocupa ela na eleição: entrou para o partido quando estava no 12.º ano, com intenção de ir ao Avante de graça. A partir daí, chega agora a possibilidade de pertencer a uma lista. Isto é normal? É o mais puro dos ridículos da política portuguesa, onde todos se estão a borrifar para nós. «Eles» é que importam, sendo que entre partidos somente se aplica uma coisa: enquanto tenho a barriga cheia, quero lá saber do meu vizinho.

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  5. Num universo de comentadores anónimos foi com alguma surpresa que constatei que havia uma comentadora ( 18:59) com um nome idêntico ao meu o que , de resto, não é muito comum. Contudo, estou ciente de que estas coincidências existem e que, por vezes , são geradoras de confusões. Assim:

    # pelo facto de ser eleita pela CDU desde 1997,
    # por ser candidata na lista da CDU para a Câmara Municipal de Évora nas próximas eleições,

    gostaria de esclarecer que não sou a pessoa que produziu o comentário atrás referido e que não me revejo nas críticas que aí são proferidas.
    Quando eu entender que devo publicar algum comentário neste ou noutro blogue, será com este perfil e com esta fotografia que me identifica.Até lá espero que os leitores e comentadores deste blogue não me atribuam comentários e opiniões que não emiti.
    Grata pela atenção.



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    1. Élia, procure algum outro meio de manter esses kilos extras, do que através dos tachos da câmara. Vá rapar para outros lados e se possível deixe de reles e baixa propaganda na sala de aula e faça aquilo para a qual sempre foi paga: leccionar.

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    2. E ver ela a contradizer algo? Não consegue...

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  6. Fizeste bem Élia, em vir em tua defesa até porque mereces respeito ,não só por isso,mas sobretudo por seres uma pessoa intelectualmente sã, independentemente de estares na lista da CDU ou não.
    São opções tuas ninguém tem nada com isso.

    Entretanto e relativamente à cidade «doente e sufocada de ódios»,acho que «antes de o ser, já o era»... e recordemos a Aparição de Virgilio Ferreira e está lá tudo.
    É evidente que a partidoricracia nesta terra, utilizando a prata da casa,foi formando os seus quadros,alimentado as cúpulas dos ditos partidos com gente «estranha» que é a que temos.

    Direi até que por força do peso genético acumulado ao longo dos anos e pela circunferência aglutinadora que nos prendeu ao exiguo espaço da cidade patrimonio mundial (que muitos têm vindo a enaltecer,e onde descansaram a sua incompetência por muitos anos...)fomos tendo gente cada vez mais incapaz de olhar para fora das muralhas.

    Se fomos todos obrigados a fazê-lo,ou se houve outros que saíram dela (cidade) pela porta das traseiras,é verdade e acho que se safaram os que deram um giro «lá por fora», sem que tenham vindo «estrangeirados».
    O problema ou dificuldade do ensinamento, associo-0 a algo patológico nos eborenses e que concerteza estará associado ao estigma do património que muitos fizeram questão de perpetuar.Depois,veio alguem que se encarregou de «ensinar» alguns comportamentos, adequando tais pedagogias,àquilo que se entendeu ser a génese desta gente cinzenta,cobarde,voluntáriamente conservadora e potencialmente maldizentes do vizinho.

    O partido que melhor entendeu este cinzentismo foi sem dúvida o PCP.Entendeu, e utilizando um discurso aparentemente claro para o comum dos eborenses,negou sempre nesse discurso o seu papel interventivo ao nível nacional,servindo-se das massas descontentes e a quem fazia crescer esse descontentamento, para lançar a bandeira da «internacionalização» da luta, como se a cidade e os eborenses mais não fossem do que obreiros dessa luta e um
    satélite da ex URSS.Era esse o preço a pagar pela ajuda dos camaradas vindos do Leste, sem que importasse,melhorar no imediato as condições de vida dos eborenses,antes pelo contrário, útil seria que estivessem todos na miséria para que assim, o país soubesse o mal que o «capital» causava «às forças produtivas do país».

    Portanto senhor JRS, o mal está de facto nas pessoas só em parte,pois tal como o aluno que não sabe as matérias que deveria estudar,também o eborense não deveria saber comportar-se da maneira como se comporta,caso tivesse sido coerente como o aluno que simplesmente não está «motivado» para aprender o que não lhe interessa.
    O eborense do Virgilio Ferreira existe.Perdura e exerce em cada um dos outros que tentam penetrar nele, angustia.Os partidos políticos em nada têm contribuído para que ele mude ou se inove a caminho do progresso.
    O Zé Ernesto na sua utopia, tentou pôr os eborenses a cantar, dançar, simular alegria nem que fosse através da «ridícula» passagem de modelos, qual utopia levada ao extremo...O resultado foi levarem-no quase ao vexame que se traduziu depois numa enorme incompetência e desnorte governamental.
    É o preço das forças ocultas desta terra.E é com manifestos como o seu e como o meu e outros que deveriam surgir, que esta terra poderá mudar a caminho da liberdade que alguns de nós ambicionámos sempre, mesmo em tempos de escuridão completa.
    Agora justifica-se que voltemos a lutar contra obscurantismo e pela liberdade,haja que barreiras houver...

    Emanuel

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  7. Emanuel à presidência!

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