domingo, 25 de agosto de 2013

Se isto não é cultura, desculpe mas não sei que seja!


A cidade de cultura "inexistente" neste post, não pode ter a minha concordância, embora o autor tenha razão em muitas das coisas que diz! Sim, esta ainda é a cidade de guetos, dos medos, da influência dos fortes sobre os fracos e da Igreja! A memoria da inquisição ainda impregna o ar que respiramos, a Universidade, a câmara e a fundações, que poderiam ser pontos fortes de desenvolvimento cultural e educacional, não cumprem esse papel e sim o papel de caciques, protegendo os seus clãs não a cidade no seu todo! 
Mas a cidade de cultura existiu... não vou falar de um tempo que não vivi (e das muitas companhias e colectividades que existiam em Évora nos anos 50 e 60), não vou falar da historia de pintura ou da fotografia (que nos anos 20 e 30) aqui tinham grandes e importantes profissionais. Não vou falar dos grandes grupos de escritores e pintores que aqui desenvolveram e realizaram o seu trabalho (na década de 40 e 50). 
Não, falo do tempo da minha adolescência, o tempo que vivi. E nesse tempo (na década de 70 e 80) Évora viu aqui aparecer o 1º Festival Jovem, encontros de Jazz internacionais, Jornadas clássicas e Mediterrâneas. Encontros de tradição Europeia, as primeiras recriações históricas do País, grandes jornadas literárias e conferencias Internacionais sobre muitos temas. Mostras e exposições de pintura de nomes internacionais de grande importância mundial, isto para alem do aparecimento de um dos primeiros festivais de verão internacionais (grátis e publico), que trouxe a Évora nomes de referencia mundial na área da musica, teatro e arte contemporânea. Também aqui se instalou uma das primeiras companhias teatrais da descentralização! Se isto não é cultura, desculpe mas não sei que seja! Se mais deveria ter sido feito, é provável, mas é sempre possível fazer mais e melhor! O que sei é que se esta fosse uma cidade sem cultura a minha geração não teria tido contacto com tantas e boas coisas nesta área! 

Lurdes

16 comentários:

  1. Cultura?
    Nada.
    O dinheiro e capacidade de endividamento compra isso tudo, das "n" viagens culturais de alguns amigos do PCP em nome da amizade Luso-Soviética-Cubana-Búlgara-etc, aos festivais ao virar da porta. Em Portugal essa foi sempre a prática em cada aldeia. Enquanto houve dinheiro público para pagar isso tudo, claro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há quem opte por financiar Touradas e oferecer 10 milhões de euros aos donos da Praça dos ditos...
      Fora os 75 mil/ano para os amigos programadores...
      Aí sim, é dinheiro muito bem gasto...

      Eliminar
    2. Não camarada

      É dinheiro jogado ao lixo.
      Uns camaradas arrimam-se aos outros camaradas e o espetáculo está assim montado.
      É preciso é que haja dinheiro do contribuinte para a festa

      Eliminar
  2. Considero importante preservar, registar para memória futura, o papel desempenhado por algumas figuras marcantes da cultura socialista eborense: Renomear a praça de touros como Arena José Ernesto e Cláudia Pereira - duas figuras de proa da cultura eborense que merecem ser pegadas de caras na dita cuja.

    ResponderEliminar
  3. o anónimo das 23.10 ou não é de Évora, ou é muito novo e fala do que não sabe ou é militante de um partido qualquer! Muitas das coisas que falo aqui foram feitas com pouco dinheiro, com muitos voluntários e por grupos de jovens sem apoios monetários da câmara, apenas com apoio logístico, Jovens esses que hoje estão na CDU, no PS e no PSD.
    Claro que depois de muitas iniciativas pequenas a Câmara criou um grande e caro Festival. Como tem muitas outras capitais de distrito, ainda somos certo? Mas como poucas os espectáculos eram de borla, acessíveis a quem podia comprar bilhete e ao filosofo também! Achou mal o anónimo? A mim da-me mais prazer do que ir ao Sudoeste ou a outro festival da moda que só tem acesso quem tem dinheiro! Diferenças!
    A rematar deixe que lhe diga que esta é uma cidade que só tem 3 pólos de intervenção económica de relevância, os serviços públicos, a universidade e o turismo. e nas duas ultimas o festival caro de que fala foi muito importante, trouxe mais alunos à cidade porque o nome de Évora estava em todos os meios de Comunicação Social (pode consultar os números na universidade) e desenvolveu o turismo pois muitos eram aqueles que aqui se deslocavam para ver os espectáculos e faziam permanências mais longas para assistir aos espectáculos, o que levou também à construção de mais hotéis, restaurantes e albergarias devido à procura da cidade (pode também consultar os números). Não gosta também deste tipo de desenvolvimento? Mais diferenças entre nós!
    Lurdes

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A mim só me chateia é que quem não gosta ou não quer, é obrigado a pagar sejam touradas sejam viagens à URSS para os amigos da cultura e afins. Ou então morar na praça do Giraldo e ter que se levantar cedo no outro dia para ir trabalhar ou ter que andar em cima do lixo até que ele ser apanhado, por exemplo.
      Muito pouco dinheiro? Falamos de quanto?
      O pouco para si pode ser muito para mim e vice versa.

      Eu prefiro gastar o dinheiro público em OBRA pública do que em festivais. Na minha óptica, quem quer festivais de determinada dimensão que os pague do seu bolso.
      Deixe-me lhe relembrar: Esta cidade tem 3/4 fábricas que empregam cerca de 2000 pessoas diretamente, fora os indiretos e fora o resto dos agregados familiares. 100% do que produzem é para exportação. Á conta destas 3 ou 4 fábricas, entram e saem dos hotéis diariamente dezenas de fornecedores de serviços, nacionais e estrangeiros

      Dizer que o motivo que entraram mais alunos ou mais turistas foi haver um festival CARO pontual no tempo, desculpe-me Lurdes, não me atire poeira para os olhos, ok?

      Eliminar
  4. Lurdes, parabéns pelo seu comentário. Não a conheço nem sei o que faz, mas pelo que vivi nesta cidade nas últimas duas décadas só posso concordar consigo.

    Cada euro investido na cultura, numa cidade como Évora, representa cinco a dez euros de retorno directo e imediato para a economia local. Se isto não é compensador realmente não sei porque se investe tanto em Embraers e coisas que tais, cujo retorno para a economia local precisa de cinco anos para atingir metade daquele valor.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. verdade retorno imediato!

      Eliminar
    2. Palhaço

      Deves é ser funcionário publico enquanto falas de embraers

      Eliminar
  5. A mim só me chateia é que quem não gosta ou não quer, é obrigado a pagar sejam touradas sejam viagens à URSS para os amigos da cultura e afins. Ou então morar na praça do Giraldo e ter que se levantar cedo no outro dia para ir trabalhar ou ter que andar em cima do lixo até que ele ser apanhado, por exemplo.
    Muito pouco dinheiro? Falamos de quanto?
    O pouco para si pode ser muito para mim e vice versa.

    Eu prefiro gastar o dinheiro público em OBRA pública do que em festivais. Na minha óptica, quem quer festivais de determinada dimensão que os pague do seu bolso.
    Admito que uma parte do erário publico seja despendido em atividades da cultura, mas dou prioridade a que o dinheiro dos meus impostos seja gasto em FORMAÇÃO profissional séria e honesta, que complemente a atividade industrial que a cidade oferece. É este para mim o melhor retorno de todos.
    Deixe-me lhe relembrar: Esta cidade tem 3/4 fábricas que empregam cerca de 2000 pessoas diretamente, fora os indiretos e fora o resto dos agregados familiares. 100% do que produzem é para exportação. Á conta destas 3 ou 4 fábricas, entram e saem dos hotéis diariamente dezenas de fornecedores de serviços, nacionais e estrangeiros

    Dizer que o motivo que entraram mais alunos ou mais turistas foi haver um festival CARO pontual no tempo, desculpe-me Lurdes, não me atire poeira para os olhos, ok?

    ResponderEliminar
  6. Ouve lá pá. És gago ou quê?

    ResponderEliminar
  7. Boa noite, Lurdes.
    O seu comentário, discordando da minha afirmação de que Évora NÃO é uma cidade de cultura, merece resposta, por muitas razões. Primeiro, todos (todos?) conhecemos a sua frontalidade e sinceridade, e ao assinar o que diz, mostra que aqui, romper o silêncio identificando-se tem uma imenso valor. Em segundo lugar, ao discordar do que me responde, não tenho qualquer intenção de "combater" as ideias que expõe: creio que até podemos concordar sobre vários pontos depois de esclarecidos.
    1. "Os grandes grupos de escritores, pintores, etc." Évora, como não podia deixar de ser, viu nascer e crescer escritores, pintores, artistas diversos ao longo do século XX. Para limitar o que eu queria analisar, quis referir-me sobretudo ao meio-século do fascismo e de 74 até agora.
    Évora os viu nascer, mas Évora os enjeitou. Évora não foi capaz de se tornar numa cidade em que fosse bom viver enquanto artista, intelectual, etc. É óbvio que o fascismo era aqui mais opressivo ainda do que nos grandes centros urbanos, onde havia alguma margem de manobra. Mas por toda a parte em Portugal, os artistas e os intelectuais viveram num Gulag cultural que levou uns ao suicídio, outros ao silêncio, outros ainda à emigração: um país irrespirável.
    Com o 25 de Abril e a enorme corrente de ar fresco que trouxe, houve incontestavelmente no país um surto de criatividade, uma explosão.
    E Évora? Onde estão os "grandes grupos de escritores", os círculos de pintores? Onde está o florescimento de numerosas iniciativas de espectáculo vivo, diversas, independentes umas das outras? Onde estão (ou para onde foram) os filhos da terra, ou os que, tendo adoptado Évora, nunca por ela foram verdadeiramente adoptados? Onde?
    2. Fala da possibilidade que lhe foi dada de ver, ouvir, aprender com "grandes nomes internacionais", acho que é assim que diz, que aqui foram trazidos. Não ponho em causa, nem a realidade do que afirma, nem a importância de "trazer aqui" esses "grandes" (que aliás são bem raros a meu gosto). Mas e onde estão os grandes nomes daqui, grandes escritores acarinhados pela cidade, pintores que ela projecta, artistas vários que a cidade incentiva, apoia, dá a conhecer? E nomes grandes há, não duvido, na fotografia, nas marionetas, sei lá. E o que tem a cidade feito para que todos eles vivam e prosperem criando, e quando digo a cidade não são só as câmaras sucessivas, mas a própria população? Em quase todos os casos, é pelo próprio pulso e pelo próprio valor, quase sem apoios, que eles prosseguem. (continua)
    JRdS

    ResponderEliminar
  8. (continuação)
    3. De facto, um comentador anónimo, mais um que o MEDO de existir esmaga, tem razão em dizer que não é um festival pontual, mesmo que seja bom e mesmo que seja em vésperas de eleições, que cria o húmus de que precisam os criadores para viver AQUI. Perdoe-me, mas não acredito que esse festival tenha trazido mais alunos para a UÉ. UÉ cuja ausência da cena cultural da cidade seria um verdadeiro escândalo, se não fosse apenas mais um elemento duma situação em que a cultura, a criação, anémicas e quase clandestinas, se refugiam nas respectivas tocas, porque a cidade, essa, não chama e se os chama não os recebe.
    Já viu os alunos de teatro encher as salas de teatro? Já viu os alunos de artes plásticas disputarem os lugares nas exposições? Já viu, até, os alunos de música nos concertos? E já não falo do que se vê noutros sítios, já se testemunho virem esse jovens músicos tocar nas praças e ruas? Cada um no seu gueto. O ambiente, o clima social e cultural de Évora não o suscitam, e talvez não o permitam.
    Mas creia que se alguma coisa vale a pena é exigir que qualquer partido que tenha a vontade de se candidatar a governar a CME, apresente um plano plurianual (4 anos) de acção em prol da criação dum espaço não partidário, isento de favoritismos, de cultura. Um programa com objectivos concretos e prioridades,e sobretudo com regras do jogo bem definidas e transparentes: os critérios dos apoios, a quem vão, etc.
    Quanto a cumprirem as promessas feitas, milagre numa cidade como esta, já seria preciso a intervenção da Dona Fátima, a tal que visita a troika nos intervalos das negociatas.
    JRdS

    ResponderEliminar
  9. JRS tem toda a razão quando fala dos grandes grupos de artistas (de todos os géneros) que Évora não consegue apadrinhar para que aqui fiquem ou desenvolvam o seu trabalho, mas sabe os artistas eborenses também são filhos da cidade de guetos e de costas viradas, e os que partem são os que querem cortar as amaras, os que ficam muitos deles ate de maior qualidade dos que os que partem, ficam de costas viradas uns para os outros, atropelam-se, fazem jogos por baixo da mesa, criam ligações partidárias para vingarem e claro que assim nunca poderão ser um grupo de intervenção e visibilidade publica! Como sabe tenho defendido a união de todos os artistas e agentes culturais. Continuo esta batalha mesmo que a faça só! Um dia isso será possível! Quanto aos alunos da universidade das áreas culturais, tem razão não participam não se envolvem ninguém sabe o que fazem, mas isso só vem confirmar o que disse a Universidade tem responsabilidades culturais e educativas que não está a cumprir!
    Continuaremos a discutir este e outros temas, ate lá!
    Lurdes

    ResponderEliminar
  10. Um artista que queira ser profissonal contanto com apoio directo do dinheiro público, desculpaem-me mas não é lá grande artista.

    ResponderEliminar
  11. JRS, Lurdes e outros: muito interessante este debate. Obrigado pelos argumentos. Tenho estado a gostar muito. É para isto que um blogue deve servir, para discutir CIVILIZADAMENTE os problemas, afirmar as diferenças, mas também os pontos de encontro. Sair do já dito e procurar pistas novas que possam dar novas soluções às questões de sempre. Parabéns.

    Luís Bernardes

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.