quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"Filhos da puta porque se eternizam/ Se levam a sério/ E nos emigalham o crânio com as suas banalidades"



"Estou cansado, pá 
Cansado e parado por dentro 
Sem vontade de escolher um rumo 
Sem vontade de fugir 
Sem vontade de ficar 
Parei por dentro de mim 
Olho à volta e desconheço o sítio 
As pessoas, a fala, os movimentos 
A tristeza perfilada por horários 
Este odor miserável que nos envolve 
Como se nada acontecesse 
E tudo corresse nos eixos. 
Estou cansado destes filhos da puta que vejo passar 
Idiotas convencidos 
Que um dia um voto lançou pela TV 
E se acham a desempenhar uma tarefa magnífica. 
Com requinte de filhos da puta 
Sabem justificar a corrupção 
O deserto das ideias 
Os projectos avulso para coisa nenhuma 
A sua gentil reforma e as regalias 
Esses idiotas que se sentam frente-a-frente no ecrã 
À hora do jantar para vomitar 
O escabeche de um bolo de palavras sem sentido 
Filhos da puta porque se eternizam 
Se levam a sério 
E nos esmigalham o crânio com as suas banalidades: 
O sôtor, vai-me desculpar 
O que eu quero é mandá-los cagar 
Para um campo de refugiados qualquer 
Vê-los de Marlboro entre os dedos a passear o esqueleto 
Entre os esqueletos 
Naquela mistura de cheiros e cólicas que sufoca 
Apenas e só -- sufoca. 

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país que devoram 
Escudados pelas desculpas mais miseráveis 
Este charco bafiento onde eles pastam 
Gordos que engordam 
Ricos que amealham sem parar 
Idiotas que gritam 
Paneleiros que se agitam de dedo no ar 
Filhos da puta a dar a dar 
Enquanto dá a teta da vaca do Estado 
Nada sabem de história 
Nada sabem porque nada lêem além 
Da primeira página da Bola 
O Notícias a correr 
E o Expresso, porque sim! 
Nada sabem das ideias do homem 
Da democracia 
Atenas e Roma 
Os Tribunos e as portas abertas 
E a ética e o diálogo que inventaram o governo do povo pelo povo 
Apenas guardam o circo e amansam as feras 
Dão de comer à família até à diarreia 
Aceitam a absolvição 
E lavam as manápulas na água benta da convivência sã 
Desde que todos se sustentem na sustentação do sistema 
Contratualizem (oh neologismo) o gado miúdo 
Enfatizem o discurso da culpa alheia 
Pela esquizofrenia politicamente correcta: 
Quando gritam, até parece que se levam a sério 
Mas ao fundo, na sacristia de São Bento 
O guião escrito é seguido pelas sombras vigentes.  

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão 
Não era lá longe, era aqui mesmo 
Barricadas, armas, pedradas, convulsão 
Nada, não há nada 
Os borregos, as ovelhas e os cabrões seguem no carreiro 
Como se nada lhes tocasse -- e não toca 
A não ser quando o cinto aperta 
Mas em vez da guerra 
Fazem contas para manter a fachada: 
Ah carneirada, vossos mandantes conhecem-vos pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol a três cores 
Pelas vitórias morais de quem voa baixinho 
E assume discursos inflamados sem tutano. 

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou cansado, pá 
Sem arte, sem génio, cansado: 
Aqui presente está a ementa e o somatório erróneo do desempenho de uma nação 
Um abismo prometido 
Camuflado por discursos panfletários: 
Morte aos velhos! 
Morte aos fracos! 
Morte a quem exija decência na causa pública! 
Morte a quem lhes chama filhos da puta! 
- E essa mãe já morreu de sífilis à porta de um hospital. 
Mataram os sonhos 
Prenderam o luxo das ideias livres 
Empanturraram a juventude de teclados para a felicidade 
E as famílias de consumo & consumo 
Até ao prometido AVC 
Que resolve todas as prestações: 
Quem casa com um banco vive divinamente feliz 
E tem assistência no divórcio a uma taxa moderada pela putibor. 
Estou cansado, pá 
Da surdez e da surdina 
Desta alegria por porra nenhuma 
Medida pelo sorriso de vitória do idiota do lado 
Quando te entala na fila e passa à frente 
É a glória única de muita gente 
Uma vida inteira... 

Eleitos, cuidem da oratória..." 


(António Manuel Ribeiro)
* Baseado no poema "Vernáculo" do livro "O Momento a Seguir", edição Sete Caminhos (2006) -- contém expressões do português vernáculo.
Tema incluído no álbum "A Minha Geração" (2013) - editado em 24/06/2013.

Cortesia de ACP

14 comentários:

  1. DESPEDIMENTOS na Função Publica,acordado no Memorando da Troika entre PS/PSD/CDS.

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  2. O PS mandou vir o FMI,esta receita de brutalidade contra quem trabalha,foi encomendada pelos socialistas com o APOIO do PSD e CDS.

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  3. Em Évora, eterniza-se o PS, com o apoio do BE.

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  4. PCP e BE, foram as muletas da direita para chegar ao poder, já nas próximas autárquicas os portugueses devem aproveitar para castigar direita e as suas muletas PCP e BE.

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    1. É necessário distinguir o nível nacional do local. Se insistirmos que é tudo a mesma coisa, que são todos iguais, e que resta uma só hipótese, extinguimo-nos a nós próprios.

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  5. Será que os anteriores comentaristas, anónimos e anódinos, souberam ler o poema, grito de revolta de agrilhoados, que eles parecem não ser, mas que que se ficam apenas por uma verborreia sem sentido?
    Será que o Blog está a dar pérolas a porcos?
    Acordemos, porra, unamo-nos para não nos deixarmos escorraçar que, quase escorraçados, já somos.

    António Gomes

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  6. Continuem a ser burros. Desde o celebérrimo "25 de Novembro", "meter o socialismo na gaveta", a "terceira via" e os "pragmáticos" que a muleta da direita tem sido a direção do PS. Só querem o poder dizendo-se de esquerda e lá chegados são as politicas de direita e a venda do país ao grande amigo alemão. A nível local a muleta tem sido o que se sabe, aliança PS/PSD e levou a hipotecar a camara ao PAEL. A primeira grande questão é como sair desta hipoteca. Se problema veio do PC ou do PS não interessa, veio dos dois e é aqui que está o problema. É trágico que tenha sido por dois partidos de esquerda. Discutam politica e deixem o jogo de interesses mesquinhos.

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  7. Nestas eleições devemos penalizar os partidos que assinaram o Memorando da Troika.

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  8. Os partidos que nos Roubaram o Salário e o Emprego,devem ser penalizados nestas eleições.

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  9. Os partidos que fizeram Negócios ruinosos para a nossa cidade,como a Privatização da água,devem ser penalizados nestas eleições.

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  10. Em Évora, para bem da cidade, do concelho e das pessoas, deve haver uma união, um pacto, chamem-lhe o que quiserem para tirar o PS da câmara. Não se aguenta tanta incompetência, tanta arrogância, tão grande afastamento face às pessoas e aos problemas reais. Feiras dos perfumes e da moda? Arena de Évora em propriedade privada ? Negócios ruinosos como o da agua ? Adesão ao Pael que nada apoia a economia local? Por favor senhores candidatos arranjem uma forma de tirar esta gente da câmara ! Arruinaram o país e o concelho, cabe agora aos senhores salvar a nossa cidade e o nosso concelho. Rua com o PS quanto mais cedo melhor !

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  11. Façam a santa aliança. A mesma que derrubou o Sócrates, meteu cá a troika e fez de Passos Coelho o Primeiro-Ministro. Assim pode ser que elejam o gajo de Montemor.

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    1. Mas quem meteu cá a troika não foi o PS?
      E, agora, o PS não continua a apoiar a troika?

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    2. A troika já cá está, chama-se PAEL. A nível nacional foi para pagar aos bancos e aos alemães os favores (fatura)aos diversos governos do PS, PS/CDS, PS/PSD, PSD, PSD/CDS/PPM, PSD/CDS ao longo destes quase quarenta anos, para destruírem o sonho que Abril permitiu (ler o ultimo livro de Franco Charais).Agora exigiram o recibo. A direção do PS tal como a trinta e muitos anos prestou-se a esse papel de traição. Engodaram massas de trabalhadores, pequenos empresários com despesa e mais despesa, que sabiam perfeitamente que teríamos que pagar. SÃO UNS VENDE PÁTRIAS TODOS OS MENCIONADOS.
      A nível local já cá temos a troika, a situação é mais complexa. Foi a desgovernação de parte da chamada esquerda com o apoio do PSD que conduziu ao desastre. Mais uma vez a direção local DO PS (Troncho, Capoulas, Zorrinho, Melgão e outros), contribuiu e aplicou os ensinamentos da direção nacional.
      O PCP cristalizado e fixado não só não abriu horizontes a esquerda como manifestamente entrou na festa e permitiu que a direita do PS toma-se conta do poder local.
      O PSD local uma tristeza, tanto apoiaram o PC como o PS.
      Ao fim de pouco mais de dez anos e após uma verdadeira participação cívica do representante do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal, surge uma alternativa a esquerda corporizada por uma candidatura do BE que não se esconde sob a capa de independente, antes pelo contrário assume as posições corporizadas por um conjunto de munícipes, independentes, aderentes do BE e de outros partidos que após amplo debate democrático e participativo, assumiram um compromisso, e estão em condições de o levar á prática se for essa a vontade expressa em 29 de Setembro nas urnas.

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