quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Apelo de cidadã


A campanha eleitoral começa oficialmente só a meio de Setembro, com catorze dias de esclarecimento daqueles a quem se pede o voto.
É costume anteceder a este período, um outro mais ou menos alargado, chamado de pré campanha onde candidaturas e candidatos anunciam as suas opções estratégicas para o exercício a que se propõem. Espera-se que  identifiquem aí, os temas que elegem como mais relevantes e as abordagens com que se comprometem.  Que se posicionem face a perspectivas estruturantes para o concelho, a opções apresentados por outros, concordando ou discordando e explicando porquê.

Estranhamente, nesta pré campanha eleitoral, no caso de Évora, nada disso parece acontecer. Mais estranho ainda, os intervenientes nos processos públicos - candidatos a eleitos e eleitores- não dão sinais de considerarem isso verdadeiramente necessário.
Em Évora, em campanhas anteriores, foram apontados como problemas a discutir, gerir e fazer evoluir, por exemplo, a gestão do trânsito e da mobilidade urbana; a reabilitação no Centro Histórico mas também as opções de investimento no centro ou na periferia; os níveis de prioridade a assumir com a cultura e com os seus agentes, ou sejam as politicas culturais; as escolhas defendidas para o caso dos equipamentos estruturantes da cidade; estes entre muitos outros foram pontos equacionados, uns mais outros menos debatidos.
Desta vez, nos espaços de comunicação da cidade a que acedo, há argumentos a favor ou contra a formalização ou impugnação de um ou outro candidato; a disputa da localização de sedes de campanha; a conveniência de fazer debates antes ou depois da apresentação formal das candidaturas; ou mesmo a ordem pela qual vão surgir os partidos no boletim de voto. Parece admitir-se implicitamente que os resultados eleitorais dependem desta vez da sorte e do azar, ou de elementos do foro do imprevisível, do misterioso, do inacessível, dispensando por isso toda a presentação de ideias, de escolhas e de compromissos.

Admito mesmo a possibilidade de estar eu desfasada, desencontrada da cidade que habito. Desejo fortemente que a maioria dos cidadãos a quem se vai pedir o voto no final de Setembro, estejam, nesta altura em que Agosto avança, a conhecer e a debater as principais propostas das candidaturas autárquicas.
Venho aqui solicitar que alguma alma caridosa, me indique onde se passam esses encontros e debates. Como se pode entrar ? como se pode tomar parte ? 
É que eu, cidadã eleitora, declaro-me interessada em formar  e informar a minha opinião. Quero suportar a minha decisão de voto em compromissos assumidos pelos candidatos e candidaturas, em projectos e propostas que consiga compreender, defender ou refutar. Não admito arriscar o meu voto - dizem que é o mais forte instrumento de cidadania - numa escolha ditada pela tradição da minha família, pela indicação do meu patrão, pela tendência do meu grupo de amigos, ou por qualquer outro sinal que a meteorologia me dê a 29 de Setembro.Quero sentir-me cidadã de pleno direito porque só assim poderei votar daqui a mês e meio.

6 comentários:

  1. A Dores Correia está à espera que os candidatos à autarquia apresentem ideias? Que as debatam de modo sério e verdadeiro?
    Pois bem, aconselho-a a ter à mão uma cadeira bastante confortável, de modo a poder esperar sentadinha.
    Cara Dores Correia: se fossem pessoas com ideias não andavam na política, cada vez mais uma actividade para quem não sabe (nem quer) trabalhar nem pensar.
    Se fossem pessoas decentes, dispostas a dizer a verdade, não andavam na política, cada vez mais uma actividade desenvolvida por aldrabões compulsivos.
    Não me vai dizer que, quando um político afirma, por exemplo, que vai duplicar o investimento na cultura, a senhora acredita, pois não? É que é mais provável que lhe saia o Euromilhões (mesmo sem nele ter apostado) do que o político cumprir aquilo que promete.
    Então o que está a senhora a pedir aos políticos? Que lhe digam o que propõem? Já reparou que está a pedir que lhe mintam? Por que quer mais mentiras? Não lhe bastam já as que eles divulgam?
    Os políticos são uma classe de corruptos, de gente que quer roubar o que é público, de gente que não quer trabalhar, preferindo viver de esquemas e de golpes uma vida inteira.
    Os políticos não merecem o nosso voto nem merecem ser ouvidos.
    Num país decente, com um sistema judicial independente e sério, a esmagadora maioria deles estaria na cadeia. A senhora sabe que isto é verdade, a maioria deles são criminosos que beneficiam de um sistema jurídico que eles próprios aldrabaram de modo a não poderem ser incriminados pelo que fazem.
    É desta escumalha que espera ouvir ideias e propostas que a façam decidir do seu voto? Não será melhor pensar pela sua própria cabeça e mandar os políticos para onde eles merecem ser mandados?
    Cumprimentos
    jmc

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  2. O que o partido comunista vai debater com o partido socialista,só um tanque de roupa suja,pois as duas cores levaram a cidade a este descalabro,e nenhum dos 2 quer ser pai da CRIANÇA!
    Évora esta um autentico subúrbio da Romenia onde falta autarquia e policia,sem esses dois pilares bem pode continuar na banha da cobra!

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  3. O que o partido comunista vai debater com o partido socialista,só um tanque de roupa suja,pois as duas cores levaram a cidade a este descalabro,e nenhum dos 2 quer ser pai da CRIANÇA!
    Évora esta um autentico subúrbio da Romenia onde falta autarquia e policia,sem esses dois pilares bem pode continuar na banha da cobra!

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  4. Para conhecer iniciativas de debate, de esclarecimento, de apresentação de candidaturas da cdu. Por exemplo, aqui:

    http://cduevora.wordpress.com/

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    Respostas
    1. Obrigada Rui pela indicação do endereço do blog da CDU Évora.
      Mas penso que concordará comigo quanto a uma insuficiente resposta às necessidades de esclarecimento e principalmente de participação dos cidadãos de Évora. Não é verdade?

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  5. Caro JMC;

    Agradeço-lhe vivamente o seu comentário. Porque é frontal, explicito, e legitimo se observado à luz de inúmeras e repetidas práticas políticas.
    No entanto, não posso concordar com a sua opinião.Porque sou das pessoas que pensam que as mudanças são mais prováveis se impulsionadas por dentro do sistema do que por fora dele. Mesmo que nunca sejam fáceis, ou não seriam mudanças.
    Por isto, Sim! Peço aos políticos que apresentem ideias e que as debatam de modo sério. Exijo que sejam pessoas decentes. E que,por exemplo, caso alguma candidatura assuma que duplicará o orçamento para a cultura, seja responsabilizada por isso. Ou seja, que quando eleitos, os agora candidatos sejam confrontados, questionados, abordados a partir das suas afirmações. Se aceitarmos que não são absolutamente necessários compromissos, propostas, ideias, - como parece ser do interesse agora generalizado - como defenderemos que depois de eleitos estejam, de facto, comprometidos com a cidade? O que haverá a esperar depois ?
    E sim! Estou convicta que uma construção social melhor do que a que temos não é impossível, nem tão pouco difícil, tendo em conta o nível em que nos encontramos. Mas uma gestão publica mais digna não se conseguirá pela via da ausência dos eleitores (no dia das eleições e nos outros dias) ou da desistência dos cidadãos, de resto bem convenientes a quem quer o poder para o uso nos termos que temos visto. Pelo contrário, não vejo alternativa que não seja pela insistência, pela persistência, pela perseverança. Por mais incómodas que sejam, quer para eleitos quer para eleitores.
    Cumprimentos
    dc

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