sábado, 24 de agosto de 2013

Algumas citações sobre democracia e partidocracia


Novamente sem tecer quaisquer comentários deixo agora cinco citações:

«O segundo obstáculo (ao projecto participativo de cidadania) é a extrema profissionalização da política nas sociedades democráticas.(...) Ora a profissionalização da vida política encerra um risco evidente de captação oligárquica do poder».
« A organização do partido não deixou de desmentir a retórica liberal em que ela se envolve. O poder de decisão é aqui confiscado por uma minoria que ocupa uma parte considerável da sua energia a conservá-lo e se possível alargá-lo. Esta burocracia é naturalmente avessa ao debate,à controvérsia e ao de debate».(...)
«Finalmente, a subida de Hitler ao poder,em 1933, alertará para o facto de que os processos democráticos, nomeadamente o sufrágio universal, não previnem por si mesmos contra a tirania».
In «Introdução à Sociologia Política», Jean Baudouin, Editorial Estampa, Lisboa, 2000

«Todos as organizações (partidos políticos e sindicatos) mesmo aquelas que em teoria se dizem mais comprometidas com a democracia-socialista e comunista são de facto oligárquicas e dominadas por um pequeno grupo de liderança que subtilmente assume o seu controlo e depois as bloqueia interna e externamente» É a chamada lei de bronze das oligarquias enunciada pelo sociólogo alemão Robert Michels (1876-1936).
Dicionário de Sociologia, Plátano Editora,

«Um homem do Partido é alguém que deve a sua carreira ao Partido e que portanto defende os interesses do Partido nas controvérsias com as outras hierarquias, independentemente do que possam ser os interesses do Volk (Povo).O Partido, no início, era concebido como um movimento,um agente de mobilização do Volk (Povo), agora é uma burocracia como as outras.» 
In " As Benevolentes", Jonathan Littell. Dom Quixote,2007.

Posto isto pergunto vivemos em DEMOCRACIA ou em PARTIDOCRACIA?

Nota final: Não sou intelectual, nem nunca o desejei ser. Não passo de um mero jornalista que procura entender o mundo que o rodeia e está preocupado com o futuro do Alentejo e de Évora.

José Frota

12 comentários:

  1. O escândalo Silveirinha:


    OS SOCIALISTAS DA ccrda afastaram a ARQ.cancela de ABREU POR TER chumbado o projecto ilegal com o conluiu da cãmara socialista.

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  2. Estou de acordo com as definições atrás expostas.
    Acrescento que nessa profissionalização,sobretudo nos partidos de esquerda e mais vincadamente no PCP, por ser a força política que em Portugal mais revela e revelou organização interna,a organização tem sido espartilhada, na medida da histórica «adequação» da função partidária ao substrato ideológico que a norteia.

    Cabe-me aqui referir que o PCP,foi uma organização política que sempre me habituei a respeitar, pelo importante papel que desempenhou em período ditatorial.

    Todavia não posso nesta fase em que, enquanto partido político organizado,o PCP,tanto teria para ajudar este país a procurar o caminho do progresso e desenvolvimento, deixar de lamentar a ociosidade intelectual em que se prostrou, afastando directa ou indirectamente militantes valiosos, em nome de uma organização em que, a exemplo do ex-regime soviético,ERA PROIBIDO PENSAR.

    A intelectualidade passou assim a ser a voz da consciência do homem, que havia que banir do aparelho,em nome da materialização das vontades no colectivo.(Vejam-se os discursos do candidato Pinto de Sá e fácilmente se percebe o que eu estou a dizer).

    O colectivo,as massas, é o que importa realçar nos objectivos do programa da CDU e óbviamente do PCP nesta campanha e em todas as campanhas a que se assista neste país.

    A organização do PCP e consequentemente de uma parcela muito importante da esquerda em Portugal, fica assim diluída num lodoso espaço de permeabilização da direita, sempre atenta às incongruências da esquerda umas vezes utópicamente faminta,outras sectáriamente audível e por isso inexpressiva à maioria da população portuguesa.

    A partidocracia com todos os defeitos que assinalei e outros, instalou-se nos domínios da nossa liberdade.

    Emanuel

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  3. Os partidos socialista e social democrata não são nem uma coisa nem a outra. São partidos lacaios do Capital, da Banca, e da Finança, inimigos do Estado e dos Cidadãos. Ideologicamente e na prática são associações de criminosos.

    A lei da limitação de mandatos, de forma inocente e ineficaz, pretende transferir a responsabilidade dos partidos, pela escolha de candidatos corruptos e incompetentes, para os Tribunais. Retira o direito aos eleitores de elegerem quem melhor defende os seus interesses.

    De facto os partidos do bloco central seleccionam, promovem, elegem e sustentam, políticos aldrabões, corruptos e gatunos. Com total impunidade.
    O problema da governação nacional, não é o número de mandatos dos presidentes de câmara, mas a qualidade da governação, dos bens e do interesse publico, gestão danosa levada a efeito pelo bloco central.

    Não é preciso ser intelectual, e ler os teóricos, para conseguir ver estas evidências.

    Somos governados por gatunos e incompetentes.
    Deixem-se de "paninhos quentes".
    A prioridade é levá-los perante a justiça, e puni-los exemplarmente.

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    1. Posto isto, é obrigação da esquerda unir-se na mesma trincheira e fazer frente à gatunagem que tomou o poder e governa o país.
      Mas por aqui defende-se o contrário.
      Passando pela ilustração acima, que desqualifica o voto, direito e dever do cidadão, mesmo que sem hipótese de ganhar.
      Passando pela lei da limitação, e pela impugnação do BE, idiota, néscia, antidemocrática, e anti constitucional.
      Passando pelos comentários de intelectuais vendidos, sofistas a trabalhar para a gatunagem.

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    2. A ilustração acima, a meu ver, não desqualifica o voto. O voto é claramente desqualificado quando, apesar das pessoas irem votar, quem ganha sempre são as corporações e os partidos que estão instalados no sistema, dele se alimentam e por ele são alimentados. Quando a democracia é apropriada por partidos que se se transformam não em instrumentos de governação da coisa pública, mas sim em grupos cujo único objectivo é autopreservarem-se e manterem o poder custe o que custar, pondo-o ao seu serviço (e dos seus dirigentes) e não ao serviço dos cidadãos. Quando deixa de ser democracia e se transforma numa partidocracia. E aqui não há quem escape, da esquerda à direita, todos se transformaram nos "leitões" que mamam as tetas da "porca da política", como muito bem caracterizou Bordallo Pinheiro, talvez um dos "intelectuais vendidos" que refere. Basta ver o estado a que chegou a "política à portuguesa".
      Já agora o que é um "sofista"?

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    3. Quem classifica a governação da CDU, junto a governação do PS/PSD, na mesma definição de "partidocracia", ou é cego, ou doente da mona, ou é mais um sofista, a desqualificar os bons políticos e a política. A nivelar o bom pelo mau.
      Convém chamar a atenção a estes "intelectos", que o sistema se baseia precisamente em partidos. O que não está previsto é que, a justiça não funcione, e que os partidos do poder são verdadeiras associações criminosas, a que o BE presta todo o apoio.

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    4. Olhe que não duvide - o PCP enquanto partido instalado na sociedade portuguesa, com um corpo de funcionários avultados, dependente dos dinheiros do Estado (subsidios para as campanhas eleitorais, financiamento partidário, ordenados dos eleitos, assessores e consultores) hoje só defende já a sua continuidade e preservação da classe de dirigentes e funcionários que o dirigem. Quase nada - senão a fraseologia e uma implantação mais reduzida - o distingue dos outros partidos do sistema. E o BE para lá caminha.

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  4. A reportagem da SIC caiu muito mal nas hostes da Tra. da Alegria,a coragem de um jornalista mostrar a realidade de Évora e afirmar ser a autarquia uma das mais endividadas.

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  5. Por estas e por outras é que o PS perde a CM de Évora: em vez de e preocuparem com a universidade de verão que lhes vai trazer apenas mis um idiota inseguro a acrescentar a perda de votos, antes deveríam os assessores, e nao são poucos, do fraco presidente da cm de Évora agora em exercício, preocuparem se mais como que é realmente a jóia da coroa de Évora e que é o seu centro histórico património da unesco.
    Vai dai, nada mais evidente para dar razão à reportagem da SIC de ontem, toda el centrada na degradação e abandono do ch, do que tentar ir ao wc publico junto ao templo romano, pejado de turistas de todo o mundo e, qual surpresa,...
    As torneias estão durante semanas a verter água para a rua...
    O papel higiénico não existe ...
    É demais ...

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  6. O caso Silveirinha vai ter dados novos antes das autárquicas......

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  7. partidocracia evidentemente!

    Mete dó esta sabujice aos partidos. Isto acontece muito mais no partido comunista, em que, quem não obedecer àquela cartilha ideológica é logo posto a mexer
    Pergunto eu, porquê tanto mistério do Carvalho da Silva em ter entregue o cartão do PCP? Não entendo!
    Caso se candidate à presidência da república ou outra coisa qualquer, imediatamente as pessoas o conotam com a militância de 50 anos ou lá o que é de milância e de secretário geral da CGTP que foi sempre manietada pelo grande comité.

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  8. As notícias sobre as dificuldades de exploração (até agora a 60%) do novo espaço comercial de Badajoz, permitem-me voltar à carga com a minha defesa desde há mais de uma década: nem aquele modelo, nem o fórum eborense (à moda do Montijo) com construção parada e que será mais um elefante branco da gestão socialista, são adequados a Évora, cidade que tem um centro histórico classificado como património da humanidade pela UNESCO.
    O pior é que a CME, presidida pelo PS, teve a oportunidade de, por iniciativa do PSD, implementar a solução adequada, depois de ter prometido 5 centros comerciais a todos os possíveis e imaginários promotores de projetos comerciais durante as 3 campanhas eleitorais dos últimos 12 anos, resultando na perda de milhões de € dos mesmos, devido à ilusão criada pelo PS de Évora.
    Foi em tempos solicitado pela CME, por iniciativa do PSD, a um Centro de Estudos associado a uma Universidade portuguesa, a elaboração do estudo de "Avaliação dos Impactos dos Centros Comerciais na cidade de Évora", com vista a ajuizar politicamente mas com algum fundamento técnico e científico, os pedidos de instalação dos 5 projetos de investimento comercial para Évora que entretanto lhe chegaram à mão.
    A principal preocupação era a de perceber se seria possível sustentar, em Évora, tal quantidade de intenções de investimentos, com formatos e dimensões disparatadas logo à vista desarmada e, mais ainda, a de equacionar a melhor localização para os empreendimentos, à luz da necessidade harmonia com a valorização turística do comércio tradicional e genuíno (e não os chineses) em pleno Centro Histórico, de forma a dar escoamento aos produtos regionais associados a uma marca Évora e Alentejo, de cariz local e regional, porque Évora é a mais importante cidade do Alentejo.
    Infelizmente, como em tudo o resto durante as últimas décadas, a inteligência não foi visível nos paços do município PS, embrulhado nas promessas/compromissos assumidos de forma leviana com os potenciais investidores durante a campanha eleitoral, os quais eram pura ilusão e, por isso, uma vigarice eleitoral.
    O estudo elaborado sobre a viabilidade dos espaços comerciais em Évora, apontou uma proximidade ao Centro Histórico como a mais adequada para um (e apenas um) espaço comercial e de lazer a criar em Évora, promovendo dessa forma, por via da complementaridade, a revitalização do pequeno comércio daquela área e a requalificação urbana da Rua de Avis e Rua do Muro.
    E o que fez o PS na CME? Não aproveitou para negociar a deslocalização da intenção de investimento comercial da zona industrial de Almeirim, para o espaço que tinha ficado vago (por devolução de terreno da Universidade de Évora) entre as rotundas da Lagoa e de Avis, onde acabou por fazer aquela coisa hibrida das hortas urbanas com uma vergonhosa taxa de abandono e, antes insistiu em deixar continuar a construção do fórum comercial que sabia não seria viável nem servia os interesses de Évora, pela sua localização.
    Criar um polo de animação comercial numa ponta do Centro Histórico e requalificar o Rossio (na outra ponta), continua a ser urgente para dinamizar todo um corredor que inclui as ruas da Lagoa, de Avis, da República, o Jardim das Canas, a Praça do Girado, o Mercado 1º de Maio. O PSD sempre o defendeu e… continuará a lutar por essa solução.

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