sábado, 31 de agosto de 2013

Apanhados 2 - 31/8/2013 - Eleições em Évora

No discurso de encerramento da Universidade de Verão do PS, em Évora

Na apresentação dos candidatos da CDU à freguesia da Malagueira
(clique nas imagens)
Cortesia Rui M.

Apoio aos bombeiros


Alguém teve a feliz idéia de criar um evento de apoio aos Bombeiros Portugueses que tão duramente têm sido atingidos por a atual onde de incêndios que ameaçam reduzir a cinzas a floresta nacional.
Felizmente os bombeiros de Évora não viveram o drama que outros corporações estão a viver. Mas, ainda o ano passado, perderam duas viaturas em combates a incêndios. A minha proposta, como cidadão, e não como Presidente da Assembleia Geral, que me orgulho de ser, a que todos contribuam para o auxílio aos nossos "soldados da Paz". Se não puderem passar pelo quartel, deixem o seu donativo, através de transferência bancária. Vamos a isso

003502970001196163005 CGD

004561804018409309866 CCA

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ÉVORA ---DIVULGUEM 
Podem deduzir o donativo em sede de IRS . enviem mensagem a solicitar informando o NIF


Contributos para o debate autárquico 2: Valorizar a Assembleia Municipal


Penso que pela minha experiência enquanto munícipe há muito a alterar no funcionamento da AM quer do ponto de vista formal quer do informal.
Há trinta anos a AM pouco mais fazia que aprovar os "cozinhados pré-preparados" noutros locais. Ainda que tecnicamente razoavelmente preparados poucas ou nenhumas alterações sofriam pois as tais maiorias absolutas pouca margem deixavam a participação construtiva da oposição e esta salvo raras exceções também pouco contribuía para alterar a situação.
Por outro lado era afirmado que os munícipes eram parte ativa e participativa nesses decisões. Nada mais ilusório. Com Ordens de Trabalho extensíssimas, a acrescentar moções por tudo e por nada e pontos prévios antes do inicio dos trabalhos propriamente ditos, quando algum presente não eleito queria apresentar alguma proposta já a noite ia longa o cansaço era enorme e a paciência já se tinha esgotado para se ouvir o que o outro tinha a dizer. Quer a primeira razão quer a segunda afastaram os munícipes de toda e qualquer participação nas discussões. 
Hoje o panorama não se alterou significativamente em relação à primeira razão e piorou em relação à segunda.
Quanto à primeira continuam a aparecer os "cozinhados" agora com outros preparos e ingredientes, mas o resultado é o mesmo. Em relação à oposição mais uma vez salvo honrosas exceções (deputado do BE e alguns outros do PC e PSD )é igual o seu comportamento. Só que agora para além do bota abaixo e da troca de galhardetes há também a má preparação das questões em debate. Há vários motivos: desmotivação, pois já se sabe que muito pouco do que é proposto é aprovado (lei da maioria absoluta); tempo reduzido para estudo e preparação dos dossiês face a quantidade de legislação a consultar; impreparação técnica de muitos deputados dada a tecnicidade de muitos assuntos; deficiente apoio dos serviços por falta de recursos humanos, técnicos, e financeiros ao dispor do órgão tão importante.
Em relação a segunda razão tudo piorou. Ordens de trabalho com excessivo número de assuntos a tratar, perca de tempo e de recursos com acusações sistemáticas de quem é a culpa do estado lastimoso a que o município chegou, pouca informação e limitação do tempo de intervenção provocaram o completo alheamento dos munícipes. 
Penso que algumas medidas deveriam ser tomadas por forma a melhorar o desempenho da AM.
Em primeiro lugar deveria ser dada politicamente a maior relevância a AM. (a começar já na campanha eleitoral). Afinal quem é o órgão legislativo e fiscalizador ou seja o mais importante. Só candidaturas apetrechadas politica e tecnicamente estarão a altura de fazer parte de órgão tão importante nos destinos do bem estar dos munícipes.
Em segundo lugar apetrechar com recursos humanos e técnicos existentes na camara o apoio aos deputados e comissões (que vou propor sejam criadas. Aprovar o orçamento adequado as funções que a AM tem que desempenhar.
Exigir o máximo de transparência nas propostas apresentadas pelo executivo, através da mais ampla divulgação das mesmas quer interna quer externamente.
Exigir que em matérias estruturantes para o desenvolvimento do município (aquisições ou alienações de património, orçamentos, planos urbanísticos, contratos de financiamento e outros), seja feita a maior divulgação para o exterior com as posições completas assumidas pelos deputados.
A lei deveria ser alterada para que em algumas destas matérias fossem necessárias maiorias qualificadas para a sua aprovação ou modificação e inclusivamente serem propostos referendos. Por exemplo a aprovação de um projeto como o da exploração de minérios no espaço territorial do município.
Constituição de comissões temáticas, eleitas em plenário, com representantes de todas as forças politicas com assento na assembleia na proporção da sua representação tendo em atenção a capacidade politica e técnica dos deputados. Estas comissões teriam como objetivo acompanhar e fiscalizar mais de perto cada um dos pelouros, analisar as propostas e preparar e apresentar ao plenário proposta de resolução aprovadas por maioria simples em sede de comissão. Ficaria reservado o direito a quem se tinha oposto a apresentar as suas posições e propor a sua votação em plenário.
Devia ser apresentado pelo presidente da Mesa, um relatório de periodicidade anual, elaborado por uma comissão composta por um representante de cada força politica, com o desempenho de cada um dos deputados, com as presenças, propostas, intervenções e outros critérios a serem definidos no início de cada sessão legislativa.
Finalmente mas mais importante que todas - a participação dos munícipes. Aqui está quase tudo por fazer. Existem limites impostos pela lei. Contudo há questões que se deviam alterar.
- Uma das comissões deveria atender os munícipes e entidades coletivas, tomar nota dos seus anseios, propor ao plenário medidas com respostas concretas a serem aprovadas e remetidas ao órgão executivo para implementação dentro do quadro orçamental aprovado.
- Aprovar o regulamento de funcionamento por forma a que os munícipes possam participar na discussão de cada assunto, fazer propostas, sugestões, criticas, antes das votações em plenário.
- Se possível agrupar os assuntos similares ou complementares, por forma a criar sessões especializadas, muito menos extensas e por força dessa característica mais participadas e assertivas.
- Em questões que afetem em termos ambientais, quer o bem estar das humanos ou dos outros animais, deveriam ser previamente ouvidos obrigatoriamente os especialistas de cada área e as populações afetadas.
- Dar a voz aos munícipes através de referendos para situações estruturantes como já anteriormente propus, está dependente de alterações a lei mas deve ser discutida e proposta pela AM aos diversos órgãos de soberania.
Embora limitado penso ter dado um contributo para o debate sobre o papel da AM em Évora.

José Dias

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O orçamento das autárquicas em Évora (só despesas com partidos)

 



(clique para aumentar)

Orçamento dos partidos políticos para a campanha autárquica no concelho de Évora:

PS - €92.016,00
CDU - €85.000,00
PSD/CDS - €29.316,71
BE - €8.351,27

Total: 214.683,98 Euros

(Apanhados) Onde está o Wally?

(clique para aumentar)
aqui

(Apanhados) Não sei se durma, se descanse

(clique na imagem) 
aqui

À discussão (1) Centro Histórico e extra-muros ou Cidade ?




O "a cinco tons" inicia aqui uma sequência de post's" que se estenderá segundo o ritmo das propostas e respostas que aqui forem deixadas.

Esta sequência de post's é inspirada  na ideia de que participar é, desde logo, mudar. Discutir e pensar o espaço público em Évora é responsabilidade de todas as forças políticas, principalmente das que se candidatam à gestão deste território comum. Mas também dos cidadãos- munícipes que aqui são convidados  a expor ideias, sugestões e opiniões criticas.

 Assim, é sugerido que "O devir da cidade enquanto espaço social tem que ser pensado no seu conjunto: Centro Histórico (CH) + periferia. Não pode haver soluções viáveis para o primeiro se não se pensar a sua articulação com a segunda." (JRdS)
Ou, ao invés, o Centro Histórico de Évora e território exterior às muralhas devem ser pensados e  planeados segundo lógicas diferenciadas?

Os grandes negócios dos manuais escolares


O Povo é sereno, gritava uma vez o General Pinheiro de Azevedo a acalmar a multidão.
E a multidão acalmou.
E vai acalmando sempre, guiado por políticos da treta.
Vai-se amochando deixando-se enrabar por este por aquele e depois vem de dia para a Praça do Giraldo ou outra praça de qualquer cidade queixar-se que foi enrabado.
Isto tudo porque está de chegada mais uma daquelas enrabadelas que até fazem arder as bordas do cú.
OS MANUAIS ESCOLARES
A escola vai começar e os livros vão ter de ser comprados, sim, porque isto do ensino gratuito é só conversa.
E de novo vem a temática dos manuais que numa escola são uns e noutra escola são outros.
Passo a explicar:
Na Gabriel Pereira, disciplina de (por exemplo) português 8º ano, foi escolhido o manual X.
Já a Severim de Faria, mesmo ano escolar, mesma disciplina, o manual é outro o Z.
A André de Gouveia tem o Y
Ora, porque é que o Estado, detentor da Pasta da Educação e do Ensino Gratuito, antes de começar o ano lectivo e muito antes até, não reúne os manuais de todas as editoras e nomeia uma comissão de estudo que averigue qual o manual escolar que melhor servirá o ensino de cada disciplina?
Esse manual, de cada disciplina, serviria para o mesmo ano de estudo, desde a primeira classe, até ao 12º, ano, para TODAS AS ESCOLAS DO PAÍS, em cada ano escolar.
Todos os anos, ou melhor até, de 3 em 3 anos, a comissão reunir-se-ia
Penso eu que à partida, todos os alunos iriam aprender da mesma maneira, a melhor maneira, com base do estudo feiro pela comissão de manuais,
De norte a sul, os alunos dariam exatamente a mesma matéria.
E o preço? Bem sempre ouvi dizer que se comprar em maior quantidade fazem o preço mais barato.
Ora se a editora nomeada para um certo manual em vez de produzir 10.000, produzir 100 0u 200.00, ou mais ainda, o preço poderá ser muito mais reduzido.
Agora podem perguntar. E as outras editoras que vão fazer aos manuais???
Não os editem.
Façam apenas a edição de estudo - 1 manual- para ser apreciado pela comissão. Se ganharem, muito bem, avancem.
Mas o pior é que por detrás disto há grandes negócios estado-editoras-autores.
Quando conseguirem que esse negócio acabe, podemos dizer que gastámos dinheiro para comprar os manuais escolares de nossos filhos, mas que desta vez pagámos muito menos.


Vitor Alves

Évora: tudo em aberto a um mês das eleições


Fiquei "siderado" com o tom cordial, amigável, construtivo desta conversa entre a Dores Correia e José Rodrigues dos Santos, nada habitual em Évora, seja por falta de espaços, seja pela falta de qualidade humana e argumentativa. Era disto que se deviam fazer as campanhas eleitorais: discussão concreta de situações. O porquê do voto nesta ou naquela força política, pelas suas qualidades e não pelo demérito do adversário. Estão de parabéns e espero que o exemplo frutifique.
A um mês exacto das eleições em Évora faltam debates, inicativas, conversas que não estejam apenas viradas para dentro de cada uma das forças políticas em confronto nestas eleições. Que a cidade, na sua diversidade, possa participar. Mas o que se passa é o mesmo de sempre: todas as forças políticas a falarem para dentro, nas suas zonas de conforto, a "convencerem" quem já está convencido. Nesta perspectiva a prestação dos partidos políticos é paupérrima: passam a campanha em pequenas acções, sem discussão nem debate, quase como as vendedoras de "tupperwares" de antigamente - vão pelos bairros e num porta a porta que, sendo de proximidade, não deixa uma ideia, uma sugestão, um olhar que seja sobre a cidade. Ele são festas e festinhas, "bejecas" ao fim da tarde na tasca de bairro, enquanto se distribue um folheto, não batas a essa porta que esse não é dos nosssos e vamos embora que o bairro "já está feito". Repetem as apresentações de candidatos para a Câmara ou para as juntas, mas sempre com o mesmo discurso de cátedra: nós somos os melhores, o resto ou não existe ou são uns anormais que para aí andam... 
Sem conseguirem respeitar o adversário, duvido que se respeitem a si próprios.
E para acrescentar a este estado de indigência eleitoral - a que não será estranha a escolha dos cabeças de lista quer da CDU, quer do PS, que não são, claramente, escolhas naturais - aí está a sondagem da SIC/Expresso de há uma semana a prová-lo: ao contrário do que as hostes do PCP julgavam (que tudo estaria ganho) e daquilo que muitos militantes do PS pensavam (a Câmara estava perdida) afinal a "luta" ainda pode ser renhida e os dois principais partidos estão, nesta altura, empatados. Mas a sondagem (é uma sondagem!) tem alguns outros dados interessantes: o PSD/CDS mantêm a votação de há quatro anos sem parecer terem sido "arranhados" pela governação central e o BE sobe quase para os dois digitos - quadruplicando os votos de há 4 anos - podendo mesmo alcançar um lugar na vereação. E mais importante do que isso: segundo esta sondagem, grande parte dos votos do BE (ao contrário daquilo que os arautos do PCP/Évora afirmavam aqui mesmo neste blogue) vêm do PS (que desce sensivelmente na mesma proporção dos votos ganhos pelo BE). Ou seja: se o BE eleger um vereador será sempre "à custa" do PS e não da CDU.
Trocando por miúdos, segundo esta sondagem, se a CDU ganhar a Câmara de Évora ao PS será porque teve a "ajuda" do BE no "roubo" de votos ao PS. Não se percebe assim a animosidade caceteira e controleira que o PCP em Évora tem vindo a manifestar contra o Bloco de Esquerda que, pela sua parte, só teria a ganhar se definisse claramente a importância que teria a eleição dum veredor seu no elenco camarário. Deixo este conselho: as próximas semanas, para o BE, devem ser focalizadas sobre a importância para os cidadãos de Évora em terem o BE representado na Câmara (é treta vir dizer que ganham a Câmara. Mas que diferença poderá fazer uma vereadora do BE na autarquia? - este sim é o ponto chave e diferenciador para o voto de muitos eborenses na Maria Helena Figueiredo). Mais ainda, independentemente dos resultados do BE nestas eleições, acho que está aberto o caminho para a construção de um espaço independente e alternativo para daqui a quatro anos, sem dependências partidárias, que consiga romper com o bipolarismo doentio a que o bipartidarismo conduziu a cidade de Évora. Será que os "independentes" do BE estarão dispostos a dar esse passo? Vamos a ver: uma boa votação hoje no BE poderia ser útil para a construção amanhã de uma alternativa local, sem espartilhos partidários.
No mais, está tudo em aberto e dentro de um mês se saberá. Bom resto de campanha a todos. Eu não votarei. Mas acho que quem quer votar o deve fazer em plena liberdade e sem qualquer tipo de constrangimento. Só as ditaduras - de um e outro tipo - é que impedem o voto e as candidaturas plurais, de uma forma livre e universal.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Escolhas pela positiva


FALTA APENAS UM MÊS para as eleições autárquicas... 
Daqui a um mês vamos eleger quem pretendemos ter a governar os nossos territórios. 
Muitos, muitas vezes, usam este direito, mais do que para escolher quem querem, para manifestar o seu descontentamento em relação a quem está a governar a nível nacional ou local ou relativamente a qualquer situação que lhes provocou revolta - e existem tantas situações que estão a provocar esse tipo de reacção -, ou, ainda e que é mais grave, porque já não acreditam nos partidos ou, pior ainda, nesta democracia, que tem vindo a ser limitada, em vez de qualificada. Muitos nem sequer votam, optando por se abster, por comodidade uns e outros por já não querer "dar mais para este peditório"... 
Todas estas razões são compreensíveis para estes tipos de atitudes perante um acto que nos devia interessar e mobilizar a todos. Infelizmente, esta conquista fundamental de Abril - o voto livre e universal -, tem vindo a ser condicionada e desacreditada por quem tudo tem prometido e tão pouco tem feito para cumprir - as promessas e o sonho de Abril. 
Como membro de um movimento independente e plural - Por Beja Com Todos -, depois de ter militado mais de 35 anos no PCP, estou convencido que estes movimentos podem resgatar a Política, na sua forma mais importante - a de serviço público, a de "interesse desinteressado", como referia um amigo meu para significar um grande empenho na resolução dos problemas dos territórios e das pessoas mas sem interesses pessoais. 
É fundamental que as pessoas participem activamente e exerçam a sua cidadania. E isso tanto pode acontecer nos partidos, nos movimentos independentes, no movimento associativo, no voluntariado, no dia-a-dia. 
É igualmente fundamental encarar a política na sua forma mais nobre, como atrás referimos, combatendo a politiquice, o carreirismo, o uso da política para resolver os problemas pessoais e, quantas vezes, o enriquecimento, se não ilegal, pelo menos imoral... 
Eu continuo a ter sonhos, que acredito que poderão ser concretizados quando, em vez de apenas mostramos os nossos descontentamentos, afirmarmos as nossas convicções, fizermos as nossas escolhas pela positiva. 
Quem sabe se isso não poderá já acontecer daqui a um mês...

Lopes Guerreiro (aqui)

Évora: candidatura ao "Centro Histórico" pela CDU é apresentada esta sexta-feira


A apresentação da lista da CDU à união das freguesias do Centro Histórico de Évora, presidida por João Bilou, decorre amanhã, dia 30 de Agosto, às 18 horas na Praça do Giraldo - na sede de campanha, ao lado do café Arcada.
Venham e sintam-se à vontade para convidar colegas, amigos e familiares. Cabe sempre mais um e todos não seremos demais para defender e fazer do Centro Histórico de Évora um local onde dê gosto viver (nota da CDU).

A cara e a coroa do totalitarismo



Nos últimos dias li dois livros diferentes, debruçados e construídos sobre dois cenários distintos, mas assentes na mesma realidade tenebrosa que manchou de sangue várias décadas do século XX – o totalitarismo, fosse ele de raiz nacional-socialista ou de carácter marxista-leninista.
Existindo diferenças entre ambos, os dois modelos de organização social representam um tipo de sociedade assente no poder do Estado (e dos grupos que dele se apoderaram) e na destruição daquilo que é único e inalienável em cada um de nós – a individualidade.
Havendo mais traços em comum, bastava isto para os tornar similares. São regimes de terror, em nome de ideais futuros em que os “fins” (desde a “raça ariana pura” até “aos amanhãs que cantam”) justificam todos os meios. E um dos meios é o do medo e o da destruição do indivíduo, enquanto ser único, primeiro passo para destruir o grupo, a “raça” ou a “classe” de pertença, sublimemente descritos por Primo Levi (que o viveu – e de que forma! – em Auschwitz) e por Vladimir Zazúbrin, um escritor soviético, membro do PCUS, e presidente da União dos Escritores Siberianos, que escreveu uma novela profundamente realista sobre a primeira polícia política pós-revolução, “O Tchekista”.
São dois testemunhos escritos a sangue. Primo Levi pôde escrever o seu “Se Isto é um Homem” porque foi libertado do campo de concentração de Auschwitz pelos soldados soviéticos, dirigidos por Stalin, ele próprio responsável pelo degredo, tortura e morte de milhares de correligionários seus – entre os quais Vladimir Zazúbrin, cuja novela (escrita em 1923) só foi publicada pela primeira vez em 1989, depois da queda do muro.
Escreve Vladimir Zazubrin: “É necessário organizar o terror de tal maneira que o trabalho do carrasco executor quase se não distinga do trabalho do dirigente teórico. Um disse que o terror é necessário, o outro carregou no botão da máquina automática de fuzilar (…) No futuro, a sociedade humana “esclarecida” livrar-se-á dos seus elementos supérfluos ou criminosos por meio de gazes, electricidade, bactérias mortíferas”.
Duas décadas depois este “sonho”  bolchevique e tchekista era realizado pelo nacional-socialismo alemão, nos campos de extermínio e morte. O tiro na nuca às dezenas de executados diariamente pela Tcheka foi substituído pelos milhares de gazeados dos campos de concentração nazis.
“A notícia chegou, como sempre, acompanhada por uma auréola de pormenores contraditórios e suspeitos: hoje mesmo de manhã houve selecção na enfermaria: a percentagem foi de sete por cento do total, de trinta, de cinquenta por cento dos doentes. Em Birkenau, a chaminé do Forno Crematório fumega há dez dias”, escreve Primo Levi.
Num e noutro tempo histórico, o objectivo é o mesmo: destruir o que há de individual em cada ser humano. Os presos eram obrigados a despirem-se e a esperarem, nus, a morte. Para a humilhação ser maior.
Escreve Vladimir Zazúbrin, no Tchekista, “em França, havia as guilhotinas, as execuções públicas. Entre nós, há a cave. A execução secreta. As execuções públicas envolvem a morte do criminoso, mesmo do mais perigoso, numa auréola de martírio, de heroísmo. As execuções públicas fazem publicidade, dão força moral ao inimigo. As execuções públicas deixam aos parentes e amigos um cadáver, uma sepultura, as últimas palavras, a última vontade, a data exacta da morte. É como se o executado não fosse completamente destruído. A execução secreta, numa cave, sem quaisquer emoções exteriores, sem anúncio de sentença, a morte súbita, tem nos inimigos um efeito esmagador. Uma máquina enorme, impiedosa, omnisciente que agarra inesperadamente as suas vítimas e as absorve como uma picadora de carne. Depois da execução não se sabe o dia exacto da morte, não há últimas palavras, nem cadáver, nem sequer sepultura. É o vazio. O inimigo é completamente destruído”.
Duas décadas depois escreve Primo Levi no seu Se isto é um Homem: “Então, pela primeira vez nos apercebemos de que a nossa língua carece de palavras para exprimir esta ofensa, a destruição de um homem. Num ápice, com uma intuição quase profética, a realidade revelou-se: chegámos ao fundo. Mais para baixo do que isto não se pode ir: não há nem se pode imaginar condição humana mais miserável. Já nada nos pertence: tiraram-nos a roupa, os sapatos, até os cabelos; se falarmos, não nos escutarão e, se nos escutassem, não nos perceberiam. Tirar-nos-ão também o nome: se quisermos conservá-lo, teremos de encontrar dentro de nós a força para o fazer, fazer com que, por trás do nome, algo de nós, de nós tal como éramos, ainda sobreviva”.
Os crimes contra a humanidade praticados pelo nazismo foram julgados em Nuremberga. Os crimes praticados pelo marxismo-leninismo, como ideologia de terror e morte (União Soviética, China, Cambodja, Coreia do Norte, alguns regimes africanos…), estão a ser julgados todos os dias pela humanidade. O ódio e o terror contra uma raça  (judeus, negros, ciganos) ou contra um qualquer inimigo (de grupo, classe, ideologia) não são diferentes e estes dois livros retratam-no de forma eloquente.


Fecho da Universidade de Évora no Verão é "fanatismo ideológico" do Governo


O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, afirmou ontem que o encerramento da Universidade de Évora e de outras durante parte do mês de agosto é uma consequência do “fanatismo ideológico” do Governo.
“Esta imagem terrível de uma universidade que fecha porque não encontra recursos e energia para estar aberta é um traço tremendo daquilo que o fanatismo ideológico deste Governo nos está a fazer chegar”, disse.
Num discurso na sessão de abertura da Universidade de Verão do PS, que decorre em Évora, Zorrinho assinalou o contraste entre as duas universidades.
“A nossa universidade aberta e livre, procurando novos caminhos de cidadania, e uma universidade, com a história da Universidade de Évora, fechada porque não tem dinheiro para poder funcionar”, lamentou.
Entre outras academias do país, a Universidade de Évora esteve fechada durante os primeiros 15 dias de agosto com o objetivo de reduzir custos de funcionamento. (aqui)

Évora: candidatura do PSD/CDS inaugura sede de campanha dia 6 de Setembro


Jerónimo Lóios deixa Câmara com "sonho" realizado


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"Filhos da puta porque se eternizam/ Se levam a sério/ E nos emigalham o crânio com as suas banalidades"



"Estou cansado, pá 
Cansado e parado por dentro 
Sem vontade de escolher um rumo 
Sem vontade de fugir 
Sem vontade de ficar 
Parei por dentro de mim 
Olho à volta e desconheço o sítio 
As pessoas, a fala, os movimentos 
A tristeza perfilada por horários 
Este odor miserável que nos envolve 
Como se nada acontecesse 
E tudo corresse nos eixos. 
Estou cansado destes filhos da puta que vejo passar 
Idiotas convencidos 
Que um dia um voto lançou pela TV 
E se acham a desempenhar uma tarefa magnífica. 
Com requinte de filhos da puta 
Sabem justificar a corrupção 
O deserto das ideias 
Os projectos avulso para coisa nenhuma 
A sua gentil reforma e as regalias 
Esses idiotas que se sentam frente-a-frente no ecrã 
À hora do jantar para vomitar 
O escabeche de um bolo de palavras sem sentido 
Filhos da puta porque se eternizam 
Se levam a sério 
E nos esmigalham o crânio com as suas banalidades: 
O sôtor, vai-me desculpar 
O que eu quero é mandá-los cagar 
Para um campo de refugiados qualquer 
Vê-los de Marlboro entre os dedos a passear o esqueleto 
Entre os esqueletos 
Naquela mistura de cheiros e cólicas que sufoca 
Apenas e só -- sufoca. 

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país que devoram 
Escudados pelas desculpas mais miseráveis 
Este charco bafiento onde eles pastam 
Gordos que engordam 
Ricos que amealham sem parar 
Idiotas que gritam 
Paneleiros que se agitam de dedo no ar 
Filhos da puta a dar a dar 
Enquanto dá a teta da vaca do Estado 
Nada sabem de história 
Nada sabem porque nada lêem além 
Da primeira página da Bola 
O Notícias a correr 
E o Expresso, porque sim! 
Nada sabem das ideias do homem 
Da democracia 
Atenas e Roma 
Os Tribunos e as portas abertas 
E a ética e o diálogo que inventaram o governo do povo pelo povo 
Apenas guardam o circo e amansam as feras 
Dão de comer à família até à diarreia 
Aceitam a absolvição 
E lavam as manápulas na água benta da convivência sã 
Desde que todos se sustentem na sustentação do sistema 
Contratualizem (oh neologismo) o gado miúdo 
Enfatizem o discurso da culpa alheia 
Pela esquizofrenia politicamente correcta: 
Quando gritam, até parece que se levam a sério 
Mas ao fundo, na sacristia de São Bento 
O guião escrito é seguido pelas sombras vigentes.  

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão 
Não era lá longe, era aqui mesmo 
Barricadas, armas, pedradas, convulsão 
Nada, não há nada 
Os borregos, as ovelhas e os cabrões seguem no carreiro 
Como se nada lhes tocasse -- e não toca 
A não ser quando o cinto aperta 
Mas em vez da guerra 
Fazem contas para manter a fachada: 
Ah carneirada, vossos mandantes conhecem-vos pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol a três cores 
Pelas vitórias morais de quem voa baixinho 
E assume discursos inflamados sem tutano. 

Estou cansado 
Cansado da rotina 
Desta mentira que é a vida 
Servida respeitosamente 
Com ferrete 
Obediente 
Obediente. 

Estou cansado, pá 
Sem arte, sem génio, cansado: 
Aqui presente está a ementa e o somatório erróneo do desempenho de uma nação 
Um abismo prometido 
Camuflado por discursos panfletários: 
Morte aos velhos! 
Morte aos fracos! 
Morte a quem exija decência na causa pública! 
Morte a quem lhes chama filhos da puta! 
- E essa mãe já morreu de sífilis à porta de um hospital. 
Mataram os sonhos 
Prenderam o luxo das ideias livres 
Empanturraram a juventude de teclados para a felicidade 
E as famílias de consumo & consumo 
Até ao prometido AVC 
Que resolve todas as prestações: 
Quem casa com um banco vive divinamente feliz 
E tem assistência no divórcio a uma taxa moderada pela putibor. 
Estou cansado, pá 
Da surdez e da surdina 
Desta alegria por porra nenhuma 
Medida pelo sorriso de vitória do idiota do lado 
Quando te entala na fila e passa à frente 
É a glória única de muita gente 
Uma vida inteira... 

Eleitos, cuidem da oratória..." 


(António Manuel Ribeiro)
* Baseado no poema "Vernáculo" do livro "O Momento a Seguir", edição Sete Caminhos (2006) -- contém expressões do português vernáculo.
Tema incluído no álbum "A Minha Geração" (2013) - editado em 24/06/2013.

Cortesia de ACP

Planície Mediterrânica, em Castro Verde (12 a 15 Setembro)


terça-feira, 27 de agosto de 2013

ÉVORA: OS NOVOS BUGALHÕES E FARROBISTAS


De facto Évora tem uma história terrível no tocante a antagonismos ferozes e ódios políticos. Recordemos o que se passou na segunda metade do século XIX, com maior incidência no período que mediou entre 1878 e 1900, no qual vigorou em Portugal um sistema político, chamado de rotativismo e que decalcado do sistema britânico assegurava a posse alternada do exercício do governo aos dois grandes partidos de então: o Partido Regenerador, de centro-direita e o Partido Progressista ou o Partido Histórico, que agrupava o centro-esquerda. De fora ficavam o Partido Republicano Português e o Partido Socialista Português, hostis à Monarquia e tidos como forças de protesto e de reduzida expressão parlamentar.
No plano regional e local as coisas acabavam por funcionar da mesma maneira, dado que o partido que subia ao poder desde logo organizava eleições para substituir os anteriores responsáveis por gentes da sua confiança. Ou seja, não ascendia ao topo da administração local quem ganhava as eleições mas sim quem as organizava. O governador civil era designado pelo governo mas as Câmaras municipais eram eleitas pelos que tinham direito a voto.
A alternância garantida não significava porém que os mandatos pudessem ser cumpridos até ao fim porque, quer uns quer outros, empenhavam-se em recuperar por todos os meios o poder quando dele haviam sido desalojados. O antagonismo era feroz e o combate processava-se não só no Parlamento mas também nas cidades importantes do país.
Foi neste contexto que Évora conheceu a sua divisão em dois grupos (tal como agora) e outras tantas áreas de influência, numa acesa rivalidade de bairros. Uma zona da cidade pertencia ao chamado grupo dos Bugalhões, a outra aos grupo dos Farrobistas. Raros são os eborenses de hoje que conhecem a estória que chegou até mim por volta dos meus dez anos que conheci do através do meu tio-avô, e que uma década mais tarde vi relatada pelo escritor Antunes da Silva no seu livro “Alentejo é Sangue” – crónicas e narrativas, publicado em 1966 pela Portugália Editora.
Para não retirar o prazer de seguir a estória pela talentosa pena de Antunes da Silva, reproduzo aqui parte do texto alusivo aos Bugalhões e Farrobistas, que o escritor colocou na boca do barbeiro Rasga em narração à rapaziada do seu tempo, enquanto batucava a tesoura no pente: «Da Porta Nova ao Buraco dos “Crujais”, abrangendo os Penedos, as Portas da Alagoa, Portas de Avis, passando pela Rua de Outubro era terra de bugalhões. Das Portas de Moura, abrangendo o Largo do Paraíso, Rua de Machede, Largo do Senhor da Pobreza, Chafariz d’ El Rei, etc., era o terreno amado dos farrobistas».
«As luzes de gás que se acendiam na terra dos bugalhões não eram as mesmas que se acendiam na terra dos farrobistas. Se de um lado as luzes eram azuis, do outro para se diferençarem eram verdes. Se os bugalhões usavam polainas, os farrobistas usavam cacetes. Se os farrobistas comiam carne de porco, os bugalhões comiam carne de vaca. Tanto isto é verdade que, nesse tempo, o forasteiro que quisesse jantar à sua vontade, tinha de engolir o caldo verde na terra dos bugalhões e provar os lombos grelhados nos domínios dos farrobistas.»
«Ora acontecia que nos arraiais dos bugalhões se encontrava a Câmara, as Finanças, o banco, o maior armazém de mercearias e os Correios». Eram os intermediários que possuíam salvo-condutos, negociados entre as ambas as portas, que se encarregavam de fazer esses serviços. «E ai, daquele que transgredisse essas leis tradicionais : havia guerra brava. Além de sovarem severamente o atrevido, ajustavam combates». O “prisioneiro”, era deixado ao abandono no Buraco dos “Crujais”, terra de ninguém, normalmente em ceroulas, de olhos vendados e mãos atadas. E enquanto se procurava desenvencilhar destes embaraços e alcançar o campo dos seus, dava-se início ao combate.
«Saídas das fundas, saraivadas de pedras, pedrinhas e pedretas choviam de todos os lados, ricocheteando nas pedras da velha Casa Pia, partindo as lâmpadas, penetrando pelas janelas de um velho convento abandonado. Havia sempre feridos que se iam curar ao Hospital e os grupos rivais só debandavam quando aparecia a guarda montada». Mas ainda assim na retirada atabalhoada ainda se podiam ouvir as chufas : «Abaixo os bugalhões! Abaixo os talassas». Da outra banda respondiam, furiosos : «Abaixo os farrobistas selvagens! Abaixo os que estão abaixo de cães ». 
Era a luta do poder pelo poder, estimulada e alimentada pelos caciques locais. Não os preocupava o estado de coisas na cidade cujo estatuto de quarta cidade do Reino, depois de já ter sido segunda, se ia esboroando e ruindo. Nada, a luta partidária e a avidez pela ocupação do poleiro eram as suas únicas preocupações.
À distância de cerca de 130 anos não é difícil de descortinarmos estar perante um novo episódio entre Bugalhões e Farrobistas, representados agora por comunistas e socialistas, os primeiros com sede na Rua de Avis e os outros domiciliados na Travessa da Alegria, Ambos foram durante os últimos 37 anos (e o PS ainda ocupa) os únicos ocupantes do antigo Palácio dos Condes de Sortelha, o emblemático edifício da Praça do Sertório, símbolo da administração local. A recente disputa pela melhor localização das sedes de campanha foi de um primarismo grotesco e fez ecoar na minha memória, em toda a sua dimensão, esses antigos tempos.
Hoje, o confronto é marcado essencialmente pelo valor da dívida do erário municipal cujo valor ronda os 75 milhões de euros e foi contraída por ambos os partidos, em períodos de tempo diferentes e graus de responsabilidade também diversos, durante os trinta e sete anos em que detiveram o ceptro camarário. Mas nenhum quer assumir culpas no cartório ainda que o PS diga que quer “fazer melhor”, aceitando implícita mas timidamente (a conjuntura a isso o obriga) o descalabro da tesouraria nos últimos seis anos e os comunistas reclamem “confiança” porque, em sua opinião, durante o último quartel de século passado, Évora, sob o seu domínio, viveu o período mais brilhante da sua história, sendo a sua gestão isenta de erros e de favoritismos, mercê da liderança de dirigentes impolutos e exemplares (PCP dixit). 
Claro que o PS contesta esta visão idílica e maníqueista da realidade (só possível por cegueira ideológica) quer no seu jornal de campanha e nos órgãos de comunicação citadinos, quer nas redes sociais ou nos “blogs” locais, a funcionarem estes actualmente como as principais arenas da refrega. Aqui há porrada verbal que ferve. Todas as armas servem para apoucar, rebaixar e desdenhar o adversário: mentiras, meias-verdades, insultos, ataques pessoais grosseiros e aviltantes, invenções e atoardas do mais baixo nível e calibre. A coberto do mais completo anonimato, lançam-se insinuações abjectas, acusações sem provas, enlameiam-se instituições e pessoas sem o mínimo fundamento, num espectáculo triste, confrangedor e deprimente. Traidores ao espírito de Abril, forças ao serviço do grande capital nacional e estrangeiro, berram uns; estalinistas e vendidos ao comunismo internacional, clamam outros.
Nesta tarefa participam as respectivas falanges de apoio constituídas por funcionários, acólitos de serviço, coladores de cartazes, veteranos dos pleitos sindicais e das lutas estudantis, activistas de boa e má nota, manipuladores de ontem e de hoje, vendedores de banha da cobra e videntes de pechisbeque, antigos meloeiros, ciclistas e equilibristas, cabeçudos e zé-pereiras, que têm a sua sobrevivência dependente da vitória de uma de outra banda esfalfando-se numa peleja onde tudo é permitido e o motivo pode ser o mais fútil, o mais tosco, o mais pindérico, o mais alarve.
São os novos bugalhões e farrobistas, divididos como antanho pelo ódio, e lutando sem escrúpulos nem pudor pela manutenção ou reconquista do poder. No tocante ao avançar de soluções realistas, interessantes, exequíveis e mobilizadoras para fazer sair a cidade e o concelho da situação catastrófica em que se encontram, é o silêncio completo. Na apresentação de propostas sérias e estratégias para vencer a crise e atrair os votos dos não militantes, afinal aqueles que decidirão em última análise o resultado final, importantíssimo para o futuro da cidade e seu termo, parecem, pois, não estar interessados. Apenas projectos vagos e nebulosos que são acolhidos com indiferença pela maioria do eleitorado.
Não será para admirar que a abstenção venha a atingir números dilatados. Com novos bugalhões e farrobistas divorciados dos interesses da população, é natural que esta lhes venha a pagar na mesma moeda. E até mesmo nos representantes dos antigos “intermediários” que viabilizavam o acesso à “domus municipalis” e agora poderão ser decisivos, qualquer que seja o vencedor, para a constituição de acordos para garantir a sua governabilidade quando estiverem em jogo as grandes questões orçamentais e de desenvolvimento, não são detectáveis vontades para grandes cometimentos ou iniciativas. 
Com o PSD confinado ao diletantismo do seu cabeça de cartaz, só do BE têm saído algumas (poucas) ideias interessantes. Mas ambos vão-se deixando enredar no jogo dos novos bugalhões e farrobistas e parecem conformados com o futuro papel que os outros lhe reservam: os primeiros preparados para o seu continuado papel de “muletas” de ocasião e felizes se não perderem eleitorado num contexto nacional que lhes é extremamente adverso; os outros satisfeitos se chamados a colaborar minimamente na grande gestão da esquerda apesar de terem sido apelidados de atiradores nos próprios pés e embandeirando em arco, com uma aguardada subida na sua percentagem eleitoral, alicerçada na sua maioria na colheita dos votos de protesto. 
Será que não há mesmo volta a dar aos partidos políticos da nossa terra? E uma pergunta começa a queimar os lábios de muitos eborenses: por quantos mais anos estará a cidade, para sua e nossa desgraça, condenada a ficar refém das lutas fratricidas e dos ódios tribais entre socialistas e comunistas? Ou seja parafraseando, com todo propósito, o filósofo e orador Marco Túlio Cícero interpelando, em pleno senado romano, Sérgio Catilina, questor que procurava chegar ao poder por todos os meios: «Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? («Quosque tandem abutere Catilina patientia nostra?») Por quanto tempo este teu rancor ainda nos enganará? («Quandiam etiam furor iste tuus nos eludet?»). Sim, por quanto tempo ainda, oligarquias partidárias da nossa cidade?

José Frota (via email)

Entre ditos e não ditos há uma decisão por tomar em Évora


Foto tirada daqui
Da primavera até finais de Setembro, em muitas casas alentejanas fazem-se “as limpezas”. Estão-lhe associadas caiações ou pinturas, arrumações, implicando muitas vezes pequenas ou maiores mudanças. Cabe, quase sempre, às mulheres promover, decidir e executar estas operações, com ou sem ajuda, mais especializada ou indiferenciada. Os outros habitantes da casa, ou lugar de vida, costumam reagir “às limpezas” e ao incómodo processo de desarrumação e arrumação, ou seja à mudança mesmo que pequena. Umas vezes entusiasmam-se e colaboram; muitas outras alheiam-se, resmungam críticas mais ou menos válidas, distanciam-se simbólica ou mesmo fisicamente. Quando “a casa fica arrumada”, uns expressam o seu agrado pelo “novo” ar limpo e arranjado, outros exibem a sua indiferença, e há mesmo os que manifestam o seu desagrado por não encontrar agora, no lugar do hábito, um certo objecto ou peça do seu quotidiano; mostram o incómodo ou estranheza que experimentam em sua própria casa “por causa das mudanças”.

Este ano, no final de Setembro, as cidades são convidadas a promover “processos de limpeza” e rearrumação nos seus governos locais. Acontece assim de 4 em 4 anos. Nestas ocasiões, uns defendem que todas as peças fiquem no mesmo lugar, outros adiantam que algumas pessoas ou ideias devem ser substituídas, e outros ainda desejam mudanças mais profundas com grandes renovações.

Compreende-se que quem não quer mudar use as suas posições para fazer prevalecer. Estes são, quase sempre, os que estão ao comando das operações, mas contam com os seus pares, e com os mais receosos ou avessos a toda a mudança.

Quem quer mudar experimenta, de facto, as maiores dificuldades. Não são os donos da casa e a mudança depende mais dos outros do que de si próprios, a inércia do poder é-lhes desfavorável.

A decisão cabe aos outros habitantes da cidade, chamados cidadãos.

Os mais empenhados e defensores da limpeza maior, assim como os adeptos da mais suave passagem, andam ansiosos, preocupados, muito focados (ou mesmo sufocados) em todos os pormenores ou nos mais leves indícios do que poderá vir a ser a decisão final. Uma sondagem de opinião publicada pela SIC no final da semana passada era por isso aguardada em Évora com grande expectativa. Com os resultados quase tudo ficou na mesma. Confirmou-se a certeza de que a decisão só será tomada a 29 de Setembro. Se se vai "limpar" mais ou menos profundamente, ou passar apenas “ao de leve” a casa que é conhecida como lugar do poder autárquico, isso só será decidido à última hora. Por agora expressam-se apenas em circuitos pequenos e de confiança pessoal os que já decidiram. Assim, os partidários das limpezas mais profundas comunicam nos circuitos da mudança. Os defensores da mais leve passagem manifestam-se no interior do grupo da continuidade. Uns e outros surpreendem-se com o entusiasmo e com a quantidade de apoios que lhes chegam até porque não acedem ao que se passa nos outros circuitos. Avulta em Évora a falta de espaços de comunicação, para pôr em comum, com urbanidade, tolerância e transparência, o que é relativo à cidade. Assim, entre ditos e mais não ditos, resta-nos esperar até ao fim de Setembro para decidirmos se há limpezas ou se dizemos que não é preciso e deixamos a "trabalheira" para depois.

Diferenças políticas ou "raivas pessoais"?


Decorriam as eleições autárquicas de 2005 quando estes cartazes, colocados em Valverde, pela Junta de Freguesia, fizeram furor na Internet. (aqui)

Caro amigo, não confunda diferenças de políticas com 'raivas pessoais'.
Quando o PS entrega a águas municipais a interesses estranhos a Évora, não há raivas pessoais. Há diferentes concepções dos interesses do concelho. Há quem pugne pelos interesses de Évora e há quem não hesite em traficar e deitar fora a defesa desses interesses...
Quando o PS se arvora em defensor das 'novas centralidades', não há raivas pessoais sobre isso.
Há diferentes concepções dos interesses da Cidade. Há quem pugne pelos interesses da cidade e da preservação do seu centro tradicional. E há quem queira servir os interesses da especulação imobiliária, através de expansões urbanísticas inusitadas e que só servem para justificar a especulação (A Silveirinha é um desses exemplos).
Quando o PS resolver vender edifícios municipais e transferir os serviços para pavilhões alugados no Parque Industrial, não há raivas pessoais.
Há diferentes concepções do que devia ser a defesa do interesse público (acrescentando património ao património municipal e não alienando esse património para pagar rendas despropositadas) e da importância da CME não dar o exemplo, aos privados e instituições, de abandono do Centro Histórico...
E podíamos continuar por aí fora, dando exemplos que aquilo que diferencia PS e CDU não são raivas, mas diferentes politicas... 
E são essas politicas que interessaria discutir e não as intrigas e tricas a que este blogue parece gostar de dar voz... Vá lá saber-se porquê?...

Anónimo

Quem "destruiu" o Lusitano?


Familia Lusitanista:
O PS destruiu o clube do nosso coração, votar PS é trair as nossas raízes de eborenses e lusitanistas.

Anónimo


Isso não corresponde à verdade. O nosso Lusitano foi destruído por uma direcção irresponsável, presidido por um ambicioso, vaidoso e medíocre Luís Morais Santos, elemento ligado à direita e filho de Fernando Morais Santos, antigo delegado Provincial da Mocidade Portuguesa e homem forte da organização, e que envolveu o clube em negócios de contornos muito pouco claros. Parte da culpa pertence também aos sócios que em Assembleia Geral se deixaram manipular por esse e outros senhores votando a favor duma proposta que os avalizou e procurou destruir e alienar o património do clube em favor da participação deste num projecto imobiliário de que hoje são conhecidas as consequências, aliás já previsíveis. Pertenci à minoria que votou contra e recordo que para levar o projecto em frente houve que promover diversas alterações nos estatutos que a Assembleia também aprovou e estiveram a cargo do advogado Carlos Almeida, conhecida figura do PSD. Sou lusitanista desde os 6 anos de idade e meu pai quando faleceu em 2002 era o sócio nº.5 com 59 anos de filiação.
Se quer invocar razões para os eborenses não votarem no PS está no seu pleníssimo direito mas essa não colhe e é manipuladora. A destruição do nosso amado Lusitano tem um nome: Luís Morais Santos, e vários rostos que foram os seus acólitos.São os resquícios de quem foi formado nessa «escola de virtudes» que foi a Mocidade Portuguesa.

José Frota

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Outra cidade?

Praça do Giraldo, 1974 (foto Carlos Tojo)

1ª parte: aqui

2ª parte:  A "esquerda" contra a "esquerda": uma esquizofrenia eborense.

Portugal acordou em 1976, com as eleições, num estado de fracturação como nunca tinha vivido. Cada fracção com uma ressaca diferente dos três “25 de Abril”. Os partidários, defensores, os cúmplices do antigo regime, os que admitiram e se calaram, o partido negro, afundaram-se num profundo rancor contra o novo regime. No Norte, miseráveis tentativas de padres bombistas e veleidades de desencadeamento de guerra civil, depressa esgotadas pela dispersão das forças e dos motivos. Em Évora, o partido negro era a vítima da “reforma agrária”, das ocupações de herdades (“Roubaram-nos as terras!”, dizia uma figura notável de entre muralhas) e como vítima se via. Latifundiários recrutando ex-comandos das findas guerras coloniais (perdão, “guerra do ultramar”), para se oporem, com armas de guerra, aos grupos de rurais organizados quase militarmente pelo PCP, pequena burguesia comprometida com a máquina salazarista a apanhar chapéus. Capacidade política zero (que esta era a gente que “não fazia política”), desmoronamento social. Reduzidos ao silêncio, os que eu chamo o “partido negro” viveram o “25 de Abril” como uma catástrofe política, decerto, mas sobretudo moral: o fim dum mundo. Outro “25 de Abril” perdido foi o dos comunistas. Para eles, logo a seguir e ainda hoje, as “promessas”, o “sonho” do Abril deles, que era a instauração dum regime de tipo soviético, foram amargamente desmentidos pela realidade dum país que não queria (nem quer) tornar-se um paraíso de tipo cubano, bielorusso ou coreano. O terceiro Abril foi o dos socialistas. Esse vingou: o projecto era acabar com as guerras coloniais e instaurar um regime liberal-democrático. Não, como depressa se verá, social-democrático. Ao colocar “o socialismo no saco” o pai do novo regime, Mário Soares, ia no sentido do possível (e portanto do poder): eleições livres, multipartismo, estado de direito, economia de mercado, liberalismo económico. Para o PS, o 25 de Abril venceu, as promessas foram cumpridas, o essencial preservado (a liberdade).
Os três “25 de Abril” são rigorosamente incompatíveis. Contudo enquanto a oposição entre os saudosismos do antigo regime e os dois outros eram por assim dizer “naturais”, porque se opunham classes e meios sociais com interesses claramente divergentes, numa configuração clássica “direita” (“burguesia”, patronatos, etc.) contra “esquerda” (“classes trabalhadoras”), o antagonismo entre comunistas e socialistas era traumático e permanece insanável: no interior duma certa noção de “esquerda”. Ao nível do país, o que se observou foi uma triangulação, com os pesos de cada sector a variar entre maiorias absolutas (raras) e maiorias relativas bastante instáveis. Tendo o PC perdido mais de metade dos seus votos (em relação a 76), a confrontação ao nível nacional depressa se estabilizou em “esquerda contra direita”.
Évora fez figura de excepção. A predominância comunista não encontra rival de peso à direita (como já disse, uma direita moralmente desfeita, que só nos últimos anos conseguiu uma impiedosa desforra). O inimigo principal é o PS. O PS é para os comunistas o partido da “traição”, e complementarmente, o partido dos “traidores”. O partido que apoiou o principal acto traumático para os comunistas, o “25 de Novembro”, não hesitou em servir-se dos apoios externos e até da CIA, “traiu” e liquidou a reforma agrária, e trai os “ideais socialistas” ao aceitar “meter o socialismo no saco”. E adicionalmente, partido dos “traidores”: todos aqueles que ao fio dos anos foram expulsos, com as seriíssimas razões que se sabe, do PCP, ou que o abandonaram por discordâncias graves e foram aderindo ao PS, são vistos, ainda hoje como os que atraiçoaram “O Partido”. Muito haveria a dizer quanto à influência destes apóstatas da religião soviética e quanto à cultura política e partidária que consigo transportaram para o PS: formados nas escolas “do Partido”, formatados para uma certa cultura organizacional, muitos deles fizeram do PS um PCP sem ideologia fixa, no qual o poder nu e cru se torna a única razão de lutar.
O antropólogo René Girard afirma que as lutas mais mortíferas e mais impiedosas são as lutas fratricidas, movidas pelo desejo mimético. Formulado na base como “o desejo de ter o que o outro tem”, o desejo mimético é mais rigorosamente o “desejo de SER o que o outro é”. Évora não assiste ao desenrolar dum esquema clássico, saudável, de “esquerda contra direita”, em que os ideais são diferentes e os interesse incompatíveis, em que o outro é mesmo Outro. Évora assiste impotente à instalação dum jogo mimético em que cada um dos dois contendores pretende ser o verdadeiro detentor dos valores comuns (liberdade, justiça social, progressismos em geral), acusando o outro de ser falso, mentiroso, de roubar as palavras desvirtuando-as.
Para o PS (o tal que o PCP acusa de todas as traições), o partido comunista não é um partido democrático; concorre às eleições e acata os resultados, porque não tem outro remédio. Para o PS, o PCP não renunciou a nada do que faz a ideologia totalitária comunista, essa mesma de que o seu querido líder cujo centenário agora comemora, foi um parceiro, adepto, colaborador sincero e inebranlável para além da queda dos regimes soviéticos e até ao fim (da sua vida). O PCP, que continua a convidar para os seus congressos tudo o que há de mais notoriamente ditatorial e esgotado (os “países irmãos” e os “partidos irmãos”), não é, para o PS, um parceiro possível de alianças ou coligações. Num certo sentido, o PS considera que o PCP não é de esquerda, as ditaduras não podem ser de esquerda, os inimigos da liberdade são a forma essencial da direita. A “esquerda” são eles, no PS, porque a esquerda é defensora das liberdades e não apenas formais. E ao nível nacional, embora certas fracções socialistas (olha: “soaristas”!) lancem na contenda a ideia duma coligação à esquerda (entenda-se PS+PCP+BE), as correntes dominantes do que quer que o PS se tenha tornado consideram o PCP simplesmente irrelevante (quase tanto como “partido dos Verdes”, essa ficção), por fossilização política irreversível.
Mas o PCP há muito considera que o PS deixou de ser um partido de esquerda, que se diz de esquerda para aplicar políticas de direita, etc.: também ele pensa - aliados? Nunca! Seria perder, como diz Jerónimo, “a sua identidade”. Se assim não fosse, tendo os dois partidos cada um 3 vereadores, não teriam podido cooperar? É o contrário: o quase equilíbrio de forças fez do último mandato um inferno, uma guerra civil simbólica, bloqueando sempre que possível a situação: sujar as mãos cooperando, nunca. 
Enquanto a nível nacional as negociações entre PS e PCP nunca passaram de meras demonstrações de “abertura” para eleitor ver, em Évora o ódio mimético divide a sociedade em dois blocos irredutíveis. 
Não é pois de rivalidade política normal que se trata, mas sim, sublinho, de ódio mimético: “eu é que SOU o que tu dizes que ÉS”. O clima social, cultural, político, ficou totalmente atascado neste dilema. 
Só a emergência duma terceira força (e/ou duma quarta força) poderia separar os contendores, ambos obcecados pelo “outro”. Com esta configuração, Évora não sai das areias movediças em que caíu. Um contra um, parou o tempo. Só pelo menos “dois contra um” (o que pressupõe que haja três), oferece abertura: A+B / C; A+C / B ; B+C / A, etc. Mas essa abertura pressupõe que em vez de princípios intangíveis, quase religiosos e portanto indiscutíveis, os parceiros se orientem em função de objectivos concretos, de projectos comuns, contingentes, definidos de modo pragmático e com alianças variáveis. Segundo opções de base que bem lá no fundo, nem por serem diferentes deveriam ser incompatíveis. 
E creio que os principais estragos causados por este esquema durante os últimos 35 anos consistem em tornar o espaço público irrespirável, instaurando, como escrevi para começar, uma cultura do Medo, onde a maior prudência se impõe quando se trata de se exprimir em público: calcular bem as represálias que uma frase, uma foto, uma participação numa manifestação (cultural, social, política), um “ser visto com”, podem desencadear. Aqui “Tudo o que disser poderá ser utilizado contra si”, é o lema dum espaço que, na impossibilidade de ser de todos, se tornou espaço de ninguém.

José Rodrigues dos Santos,
Évora, 26 de Agosto de 2013.

Eleições autárquicas: meu querido mês de Agosto

PS - Festas da Boa Fé

CDU - Festas de Valverde

PS - Festas Populares da Malagueira

CDU - Guadalupe (Festa do Solsticío)

PS - Festas de São Miguel de Machede

CDU - Feira de São João

BE - Festas da Boa Fé

PS - Festas de São Sebastião da Giesteira

CDU - Festas de São Sebastião da Giesteira

PS - Festas da Vendinha

CDU - Festas de São Manços

BE - Festas da Graça do Divor

Aos clubes das cidades alentejanas que, antigamente, por falta de adversários à altura, jogavam com os pequenos clubes das aldeias chamavam-lhes os "bate-aldeias". Não é esse o caso agora, mas os candidatos às eleições autárquicas de 29 de Setembro, por todo o país, não desperdiçam uma festa que seja na freguesia mais remota. Évora não é excepção. PS e CDU (mas também, dentro das suas forças, o BE) batem-se ombro a ombro, numa marcação cerrada, nestes circuitos festivos. Os candidatos marcam presença, misturam-se com o povo em festa, dão beijinhos e apertos de mão, perguntam pelos filhos e pelos netos, sabem de quem morreu, de quem se casou ou de quem teve que emigrar... Sem este colorido as eleições não seriam o que são, um misto de promessas, outro de ideologia, tudo bem misturado com um pingo de sardinha ou uma bifana no pão. E uma mini (ou um copo de vinho) a acompanhar o pastel de bacalhau às três pancadas ou a perna de frango mal assado que um homem - ou uma mulher - não é de ferro. Mesmo que até às próximas eleições, daqui a quatro anos, não voltem lá, fica o serviço cumprido.

Hinos autárquicos: Bengalinha Pinto (Viana do Alentejo) leva o prémio da RFM!


mais aqui: https://www.facebook.com/pages/Aut%C3%A1rquicas-Viana-2013/463206687106544?fref=ts

domingo, 25 de agosto de 2013

Se isto não é cultura, desculpe mas não sei que seja!


A cidade de cultura "inexistente" neste post, não pode ter a minha concordância, embora o autor tenha razão em muitas das coisas que diz! Sim, esta ainda é a cidade de guetos, dos medos, da influência dos fortes sobre os fracos e da Igreja! A memoria da inquisição ainda impregna o ar que respiramos, a Universidade, a câmara e a fundações, que poderiam ser pontos fortes de desenvolvimento cultural e educacional, não cumprem esse papel e sim o papel de caciques, protegendo os seus clãs não a cidade no seu todo! 
Mas a cidade de cultura existiu... não vou falar de um tempo que não vivi (e das muitas companhias e colectividades que existiam em Évora nos anos 50 e 60), não vou falar da historia de pintura ou da fotografia (que nos anos 20 e 30) aqui tinham grandes e importantes profissionais. Não vou falar dos grandes grupos de escritores e pintores que aqui desenvolveram e realizaram o seu trabalho (na década de 40 e 50). 
Não, falo do tempo da minha adolescência, o tempo que vivi. E nesse tempo (na década de 70 e 80) Évora viu aqui aparecer o 1º Festival Jovem, encontros de Jazz internacionais, Jornadas clássicas e Mediterrâneas. Encontros de tradição Europeia, as primeiras recriações históricas do País, grandes jornadas literárias e conferencias Internacionais sobre muitos temas. Mostras e exposições de pintura de nomes internacionais de grande importância mundial, isto para alem do aparecimento de um dos primeiros festivais de verão internacionais (grátis e publico), que trouxe a Évora nomes de referencia mundial na área da musica, teatro e arte contemporânea. Também aqui se instalou uma das primeiras companhias teatrais da descentralização! Se isto não é cultura, desculpe mas não sei que seja! Se mais deveria ter sido feito, é provável, mas é sempre possível fazer mais e melhor! O que sei é que se esta fosse uma cidade sem cultura a minha geração não teria tido contacto com tantas e boas coisas nesta área! 

Lurdes