quinta-feira, 11 de julho de 2013

PAINEL DE SIZA VIEIRA NO CONVENTO DE S. FRANCISCO (ÉVORA)


Um painel de azulejos glorificando a vida, da autoria do arquitecto Siza Vieira, vai ser colocado no interior da Igreja/Convento de S. Francisco entre o respectivo templo e a célebre Capela dos Ossos, como forma de amenizar a impressão mórbida que se apossa dos visitantes após terem travado conhecimento com a macabra obra de concepção neo-barroca, também conhecida por Casa dos Desenganos, composta por milhares de ossadas humanas retiradas dos cemitérios da cidade durante a dominação filipina.
Este é, pelo menos, o anúncio e a justificação que tem sido apresentada aos fiéis pelo pároco da freguesia de S.Pedro, cónego Manuel da Silva Ferreira, para a futura colocação do painel, encomendado a Siza Vieira, naquele local. No decurso da semana o padre tem-se empenhado em convidar os frequentadores daquela Igreja, a apreciar o desenho do mesmo e a passar pelo local onde o mesmo ficará instalado, dependência onde esteve há poucos anos colocada a imagem do Senhor Jesus dos Passos.
A obra, de linguagem conceptual modernista e que se antevê venha a ser alvo de intensa e grossa polémica, faz parte do programa de Requalificação e Recuperação da Igreja/ Convento, o qual representa um investimento de 4,2 milhões de euros por parte da respectiva paróquia, contemplando obras de restauro, estruturas e consolidações, infra-estruturas eléctricas e mecânicas, museológicas, águas e esgotos e acessibilidades exteriores. No mesmo âmbito se integra igualmente a construção de um elevador que levará até ao primeiro andar onde serão recuperadas as celas dos antigos monges.
Publicado o respectivo concurso de realização das obras em anúncio de procedimento em Diário da República do dia 20/3/2013 as mesmas já foram adjudicadas sendo o prazo de execução de 18 meses. Apesar de se estar em face de um edifício considerado como Monumento Nacional e integrado no Centro Histórico abrangido pelo estatuto de Património Mundial atribuído pela UNESCO estranha-se o silêncio sobre o assunto das entidades responsáveis e a divulgação do projecto, apenas conhecido em círculos eclesiásticos restritos e agora difundidos entre os fiéis praticantes, de um assunto que diz respeito à cidade e à cultura nacional.

José Frota (via email)

23 comentários:

  1. Como nos vem habituando José Frota, um "email" carregado de informação e considerações bastante pertinentes.
    Pena o Título provocatório, sensacionalista, à boa maneira de certo jornalismo de pé-de-chinelo.

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  2. Já agora, que não sou de intrigas, porque é que o título é "provocatório, sensacionalista, à boa maneira de certo jornalismo de pé-de-chinelo"? Raramente vi um título tão factual!... O título é do próprio autor, mas, que raio!... "provocatório, sensacionalista, pé de chinelo"? O leitor não estará a confundir o titulo deste post com algum sonho mau que teve?
    PAINEL DE SIZA VIEIRA NO CONVENTO DE S. FRANCISCO (ÉVORA) - provocatório?
    Vou dormir uma sesta e depois digo-lhe alguma coisa.

    Carlos Júlio

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    1. Isso, isso, Carlos Júlio. Vão-se lá deitar os dois.

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    2. OLhe que não. Não é gente para isso. Você é que pelos vistos gosta desse tipo de assuntos: misturar alhos com bugalhos. Ou não será? Que lhe faça bom proveito.

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  3. Não percebeu?
    Então repare:

    - Está em curso um «programa de Requalificação e Recuperação da Igreja/ Convento, o qual representa um investimento de 4,2 MILHÕES DE EUROS … contemplando obras de restauro, estruturas e consolidações, infra-estruturas eléctricas e mecânicas, museológicas, águas e esgotos e acessibilidades exteriores.»

    - todavia desse volumoso investimento de 4,2 milhões de euros, o titulo opta por salientar um painel de azulejos de Siza Vieira, que custará a centésima parte do total do investimento.

    Perguntará o leitor, qual a razão do destaque?

    - por ser uma intervenção de “linguagem conceptual modernista”, embora não se explicite em que consiste a peça (nem as razões porque uma intervenção "modernista" tem de ser obrigatóriamente objecto de "grossa polèmica")?

    - por razões sensacionalistas, dado o nome do autor (ainda) causar urticária em certas peles sensíveis da nossa cidade?

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  4. O destaque não foi efectuado por razões de ordem financeira. De qualquer forma muito obrigado pela informação dos custos do painel, 42.000 mil euros, «centésima parte do total do investimento do investimento». O que se questiona é a introdução de um elemento espúrio (painel modernista) num edifício dos mais emblemáticos e representativos da arquitectura renascentista em Portugal. Não está em causa o nome do autor do painel, mas, sim, o facto,fortemente discutível, de se incorporar uma obra que temporal e artisticamente destoa (para não utilizar outro termo) do conjunto do monumento. Tal como a introdução de um ascensor.Veremos o que dizem os especialistas, os historiadores de arte e o público em geral. Aguardemos pois as reacções. A polémica vai instalar-se mesmo nos meios culturais fora do burgo. Agora sempre lhe quero dizer que se eu quisesse colocar um título «provocatório, sensacionalista, pé de chinelo» a minha experiência de 30 anos de jornalismo ao serviço de dois dos maiores jornais portugueses saberia bem como o fazer...

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    1. «Agora sempre lhe quero dizer que se eu quisesse colocar um título «provocatório, sensacionalista, pé de chinelo» a minha experiência de 30 anos de jornalismo ao serviço de dois dos maiores jornais portugueses saberia bem como o fazer...»

      Disso não tenho a mais pequena dúvida. Ainda me lembro bem dos artigos para o Expresso. Valha a aqui a confissão.

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    2. Para sua informação devo dizer-lhe que no Expresso a maioria dos títulos dos artigos eram da responsabilidade dos editores das respectivas secções. Os jornalistas faziam sugestões de títulos que raramente eram seguidos pelos editores.Aconselho-o a não falar daquilo que não sabe.

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    3. «Não está em causa o nome do autor do painel, mas, sim, o facto, fortemente discutível, de se incorporar uma obra que temporal e artisticamente destoa (para não utilizar outro termo) do conjunto do monumento.»

      Não sei se destoa ou não, porque não conheço a solução e o artigo também não esclarece.
      Mas se fosse seguido esse mesmo raciocínio ao longo das épocas como seria o Convento gótico-manuelino de S. Francisco, construído nos séculos XV e XVI, sem a Capela do Ossos, remodelada e revestida por ossadas nos séculos XVI e XVII, numa solução que hoje seria considerada, no mínimo, “fortemente discutível”?
      Ou o que seria da gótica Sé de Évora (séculos XII e XIII) sem a barroca Capela-mor do século XVII?
      Etc., etc.

      As cidades e os edifícios que nós conhecemos, e que nos parecem imutáveis dado que o seu tempo não se mede pelos mesmos parâmetros do nosso tempo, vão sempre mudando ao longo da vida, adaptando-se aos tempos e acolhendo novas soluções (modernas para a época em que são executadas). Umas ficam e outras não. Aquilo que nós conhecemos é o acumular dessas intervenções, feitas ao longo dos tempos.
      Mais do que negar a mudança, apenas por ser uma intervenção “moderna”, o que interessa é discutir a bondade e o interesse da solução.
      Mas para isso era preciso que a conhecêssemos!...

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    4. *Capela-mor do século XVIII

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    5. O senhor José Frota saberá quanto é que nos custou o "arco do triunfo" de João Cutileiro, essa intervenção de "linguagem conceptual modernista" colocada ali ao lado da porta do Raimundo?

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    6. Sr. Frota, não me referia evidentemente aos títulos dos seus artigos no Expresso. O senhor sabe muito bem do que falo. Não me faça de parvo. E não se faça ainda de mais parvo. Mas gostei da sua revelação de que trinta anos de jornalismo manipulador o habilitaram para as provocações que quisesse continuar a fazer.

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    7. Alto, eu não o insultei, nem lhe chamei parvo ao contrário do atestado de parvoíce que entendeu por bem passar-me. Mas a sua reacção não me surpreendeu. De quem se esconde atrás do anonimato há que esperar tudo. Por acaso não está interessado em debater o assunto cara a cara? Para que eu possa responder às suas anónimas provocações que se revelam muito mais manipuladoras que aquelas que eu aprendi em trinta anos de jornalismo.

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  5. De vez enquando alguém decide marrar com Jornalistas.
    Será que, se eles desatassem a escrever uns fretes aqui e ali, a este ou aquele, as mentes amainavam?

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    1. «...se eles desatassem a escrever uns fretes aqui e ali, a este ou aquele, as mentes amainavam?»

      Será impressão minha, ou já 'papo' fretes desses há muito anos?
      (Salvo escassas e honrosas excepções, naturalmente)

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  6. Mas afinal porque é que esta notícia estava tão guardada, guardadinha? Era com medo da polémica? É a primeira vez que vejo esta informação publicada e na internet não há qualquer referência a esta obra de Siza Vieira. Porquê tanto silêncio?

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  7. A noticia estava "guardada, guardadinha". Surge um mensageiro que a "mostra". E o que fazem os leitores/comentadores deste blog? Esquecem a noticia e as suas muitas dimensões e concentram-se (como quase sempre) no mensageiro: na cor dos seus olhos, nos anos que tem e também no que não tem. Não acham que essas reações são fora de tudo?

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  8. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele!....

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  9. Frota

    Basta fazer uns artigos a dizer "bem" do partido comunista ou do Pinto de Sá, e vão lhe deixar em paz de certeza

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    1. E este artigo diz "mal" partido comunista ou do Pinto de Sá?
      Ou será que este artigo levanta uma suspeita, com base num preconceito idiota, que o autor não foi capaz de demonstrar, como alguns comentadores fizeram o favor de esclarecer?

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    2. Olhe que não olhe NÃO.

      O PCP irá perseguir até à morte, os desertores ou todos aquele que estiveram com o PS, seja em Évora seja no país.

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    3. Olha que não olha que não...
      Em matéria de perseguições há uns que têm a fama e outros o proveito. Basta observar o que acontece nos últimos anos na Câmara de Évora (e não só)...

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  10. donde vem tanto dinheiro?

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