domingo, 28 de julho de 2013

O que impede o INALENTEJO de financiar a "Semana dos Palhaços" como faz com a BIME?


Assisti hoje ao espectáculo de encerramento da "Semana dos Palhaços" nos relvados da Malagueira. Nesta terceira edição assisti a três dos vinte espectáculos realizados em Évora nestes últimos cinco dias por 10 companhias portuguesas e estrangeiras, num total de cinco países. Pelo que vi e assisti, mas também pelo que me foi dito por quem assistiu a outros espectáculos, o público foi sempre numeroso, fossem os espectáculos no Jardim Infantil, na Praça do Giraldo, na Praça do Sertório, na Tenda na Malagueira ou mesmo na sede dos PIM, quando se vai para o Alto de São Bento. Houve espectáculos de melhor e pior qualidade. Mas todos a merecerem sempre enormes salvas de palmas. No final dos espectáculos circulou sempre um chapéu para que cada qual desse os euros que achava por bem - para os artistas esse foi o único "cachet".
E aqui entramos na questão dos números. Esta "Semana dos Palhaços" teve como orçamento 1.900 euros (mil da Direcção Regional de Cultura do Alentejo e 900 da Junta de Freguesia da Malagueira. A Câmara de Évora comparticipou com a montagem da tenda na Malagueira e um palco na Praça do Sertório.) Metade deste dinheiro foi para as dormidas. O resto para a alimentação (as refeições foram colectivas e feitas por voluntários na Escola do Alto de São Bento) e para outras despesas (transportes, etc...).
1.900 euros para 20 espectáculos a que assistiram alguns milhares de pessoas (residentes em Évora e turistas), numa animação diária dos principais espaços públicos da cidade, o que dá menos de 100 euros por espectáculo.
Sem querer comparar, mas apenas como referência, num balanço recentemente divulgado pelo Cendrev, a 13ª BIME - a Bienal Internacional de Marionetas de Évora - juntou 21 companhias, de 11 países e levou a efeito 75 espectáculos na cidade. Foi uma grande Bienal, com qualidade e diversidade, constituindo um ponto alto na vida artística e cultural de Évora. O orçamento deste ano, segundo o Cendrev, rondou os 170 mil euros, sendo esta verba financiada sobretudo através dos fundos públicos comunitários que financiam a candidatura apresentada ao INALENTEJO. Ainda segundo o Cendrev "os restantes apoios, DGArtes, Entidade Regional de Turismo são manifestamente reduzidos e a Câmara Municipal limitou-se ao apoio logístico. A receita de bilheteira correspondeu a um pouco mais de 4% do respectivo orçamento".
Dada a diferença de orçamentos de 1 para 100 entre a "Semana dos Palhaços" e a BIME - e sem contestar a qualidade nem a importância da Bienal - não poderiam os fundos comunitários arranjar também alguns "tostões"  para a "Semana dos Palhaços", que está a conquistar ano após ano mais qualidade, mais público e mais projecção, sabendo como se sabe que os PIM consideram que "20 mil euros seriam mais do que suficientes para fazer uma "Semana dos Palhaços" de qualidade e sem apertos financeiros"? (João Palma). Acho que bastava um pequeno esforço para que isto fosse possível.
Por fim uma outra referência: a presença/ausência de eleitos, fosse da maioria na autarquia ou da oposição, não foi nem deixou de ser notada. Foi, sobretudo, ignorada. Coisas de palhaços.

27 comentários:

  1. Inteiramente de acordo CJ.
    Quanto à presença de eleitos, vi por lá uma vereadora da oposição.

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  2. O actual presidente da Câmara esteve na inauguração da BIME. Agora nem vê-lo ou sequer à vereadora da cultura...

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  3. Afinal quem nos conta toda a polémica com as sedes de candidatura,e os actos de vandalismo que terão ocorrido?

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  4. Quem impede que saibamos TODA a VERDADE em torno da polémica das sedes de candidatura?

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  5. Quem foi a rapaziada que terá partidos os vidros junto ao arcada?

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  6. Em Évora as coisas sempre foram assim: Há os palhaços ricos e os palhaços pobres. E não me parece que tenha havido grandes atos de solidariedade dos palhaços ricos para com o pobres. Antes pelo contrário.

    Se os palhaços pobres estivessem sob a alçada do Partido comunista, estou convencido que outro galo cantaria

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    1. Palhaços ricos?
      Palhaços pobres?
      Solidariedade?
      Galos a cantar?

      E se fosses cantar essa música xuxa aos jovens turcos da Travessa da Alegria?

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  7. Sim sim. O PC e a sua grande influência na distribuição das verbas dos financiamentos (comunitários ou não). Valha-me Deus...

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  8. Dizes bem. Valha-nos Deus (que também é muito influenciado pelo PC...). Há palhaços que não se enxergam.

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  9. Se os PIM estivessem tutelados pelo Partido Comunista ou sob coordenação do PS, não resta dúvida que dinheiro não faltaria.


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    1. Todos os imbecis sabem que o INALENTEJO é tutelado pelo Partido Comunista sob a coordenação do PS!

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  10. Diz-se que o CENDREV é tutelado pelo Partido Comunista e bem se vê que "dinheiro não lhe falta".

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    1. Todos os imbecis sabem que o CENDREV está a abarrotar de dinheiro.

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  11. Eis a velha, preferida e constante forma de discutir em Évora temas da vida pública: dualista,(porque se apoia sempre no príncipio da existência de duas partes necessárias, mas opostas);
    maniqueísta (concepção da realidade através de dois princípios opostos); tendenciosa (porque previligia quase sempre uma das partes em detrimento da outra).
    O tema proposto à discussão é oportuno. Escusava era de ser colocado por comparação entre duas partes, já que asssim se garante enviesamento da conversa por uns se colocarem de um lado, outros de outro, e os demais se desinteressarem.
    Este é um bom exemplo a ponderar por quem está interessado em estimular a discussão e a opinião públicas.

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  12. O senhor CJ tem-nos habitudo a esta forma ligeira de abordar certas questões. Pena que se tivesse esquecido de informar se houve efectivamente uma candidatura aos fundos dos INALENTEJO e, caso tenha havido, qual a decisão que recaiu sobre ela e quais os fundamentos de uma (eventual) rejeição. A verdade é que que, sem essa informação, esta discussão de pouco serve, para além de estimular a imbecilidade de certos comentários.

    É que não adianta querer ganhar o Euromilhões se, para isso, não adquiriram um bilhete...

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  13. Tá bem, sr. anónimo. Parece que não saber ler o que está escrito: claro que todos sabemos que para se ter acesso a verbas do Inalentejo é preciso haver candidaturas (e comparar o Inalentejo com o euromilhões não deixa de ter a sua graça...). Mas, em geral,antes das candidaturas há quem aponte esse caminho como possível e adequado. Não foi isso o que aconteceu, já há alguns anos, com o Cendrev, como forma de viabilizar a Bienal?
    E ainda bem que por aqui anda, com a sua forma profunda de analisar as questões...

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    1. Ou seja:
      - não organizaram a candidatura ao INALENTEJO porque ninguém lhes "apontou o caminho"...
      - também nada se diz sobre quem seria esse "alguém" que tinha a obrigação de lhes apontar o caminho...

      E com base nisto faz-se um post, com um título pomposo, que só serve para lançar confusão. Como se percebe pela maioria dos comentários.
      Sim senhor, estamos esclarecidos...

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    2. É verdade, que resposta mais sem jeito, a do das 14:52.

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  14. As eleições autárquicas realizam-se precisamente dentro de dois meses. Com as férias, pode-se dizer que elas estão mesmo aí “à porta”, estando os diversos partidos a tratarem de finalizar as listas, uma vez que terão que ser entregues até ao dia 5 de Agosto. Quanto a Évora a pré-campanha parece estar numa fase mais do que morna, apesar dos candidatos do PS e da CDU andarem numa roda viva por tudo quanto é festa de aldeia – às vezes os staffs partidários quase são mais do que os participantes nos festejos -, reservando para depois das férias iniciativas de maior vulto.
    Regra geral, dizem os entendidos, a campanha eleitoral, propriamente dita, tem pouco impacto, a não ser no convencimento de alguns eleitores que estão hesitantes até quase ao último momento sobre o seu sentido de voto. No caso de Évora, onde a margem entre o PS e a CDU, há quatro anos, se situou nos cerca de mil votos (1.168 votos) , esta “pesca à linha” pode ser importante. Há quatro anos a abstenção no concelho de Évora foi superior a 45 por cento e estima-se que este ano possa ser ainda maior, o que poderá complicar algumas das contas que estão a ser feitas pelos estados-maiores partidários.
    De concreto, pode-se dizer que o PS neste momento ainda mantém a Câmara, apesar de ter um candidato por todos considerado como “muito fraco”, uma vez que a CDU e a sua candidatura ainda não mostraram um elan suficiente que permita dizer que está em condições de assegurar a vitória. Pelo contrário, hoje as condições para a CDU ganhar a Câmara são mais difíceis do que há quatro anos, quando o PS estava no Governo e José Ernesto Oliveira, já desgastado e alvo de muitas críticas, se recandidatava a um 3º mandato. Na altura, mesmo com um candidato pouco conhecido como Eduardo Luciano, a CDU obteve um resultado histórico que não é certo que Pinto Sá, embora mais experiente e mais reconhecido publicamente, consiga agora ultrapassar, obtendo os votos que separam o PS da CDU e permitindo à coligação comunista a conquista da Câmara.
    Para além do contexto geral ser hoje mais desfavorável à CDU do que ao PS (agravamento do nível de vida, medo da incerteza quanto ao futuro, subida do PS nas intenções de voto a nível nacional, penalização das medidas governamentais) do que há quatro anos atrás, também a nível local existem outras incertezas. 1 - A fraqueza da coligação PSD/CDS em Évora poderá deslocar votos. Para quem? Essa é ainda uma incógnita; 2 - Por outro lado, a candidatura reforçada do BE (mesmo ao nível das freguesias urbanas) irá ter uma expressão eleitoral com maior significado? E se isso acontecer, que partido irá penalizar? O PS ou a CDU?; 3 - Se houver uma maior abstenção quem serão os partidos mais prejudicados? O mais votado, PS? Ou, também, a CDU?
    São perguntas importantes a que os dois próximos meses poderão dar algumas respostas. Os resultados destas eleições vão, por isso, depender muito do que vão ser a pré-campanha e a campanha eleitoral. Até agora, os debates entre candidatos não têm existido. Parece mesmo que não há um grande interesse em debates neste momento (sobretudo por parte do PS e do PSD).
    A juntar a isto existem outras questões: a cidade de Évora comporta-se já como um núcleo citadino, urbano, em que a informação tem dificuldade em circular, uma vez que as redes de comunicação locais (como nas aldeias) já não funcionam aqui e, ao mesmo tempo, existe défice de outros canais informativos. O “Diário do Sul” ainda representa a grande e quase única fonte de informação local para muitos cidadãos eborenses, sendo as rádios locais escassamente ouvidas.
    Isto dificulta também em muito o trabalho de propaganda eleitoral que, a não ser feitos pelos próprios partidos duma maneira eficiente, se arrisca a que chegado o dia das eleições haja muitos eleitores que nem saibam quem se candidata e a quê. Claro que neste “jogo informativo” quem mais se trama são as formações políticas mais pequenas, com menos meios e menor capacidade de chegar aos eleitores…
    Mas para já, boas férias a todos. Ver-nos-emos lá para o fim de Agosto.

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  15. É bom ler por aqui um Luís Bernardes, ainda que pouquissímossssss saibam quem é... boas férias na mesma.

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  16. Senhores do Pim, agora já sabem e façam favor de candidatarem a semana dos palhaços do próximo ano ao inalentejo. O senhor das 14 e 13 e das 15 e 53 deve trabalhar no Inalentejo e sabe do que fala: tratem da candidatura e depois logo se vê. (Se não for aprovada sempre ficam com argumentos para contestar. É ele que diz). Afinal ao contrário do que insinua o CJ não há nada que impeça o Inalentejo de financiar a semana dos palhaços, tal como já acontece com a bime. Mãos à obra e boa sorte.

    J.M.

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  17. Luís Bernardes

    Essa partidarite é que acabou com o País, as cidades etc.
    Tudo gira à volta dos partidos e do seu umbigo. As televisões abrem e fecham a falar dos partidos, deixando-se enredar nas conversas dos seus ativistas e funcionários.
    Não há projetos. Há cenários partidários.

    Cada vez mais me orgulho de anular o meu boletim de voto.

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  18. Finalmente luz.

    Percebeu-se afinal que o BIME não é apenas obra de carolas (como muitos sempre quiseram fazer crer), mas é sobretudo um projeto financiado por dinheiro público. Bem financiado. É um organização que já cá anda há muito tempo, que se mexe nos meios como ninguém e que tem informação quase privilegiada.
    Sabemos também que o PIM estão entregues a eles próprios. E ao contrário do que o J.M. sugere, tomara o PIM, João Palma e companhia, tempo e dinheiro para montar os seus projetos ou pagar as suas despesas. Ou seja, fazer tudo e de tudo. Estar "em cima" do acontecimento relativamente aos apoios públicos, ter apoio administrativo dedicado e conhecedor dos meandros da coisa. Complicado.

    Obrigado CJ

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    1. Mais capacidade organizativa e menos ciumeira saloia é que fazia muita falta...
      Mas isso é muito complicado.
      É mais fácil mandar umas "postas de pescada" e queixar-se da "sorte" do vizinho. Esquecem-se que a "sorte" dá muito trabalho...

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  19. A fazer fé nos comentários que aqui foram produzidos, de que vale o PIM queixar-se de que não tem apoios se não vai à luta como os outros ?
    Então agora ainda se penaliza os que se candidatam a fundos e que os conseguem? Mas está tudo doido ?
    Se uns não têm porque não se candidatam, os outros devem seguir este exemplo? Tomara que todos os agentes culturais pudessem, ou soubessem, candidatar-se ! Isto mais parece uma alcateia em que todos se procuram devorar e aniquilar para ninguém brilhar !

    Vivemos numa cidade onde há imensa gente medíocre, mesquinha e invejosa: eu não tenho então tu também não podes ter. Ora, vão mas é trabalhar ! Ou então informem-se melhor sobre os meios que existem para apoiar a cultura e deixem-se de acusações partidárias que não visam qualquer esclarecimento.

    Miséria de cidade, miséria de agentes culturais, miséria de câmara, miséria de gente !

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    1. Luta?
      Com as calças do meu avô sou eu um homem, como dizia o outro.

      Sempre gostaria de ver os que são subsidiados (cendreves e companhia) não estarem umbilicalmente ligados aos partidos do arco da governação autárquica.
      Nesta coisa regional, ou estás com os partidos da alternância ou não mamas nada.
      Já no tempo do PCP os PIMS foram sempre mal tratados...e para não chatearem muito, foram desterrados lá pra longe.

      O Problema dos PIMs, é que só podem contar com eles mesmo.

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  20. CJ, que jornalista mais aldrabão.

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