quarta-feira, 24 de julho de 2013

No dia em que começa a "Semana dos Palhaços" o Pim Teatro anuncia que pode abandonar Évora



A companhia Pim Teatro, de Évora, enfrenta "graves problemas financeiros", devido aos cortes dos apoios, que tiveram como consequências despedimento de funcionários, salários em atraso e a redução "drástica" dos ordenados e da criação artística.
Alexandra Espiridião, directora do Pim Teatro, adianta à Agência Lusa que a companhia "está sem apoios financeiros para a sua actividade", depois de ter ficado de fora nos concursos de apoios directos às artes, da Direcção Geral das Artes (DGArtes).
"O Pim Teatro completa este ano 20 anos de existência e volta, praticamente, ao início", porque "tivemos nove anos com apoios e agora estamos outra vez sem apoios", lamenta a também actriz da companhia, que produz sobretudo espectáculos para os mais novos.
A responsável refere que os actuais três funcionários e um outro que já saiu do grupo "têm ordenados em atraso", cujo valor ascende a "12 mil euros", mas também foram obrigados a baixar "brutalmente" os salários, de 800 para 500 euros por mês.
De acordo com a directora do Pim Teatro, a companhia "sempre teve um subsídio reduzido", mas este "garantia a criação e montagem de dois espectáculos anuais e a realização de uma série de actividades consideradas de serviço público".
"Essas actividades começam a ter que desaparecer, porque temos de procurar fazer iniciativas que sejam rentáveis", diz, realçando que os municípios, os "grandes programadores de teatro", estão a atravessar "problemas financeiros" e "não estão a comprar espectáculos".
"Estamos a estudar o mercado para tentar perceber onde o teatro faz falta e onde existe dinheiro para o pagar. Por muito que nos pudesse agradar, não podemos trabalhar gratuitamente, porque nós também temos filhos, casas e contas para pagar", acrescenta.
Alexandra Espiridião dá como exemplo a "Semana dos Palhaços" que a companhia alentejana promove, a partir desta quarta-feira e até domingo, 28, em Évora, com a participação de dez companhias portuguesas e estrangeiras.
Assinalando que "a ´Semana dos Palhaços` é um acto de loucura" da companhia, explica que o grupo "está trabalhar há três semanas para não ganhar nada" em termos financeiros, porque "o festival não tem fontes de lucro, nem sequer se cobra bilheteira".
A responsável adianta que a iniciativa conta com um "ridículo" apoio financeiro de 1.900 euros, da Direcção Regional de Cultura do Alentejo e da Junta de Freguesia da Malagueira.
"Só mesmo uma ´Semana dos Palhaços` é que se faria com 1.900 euros de apoios institucionais e só mesmo os palhaços aceitariam trabalhar por nada", ironiza, considerando que seriam necessários "19 mil euros para um festival com duas semanas e para trazer mais artistas".
A directora do Pim Teatro diz antever um futuro "negro", já que a companhia ainda não vendeu nenhum espectáculo para Agosto e os que já estão marcados para Setembro "não garantem os mínimos de subsistência" do grupo.
Alexandra Espiridião admite que o Pim Teatro está a pensar ir desenvolver o seu trabalho "para outra zona do país ou para o estrangeiro", alegando que as actuais condições "não permitem continuar" por muito mais tempo. (LUSA)

9 comentários:

  1. Boa notícia. Menos uns a gastar e menos votos no BE.

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  2. O Vosso tanque General, é um carro forte
    Derruba uma floresta esmaga cem
    Homens,
    Mas tem um defeito
    - Precisa de um motorista

    O vosso bombardeiro, general
    É poderoso:
    Voa mais depressa que a tempestade
    E transporta mais carga que um elefante
    Mas tem um defeito
    - Precisa de um piloto.

    O homem, meu general, é muito útil:
    Sabe voar, e sabe matar
    Mas tem um defeito
    - Sabe pensar
    (Bertold Brecht)
    Anónimo das 16:02 satisfaça-me uma curiosidade, o sr é tanque ou bombardeiro?

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    1. Não, Miguel, é certamente uma besta socialista.

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  3. O Sr Sampaio tem de aprender a respeitar quem discorda de si.
    O senhor acha que é dono da verdade?
    Há anos que eu leio aqui comentários ofensivos, jocosos, absurdos por vezes, dirigidos àqueles que não concordam consigo ou com o BE.
    É essa a sua noção de democracia? Todos têm de ler pela sua bitola, é isso?
    Eu não sou o 1º comentador, mas se o sujeito acha que o PIM Teatro ir-se embora de Évora é uma boa notícia, está no seu pleno direito, acho eu.
    Por acaso não concordo, mas não ofendo ninguem.
    Lutarei sempre pela liberdade de todos. Sobretudo pela liberdade de expressão daqueles que de mim discordam. Sabe porquê? Porque é com esses que mais aprendo. Aqueles que concordam sempre comigo não me ensinam nada, não me ajudam a crescer.
    Do seu lado, senhor Sampaio, o que tenho visto é arrogância e intolerância. Tem a isso todo o direito, obviamente. Como eu tenho o direito de discordar consigo.
    Cumprimentos

    Carvalho

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    1. Perdão, queria dizer:
      "Tenho o direito de discordar de si"

      Carvalho

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    2. temos o direito de discordar consigo e de si.
      outra árvore

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  4. Sr Carvalho se todos gostassem do mesmo o amarelo não se gastava...
    Eu limitei-me a responder a um comentário ofensivo de uma forma mordaz, se não gostou paciência, está no seu direito, como está no seu direito de comentar o que quer que seja.
    Não me acho dono da verdade, nem acho sequer que a verdade tenha dono, são pontos de vista.
    O que me entristece é ver uma companhia com vinte anos de história acabar desta forma, ver pessoas de quem gosto e que considero excelentes profissionais, serem achincalhados desta forma, por alguém que nem sequer tem a coragem de dar a cara e assumir o que disse.
    "Boa notícia. Menos uns a gastar e menos votos no BE."
    Se acha isto humano e decente, tenho pena. Eu não acho e por isso reagi.
    Quanto aos comentários ofensivos,jocosos,absurdos por vezes, far-me-á o favor de dizer quais, que eu me recorde só por uma vez perdi as estribeiras e tive o cuidado de me retractar.
    Ou acha o senhor que eu não fui vítima também de comentários ofensivos,jocosos,absurdos por vezes?
    Às tantas não é apenas o meu conceito de democracia que tem de ser posto em causa, muito embora eu ache que nada disto tem a ver com democracia, tem a ver com debate e o debate nem sempre é coisa de cavalheiros.
    Fico-me por aqui, esperando que com este esclarecimento possa entender melhor a minha posição.

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  5. Numa cidade normal o Pim teria o seu espaço artístico, teria os subsídios ( sim almas liberais! Nos EUA, essa pátria do capitalismo, as ARTES são subsidiadas pelo dinheiro público, pelo dinheiro privado, pela bilheteira, etc e sim, almas Bolcheviques, não existe uma única opção ideológica imposta pelo Estado)...mas isso seria numa cidade normal.
    Podemos discordar, não podemos é dizer asneiras como o jovem que acha que o Pim ir embora é bom porque são menos votos no BE...
    Podemos discutir se existem companhias a mais, podemos discutir como rentabilizar o teatro ( imagine-se que o teatro dá lucro...na Áustria, na Alemanha, em Inglaterra, etc) podemos e devemos discutir isto. Como tornar a cultura, toda ela, acessível a todos, ( como fez Malraux em França, Oh almas de esquerda...) e como a podemos tornar um elemento distintivo da cidade. Mas isso era numa cidade normal.
    Relembro sempre Virgilio Ferreira: " nem mais que a 4ª. classe, nem menos de 500 porcos" sobre a cidade onde viveu e ensinou tanto tempo...( está na Aparição). E cada vez mais atual.
    Voltaire

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  6. E um gajo tão inteligente como tu, o que estás cá a fazer? Já tens a 4.ª classe e os 500 porcos?

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