sexta-feira, 19 de julho de 2013

Manuel Melgão: uma chachada de "entrevista"


Fiz um esforço enorme para ouvir estes 66 minutos de "entrevista". Ponho "entrevista" entre aspas porque não se tratou nada disso. Foi uma conversa o mais inócua possível. O "entrevistador" pegou naquilo que o candidato do PS disse serem as linhas mestras da sua candidatura (políticas sociais, educação e desenvolvimento económico) e foi por aí fora, com a mão debaixo do candidato não fosse ele se perder nos meandros de alguma questão.
Para o fim, e telegraficamente, quase pedindo desculpa, o director da rádio diana lá pediu a opinião do "entrevistado" sobre a cultura, o centro histórico, o ambiente... (dizendo mesmo que a estes assuntos é dada uma desmesurada importância, na sua opinião...).
O candidato do PS a isso quase nem respondeu. Deu a impressão que eram "perguntas fora do baralho" daquilo que estava combinado.
E é estranho - muito estranho - que não tenha havido uma pergunta sequer sobre o endividamento da Câmara, a relação com as águas do Centro Alentejo, o PAEL, a relação com os agentes culturais e desportivos, etc., etc...
Manuel Melgão e a sua candidatura podem sempre dizer que essas perguntas não lhe foram feitas - por isso não houve respostas.
Para mim, que não sou de deixar as palavras a meio, este parece mais um daqueles jogos com "resultado combinado", neste caso com perguntas previamente definidas.
Foi um mau trabalho da rádio - neste caso do seu director, José Faustino - (quando comparado o nível de perguntas feitas quer a Pinto de Sá quer a Maria Helena Figueiredo), mas foi também um mau serviço prestado à candidatura de Manuel Melgão. Quem ouve a entrevista (mesmo dolorosamente, pela falta de ritmo e de entusiasmo do candidato) percebe que há aqui um erro de casting - Melgão, com todos os seus defeitos e qualidades, não tem perfil para candidato à presidência da Câmara de Évora. Poderia dar um bom vereador das obras, do desenvolvimento económico, da educação, da acção social, sei lá... Mas - perdoem-me os seus apoiantes - para presidente de Câmara, de uma cidade como Évora, definitivamente, por enquanto - não sei o que vai acontecer noutros debates e entrevistas - não tem estaleca nem dimensão. É um personagem de segunda!
É uma pena. Mas a verdade é esta. Apesar do sentimento com que fiquei desta ter sido uma entrevista combinada (e aqui a "federação" deveria intervir como a federação de futebol intervém quando suspeita de jogos com resultados combinados) a prestação de Manuel Melgão foi muito abaixo do que se poderia supor. Nem atingiu os critérios mínimos para que, se fosse atleta, lhe fosse permitida a participação nos Jogos Olímpicos. Aqui, se esses critérios existissem, estaria definitivamente afastado do "jogo eleitoral", pelo menos como cabeça de lista.
Quanto a Paulo Jaleco ainda não ouvi a entrevista. Vai ser o meu próximo "calvário". Depois direi.

10 comentários:

  1. Não ouvi...não posso dar opinião.
    Assim fico sem saber o que dizer...mas palpita-se que não vá gostar da entrevista do Jaleco que ainda não a ouviu e já a apelida de calvário.

    Havia um gajo que era alcunhado de embirra. Ainda antes de ouvir os temas das reuniões ou o andamento das mesmas, atirava: " Não ouvi, mas desde já não concordo"

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  2. Pois eu ouvi e concordo quase integralmente com a análise de Luis Bernardes. Da "entrevista" sairam mal o entrevistado e entrevistador. Um porque parece 'pão sem sal' e outro porque fez um frete demasiado óbvio.

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  3. É, de facto, inaceitável que todos os candidatos da oposição sejam confrontados com perguntas sobre as dificuldades financeiras da autarquia e o responsável e rosto dessa autarquia seja poupado a elas. É, de facto, inadmissível que nunca tenha sido confrontado com as asneiras da adesão ao sistema multimunicipal das águas, com o PAEL e com outras opções de consequências desastrosas para as finanças das autarquias.

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  4. Mas o "pezinhos" é jornalista?


    A Radio "socialista" diana

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  5. Mas nós não escrevemos nada ... só repetimos o que está e foi escrito , já leram ???

    """

    Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal.

    """


    in As Farpas de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, 1878


    Então ?

    Jorge

    ( ciclista )

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  6. Só quem não conheça a figura é que pode esperar que dali saia um rasgo de génio ou uma simples ideia?
    Ou ainda acreditam que a recusa de debates se deve à desculpa estapafúrdia assinada pelo Chico Brilhantina?
    A verdade é que o homem não foi talhado para estes voos...

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  7. Mas é mais do que evidente que Manuel Melgão não pode participar em debates nem em entrevistas que não sejam previamente combinadas por duas ordens de razão:
    - Limitações pessoais decorrentes de não ter carisma, ritmo, pensamento político
    - A gestão desastrosa da CME onde participa há vários anos como vice-presidente

    José Faustino prestou um péssimo serviço à população e ao candidato ( que para certos debates ainda não é candidato). Na mente de quem ouviu a entrevista subsistirá para sempre a imagem de que esta foi encomendada para que apenas alguns assuntos pudessem ser aflorados, enquanto que outros , verdadeiramente estruturantes como os 80 milhões de dívida, a adesão ao Pael por 20 anos, com juros mais elevados do que aqueles que pagamos aos credores externos, a obrigatoriedade de colocar na taxa máxima impostos, tarifas e taxas, a inexistência de obra, de acção social e de cultura, passam ao lado com o candidato/presidente da câmara a dizer apenas o que lhe convém sem haver contraditório. Péssimo serviço, repito. Péssimo serviço da Rádio Diana, demasiado comprometida com o PS desde a sua fundação.
    Não convém também esquecer que o lema da campanha : Fazer Melhor (porque pior é impossível) diz bem do desastre que constituiu a gestão socialista de 12 anos e desta candidatura.Ou Évora muda agora ou arrisca-se a ser um espelho de outras cidades alentejanas. Ou uma miragem do que foi...

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  8. Uma chachada, sim ! Mas como é que o municipio de Évora e o concelho podem sequer ponderar em manter um candidato da continuidade da ruína desta cidade? Veja-se a falta de limpeza, de investimento cultural, até de investimento económico de que tanto falam mas que não conseguem contabilizar em termos de população do concelho beneficiada. O que se torna ainda mais atroz é a forma como se fecharam nos paços do concelho parasitando do trabalho feito por agentes culturais, escolas, freguesias e outros a quem deixaram de apoiar. Já nem falo na vergonha do prémio da sociedade portuguesa de autores ! Como se atreveram depois do deserto cultural a que votaram Évora?

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  9. Entrevista de Paulo Jaleco à rádio diana

    O prometido é devido e este fim de semana tive tempo para ouvir a entrevista do candidato do PSD, Paulo Jaleco à rádio Diana. De Paulo Jaleco, um médico, desde sempre comprometido com as coisas do desporto já se sabe que não é um político e que o PSD/CDS esperam que ele, com algum carisma que mantém nalguns meios da cidade possa evitar a derrocada que muitos advinham (nomeadamente a perda do vereador). É possível que Paulo Jaleco evite a perda do vereador laranja - sobretudo por não ter um discurso político nem ser muito identificável com a actual maioria que gere o país. E isso ficou bem patente nesta entrevista. Percebeu-se que Paulo Jaleco tem "umas ideias gerais" sobre Évora e o seu patamar de discussão está ao nível das conversas de café que todos temos. Tem umas ideias sobre o Garcia de Resende, o envolvimento dos agentes, a necessidade de aproveitar todos os investimentos, a certeza de que a situação financeira da Câmara não permite grande obra, mas pouco mais - aliás, por meia dúzia de vezes disse que foi convidado para candidato só há alguns meses e que só agora está a estudar alguns dossiers.
    Ao ouvir a entrevista fica a sensação que Paulo Jaleco é honesto no que diz: não sabe e diz que não sabe, evitando pôr-se em bicos de pés e sabendo que o que está em jogo não é a sua eleição para presidente de Câmara mas apenas como veredor - e o mais provável ficando sem pelouro(e se o conseguir é um bom resultado!)
    A entrevista seguiu o formato das realizadas a Calos Pinto Sá e a Maria Helena Figueiredo, com José Faustino a "mostrar", mais uma vez, que a entrevista a Manuel Melgão foi a excepção - em que a combinação de assuntos a tratar e a não tratar foi mais do que evidente.
    De Paulo Jaleco pode-se dizer que é um candidato fraco - mas, neste momento, ao PSD/CDS seria dificil encontrar melhor.
    Ouvidas as quatro entrevistas, embora sem ser brilhante, Pinto Sá, o candidato da CDU, (com anos e anos de tarimba) foi o que mostrou melhor conhecer os dossiers - apesar das referências constantes a Montemor e ao "peso" do sector agrícola - que, diferentemente de Montemor, quase não se nota em Évora - e ter ideias precisas e melhor delineadas;
    Maria Helena Figueiredo, do Bloco de Esquerda, apesar de se notar um grande voluntarismo, sente-se que é uma "novata" nestas andanças, com um discurso muito genérico, e ainda pouco à vontade;
    Manuel Melgão, nesta série de entrevistas da Rádio Diana, foi a maior desilusão: actualmente presidente de Câmara e com oito anos de experiência autárquica em Évora esperava-se dele um discurso mais estruturado, mais afirmativo e, pelo menos, mais entusiasta. Não foi nada disso. Compreende-se porquê a sua recusa em participar em debates até agora.
    Paulo Jaleco não esteve mal nem bem: é assim. A sua ambição também é quase nenhuma - segurar o máximo possível os votos do PSD e do CDS há quatro anos para evitar a perda do vereador. E para isso tem o perfil certo: ninguém o vê como político, muito menos comprometido com a gestão PSD/CDS a nível nacional.

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  10. Com esta rádio e com este diretor estavam a espera do quê?
    Alias e acho mesmo que nem chega a ser uma desilusão, mas sim uma confirmação do tipo de gente e organizações que suportam o PS.
    Como disse um expedito assessor do Sr. Manuel Melgão noutro dia, parecia que tinha sintonizado o tempo de antena de campanha do PS e tinha entrado num comício do PS.

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